Se questionamos que o Brasil é um país atrasado na legislação em prol dos homossexuais, um dos países berço de grandes revoluções também demonstra esse preconceituoso retardo, como mostra Marcelo Hessel Omelete: “O ator francês Lambert Wilson protagoniza este filme agridoce a favor dos direitos gays. Como um dos personagens de Baby Love (2008) diz logo no começo, até um país beato como a Espanha permite a casais homossexuais adotar filhos, mas na iluminista França isso é contra a lei.” Rômulo Augusto postou em seu blog Point do Cinema enfatizando que na verdade há um afastamento da atualidade no que ocorre no país. “Baby Love trata de um tema complexo e delicado de forma honesta sem cair na caricatura -- o que poderia acontecer facilmente. O universo dos personagens do filme situa-se longe dos problemas sociais que afetam a França atualmente -- em especial, as tensões entre nativos e imigrantes.” Já Luiz Zanin do Estadão nos apresentou como a idéia veio a tona ao diretor da obra. “Talvez, de fato, o filme de Vincent Garenq inspire uma conversa aberta sobre esse assunto polêmico. Isso porque é uma comédia sem preconceitos, que não se contenta em ilustrar as diversas faces de um problema, mas procura, pelo menos até certo ponto, criar personagens críveis, verdadeiros, matizados. Ele próprio tem origem em fatos reais. Garenq teve idéia para a história quando soube que Manu, um amigo de colégio homossexual, havia viajado num fim de semana, junto com o companheiro, para se encontrarem com um casal de lésbicas a fim de discutir a possibilidade de conceberem um filho em comum.” Portanto a trama de Baby Love funcionará plenamente para quem deseja iniciar a discussão sobre a polêmica, tomando cuidado para evitar a superficialidade em opinar em um assunto tão delicadamente humano.
São muitos os atores e atrizes que ficam presos á um único gênero e papel. Ou será que você conseguiria imaginar Meg Ryan interpretando uma vilã extremamente maléfica e sádica ou Johnny Deep fazendo o papel de um ser humano normal, que acorda para ir trabalhar em um escritório todo dia e tem uma família feliz? Paul Newman, que infelizmente nos deixou no último sábado, pertencia ao rol dos grandes atores com uma carreira totalmente eclética. Suas interpretações percorreram desde o delicado gênero drama, como no longa Gata em Teto de Zinco Quente (1958) estrelado ao lado de Elisabeth Taylor, e O Mercador de Almas (1958) que lhe rendeu um prêmio no Festival de Cannes, ao violento estilo gangster em Golpe de Mestre (1973) e Estrada para Perdição (2002), sua última grande atuação na tela grande. Mas certamente foi nos faroestes que Newman pôde aflorar sua veia cômica, uma verdadeira contradição em um estilo de filme marcado pelos constantes tiros e socos. Hud (1963), Hombre (1967) e Oeste Selvagem (1976) são alguns exemplos pontuais que podem ser citados, porém, com um destaque óbvio para Butch Cassidy e Sundance Kid (1969). O diretor George Roy Hill soube como ninguém conduzir os, então, galãs Paul Newman e Robert Redford, resultando numa interpretação cativante graças à forte veia cômica e sarcástica da trama. Roy Hill ainda comandaria a dupla em outro grande sucesso, o já citado Golpe de Mestre, também contrabalanceando humor e violência. Finalizo o Clássico em DVD da semana com alguns dos grandes trechos desta marcante obra cinematográfica, embalada pela canção composta exclusivamente para o longa, sendo inclusive ganhadora do Oscar, Raindrops Keep Fallin’ on My Head. Com esta perda, não somente as gotas de chuva escorrerão pelas nossas cabeças, mas as lágrimas apertadas estarão em nossos olhos ao apreciar inesquecíveis interpretações cinematográficas de uma época em que os grandes astros de Hollywood morriam de velhice depois de uma longa carreira e não de overdose precocemente nos abandonando.
