Os Brutamontes e a Loira

los-angeles-cidade-proibida-a-criticaViolência policial, prostitutas espancadas, intrigas, sexo e a típica fotografia noir. Se não fossem pelas cores presentes nas imagens, Los Angeles – Cidade Proibida (1997) um filme concebido em plena década de 90, passaria muito bem por um Falcão Maltês (1941) de décadas antes. A construção do roteiro se baseia na obra homônima do escritor James Ellroy e se apóia no pressuposto de intercalar diversos casos da Los Angeles corrupta e suja da metade do século em uma única resolução chocante culminando no clímax da trama.  Isabella Goulart no Blog Desventuras de Uma Crítica em Formação dá informações quanto á interpretação dos atores envolvidos, desmerecendo pontualmente a de Kim Basinger ganhadora de diversos prêmios.  “Tudo no filme é imprescindível para o decorrer da história. Não há cenas ou falas desperdiçadas. A trama é dinâmica e foi muito bem conduzida pelo diretor. A certo ponto, quando o espectador já está instigantemente absorvido pelo enredo, a história sofre uma reviravolta surpreendente, de cortar a respiração, como só os melhores suspenses são capazes de fazer. E para compor o bom trabalho ao lado da direção segura e do roteiro de qualidade não faltam bons atores. Todo o elenco está muito bem, oferecendo ao público atuações na medida certa para personagens muito diferentes entre si. Russel Crowe, Guy Pearce, Kevin Spacey e James Cromwell (de Baby -- o porquinho atrapalhado, aqui como o capitão Dudley Smith) dão vida aos personagens centrais da trama e não falham na tarefa de convencer -- e envolver -- o espectador. Surpreendente é que, dentre tantas atuações de qualidade, a única premiada tenha sido Kim Basinger. Apesar de cumprir bem o papel da prostituta que tem a fisionomia de Verônica Lake, sua personagem não tem notoriedade suficiente na trama para dar a Basinger um momento sequer que justifique o Globo de Ouro e o Oscar que levou.” O Cine Repórter também pincela esses aspectos de forma contundente, parabenizando o papel do diretor do longa. “Curtis Hanson define muito bem as personalidades de cada um, de forma que fique bem claro que eles não se bicam. Exley (Guy Pearce), um animal político com jogo de cintura e futuro promissor, não teme dedurar colegas para conseguir uma promoção. Já Vincennes (Kevin Spacey) , amoral, não dá muita bola para a polícia; está mais interessado em abrir espaço na indústria do cinema, onde há fama e fortuna. Bud White (Russel Crowe), por sua vez, possui uma obsessão, fruto de um trauma de infância: defender mulheres espancadas pelos maridos. Ele é fisicamente poderoso, mas não especialmente inteligente. Acima deles na hierarquia está o capitão Dudley Smith (James Cromwell), veterano com faro infalível para aproveitar o melhor de cada um. Tendo nas mãos uma história brilhantemente sórdida e uma galeria de personagens não apenas interessantes, mas perfeitamente coerentes com a cidade – luxo na aparência, lixo no aspecto moral – que tenta radiografar, Curtis Hanson se limita a reger as inúmeras variáveis que compõem o todo, de forma a manter a harmonia do conjunto. Parece simples, mas não é – e no entanto tudo dá admiravelmente certo. A reconstituição de época é brilhante, a fotografia de Dante Spinotti encontra o jeito certo de transportar o mundo sombrio dos filmes noir para a película colorida, a trilha sonora de Jerry Goldsmith é deliciosamente jazzística, e todo o numeroso elenco encaixa perfeitamente nos papéis.” Interessante acrescentar como exercício de imaginação o que as gerações futuras vão relatar de nossa época atual, se toda as relações de policias impulsivos estarão canalizadas e espiadas por uma loira contundente que lembra uma grande atriz de cinema. Vamos esperar para ver. Encerro com uma crítica em forma de vídeo de Isabela Boscov da revista Veja. Boas pipocas sangrentas.

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Quem Quer Mais do Mesmo?

Longe de merecer vencer os Oscar que certamente irá faturar no dia 22 de fevereiro de 2009, ?Quem Quer Ser um Milionário?? revela-se unicamente um bom filme e nada mais. O tom realista, as grandes atuações por parte de todo o elenco, o roteiro que mostra uma verdade nua e crua, a ascenção dos personagens, a conturbada vida dos favelados de Bombaim, a maturidade de uma estória que, apesar de contar com recursos artificiais para o seu funcionamento, aborda temas complexos e polêmicos de um modo inteligente e, até mesmo a magnífica e revolucionária direção de Danny Boyle (que apesar de jamais poder ser alcunhada de irregular, perde um pouco de seu ritmo durante os cinquenta minutos finais do longa), são ?tijolos? muito bem confeccionados que constroem um longa sensacional durante a sua primeira metade. Contudo, chega a segunda metade do filme e, com ela, vem a previsibilidade, a estória de amor dispensável e nada convincente, a pieguice, e a velha mania de conferir um ‘final feliz’ que soa altamente desconexo com a proposta inicial do filme.

