
Direção: Ridley Scott
Roteiro: William Monahan
Você quer um ator para ser correspondente internacional, chame Leonardo Di Caprio. Você quer um ator que abra mão de sua integridade física para executar melhor seus papéis chame Russel Crowe. Parece simples mais é preciso muito mais que isso para a execução de um bom filme. É preciso um bom roteiro, o que justamente Rede de Mentiras não tem. Indeciso na execução de sua idéias se resume no seguinte: Roger Ferris (Leonardo Di Caprio) um ex-jornalista que se tornou agente da Cia, tem sempre frustradas suas missões na Jordania contra ações terroristas tendo em vista as interveções de seu chefe de missão Edward “Ed” Hoffman (Russel Crowe), um completo imbecil, mas amparado por toda a tecnologia da Cia, a seu favor, como os maravilhosos satélites, consegue ter sempre o “controle da missão”. Ferris (Leonardo Di Caprio), até que se esforça bem, é bem articulado, consegue se passar por um local mesmo com aquela cara (a barba mal feita ajuda), atira bem, consegue sair de situações de perigo praticamente ileso (tem ferimentos é claro, mas nada que uma vacina antitetanica ou antirábica não resolva), domina vários idiomas, inclusive dominando os sotaques, mas não consegue chegar lá, pelas interveções de seu chefe que trabalharia melhor com Jack Bauer, por causa da velha afobação norte-americana, para tentar por fim a conflitos de anos e dar segurança ao povo norte-americano que diferente de outros países não se fortalece com os conflitos, e sim tem suas autoridades esmagadas pela opinião pública.. Esquecendo o elenco de medalhões e focando nos “locais”, vemos um belo trabalho do ator inglês Mark Strong interpretando Hani Salaam, o cabeça do Departamento Geral de Inteligência da Jordânia, que aliais falar qualquer coisa aqui seria um spoiler que acabaria com o pouco da qualidade que o filme tem. Outro destaque fica por conta da de toda a beleza e graça de Golshifteh Farahani no papel de Aisha, enfermeira que é interesse romântico de Ferris (Leonardo Di Caprio) e nosso caro Alon Abutbul como Al Salim, poderoso lider terrorista. As maiores mentiras relacionadas ao filme são o trailer que passa um clima de Jason Bourne sem ser, devida a sua montagem e a sinopse divulgada por aí, que na verdade foi só uma parte no filme que não faria a menor diferença fora da trama, mal e porcamente aproveitada. Eu acho que se o filme fosse direto para a locadora, e com uma distribuição porca, talvez, o que não é impossível, tratando-se de traduções equivocadas de títulos de filmes estrangeiros, Diamante de Sangue 2, seria o título.
Locação de filme para assistir antes da sessão:
Diamante de Sangue
Locação de filme para assistir após a sessão:
O Reino
Publicado por: QUEIROZ -- http://escritosmalditos.blogspot.com/