O post de hoje será altamente especial, prestando uma singela homenagem ao ator hollywoodiano Paul Newman, que nos deixou no último sábado com uma extensa e gloriosa carreira, fazendo um apanhado de como a mídia digital noticiou a despedida. “Imagens do ator norte-americano Paul Newman, que morreu no sábado, adornaram as primeiras páginas dos jornais de todo o mundo neste domingo, 28, e seu penetrante olhar azul competiu pela atenção dos leitores junto às manchetes da crise financeira mundial.” Noticiou o site do Estadão em parceria com a agência Reuters e Associated Press. Realmente apenas uma notícia assim para desviar os olhares do pouso atropelado da águia norte-americana. “Newman lutava havia vários meses contra um câncer de pulmão, depois de aposentar-se do cinema em 2007. Além de ator e cineasta, ele exercia as atividades de empresário -- com uma linha de alimentos -- e piloto automobilístico, uma de suas grandes paixões e algo que ele perseguiu até os últimos anos de sua vida.” Resumiu o Omelete. O ator ao ser diagnosticado com câncer de pulmão terminal, se retirou totalmente da vida pública, optando por morrer em casa velado pela família. “Na França, o presidente Nicolas Sarkozy se referiu ao ator como uma ‘lenda de Hollywood’. ‘Ator, autor, roteirista, diretor, produtor e filantropo, ele era um grande amigo da França e também vai ser lembrado pelas aparições na corrida de 24 horas de Le Mans’. disse Sarkozy num comunicado. Mesmo o Irã, país muçulmano conservador, cuja mídia não se afetaria com a morte de uma estrela de cinema ocidental, marcou a ocasião. Dois jornais pró-reformas trouxeram a foto do ator, e a mídia estatal também registrou a notícia. Na Itália, Sophia Loren, que contracenou com Newman, classificou a notícia da sua morte como um ‘choque’.” Assim como o G1 a Folha destacou as declarações públicas de condolências “O ator americano Robert Redford, amigo de Newman, com quem protagonizou memoráveis produções, como Butch Cassidy e Golpe de Mestre, liderou as homenagens. ‘Há um ponto em que os sentimentos vão além das palavras’, disse Redford, 72, segundo o programa Entertainment Tonight. ‘Perdi um verdadeiro amigo. Minha vida e este país são melhores porque ele esteve em ambos’.” A agência O Globo faz um apanhado geral da carreira de Newman. “Apesar da aparência atraente e irresistíveis olhos azuis o terem feito um ator ideal para papéis românticos, Newman também fez personagens rebeldes. Ator, diretor e produtor, ele atuou em cerca de 60 filmes em 50 anos de carreira. Newman garantiu a fama ainda nos anos 60, com filmes como Desafios à Corrupção, Criminosos Não Merecem Prêmio, O Indomado, Rebeldia Indomável e Hombre. Críticos dizem que seu filme mais memorável foi Butch Cassidy -- Dois Homens e um Destino, ao lado de Robert Redford, em 1969. Em 2006, ele realizou seu último trabalho para as telas ao dublar o personagem Doc Hudson na animação Carros, da Pixar.” Portanto, para quem contempla a fase de ouro hollywoodiana não há como escapar das interpretações sensíveis e impactantes de Newman. Como homenagem final deixo o vídeo disponível no YouTube de uma das mais belas cenas da história do cinema e da carreira do eterno Butch Cassidy.
Fevereiro de 2006. Eu ainda era uma estudante de Ecologia e estava fazendo um estágio de 3 meses em uma comunidade isolada de pescadores chamada Marujá, localizada no Parque Estadual da Ilha do Cardoso, extremo litoral sul do estado de São Paulo já na fronteira com o Paraná. Eu estava a nada menos que 3 horas de barco e 5 horas de ônibus da capital paulista. Mesmo assim percorri este longo caminho até o Estádio do Morumbi para apreciar a Vertigo Tour da banda irlandesa U2. Apreciar não. DELIRAR. Não vou ser nem um pouco neutra e negar que o U2 é a minha banda favorita! Fiquei encantada e chorei do começo ao fim, cantei do começo ao fim, fiquei com o coração apertado e o estômago doendo do começo ao fim… E horas depois, ainda tremendo de êxtase, peguei o ônibus e o barco de volta para a ilha. Este ano fui presenteada em saber que poderia conferir o show no inovador formato 3D. Mesmo estando a certo tempo em cartaz, por questões de trabalho somente agora pude assistir a obra. E não me arrependi! Bem, você deve estar se perguntando por que eu dei apenas 4 películas para filme se sou tão fã assim. O problema é que passou rápido de mais a experiência em 3D. Dar apenas 1 hora e 20 minutos é explorar pouco o potencial tecnológico e musical que poderia render muito mais tempo de projeção. Além disso, o corte temporal resultou na ausência de canções como Elevation, Misterious Ways e City of Blinding Lights. Posso estar sendo uma fã abobada, reclamando de boca cheia. Mas fica aqui o elogio para a tecnologia 3D, que como está explicitada na sessão A Crítica, pode ajudar a diminuir a pirataria e mais uma vez inovar a indústria cinematográfica retardando o seu sempre tão anunciado fim. Além disso, poder ter a sensação de apreciar o show de ângulos inimagináveis, é único e totalmente inesquecível. Como aquela noite chuvosa de Fevereiro de 2006…
