O Poder de Ontem, A Decadência do Hoje …

FatalPhilip Roth, escritor norte-americanos, está em cartaz em uma adaptação para o cinema de sua novela O Animal Agonizante, agora com o título de Fatal (2008) estrelada por Penélope Cruz (Volver – 2006) e Bem Kingsley (Casa de Areia e Névoa – 2003). Para Paloma Ornelas do LasKakumbuka o ponto forte do filme é seu tratamento sobre como nós lidamos com relógios e calendários: “A questão do tempo é muito marcante no filme, fala-se na diferença de idade entre professor e aluna, depois entre professor e amante que outrora também fora sua aluna, entre amigos que comentam a beleza das mulheres mais jovens, entre pai e filho. (…)Fatal é narcisista, usa o pano de fundo das obras de arte a fim de evocar a beleza misteriosa da jovialidade eternizada nos quadros, é um filme que usa o tempo como um antagonista cruel e imbatível. Soa triste, como seu título Elegy (no original, em inglês) ou elegia em português, poema de tom triste, um lamento.” Alguns críticos, como Angélica Bito do Yahoo! Brasil Cinema, elogiam a condução da diretora espanhola Isabel Coixet neste longa. “A cineasta sabe o que faz quando se trata de filmar histórias melancólicas, como Minha Vida Sem Mim (2003) e A Vida Secreta das Palavras (2005). Mas, diferentemente desses dois filmes, em Fatal ela deixa de analisar perfis femininos para se concentrar num homem, personagem vivido por Ben Kingsley em interpretação memorável. (…) Por mais que Isabel Coixet aborde outros tipos de melancolias em seu novo trabalho, a cineasta ainda é capaz de emocionar pela tristeza das histórias que conta. Desta forma, é necessária certa preparação de espírito para assistir a Fatal; afinal, trata-se de um longa melancólico e triste, que aborda a questão da perda: da juventude, do amor ou mesmo da autoconfiança.” Já outros críticos, como Érico Borgo do Omelete, não acham que a diretora deu o devido tratamento à obra. “Coixet entrega um filme calculado para amenizar o choque, romantizá-lo. Apesar de apreciar o olhar estético da cineasta, com sua luz acolhedora e composição cuidadosa, ela me parece a escolha errada para o tom da obra original. O Animal Agonizante exigia visceralidade e alguém que se relacionasse com Kepesh -- ou que fosse mais contestador e corajoso.” De qualquer forma é interessante notar essa contestação nas duas críticas com elogios à sensibilidade contratando com o sentimento de que faltou algo mais pesado. Normal na leitura de um livro em que cada um faz em sua mente um pequeno longa imaginativo…

Carceragem Biográfica

Mandela - Luta Pela Liberdade Adaptações biográficas são uma via de duas mãos na cinematografia. Ou temos uma visão nua e crua e arrebatadora do biografado, caso de Val Kilmer incorporando Jim Morrison em The Doors (1991) ou Marion Cotillard reencarnando Edith Piaf em Piaf -- Um Hino ao Amor (2007), ou um endeusamento com as faces obscuras ocultadas, como me transpareceu em Coração Valente (1994) ou Olga (2004). Para a Internacional Business Time o segundo caso ocorreu no recente Mandela -- Luta Pela Liberdade (2007): “Pode-se dizer que há endeusamento excessivo do advogado Nelson Mandela, ex-chefe de uma organização rebelde ao governo que, na década de 1990, se transformou no primeiro presidente eleito pela África do Sul unida. Mas, se há exagero, isso ocorre principalmente porque o filme é narrado sob a perspectiva de um fã de Mandela.” Celso Sabadin do CineClick ainda culpa o cineasta Bille August pelo resultado indesejado: “O diretor dinamarquês Bille August já foi um dos mais cultuados pela mídia especializada e pelos festivais internacionais, graças aos seus filmes Pelle, o Conqusitador (1987) e Jerusalém (1996). Perdeu depois um pouco de crédito com as adaptações literárias A Casa dos Espíritos (1993) e Os Miseráveis (1998). Agora, chega ao circuito brasileiro Mandela -- Luta Pela Liberdade , que August realizou no ano passado. Esperava-se mais. Afinal, Nelson Mandela, uma das personalidades políticas mais marcantes do século 20, deveria (ou poderia) render um filme igualmente fascinante. Não rendeu.” Um dos poucos críticos a defender o longa foi Luiz Zanin em seu blog no Estadão: “O filme, sóbrio, e um tanto quadrado segundo a concepção habitual de August, tem esse preocupação -- a de registrar a grandeza de Mandela, sua dignidade fundamental, a força tranqüila que dele emana. O ator Dennis Haybert (da série 24 Horas), bastante contido, consegue transmitir essa sensação de segurança. Os atores são bem dirigidos, diga-se. O filme também acerta ao mostrar como as conquistas não caem do céu e, no caso, foram obtidas pelo enfrentamento. A negociação só aconteceu quando havia uma posição de força consolidada. É uma história de luta, emocionante e adulta, que bem dispensaria algumas concessões melodramáticas. Mas elas não estragam o filme.” Pelo visto compensa esperar pelo Che de Steven Soderbergh para sabermos como se faz política de forma ‘pacífica’…