Sabe quando você escuta um milhão de vezes que Bonequinha de Luxo (1961) com a belíssima Audrey Hepburn é um daqueles filmes clássicos que toda mulher precisa ver, assim como A Malvada (1950) com o furacão de talento Bette Davis e E Deus Criou a Mulher (1956) com a deslumbrante Brigitte Bardot? Pois bem, dos 3 filmes que citei, até agora só pude conferir o primeiro. E é dele que vou falar no post Clássico em DVD desta semana. Confesso que o filme só me despertou interesse quando eu assisti a cine-biografia Capote (2005). Nela o ator Philip Seymour Hoffman, merecidamente ganhador do Oscar de melhor ator naquele ano, incorporou o escritor norte-americano cujo um dos livros principais livros, Breakfast at Tiffany’s, inspirou o longa. E posso garantir que a história de Bonequinha de Luxo vai muito além do maravilhoso e luxuoso guarda-roupa da personagem principal, cujo figurino foi concebido pela mãe do ‘pretinho básico’ Coco Chanel. O começo do filme já justifica o título original, quando vemos a personagem comendo bolinhos e tomando café enquanto aprecia uma vitrine da loja Tiffany’s. A partir daí construímos sua personalidade, pois compreendemos que ela finaliza sua balada boêmia ainda de forma elegante e sonhadora. Afinal sua grande expectativa de vida é casar com um homem rico que a permita comprar um dos famosos diamantes que ela tanto aprecia. Agora se existe uma abissal diferença no desejo de ascensão social na atual mulher moderna comparada com à época do filme, gostaria que as meninas postassem aqui suas respostas, que tal?! Bem, continuando, no decorrer do filme ainda vamos nos deparar com os infindáveis casos de amor da personagem, passando pelo mocinho que tem um comportamento ‘promíscuo’ similar a mocinha, até um ricaço brasileiro que fica muito próximo de casar com ela. A cena de Hepburn tentando aprender português por causa do noivo brasileiro é hilária. O mais interessante de tudo é que apesar da aparente futilidade em conseguir uma vida fácil, torcemos por ela e nos encantamos com o final conto de fadas. Afinal todas nós, queremos e merecemos um final feliz, não é mesmo, garotas?!
Ao revirar as críticas sobre o Clássico em DVD Bonequinha de Luxo (1961) me deparei com uma história interessantíssima que rondou o filme, como nos conta o blog Luzia – Crítica de Cinema. “Truman Capote escreve em 1958, Breakfast at Tiffany’s idealizando um filme protagonizado por sua amiga, a sedutora Marilyn Monroe. Mas após o acerto com os estúdios da Paramount para as filmagens, a idéia do escritor precisou ser abandonada, pois, Marilyn tinha contrato com a Fox e, alugar a atriz seria demasiado caro. A eleita então, a contragosto de Capote, foi Audrey Hepburn. Audrey, que até que momento só havia interpretado moças inocentes, não correspondia exatamente ao perfil da garota de programa Holly Golightly. O roteiro foi, inclusive, adaptado e atenuado, fato excluso foi a bissexualidade da protagonista, por exemplo. A escolha do diretor também gerou discórdia: inicialmente seria Frankenheimer, mas Hepburn alegou que não e conhecia e pediu a troca. A direção fica por conta de Blake Edwards, dando início à frutífera parceria com a atriz.(…) O roteiro de Capote perdeu em densidade com a adaptação para o cinema, mas as alterações no enredo junto à promissora parceria de Audrey Hepburn e do diretor fizeram da trama um clássico, com direito à canção Moon River, escrita exclusivamente para a voz da atriz — que nunca havia estudado canto. O resultado é um filme com ares de conto de fadas moderno; suave, conflitante, mas, sobretudo envolvente.” Juliana Fauto da Contracampo destrinchou um pouco mais do ocorrido.