Se a indústria fonográfica sucumbiu à pirataria, o que restou? Os artistas musicais ainda ganham seu cachê graças aos ingressos que pagamos em seus shows. Ou você acha que não há uma grande compensação financeira para a senhora Madonna por algumas apresentações extras aqui por terras brazucas? Mas a pirataria está assombrando há tempos outra forte indústria de entreterimento, a cinematográfica. Se a tecnologia digital facilitou o fato de qualquer mortal poder fazer um curta e postá-lo para a posteridade em sites como o YouTube, também abriu caminhos para que qualquer um copiasse ou baixasse os filmes que quisesse. Para que pagar 15 reais em um ingresso de cinema, 8 reais na locação de um DVD ou mais de 50 reais por um DVD só para você? Baixar ou comprar uma mídia pirata sai quase de graça. E nessa situação caótica e sem controle, como manter a sobrevivência de toda uma cadeia industrial? A resposta pode estar no investimento em salas IMAX e 3D. Se a primeira tecnologia só estará disponível para nós aqui no Brasil no ano que vêm, filmes 3D já podem ser uma realidade a preço acessível. Este é o caso da obra U23D (2007), como defende Tony Tramell do Almanaque Virtual: “O nome já diz tudo. U2 em 3-D é uma experiência única e um avanço na indústria fonográfica, eis aí um caminho que, pelo menos a médio prazo, parece longe da pirataria. O filme-show, documentário-espetáculo, show 3-D, ou seja, não tem rótulo para a experiência que é entrar na sala e ver um show com essa tecnologia. (…) Um dos trunfos de U23D consiste na direção e na fotografia. Catherine Owens e Mark Pellington fazem uma direção hábil e inspirada, sabendo alternar entre uma tomada exclusiva e outras onde coloca o público como se estivesse num lugar distante da platéia, permitindo uma visão do show dinâmica e diversificada.” A equipe do Rapadura Blog também defende as causas do filme e principalmente o fato da banda irlandesa estar mais uma vez se re-inventando: “U23D, a primeira produção de um evento ao vivo, digital em 3-D e fazendo uso de inúmeras câmeras, reflete o longo relacionamento que a banda tem com a tecnologia, além do reconhecimento de que o 3-D não é apenas uma plataforma em desenvolvimento – e, sim, uma realidade – e a crença de que o filme tem a capacidade de revolucionar a maneira pela qual o entretenimento é produzido e experimentado. O casamento entre as avançadas imagens digitais produzidas pela tecnologia 3-D e o sistema de som surround 5.1 com a energia de um show ao vivo leva o público a uma extraordinária jornada cinematográfica, um grande passo em relação aos tradicionais registros de shows, além de proporcionar ao público a sensação de estar, de fato, assistindo a um show do U2.” O jeito é comprar o ingresso e colocar os óculos 3D, pois está experiência não está disponível para dowload no eMule!
Antes restritas ao universo infantil, hoje os filmes de animação estão explorando cada vez mais o potencial de cair nas graças do público adulto. Basta apreciar como os filmes da Pixar tem tratado de temas tão adultos, como o mundo corporativo ou o existencialismo psicológico é mostrado em Mostros S.A. (2001) e Wall-E (2008). Um desses nichos são as animações de conotação sexual, como Queer Duck (2006) e o pioneiro Fritz the Cat (1972). Mas se o propósito da nova animação do gênero, Branca de Neve – Depois do Casamento (2007), era ser ousadamente engraçado e pornográfico, nenhum crítico ‘engoliu’ o resultado, como é o caso de Érico Borgo do Omelete “O humor da co-produção da Bélgica, França, Reino Unido e Polônia, simplesmente não funciona. São piadas pré-adolescentes que só fariam rir mesmo a turminha do fundão da quinta-série. A animação acompanha. Tosquíssima, só funcionaria se houvesse algum estofo narrativo que nos fizesse ignorar a má qualidade artística. Não é o caso. Nem na malícia (o diretor e roteirista) Picha acerta. Há uma ou outra cena mais picante -- uma princesa de peito nu aqui, outra ali -- mas nada remotamente sensual. Ora, se quer mostrar uma orgia de contos de fadas, que mostre! É ou não é uma animação adulta, afinal? Pra quê esconder com silhuetas e insinuações o que todo mundo na platéia é suficientemente adulto pra ver? Pelo menos seria mais divertido.” Outra crítica que jogou tomates na animação foi Angélica Bito do Cineclick: “…A brincadeira é sem graça e a animação só consegue provocar bocejos na platéia. (…) O mais irritante em Branca de Neve -- Após o Casamento (é que) todos só pensam em sexo. O que consegue render uma ou outra piada no início do filme, mas torna a animação chata de tão forçada que é essa sexualidade dos personagens. Num primeiro momento, é até engraçado imaginar que os personagens que povoaram nossa infância têm vida sexual, mas a insistência no assunto durante o filme é cansativa e totalmente sem criatividade.” Pelo visto a obra só encantará aqueles que acham que os bebês são feitos simplesmente com beijos de língua.