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100 Mais Machismo

O Pântano Mas porque raios o ser humano gosta tanto de listas dos 10, 100, 1000 ‘mais-alguma-coisa’?! Muito além da obsessão de Rob Gordon, personagem de John Cusak em Alta Fidelidade (2000), os críticos adoram rankear os ‘melhores filmes de todos os tempos’ em infindáveis listas encabeçadas ora por Cidadão Kane (1941) de Orson Welles, ou O Poderoso Chefão (1972) de Francis Ford Coppola. Neste ano a Revista Bravo! lançou uma edição especial com 100 Filmes Essenciais e minha percepção feminina não deixou escapar um triste fato regado a um preconceito arcaico da sétima arte. O Cinema é uma manifestação artística ainda predominantemente machista, pois dos tais 100 filmes da lista apenas um único título era dirigido por uma mulher! E lá estava, na 93º posição, O Pântano (2001) da cineasta argentina Lucrecia Martel, merecidamente destacado como o Clássico em DVD dessa semana. Com uma carreira ainda modesta composta por apenas 3 longas – além de O Pântano temos A Menina Santa (2004) e A Mulher Sem Cabeça (2008) – Martel já figura como diretora de destaque, tendo sido apadrinhada por nada mais nada menos que Pedro Almodóvar após o sucesso crítico de seu longa de estréia. Neste ano a cineasta argentina foi uma das convidadas ‘mais que especiais’ da FLIP (Feira Literária Internacional de Paraty), sendo muito assediada pela imprensa brasileira em diversas entrevistas. Numa delas concedida à Revista O Grito! Lucrecia renega toda e qualquer classificação dada a seus filmes ou à possíveis interpretações simbólicas feitas pela crítica, afirmando categoricamente: “Não há metáforas em meus filmes. As pessoas têm mania de procurar símbolos em tudo”. O fato é que não há como ficar imune aos filmes de Martel, especialmente O Pântano, onde todos os personagens estão reclusos numa evidente decadência moral e existencial. Tudo é muito úmido, apertado e sufocante. A trilha sonora é pontuada de barulhos incômodos como cadeiras se arrastando, crianças berrando, o telefone que ninguém nunca atende, a televisão eternamente ligada e o gelo tilintando nos copos. Os personagens se tocam o tempo todo e mesmo assim há uma clara repressão incestuosa no ar. Poderíamos dizer que tudo isso é uma metáfora da burguesia argentina, especialmente os da província de Ciénega, título original do filme e onde a cineasta nasceu. Mas respeitando a observação da cineasta, cabe admirar a obra despida de preconceitos, sejam eles machistas ou não.

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A Decadência Alienada e o Novo Cinema Argentino