“Quando Truman Capote escreveu a novela Breakfast at Tiffany’s, em 1958, pensou que sua amiga Marilyn Monroe seria a tradução perfeita da personagem Holly Golightly, espécie de call-girl e cabeça de vento, socialite golpista e ao mesmo tempo ingênua, que flana pela vida seguindo o que considera mais divertido e cujo maior sonho é abocanhar um ricaço. Achava que Marilyn possuía um quê de inocência ainda que voluptuosa -- capaz de tornar a amoralidade de Holly antes de reprovável, charmosa. Acontece que, três anos depois, quando a obra foi ser filmada, quem detinha seus direitos era a Paramount – e a atriz, que estava sob contrato com a Fox, seria um ‘empréstimo’ muito caro. Escalada para o papel, então, foi Audrey Hepburn, contratada do estúdio e de certa forma a antítese de Marilyn. Enquanto a loura esbanjava sensualidade, Hepburn personificava a heroína romântica e quase que desprovida de sexo -- mesmo Amor na Tarde (Love in the Afternoon, 1957), em que são insinuadas relações entre ela e Gary Cooper, deixa patente que a mocinha era virgem e, na narração em off do final, que o affair com o conquistador resultou em casamento, o que, aliás, parece ter sido inserido no filme somente para apaziguar os ânimos mais tradicionais e familiares. Enfim, então, depois de filmes como A Princesa e o Plebeu (Roman Holiday, 1953), Sabrina (idem, 1954) e Cinderela em Paris (Funny Face,1957), Hepburn, que havia dado à luz três meses antes, resolveu aceitar viver a personagem de Capote. A escolha, que desagradou o escritor profundamente, viria, porém, a se mostrar a mais acertada. Pois Blake Edwards -- tendo dirigido muita tevê e cujo grande hit, A Pantera Cor-de-rosa (The Pink Panther, 1963) (que daria origem a mais sete filmes, se contarmos o fiasco O Filho da Pantera Cor-de-rosa), ainda estava por vir -- realizou uma fita com um clima bem pouco capotiano e muito mais ao gosto de seu próprio humor. Para começar, o mundo em que é ambientado Bonequinha de Luxo é praticamente inofensivo, embora tresloucado, e a presença de Audrey Hepburn como personagem principal é o primeiro ingrediente para que o filme, ainda que conte com certos ares farsescos e conte com material pesado, possa fazê-lo com algum charme e elegância.” Rodrigo Cunha do CinePlayers então conclui a profunda ligação de Hepburn e Capote viriam a ter. “Audrey Hepburn e Truman Capote são dois nomes que poderiam ser considerados simétricos. O charme e delicadeza de uma, confrontada com o modernismo e a realidade crua e cheia de adjetivos do outro indicava que uma combinação desses dois nomes era algo simplesmente impossível de se acontecer no cinema. Eis que, em 1961, o diretor Blake Edwards conseguiu a proeza de adaptar uma história do ousado escritor de personagens complexos e de morais duvidosas com a delicada Hepburn como protagonista de uma obra cinematográfica. O resultado é pesado, bonito e delicado.”
Resta a nós usar a nossa doce imaginação para imaginar como esse clássico teria se encaixado sobre a poderosa Marilyn Monroe. Ou nos deliciarmos com Audrey Hepburn e seu clássico rosto de bonequinha de porcelana…
Continuando minha incursão pelo cinema belga, iniciada com Moscou, Bélgica (2008), ontem pude conferir um pouco do trabalho dos irmãos belgas Luc e Jean-Pierre Dardenne no longa O Silêncio de Lorna (2008). Confesso que fiquei curiosa para conhecer mais longas da dupla. E pelo visto essa mania de irmãos siameses co-dirigindo e roteirizando excelentes filmes não cabe somente aos Coen (Queime Depois de Ler – 2008) ou Wachowiski (Matrix -1999). A personagem principal Lorna, é muito bem construída, com várias camadas psicológicas que vão sendo destrinchadas ao longo da exibição da película. No começo parece um típico filme de bastidores, daqueles que você vai juntando as peças pra entender melhor do que se trata. Mas depois você começa a entrar no ritmo do filme, pode chegar a não torcer por Lorna, mas você fica cada vez mais interessado no que vai acontecer com ela. Só tenho um apontamento negativo e ele diz respeito a gravidez (ou não) da personagem. Fiquei em dúvidas quanto a intenção de colocar um filho para fechar o arco psicológico da personagem, pois não compreendi se a intenção era mostrá-la como irracional e emotiva, ou como a mais sã do grupo de golpistas. Encerro então com o trailer do longa, que espero desperte mais ainda o interesse de vocês em conferir esse belíssimo longa europeu. youtube{http://www.youtube.com/?v=NIOQphx7DiM}