Mesmo aproveitando horários promocionais durante a semana, ir ao cinema a um preço justo e principalmente para ver uma obra que seja financeiramente compensadora, se torna em certos contextos algo escasso. Dito isso, os R$ 5,50 que gastei para conferir Branca de Neve – Depois do Casamento (2007) resultaram em perda de uma preciosa parcela de meu tempo e dinheiro. Poderia muito bem ter assistido outra coisa e, portanto, estar postando sobre outro filme aqui. Mas para não acharem também que tudo que eu assisto é bom, vamos lá. Para começar a sala estava quase totalmente vazia, com apenas 3 colegiais com pipoca e refrigerante ao fundo. Péssimo sinal! Durante a projeção, cada palavrão dito ou peitos e pênis aparecendo, risadinhas ecoavam do trio. E eu estática pensando ‘Meu Pai, quanta tinta e película indo para o ralo…’ Para resumir e também não ficar gastando espaço no MovieYou em um filme que pode estar sendo apenas mal-compreendido, vou simplificar minha recomendação: Se você nunca foi à um motel e assistiu aqueles filmes que passam nos canais prive disponíveis nas suítes mais caras, Branca de Neve – Depois do Casamento foi feito na medida certa para sua vasta experiência sexual.
Confesso que o contexto em que fui apreciar Moulin Rouge! (2001) foi um tanto quanto ‘alienado’. Eu tinha à época 16 anos e fui assistir ao filme com uma amiga fã de Christina Aguilera, hipnotizada pelo clip de Lady Marmalade. Nenhuma de nós, muito menos os outros presentes na sala de cinema, tinham qualquer idéia de que o filme era musical. Se para a maioria do pessoal da sala a sensação foi de total estranhamento ao ver os personagens cantando e dançando enquanto expõe suas paixões, eu e minha amiga ficamos encantadas! Na época eu já era fã de U2 e fiquei muito feliz com a inclusão da banda, e de outras como Nirvana, na trilha sonora totalmente moderna. Acabei re-assistindo o filme diversas vezes e decorando todas as músicas. Moulin Rouge! foi o primeiro musical que assisti, e até hoje é um dos filmes mais marcantes por justamente ter me surpreendido tanto na sala de projeção. Mas na época percebi que partilhava de uma admiração quase solitária, como na sessão de cinema com minha amiga. Revendo o filme na compania de outros amigos eu continuava sendo a única a gostar daquele esquema ‘cante-e-dance’. Até que ao entrar na faculdade de cinema, vi que não estava só em saber de cor o Elephant Love Medley. E também percebi que ao se distanciar em mais de 5 anos do filme, o público e a crítica já o via com outros olhos. Se na época de seu lançamento, o diretor do longa Baz Luhrmann foi negativamente visto e taxado de ‘brega’, hoje o filme Moulin Rouge! (2001) figura na categoria clássico graças à insistência de uma fatia de público e determinados críticos mais conscientes e de mente aberta. Não se espante com essa contradição. Cidadão Kane (1941) de Orson Welles e Blade Runner (1982) de Ridley Scott passaram por esse mesmo martírio: Antes Mal-Compreendido, Hoje CULT! E explicar porque isso ocorre é difícil até para qualquer Ciência Humana, como a Psicologia. A impressão é que a mente humana, quando está imersa, mergulhada em determinado contexto, não consegue analisar o que ocorre no próprio umbigo. Mas ao se distanciar geograficamente ou temporalmente a habilidade de análise se otimiza espantosamente. É como o meu professor de História nos questionava nesses meus ainda 16 anos: O peixe sabe que está no mar? Agora com 23 anos posso re-adaptar um pouco a pergunta: O ser humano sabe porque está no universo? Enquanto isso, vamos cantar e dançar…