É lamentável percebermos que, dois dos melhores diretores da atualidade (Boyle e Fincher) irão receber os prêmios mais importantes de suas carreiras por causa de dois de seus piores filmes.

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O Triste Fim de um Gênero Cinematográfico

O grande defeito da obra que marca a estréia de Ed Harris na direção consiste, no entanto, na dificuldade que o roteiro encontra para encaixar cenas de ação que preencham as suas lacunas vazias. Pois é, se o filme não consegue criar um drama tão eficiente quanto ?Dança Com Lobos?, ou uma ação tão tensa quanto ?Matar ou Morrer?, ou personagens tão bem desenvolvidos quanto os de ?Três Homens em Conflito?, ou ainda uma química tão cativante quanto a dos protagonistas de ?Os Indomáveis? (só para citar um filme bastante recente e não ser tachado de saudosista e/ou tradicionalista), o mínimo que se pode esperar é que ele funcione no que diz respeito à diversão. Pois nem como mero filme pipoca ?Appaloosa ? A Cidade Sem Lei? funciona. Contando com pouquíssimas sequências de ação, o western é maçante e os seus cento e quatorze minutos (um tempo relativamente curto comparado ao dos filmes atuais) de projeção custam a passar.

Nem tudo, porém, pode ser tachado de ruim, medíocre, ou simplesmente bom, no filme em questão. Além da atuação de Irons, outros quesitos se mostram acima da média em ?Appaloosa?, bem como a fotografia, a direção de arte e a trilha-sonora. A fotografia é bela e realça muito bem as paisagens filmadas por Ed Harris (a propósito, o diretor pode até não realizar convincentes movimentações com a câmera, mas se mostra bastante eficiente quando cria ângulos fantásticos a fim de focar paisagens belíssimas). A direção de arte é ótima e cria muito bem uma cidade pequena e pacata, mas levemente suja. A trilha-sonora, por sua vez, nos remete à época retratada pelo filme e cria uma fantástica aura por trás da trama.

É realmente lamentável, no entanto, que ?Appaloosa ? A Cidade Sem Lei?, além de não apresentar absolutamente nada de novo, apele a todos os clichês possíveis e se mostre um filme aborrecedor. Uma produção mais ousada e menos patética poderia facilmente ter colaborado para a prorrogação do prazo de extinção do western que é um dos primeiros e mais importantes gêneros da história do Cinema.

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Novo Épico ou Novo Plágio?

Um fraquíssimo candidato a épico que, na dificuldade que encontra ao tentar firmar-se como dois filmes em um só, acaba aborrecendo o espectador causando fortes dúvidas neste que não sabe ao certo se está assistindo a uma aventura pelos desertos australianos ou a um drama sobre a Segunda Guerra Mundial. Infelizmente, o longa falha tanto em uma tentativa, quanto em outra, tornando-se visivelmente imaturo e caricato em sua primeira metade e excessivamente piegas em sua segunda metade. De qualquer forma, não há como negarmos que o mesmo, apesar de irritar muitas vezes, revela-se divertido em alguns momentos e comovente em outros, além de nos brindar com uma fotografia primorosa e direção de arte e figurinos excepcionais.

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A Velha Estória de Sempre!!!

No saldo final, ?O Curioso Caso de Benjamin Button? definitivamente conta com uma infinidade de erros imperdoáveis, que variam desde a dificuldade que este encontra para estabelecer limites entre a fantasia e a realidade, até a sua composição extremamente açucarada (exceto a um drama ou outro pelo qual o personagem sofre), passando pelo uso abusivo de clichês e estereótipos que o torna ligeiramente previsível. O filme, no entanto, é belíssimo (mesmo fugindo dos conceitos artísticos estabelecidos por Nieztsche). Por mais que a estória seja fortemente tola, não há como não nos enlaçarmos com a mesma e, sobretudo, com o seu personagem principal (a atuação sensacional de Pitt colabora muito para tal). Button cativa, Button emociona, Button, por várias vezes, lembra uma pessoa comum, uma pessoa que está diariamente ao nosso lado. O filme é altamente sensitivo, nos transporta para o coração da trama, inala toda a sua essência. Sua parte técnica então é perfeita. A direção de arte nos remete facilmente às épocas que almeja retratar, a fotografia transforma o longa em um dos espetáculos visuais mais belos já vistos ultimamente (e confesso que desde ?O Senhor dos Anéis ? O Retorno do Rei? uma fotografia se mostrava capaz de agradar-me tão veementemente) e a maquiagem é digna do Oscar® que obviamente irá ganhar, afinal de contas, você acha que é fácil transformar a face de uma criança em algo parecido com uma uva passa?

