Top 10 de Lágrimas Despejadas

historia-real-a-blogueiraVoltemos às listinhas. Não a dos melhores filmes, mas agora interessa aquela lista das obras cinematográficas que marcaram a sua vida. E no meu caso, o número 1 da lista tem em sua assinatura um dos grandes diretores alternativos, o cineasta norte-americano David Lynch. A ironia é que o filme mais marcante da minha existência é o mais tradicional deste controverso diretor que sempre optou por narrativas a-lineares e personas bizarras. Refiro-me a História Real (1999) com a “eterna Carrie” Sissy Spacek como uma personagem deficiente mental, uma forte coadjuvante. E no papel central como Alvin Straight o falecido ator Richard Farnsworth, que se matou com um tiro na cabeça após descobrir um câncer no cérebro poucos meses depois de ter sido indicado ao Oscar de melhor ator por este longa. Como curiosidade, vale recordar que o veterano concorrera com Sean Penn, Russel Crowe, Denzel Washington e Kevin Spacey que levou a estatueta por seu papel em Beleza Americana (1999). História Real foi lançada aqui no Brasil em 2000 e o contexto em que fui assisti-lo foi surpreendente. Estava com mais duas pessoas no Espaço Unibanco de Cinema, que fica aqui na Rua Augusta em São Paulo, e escolhemos o longa pelo cartaz e por lembramos que o nome de Lynch tinha um crédito e tanto pois ele dirigira a série Twin Peaks. Após os minutos iniciais com a queda de Straight logo embarquei no filme. E, juro por Deus, chorei a película inteira. Isto nunca tinha acontecido e nunca mais me voltou a acontecer, a exceção talvez de O Curioso Caso de Benjamin Button (2008), mas foi impossível ficar quase 3 horas chorando direto. Em História Real isto foi o fator surpresa, a forma como me envolvi com a trama que nos mostra a superação de amarguras passadas mesmo com a restrição física imposta pela velhice. Um fascinante road-movie deste velinho que atravessa os EUA para visitar seu irmão com quem está brigado há anos, passando por vários problemas, encontrados personalidades diversas, tudo a bordo de um cortador de grama! Assista e depois deixe aqui nos comentários a sua listinha de top 10 lágrimas derramadas na sala de cinema.

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Lynch sem ser Lynchiniano

historia-real-a-criticaDavid Lynch com um estilo bem marcante e excêntrico surpreendeu na época a crítica com o lançamento do seu longa História Real (1999).  No Blog Escreva Lola Escreva a blogueira destrincha os pormenores do nome original do filme.  “O título original, The Straight Story, tem mais a ver e traz uma série de ambigüidades. Primeiro, porque o personagem principal, no qual esta produção se baseia, se chamava Straight. Depois, porque esta é realmente uma trama direta, sem subterfúgios. E, finalmente, ‘straight’ lembra algo sisudo, mainstream, ‘normal’. Ou seja, tudo que o diretor David Lynch não é. Só pra efeito de comparação, Veludo Azul, uma de suas obras mais célebres, mostra de cara vermes em ação na terra. História Real abre com um céu estrelado. Não há aqui nenhuma das taras habituais de Lynch, como anões, máscaras de gás e membros decepados. Em seus outros filmes, Lynch expôs o que estava por baixo do americano comum e revelou seus podres. Em História Real, todos os personagens são bonzinhos e humildes. Seria quase uma celebração da América, se a maneira com que Lynch faz a narração não fosse tão simples. Parece um filme iraniano, só que sem crianças. Afinal, a velhice e o céu estrelado são universais.” Já Roberto Ribeiro do Cine Players interpreta o Straight no título original como algo careta. “Uma expressão para categorizar História Real é ‘não-convencional’: ele é um drama, mas não há conflito; ele é um road-movie, mas não há velocidade; ele é um David Lynch, mas completamente normal. Aliás, normal é uma das interpretações para o título original, Straight Story. Depois de ser massacrado pela crítica por seu A Estrada Perdida, um filme brilhante, porém, absurdo e difícil de se entender, Lynch resolve contar uma estória de narrativa linear, em boa parte alegre e sem grandes surpresas (inclusive, outro significado para ‘straight’ é careta, o que este filme é, se comparado aos outros projetos do diretor).” Comparações, nunca vamos escapar delas?

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Million Dollar Baby Revisited

gran-torino-voceGran Torino a principio só parece ter uma coisa diferente de Menina de Ouro: o personagem de Clint Eastwood. Enquanto Frank Dunn, só tinha coisas boas para oferecer com seus talentos profissionais, Walt Kowalski carrega o peso das mortes de sua carreira militar. Temos o padre, a garota esperta, a família que não vale nada, o desajeitado, o aprendizado, o amigo, a interferência do mundo, a falta de fé e por fim a morte de um personagem importante para a trama. Então vejamos o diferencial. Eu já aponto como o breve dialogo entre a irresistível Sue (Ahney Her) e Walt (Clint Eastwood), demonstrando a conseqüência da recuada dos EUA, do Vietnã, levando a quem “eles estavam protegendo”, sair de seu país e ir para o lar de “seus amigos” americanos, para no fim das contas serem chamados de chinas. O filme resguarda certas semelhanças com Crash, no que tange a intolerância entre diversos grupos de origens diferentes. Claro que esses conflitos por vezes terminam em piada como na amizade de Walt e seu barbeiro (John Carroll Lynch). O Dj Mau Val da Oi Fm, disse uma coisa sobre o filme que tenho que concordar. O fato de ter em comum com O Casamento de Rachel e O Visitante, a fato de serem três estorias de pesssoas que mudaram suas vidas através dos choques culturais. Se falar de falta de fé e intolerancia são uma maneira de buscar mais fé e tolerancia sinceramente não sei. Mas, fica claro que Clint Eastwood não perde a sua capacidade de contar estórias bonitas.