Após a consagração no festival de Cannes com Rosetta (1999) os irmãos Dardenne mantiveram elogios da crítica com O Filho (2002), A Criança (2005). Pelo visto a dupla belga também manterá os comentários positivos com seu mais novo longa, O Silêncio de Lorna (2008), premiado com melhor roteiro em Cannes. O Le Champo comenta um pouco sobre a expectativa em torno deste filme.”Eis aqui um filme esperado por muitos motivos. Primeiro por se tratar de um filme dos irmãos Luc e Jean-Pierre Dardenne, diretores consagrados em obras como A Criança e O Filho. Depois, O Silêncio de Lorna foi premiado em Cannes. Por fim, o filme joga ainda mais lenha na fogueira na discussão sobre o fechamento das fornteiras dos países ricos da Europa à imigrantes, atitudes que beiram a xenofobia em alguns lugares.” Utilizando-se de um tema atual e polêmico, os Dardennes conseguem então se manter no hall dos grandes diretores europeus da atualidade. Luiz Zanin em seu blog ainda tratando do tema que permeia o longa, nos destrincha um pouco do foco adotado pelos diretores. “O que mais nos choca em O Silêncio de Lorna é a crueldade do mecanismo de sobrevivência social que é posto à mostra. O que nos redime é a consciência de que esse mecanismo impiedoso não é inevitável. Pelo contrário. Racional em seu DNA pragmático, essa estratégia competitiva da personagem falha pela interferência de algo tão abstrato quanto palpável -- o imprevisível fator humano. No caso, o sentimento, o movimento de simpatia, ou de desejo, que atrai duas pessoas, contrariando as expectativas da razão.” Érico Borgo do Omelete ainda estabelece uma comparação pertinente do estilo dos irmãs belgas, aos dos filmes hollywoodianos. “O Silêncio de Lorna também tem alguns elementos de tensão inesperados. Há um problema criminal durante o filme que se prova envolvente -- é como se observássemos os bastidores de um thriller. Os diretores rejeitam todas as obviedades do gênero, todas as cenas esperadas e constroem seu filme com os pedacinhos de película que o cinema comercial deixaria no chão da sala de edição. São os pequenos momentos entre os grandes atos que importam.” E pelo visto são pequenas pérolas européias que elevam o nível dos filmes em cartaz nas salas de nosso país.
Por trás daqueles negros aros de seus óculos se esconde misteriosos graus de miopias, da mesma forma que continua um mistério qual o próximo complexo humano que o nova-iorquino trará em seu longa. Numa incrível marca de um filme exibido por ano, Woody Allen está ai, se mantendo como pode. E para tirar o vício do olhar sob Manhattan resolveu apreciar as paisagens européias. Mas pelo visto sua visão de mundo continua viciada. E Vicky Cristina Barcelona (2008) me decepcionou justamente por causa disso. Explico. Com a pretensão de ser um Almodóvar, chegando até escalar dois atores comuns ao diretor espanhol, Javier Barden e Penélope Cruz, Allen não conseguiu ir além dos estereótipos do que é a cultura catalã. Ele mostra uma Barcelona meramente turística, higiênica e limpa, como qualquer catálogo de viagens faz, e conseguiu a proeza de transformar os personagens de Barden e Cruz em títeres, meramente para mostrar suas neuroses perturbadoras. Uma pena para dois atores tão sublimes. E Scarlett Johansson? É a musa do diretor. Está lá representado bem tal papel. Mas surpreendentemente a atriz menos badalada foi a que melhor se saiu, no caso Rebecca Hall e sua Vicky. Com o complexo de ser certinha de mais, conseguiu ser a mais verossímil e verdadeira da trama. Cabe ainda mais um adendo a cerca de um ‘bafafá’ em torno do longa: a cena lésbica entre Cruz e Johansson. Infelizmente nada além de uma cena fria, arrogante e pretenciosa. Duas atrizes tão belíssimas, sensuais e talentosas mereciam algo mais humano e carnal. Ou seja, quem viu o trailer viu tudo dessa cena, ou melhor, nada! É senhor Allen. Meu conselho seria o senhor voltar pra sua boa e velha ‘New York, New York’. Talvez o senhor tenha deixado pra trás algum complexo mal resolvido. Provavelmente com a miopia você deixou de colocar ela na mala rumo à Europa… Bem, que venha Whatever Works.