O Pântano Depois de ser devastada por diversas crises econômicas e políticas durante os governos Menen e Kirshner, a Argentina aparenta passar por águas mais tranqüilas, tanto no campo econômico quanto no da produção artística. E dentro da sétima arte surgiu uma nova geração de jovens diretores recém-formados pela FUC – Universidad Del Cine e que conseguiram produzir seus filmes graças às leis de incentivo oriundas do Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales (INCAA). Da produção cinematográfica oriunda dessa turma cunhou-se o termo Novo Cinema Argentino, que apresenta uma temática comum de alienação e decadência da sociedade argentina, seja em sua moral ou no campo familiar e afetivo. Ângela Prysthon em artigo da Revista O Grito! destaca a cineasta Lucrécia Martel e seu filme O Pântano (2001) como emblemático para esta nova geração. “O bastante discutido e analisado O Pântano de Lucrecia Martel apresenta a partir de um registro que poderíamos chamar de ‘estética do sedentarismo’ ou ‘poética da decomposição’ uma visão devastadora do cotidiano e das relações entre classes, gêneros e gerações na Argentina de hoje. Martel talvez seja a representante mais destacada do Novo Cinema Argentino, tanto por O Pântano como por A menina santa (2004) e agora com A Mulher Sem Cabeça (2008), justamente por demarcar de maneira muito peculiar um outro espaço de representação naturalista para o cinema contemporâneo.” Cléber Eduardo da Revista ContraCampo faz um apanhado do ambiente húmido e sufocante no qual o primeiro longa da cineasta está inserido. “Seu mundo é micro (e enorme em abrangência). A diretora está mais interessada nos climas íntimos e dicotômicos de relações familiares específicas, cheias de pulsão de vida e de sinais de decrepitude -- que pode até ser vista como reflexo de classe (a média) e da situação de um país (a Argentina), mas não propõe essa relação direta pela qual sua linguagem naturalista pediria uma leitura alegórica. Seu filme concentra-se em uma casa, e ela se faz notar, por extensão, mesmo nas cenas exteriores. Um mundo cabe entre quatro paredes e isso o vacina contra generalizações, ao contrário das visões panorâmicas por superfícies sociais. O Pântano não busca diagnósticos, menos ainda soluções. Os sentidos propostos são rarefeitos e nebulosos, pantanosos até, e concentram-se apenas nas próprias situações, na matéria (corpos, paisagens). Sem, porém, partir delas para se chegar a algo para além delas; vendo-as tanto como parte do contexto como renovadas por associações elípticas com ele, de acordo com as arbitrárias exigências da subjetividade, não pelo suposto ‘objetivismo’ da sociológica relação de causa e efeito. A significação está na própria imagem e não na leitura da imagem, significações variadas dentro da polifonia de vozes e situações, na qual cada um tem sua verdade e sua razão, sem se extrair disso uma conclusão sintética.” Como análise final, mas de forma alguma conclusiva, pois a extensa temática e os típicos finais em aberto da cineasta nos deixam aptos a refletir dias depois, cabe citar Hugo Viana em seu blog Movie Sketch. “O que sobressai na análise do filme de Martel é uma construção familiar onde a crueza das relações humanas é tão franca, tão sincera, que pode incomodar. Isso talvez aconteça porque a diretora prioriza uma representação íntima, revelando os momentos privados de pessoas que se aglutinam numa casinha. Imagine tudo que você faz ou sente na segurança de sua residência, e talvez tenha uma noção mais precisa do tipo de imagens que Lucrecia capta. Os desejos de cada um dos familiares não são escancarados, mas muito sutis. Não emergem das entrelinhas. Não ultrapassam barreiras invisíveis que enclausuram suas vontades. A diretora consegue enfatizar, através de olhares perdidos, frases cortadas e linguagem corporal intensa, o sentimento oculto de personagens complexos.”

Vítimas Sociais, Culpados Capitais

Última Parada 174Pude conferir antecipadamente em uma sessão exclusiva o longa Última Parada 174 (2008) dirigido pelo cineasta Bruno Barreto. Depois da exibição tivemos um bate-papo com o diretor, onde os melhores momentos foram compilados como entrevista e você pode conferi-la no site Armadilha Poética onde atuo como colaboradora. Minha percepção sobre Barreto alterou completamente antes e depois de ver o filme e conversar com ele. Apesar de admirar o ativismo de O Que É Isso, Companheiro? (1997), considerava-o um diretor superficial, especialmente ao conferir Bossa Nova (2000) e O Casamento de Romeu e Julieta (2005). Mas durante o longa fiquei hipnotizada com a música e a profunda catarse conduzida pela trama. Apesar da crítica afirmar que não há nenhuma novidade, classificando-o como mais um ‘filme-favela’ que isenta as classes AB de culpa, não consegui enxergar a obra por esse viés. Para mim o longa funciona muito bem como amostra da possível realidade vivida por Sandro. E não adianta afirmar que o filme expia a culpa dele nessa história. Para mim ficou claro que a perda não foi apenas para a vítima que morreu nessa tragédia, foi para todos os envolvidos e seus familiares, a polícia e a sociedade como um todo também perderam com isso. Sinal de que os tempos não mudaram é o que ocorreu agora com Eloá. Mais uma vez a polícia se equivocou escancarando para todas as camadas da sociedade como sua incompetência nos torna vítimas vulneráveis a pessoas descontroladas emocionalmente, sejam eles Sandros, Lindembergs, Nardones, Cravinhos, Richthofens …