Publicado por: QUEIROZ -- http://escritosmalditos.blogspot.com/

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Esse é “O” filme baseado em Graphic Novel

Robert Rodriguez, o homem que estava por trás de filmes “pop teen” como Prova Final, o homem que fez uma das melhores trilogias de ação, a famosa Trilogia Mariachi. Um grande parceiro do ótimo diretor Quentin Tarantino. A volta do diretor com uma adaptação da Graphic Novel de Frank Miller, na verdade esse filme não pode ser chamado de adaptação e sim de transição.
Com o autor da HQ ao seu lado, Robert traz um filme práticamente perfeito. Efeitos especias espetaculares, atuações muito boas e cenas de serem lembradas como clássicas.
Com quase todas as cenas feitas em estúdio e sendo pretas e brancas, menos cores fortes como amarelo e vermelho, o filme não se torna enjoativo ou irritante em nenhum momento.
Além do grande Robert Rodriguez, temos a participação de Quentin Tarantino, o ótimo diretor responsável por filmes como: Kill Bill e Cães de Aluguel participa de uma das cenas do filme. Sem spoilers, a cena trata-se de um diálogo de Jack Boy, personagem de Benicio Del Toro e Dwight que é personagem de Clive Owen. Um diálogo simplismente espetacular, uma cena espetacular que já valeria o filme.
Um filme muito bom, uma direção muito boa, uma ótima transição.

Publicado por: Kaike de Souza

Sin City - A Cidade do Pecado 1 Comentário
Os Vícios da Fome

garapaCerta vez em uma aula de História do Cinema um professor me disse de forma extremamente veemente que a miséria humana pode chegar a um fundo de poço tão medíocre que a incompreensão pode vir a se tornar regra. No caso, ele contava suas experiências em oficinas cinematográficas na periferia de São Paulo, onde vemos muitas pessoas corajosas e lutadoras mas, como em qualquer aglomeração humana não importando a raça, cor, credo ou classe social, haviam também os fracos e covardes. E estas pessoas a quem meu professor denominava covardes eram aqueles pais de família que não tinham dinheiro para comprar comida para os filhos, mas estavam no balcão do boteco do bairro tomando a sua dose de R$1,00 de uma “pinguinha 51”. Parece extremamente surreal, mas uma análise psicológica razoável seria que para quem se considera no fundo do poço da fome e miséria é mais lógico comprar uma droga que anestesie esta tristeza do que saciar os roncos do estômago. O diretor carioca José Padilha já é conhecido do grande público, primeiro pelo seu provocativo documentário Ônibus 174 (2002) que serviu de inspiração para Bruno Barreto elaborar seu longa de ficção Última Parada 174 (2008). Depois veio a consagração de público e crítica com o “tapa na cara, pede pra sair” Tropa de Elite (2007) premiado com o Urso de Ouro no festival de Berlim de 2008. Este ano Padilha esteve novamente presente no festival para divulgar na mostra Panorama o seu novo trabalho documental Garapa (2008). Se com Tropa de Elite o diretor recebeu diversos aplausos e ovações, ao final da sessão de seu novo trabalho a reação da platéia foi de respeitosa mudez, talvez o melhor aplauso que o diretor possa receber por uma obra tão dura, forte e reflexiva. O documentário é extremamente substancial, mostrando apenas aquilo que é necessário e pertinente ao tema: expor através de três famílias cearenses o problema da fome no mundo. Cinematograficamente a obra suprime tudo aquilo que é desnecessário: não há cor, narração ou trilha sonora. Apenas o olhar fixo da câmera, mirando uma realidade dura de ser aceita, digerida e transformada. As discussões em torno do filme podem partir para o âmbito político ao questionar a eficiência de programas assistenciais como o Bolsa Família ou o Fome Zero. Mas ao final, fica impregnada a questão humana de como permitimos que seres como nós vivam tal nível de desumanização. E mais do que isso, o que mais me espantou e marcou no documentário foi justamente aquilo que vi e que me fez relembrar as palavras do meu professor com a qual eu comecei o texto, Deus, como são tristes os vícios da fome. Das 3 famílias mostradas, absolutamente todas apresentavam em seus membros níveis de desnutrição crônicas nas crianças, mas nos adultos algo muito triste foi visto. Em uma vemos que praticamente todas as cenas em que o pai e mãe aparecem, eles estão com um cigarro na boca. Se ali não há comida, como e porque se tem o cigarro? E nas outras duas famílias os pais apareciam em diversos momentos bêbados ou bebendo cerveja, enquanto seus filhos e filhas bebiam a garapa que dá título ao documentário, uma bebida feita de água quente com açúcar para matar a fome dos pequenos. É a miséria humana, carente e incompreensível, que faz com que avistamos em um filme tão triste que mesmo em uma situação extremamente penosa os vícios que nos fazem anestesiar e esquecer a realidade estão ali presentes. Se estão cumprindo bem ou não o seu papel, é impossível dizer. Assim como é aparentemente impossível é resolver o problemas desses mais de 900 milhões de serem humanos famintos que dividem conosco de força desigualitária os recursos de nossa mãe Terra.

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