Muito se ansiou pelo novo projeto de Woody Allen, que pelo visto se transportou de mala e cuia para a Europa. Depois da inglesa Londres em Match Point(2005) Scoop (2006) e O Sonho de Cassandra (2007) , agora é a espanhola Barcelona o foco de suas lentes. Vicky Cristina Barcelona (2008) parece agradar à crítica em um primeiro momento, como o caso de Ruy Jobim Neto no Bigorna, nos afirmando que ao ver o longa nos deparamos com um Woody Allen que há tempos não se via. “Não esqueçam completamente Match Point ou Scoop, não porque sejam ruins, muito pelo contrário, mas por que são dois filmes da mais recente safra (digamos, européia) de Woody Allen, que ainda não tinham acertado o rumo da prosa. Mas são bons, diga-se de passagem. O que realmente estava faltando era um Woody Allen dos deliciosos, daqueles que você sai do cinema com a sensação de que quer voltar pra rever o mesmo filme. Isso acontece com Vicky Cristina Barcelona. (…) Em resumo, Woody Allen apronta um filme em que as mulheres estão com seus medos e desejos à flor-da-pele, com suas imperfeições e seduções, seus sonhos e maluquices a perder de vista. O roteirista está esplêndido, o diretor está inspirado, o filme é uma verdadeira delícia. (…) Vicky Cristina Barcelona é, no mínimo, difícil de descrever. Por ser tão delicioso. E como nos bons Woody Allen, é agora Barcelona que vira cartão postal. Nova Iorque literalmente passou o posto.” Pedro Henrique do Tudo é Crítica reforça a volta de Allen bem inspirado, comentando sobre um recurso que o diretor utiliza de forma correta, a narração em off. “Quem conhece o cinema de Woody Allen sabe que o cineasta recorre sempre aos mesmos temas, mudando apenas cenários e personagens. As aflições, os conflitos, os disturbios e toda aquela parafernália que preenche grande parte de sua obra é sempre a mesma. Pode parecer uma contradição, mas o diretor apresenta sempre um material novo, ainda que seja, ao mesmo tempo, apenas uma reinvenção, ou outro modo de contar a mesma história. Um novo ponto de vista. Vicky Cristina Barcelona soa como uma doce e sacana brincadeira, além de ter um pouco de tudo que compõe a obra do maior autor em atividade no cinema. (…)A rigor, o cineasta inicia o filme com um pequeno prólogo que explica e situa o espectador dentro da história. Aliás, desde o começo Allen utiliza uma narração em off, que é muito bem colocada, e sem a qual o público se sentiria um tanto quanto perdido. Em tempo, é a voz do narrador que constrói os personagens. Explico, o filme começa (e termina) com a narrativa apresentando um relatório dos perfis de Vicky (Rebecca Hall, estupenda) e Cristina (Scarlett Johansson, linda e segura) enquanto as belas chegam à cidade do título. A partir daí, o espectador fica sabendo que Vicky é a ‘certinha’ e Cristina a menina levada, cheia de sonhos e desejos (mas que nem ela sabe bem quais são).Aliás, a própria narrativa já avisa que o que virá a seguir é o mais puro humor refinado do diretor.” Já Matheus do Cinema e Argumento critica duramente esse ‘mais do mesmo’ de Allen. “No geral, Vicky Cristina Barcelona é mais um filme típico de Woody Allen. Desde o já conhecido estilo dos créditos de abertura até os diálogos cheios de citações inteligentes. Portanto, existem os prós e os contras quando digo que esse é mais um longa comum do diretor. Ao mesmo tempo em que temos um elenco totalmente em sintonia (algo muito decorrente na história de Allen), temos também a simples estrutura que ele imprime em suas histórias. Nada de muito novo, tudo muito simples e que já vimos antes. O tipo de longa que adivinharíamos de quem é mesmo sem sabermos o nome do diretor. Vicky Cristina Barcelona, define-se então como um filme pequeno e singelo, carente de características mais impressionantes.” Portanto para fãs ou não fãs do estilo do nova-iorquino de óculos mais complexado da história do Cinema, fica a dica de ver como a sua miopia tratou Barcelona, suas paixões, encantos e traumas. Tudo regado ao sensual e delicioso som do violão espanhol.