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Nada de Novo no Front Social

Última Parada 174Nessa sexta-feira, 24 de Outubro, estréia Última Parada 174 (2008) em meio a repercussão midiática do caso do seqüestro em Santo André, que terminou da mesma forma trágica que o 174 e foi permeado novamente por erros de uma polícia imatura e despreparada para situações-limite. O longa ficcional de Bruno Barreto é inspirado no documentário de José Padilha Ônibus 174 (2002) com diversas diferenças estésticas e ideológicas, como nos aponta Geo Euzébio do Cine Players: “Diminuindo o foco da lente de José Padilha, Bruno Barreto pega o desfecho trágico da história de Sandro, nacionalmente conhecido como o rapaz que seqüestrou um ônibus -- e esteve sob as lentes da TV ao vivo, em rede nacional -, partindo do fim para um miolo também conhecido, o de que este mesmo Sandro foi um dos sobreviventes de outra tragédia particular carioca, o massacre da Candelária, e o esforço ficou por conta de reconstruir ficticiamente as lacunas na vida de Sandro que não foram exibidas na TV aberta.Esse é o ponto crucial de Última Parada 174, porque dependendo das escolhas feitas nesse momento o filme poderia descambar em duas direções: competência ou fracasso. E Bráulio Mantovani costura bem a trama e com uma pequena dose de anticonvecionalismo, deixa no final uma sensação de esperança no ar, depois do peso que joga nos ombros do espectador.” Para Luciano Trigo do G1 não há novidades no conteúdo do longa, e critica um equívoco marcante nos julgamentos estabelecidos pela trama: “E qual é a mensagem? Trata-se da velha equação que explica e justifica a violência e a criminalidade com base na desigualdade e na miséria. Sandro comeu o pão que o diabo amassou, é verdade, mas isso não eliminou sua liberdade de escolha. Fosse assim, todos os miseráveis seriam ladrões, assassinos ou traficantes. Esse discurso da vitimização que contamina Última Parada 174 – e muitos outros filmes brasileiros recentes, de temática social – tem algumas características preocupantes. A primeira é a relativização dos valores: num mundo em que todos são vítimas, não existem culpas nem responsabilidades individuais; se por trás de toda violência existem outras violências igualmente bárbaras, é isso acontece com freqüência, não resta muito a fazer enquanto existirem desigualdades: quem aperta o gatilho e quem leva o tiro são semelhantes, matar e morrer são apenas duas faces da mesma moeda. Segunda: ao reduzir o espectador a uma imobilidade impotente, ao privá-lo de sua capacidade de discernir o certo do errado, o filme tem uma função terapêutica e catártica: expiar a culpa histórica das elites (e também das classes médias) em relação às camadas mais desfavorecidas da população brasileira.” Heitor Augusto do Yahoo! Cinema ainda reintera essa falta de novidade acrescentando apontamentos negativos da estética escolhida por Bruno Barreto. “Se o diretor consegue transportar a tensão da vida do garoto para os movimentos de câmera e cortes abruptos, por outro lado, há saltos e conexões absurdos no roteiro. Por exemplo: na Candelária, Sandro, ainda criança, beijou uma garota. Cerca de sete anos depois, a mesma garota o reconhece não pelos traços físicos, mas sim pelo beijo!Talvez para se preservar, Barreto não ultrapassa a linha entre obra e realizador. Não vai além de diagnosticar que o Brasil é um país desigual. Descontando o anacronismo, o Cinema Novo de Glauber Rocha propôs uma saída – mesmo que cifrada e com pouco diálogo com o grande público. Mas era clara a posição do cineasta em relação à transformação da realidade. E a de Barreto, em Última Parada 174, qual é? Mostrar que Sandro é uma metáfora para milhões de jovens brasileiros cujas infâncias e vidas adultas só têm ausências e carências? Nada de novo…” Será então que a nova geração de cineastas com forte apelo social precisam queimar o Manifesto Estética da Fome de Glauber? Ou relê-lo com calma, procurando algo que escancare ao brasileiro onde e porque ele vive nesse lamaçal, incluindo apelo as elites, as massa e porque não aos omissos poderosos de Brasília que insistimos em colocar no alto desse monte de lama…