Uma verdadeira pena que, com tantas qualidades visíveis, ?O Curioso Caso de Benjamin Button? venha a cometer erros tão infantis. Pior ainda é notar que tais erros foram cometidos por dois profissionais extremamente competentes, Roth e Fincher.

É, pelo visto o Oscar® deste ano será um dos mais superestimados de todos os tempos. Imaginou se, embalada pelo prêmio de Melhor Filme que a obra estrelada por Brad Pitt obviamente irá faturar, a indústria cinematográfica passar a produzir apenas filmes deste naipe? É, meus amigos, aí Daniel Esteves de Barros deixará de analisar filmes recentes e será mais outro cinéfilo saudosista que passará unicamente a se dedicar a filmes de cineastas como Kubrick, Scorsese, Fellini, Antonioni, Bergman, Renoir, Godard, Truffaut, Bresson, Kurosawa, Rocha, Eisenstein, entre outros.

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Êta mulher porreta!!!

A trama é bastante forte e consegue nos surpreender do modo mais inesperado o possível. Quem poderia imaginar que a estória de uma mãe que busca desesperadamente o filho sequestrado viria a se converter na odisséia de uma mulher com mais força e alento que mil homens juntos (inclusive muitos pseudointelectuaizinhos metidos a sabichão, como assumo que é o meu caso) que, contando com a ajuda de algumas outras pessoas, encabeça uma incansável batalha contra um sistema injusto e que prima cada vez mais pela defesa dos mais fortes? A saga de Christine Collins se revela, na verdade, uma lição de vida. Um amplo estudo sobre a relação mãe e filho, uma abordagem sobre o modo como a maior tragédia que pode ocorrer com uma pessoa (a não ser que você conheça algo mais trágico do que perder o seu único filho de uma forma tão trágica e desesperadora) pode alterar completamente o cotidiano e o resto da existência dessa. Mas, acima de tudo, ?A Troca? se revela uma cativante abordagem sobre a força do sexo feminino, o modo como uma mulher, assim como qualquer outro homem que seja, pode lutar com unhas e dentes para consertar as falhas presentes no meio em que vive, contanto que tenha um objetivo e muita determinação. E sejamos francos, há muitas pessoas do sexo masculino que falam pelos cotovelos e defenderem a sua ideologia do modo mais consistente o possível, mas não possuem a mesma determinação e força de vontade que Christine Collins possui (e eu confesso que sou um desses).

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O Dia em que a Terra Parou Sabe-se Lá Para Quê!!!

Lamentável, afinal de contas, a única coisa que esta readaptação consegue é deixar no ar a seguinte indagação: ?Se Scott Derrickson é tão fã da versão original de ?O Dia em que a Terra Parou? quanto ele mesmo diz que é, por quê cargas d?água o fracassado… ops, digo… o cineasta (gargalhadas) pegou o filme de 1951, despejou um caminhão de esterco sobre o mesmo, bateu no liquidificador por 103 minutos e criou este grande pedaço de (e, adiantadamente, peço mil desculpas pela palavra de baixo calão que irei utilizar agora, mas diante de um erro cinematográfico tão grande quanto este, não me vejo possibilitado de agir de outra maneira) merda que, a partir do momento em que chegou nos cinemas do mundo todo, passou a boiar perdidamente no oceano mainstream hollywoodiano??. Encerro esta crítica afirmando que, ao contrário da versão original (mais uma vez o comparei com o filme de 1951, não é? Mas fazer o quê, não há como escapar disso) que primava por abordar a relação terráqueo/extraterrestre de um modo não ofensivo, este remake é apenas mais um filme, dentre outros milhões do gênero, que se propõe a abordar uma possível relação interplanetária da forma mais imbecil e agressiva o possível. E, francamente, filme de merda (já pensou se a moda pega e eu começo a proferir um palavrão toda vez que estiver de extremo mau-humor após ter conferido uma obra tão ridícula quanto esta em questão?) imbecil e agressivo por filme de merda imbecil e agressivo, eu fico com ?Independence Day? que, apesar de contar com uma trama ainda mais idiota, é bem mais divertido que esta refilmagem ridícula (ah sim, e apesar de todas as falhas, o longa ainda se dá ao luxo de ser enfadonho e contar com poucas sequências de ação). Uma pena que tenhamos começado o ano de 2009 com um filme que, certamente, figurará na lista de ?Piores do Ano? da grande maioria dos críticos de Cinema do mundo todo.

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O Dia em que a Terra Parou (2008) Seja o 1º a comentar