Antes do fatídico 11 de Setembro, que está na sua sétima ‘comemoração’, o Cinema nos proporcionou um último suspiro de otimismo, cores e ousadia. “Um filme que chegou de fininho no Festival de Cannes, foi lançado em poucos cinemas nos Estados Unidos e poucos meses depois já era reverenciado pelo mundo todo. Moulin Rouge! foi um dos maiores eventos cinematográficos dos últimos anos, dando um suspiro de alívio ao cinema americano em um ano (2001) onde os filmes foram marcados por produções especialmente abaixo da média, muitas histórias revistas, recontadas, refilmadas e pouca originalidade. Mesmo tendo ganhado somente U$ 175 milhões ao redor do mundo, quantia considerada pequena para um filme tão comentado quanto, o filme ganhou milhões de fãs e críticos, e já pode ser considerado um clássico do cinema.” É o que nos conta Alexandre Koball do Cine Players nos situando o contexto em que o filme foi lançado. Moulin Rouge! contribuiu de fato para que o musical cinematográfico fosse ressuscitado, como nos conta Celso Sabadin do Yahoo! Brasil Cinema: “O primeiro grande desafio: fazer um musical, gênero decadente há mais de 50 anos. O segundo: abandonar por completo a temporalidade da trilha sonora. Ou, em outras palavras, musicar uma trama ambientada no início do século 20 com canções popularizadas nas vozes de Marilyn Monroe, Madonna, Whitney Huston ou Elton John. A mistureba poderia ter saído das mais indigestas. O resultado poderia facilmente desabar para o ridículo.” O que, ainda bem, não ocorreu. A prova de que o gênero foi devidamente ressurgido das cinzas foi o fato de Chicago (2002) ter sido o filme que no ano seguinte nos fizeram amortecer do sentimento de escuridão e pessimismo que preponderou após o 11 de setembro. E hoje não são poucos os títulos musicais que foram feitos ou refilmados que estão disponíveis pelo mercado cinematográfico, como é o caso de Dreamgirls (2006), Hairspray (2007), Sweeney Todd (2007) ou Encantada (2007). O responsável por tudo isso é o visionário diretor australiano Baz Luhrmann, antes responsável pela versão modernosa de Romeu+Julieta (1996) e que agora está envolvido na pós-produção do épico Australia. “Baz Luhrmann atingiu a maturidade artística no terceiro longa-metragem. Moulin Rouge!, uma das histórias de amor mais românticas dos últimos tempos, prova isso. O filme revitaliza um gênero quase morto (o musical)e o reveste de uma energia hipnótica. Tem defeitos: é barroco, exagerado, hipercolorido, kitsh, quase brega mesmo. Mas nada disso está no filme por acaso. Tudo faz parte da opção estética do cineasta, que se propõe a provocar o espectador, exigir dele um mergulho de cabeça no universo onírico da obra.” , conclui Rodrigo Carreiro do Cine Repórter. Por isso, quando for pensar em cantarolar as músicas que ficaram na sua cabeça depois de uma sessão de cinema musical , acenda uma vela para Santo Baz!
Eu não agüentei. Escrevo esse post ouvindo Dancing Queen, S.O.S, Gimme Gimme Gimme, Take a Chance on Me, Chiquitita, I Have a Dream, Honey Honey e Mamma Mia (é claro). Todos grandes hits de um dos ícones da década de 70, o ABBA. Sim, sou daqueles humanos que quando vai à festas de formatura ou casamento não vê a hora de chegar a parte Disco/GLS pra jogar as plumas e paetês para o alto , cantar e dançar. Por isso topei ir conferir o novo musical blockbuster Mamma Mia! (2008) e postar sobre ele aqui no blog, mesmo não sendo um tipo de produção cinematográfica que eu prefira. E depois do filme foi exatamente isso que restou: o ABBA. Ok, a fotografia é muito bonita, afinal gravar na Grécia dificilmente resultaria em erros. O elenco também tem crédito por possui grandes atores, mesmo os coadjuvantes, que se esforçam para que acreditemos na história sentimentaloide da filha que quer descobrir quem é seu pai. Pelo visto não tem Programa do Ratinho nem Teste de DNA naquele canto do mediterrâneo. Mas tudo bem, porque o negócio é a festa, cantar e dançar. Portanto Mamma Mia! é o filme perfeito para ir com a galera, emendando a sessão de cinema com uma balada Disco. Se não tiver nenhuma em sua cidade, organize-a. Só não esqueça de incluir Bee Gees, Village People, Gloria Gaynor e demais ícones setecentistas com toda purpurina necessária para animar a pista de dança.




