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É uma Longa História… Onde Tudo Começou…

Patti Smith: Sonho de Vida… No caso, o surgimento do rock feminino (ou feminista?). Terno e suspensórios, gravata e chapéu na cabeça. Poderíamos até estereotipar Patti Smith simplesmente por seu visual. Mas o documentário Patti Smith: Sonho de Vida (2008) em cartaz na 32º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo nos conduz além das lendas e do senso comum que se criaram a cerca de um dos maiores ícones da contracultura. Confesso que senti os 108 minutos de película de arrastando um pouco, 2 horas que pareciam 4! Mas depois refleti que a estética do documentário como um todo reflete intrinsecamente a personalidade da artista, ativista, mãe, mulher, Patti. A fotografia oscila de pontuais cenas coloridas a uma dominância do preto-e-branco. A edição acende e apaga a vida e o cotidiano, que hora aparece totalmente agitado com protestos anti-bush e shows viscerais e em outros momentos é pacificado pela proximidade com a família e a filosófica oriental. Mesmo sem conhecer muito de sua carreira, me surpreendi cantando algumas músicas marcantes para a história do rock, além de rir muito com a imitação que ela faz do amigo Bob Dylan (você pode conferir um pouco no trailer abaixo). De qualquer forma, fãs de punk ou folk, pros-Obama ou McCain, fica a recomendação de tentar entender um pouco dessa personalidade que mais parece um bando de cavalos selvagens descontroladamente a galope por um grande e imenso campo deserto de idéias e atitudes.

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Destrinchando Patti

Patti Smith: Sonho de Vida Jesus died for somebody’s sins…but not mine” (Jesus morreu pelos pecados de alguém… mas não pelos meus). Está foi a abertura do álbum Horses de 1975, estréia discográfica de Patti Smith. De lá para cá a carreira da dita ‘poetisa do punk’ teve altos e baixos, com o auge na década de 70, isolamento na de 80 devido à morte do irmão e do marido no mesmo ano e um ressurgimento na década de 90 voltando a excursionar com nada mais nada menos do que Bob Dylan. Entre 1998 e 2008 Patti trabalhou nas filmagens de um documentário sobre sua ela, Patti Smith: Sonho de Vida (2008), lançado no último Festival de Berlim e presente na 32º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. “Contado de forma arrebatadoramente poética, o retrato da vida da artista multiplica-se por diversos cenários, entre eles um quarto tão desarrumado como a sua aparência, e onde Smith abre o baú de memórias e tira de lá a velha Polaroid, a guitarra que o amigo Sam Shepard lhe ofereceu e que Bob Dylan gabava, o vestido favorito na infância, o gato; ali conhecemos de forma surpreendente o lado sensível e feminino da cantora, em oposição à aparência dura e masculina que sempre a caracterizou.” É o que nos antecipa Filipa Queiroz do Rascunho. Nuno do Cinemara também adjetiva positivamente a obra cinematográfica: “Patti Smith em versão ‘road movie’ caseiro e particular. Eis uma possível descrição para o documentário de Steven Sebring. Mas Patti Smith é claramente maior que a vida. E a vida da senhora, além de invejável em termos artísticos, é um percurso notável de sentimentos, vivência, descobertas, fragilidades, dramas e muito boa música.” Marcos Bragatto do Rock em Geral comenta sobre a estréia no documentário em Berlim, em que a cantora espera que o longa faça cair por terra diversos estereótipos que existem sobre ele e seu trabalho. “Depois da exibição do filme no último Festival de Berlim, Patti Smith conversou com os repórteres e disse que não se trata de um filme de rock nem da cobertura de uma turnê, mas de um filme sobre a vida, do ponto de vista humanístico. Nada afeita a rótulos, a cantora desancou aqueles que a identificam com o punk rock. Para ela, em geral a imprensa não tem interesse ou curiosidade para observar o que ela fez na carreira, que vai muito além do punk. Patti Smith: Sonho de Vida pode ser, então, uma boa oportunidade para o público – e a crítica – descobrir mais sobre Patti.” Agora é hora das terras brazucas destrincharem esta belíssima carreira aproveitando a deixa da Mostra, pois a estréia desse longa em circuito comercial é um mistério apenas menor perto das perguntas e respostas que ficam sobre a personalidade de Patti após assisti-la em tela grande.