Conforme prometido no post sobre Scarface (1983), falarei hoje de Martin Scorsese e dos altos de baixos dessa longínqua carreira. Vamos então á uma ‘leve’ amostra dos longas de um dos poucos diretores que conseguiu em sua carreira ser ao mesmo tempo artístico em suas concepções e hollywoodiano no faturamento de seus filmes. Estudante de cinema da Escola de Nova Iorque, Scorsese explodiu para a crítica, o público e o Oscar com Taxi Driver (1976), um dos muitos filmes que faria com o amicíssimo Robert DeNiro. Depois disso viveu uma fase negra de depressão, consumido por diversas drogas e bebidas alcoólicas. Sua paranóia de que morreria a qualquer momento era tamanha que achou que Touro Indomável (1980) seria seu último filme. Graças ao santo dos cineastas, Scorsese sobreviveu para muito mais. Cabe ressaltar que esse foi o primeiro longa de destaque com a sua grande parceira de edição, Thelma Schoonmaker. Depois veio uma década de oitenta regada a filmes pontuados de polêmicas, mas sem grande críticas positivas, como A Cor do Dinheiro (1986) e A Última Tentação de Cristo (1988). E a década de noventa começou com Os Bons Companheiros (1990), onde choveram aplausos de que o diretor tinha finalmente voltado a sua origem sarcástica e visceral, ocorrendo até comparações com a trilogia do Poderoso Chefão de seu amigo Coppola. Mas veio Cassino (1995) e a crítica ficou novamente em dúvida do talento do diretor. Ainda tivemos nessa década Kundun (1997), seu filme menos hollywoodiano. Na era pós-2000 não me pergunto o que subiu pra cabeça de Scorsese, mas ele começou a sua fase megalomaníaca, a que eu menos gosto. Gangues de Nova Iorque (2002) e O Aviador (2004) serviram apenas para gastar o dinheiro dos estúdios, receber mornas críticas e ainda ficar com aquela sensação de “mais uma indicação ao Oscar sem vencer”. Porém, graças novamente ao santo dos cineastas, Scorsese fez o que sempre soube fazer muito bem em Os Infiltrados (2006) e levou o ‘douradinho’ pra casa, recebido das mãos de George Lucas, Francis Ford Copolla e Steven Spielberg. Juro que aquela hora pensei que o palco do Kodak Theater fosse abaixo com tantos diretores de peso sobre ele. Bem, mais com tanta coisa o que vou destacar dele? Penso que vou continuar com a promessa feita em Scarface e indicar Os Bons Companheiros, não só por conta da piadinha de que no TOP 3 de “fucks” ele levava medalha de prata. Mas principalmente porque o longa é uma lição de cinema, do roteiro à edição. Nos mostra que grandes orçamentos podem até ajudar nos efeitos especiais do filme. Mas que idéias que perdurem o suficiente para estarmos aqui 18 anos depois falando e um filme, é (se existe a palavra) ‘incomprável’.