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Internacionalizando a Mostra

Moscou, BélgicaAo se aventurar pela Mostra Internacional de Cinema de São Paulo nos deparamos com os títulos mais impensáveis, oriundos de cantos da face da terra totalmente ilocalizáveis. Por isso a chances de conseguir conferir algum desses filmes depois do fim da mostra no circuito comercial normal, é praticamente impossível. Estou dizendo isso porque me deparei com grandes dificuldades em encontrar na mídia brasileira alguma crítica a respeito do filme Moscou, Bélgica (2008), que está entre os competidores da 32º Mostra e neste ano já faturou prêmios em algumas categorias paralelas ao Festival de Cannes. Por isso, neste post, mostrarei uma opinião internacional muito pontual e sincera a respeito do longa. Trata-se do post escrito pela blogueira portuguesa Lis que está morando no bairro belga onde o filme se passa. “Há muito tempo, a gente aqui em Gante estão a brincar sobro o transvio 4 que tem com destino Moscou. Claro que não se trata da cidade russa, é um bairro de Gante e desde uns meses, o bairro tem o seu próprio filme: Aanrijding in Moscou (em Inglés: Moscow, Belgium). Trata-se da Matty, uma mulher de 40 e tal anos com 3 crianças, cujo marido desapareceu há uns meses para viver com uma estudante sua de 22. Um dia, no parking do Colruyt (um supermercado), tem um colisão com o caminhão do Johnny, de 29 anos, cuja mulher desapareceu com um avogado, deixando-no com nada que o caminhão e o horizonte. E o início de uma história de amor e de drama, de sorriso e de lágrima. Os actores falam com o sotaque típico de Gante, o que dá ao filme um autenticidade quem se traduze com difficuldade, mas de certeza isto não é o único aspecto do filme porquê já mais de 150.000 gente viram o filme (e só temos 6.000.000 de flamengos, lol). A prova é a selecção pelo “La semaine de la critique”, um festival ao lado do famoso Festival de Cannes.Vá la, se ele aparece num cinema pequenino em Portugal, vá la ver e prometo-te: vais rir, vais chorar, e vais sortir com um sorriso na cara.” Bem, se o filme foi exibido na ‘terrinha’ ou não, podemos perguntar depois para a Lis. Mas se você ainda não aproveitou para conferir este, ou qualquer outro filme ultra-mega alternativo da Mostra, melhor aproveitar logo pois dia 30 de Outubro já acaba! Depois post na sessão Você aqui mesmo no MovieYou o que você digeriu das películas além das pipocas… :o )

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Caminhão Sabor Mostarda

Moscou, BelgicaProsseguindo a saga por filmes alternativos na 32º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, hoje resolvi encarar um filme belga do diretor Christophe Van Rompaey, mais precisamente uma comédia-romântica, Moscou, Bélgica (2008). A personagem central, Matty (Barbara Sarafian), está na típica crise pós-40: seu marido a trocou por uma moça de 20, os filhos (pré) adolescentes a estão enlouquecendo aos poucos e o único consolo é temperar o chouriço com muita mostarda. E está ai a grande metáfora do filme, pois a mostarda disfarça o gosto de tudo, amortecendo o paladar e fazendo com que seu consumidor fique com o nariz entupido e olhos lacrimejantes. E quem faz esta revelação é o ‘caminhoneiro do amor’ Johnny (Jurgen Delnaet) uma década mais jovem que Matty e candidato a fazê-la esquecer de seu ex. Qual a cor de seu caminhão? Amarelo… sim a mesma do tempero que condimenta as refeições da protagonista! A partir dessa singela simbologia e de muitos encontros e desencontros das personagens, o filme se desenrola de maneira extremamente dinâmica e eficiente. Os diálogos têm um sarcasmo na medida certa para contrabalancear a real crise sentimental que os envolvidos vivem, mas renegam. Saí da sessão pensando em um truque culinário que muitas vezes se aplica na vida real, mas vai do ‘chef’ saber dosá-lo: os temperos são para valorizar seu sabor, e não para simplesmente anulá-los em sua essência…

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