Voltando a máxima de que “um dia serás compreendido”, parece que para o cineasta Martin Scorsese isso é uma regra, como nos conta o CineRepórter Roberto Carreiro “Um detalhe interessante a respeito da recepção ao trabalho de Martin Scorsese é que, via de regra, os filmes que ele dirigiu não fizeram muito sucesso de crítica quando foram lançados. As exceções a essa regra seriam Taxi Driver e Touro Indomável, duas obras-primas inquestionáveis, que ainda não chegaram a ser unanimidades positivas quando chegaram aos cinemas. Já Os Bons Companheiros (Goodfellas, EUA, 1990) não fez muito sucesso nos meses que se seguiram após o lançamento comercial. Foi preciso uma reavaliação crítica, algum tempo depois, para que o longa-metragem pudesse ser considerado um dos grandes trabalhos de Scorsese. E essa afirmação atualmente parece inquestionável.” Juliano Mion do CinePlayers também dá o tom de importância na história do cinema que o longa Os Bons Companheiros possui na história do Cinema. “Adaptação de Martin Scorsese do livro Wiseguy, de Nicholas Pileggi, o Os Bons Companheiros conta a história de Henry Hill (Liotta) e seus parceiros Jimmy Conway (Robert De Niro) e Tommy De Vitto (Joe Pesci) na ascensão ao mundo do crime. Além ser um retrato das suas engrenagens, o filme é um mergulho na mente do gângster, suas motivações, anseios e inquietações diante de um universo onde aderir à máfia lhe parece ser a melhor alternativa na tênue linha que pode o separar entre ser ‘alguém’ na vida ou ser um ‘nobody’, um Zé Ninguém. É, sobretudo, um retrato do sonho americano, em mais uma de suas formas. E é este o gênero que permitiu historicamente os cineastas deterem-se na fascinação americana pela violência e pela ilegalidade. ‘Pra mim, ser um gângster era melhor do que ser Presidente dos Estados Unidos’, proclama novamente em narração-off o personagem em mais um de seus aforismos particulares.” Encerro então esse post com a hilária cena de Joe Pesci, que merecidamente ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante por dar vida ao sarcástico Tommy De Vitto.
Não, não e não! Não consigo mais assistir a estes filmes de terror pós-2000. Como o título do post desabafa, onde está aquele terror psicológico à moda antiga de O Bebê de Rosemary (1968), O Exorcista (1973) e Alien – O 8º Passageiro (1979) em que se criava todo um clima de suspense sem ter que necessariamente mostrar sangue e criaturas do mal? Pelo visto fugiu tal qual os zumbis vampirescos de Eu Sou a Lenda (2007) fazem com a presença de luz. Primeiramente teve a moda dos longas de terror japoneses, que foi de O Chamado (2002) à Uma Chamada Perdida (2008). Todos com o absolutamente óbvio enredo da menininha branquela, descabelada e macabra que decide se vingar matando os coitados que vêem uma fita ou atendem ao celular. Só porque alguém da família a maltratou… ou porque ela é demoníaca mesmo, e daí? Depois veio aquele Jogos Mortais (2004), que parece filme do Rocky Balboa, tem do I ao V, pode escolher. Olha, eu tenho o imenso orgulho de falar de boca cheia que eu NUNCA vi nenhuma destas 5 “obras-primas” da aflição. Me desculpem, mas gastar minhas preciosas horas vendo drogada caindo em piscina de agulha de aidético, tô fora! Foi então que surgiram várias críticas positivas do tal terror espanhol [REC] (2008) e eu fui conferir se a terra do Almodóvar poderia me proporcionar alguma boa novidade no gênero! Ledo engano… A hora que eu vi uma menininha zumbizinha e descabeladinha eu falei “Não! Chega! Já deu, né? ”. Levantei e fui embora… Cabe a ressalva de que, se a maioria ganha, então nesse filme eu perdi feio. Se a maioria da crítica gostou de algo que eu não tive a menor paciência de ver a conclusão, melhor eu fechar meu bico e dizer com um sorriso amarelo: Ah, assista [REC]. Vai que você curta esse terror imbecilizante com direito a câmera tremida pra te passar a falsa sensação de pseudo-realismo. Não se esqueça de me deixar um comentário aqui contando o final, tá?





















