Mais do que um marco da minha e de muitas infâncias, A Bela e a Fera (1991) dividiu a águas das tintas que compõe as animações cinematográficas. Com belíssimas tomadas desenhadas pelo estúdio Disney e canções extremamente criativas, o longa foi o primeiro desenho a concorrer a melhor filme no Oscar durante a cerimônia de 1992, concorrendo também por som e pelas canções Bella, Be Our Guest and Beaty and the Beast. Esta última faturou a estatueta e foi motivo de derramamento de muitas lágrimas pela blogueira que voz fala. Eu tinha uns 7 aninhos e possuía a fita VHS do desenho. Típico das crianças da idade, eu assisti infinitas vezes a obra decorando todas as canções e falas. E recentemente tive o prazer de recordar estas doces lembranças ao ir ao Teatro Abril aqui em São Paulo ver a versão musical da obra. E um dia após o espetáculo, desenterrei meu VHS! Durante o show, chorei muito e revendo a fita não foi diferente. Não sei se é por me identificar com uma heroína nada fútil, que gosta de ler e quer conhecer o novo o diferente e que, acima de tudo, foi capaz de amar o homem por trás da horrenda fera. Me desculpem, mas Bela é sim a melhor heroína da Disney. É só pensar nas suas companheiras, todas passivas. A Branca de Neve come a maçã e o príncipe a beija e a salva. A Bela Adormecida também é salva pelo amor do príncipe, assim como a Cinderela é liberta pelo homem que a encontra pelo sapato. Bela não… é ela quem vai atrás da Fera e o salva da maldição. É ou não é uma revolução feminista para as princesas Disney? É de se pensar…

De todas as revistas em quadrinhos, desenhos animados e longas, a melhor obra que relata o universo mutante foi certamente X-Men 2 (2003) de Bryan Singer. Só de pensar na sequência inicial de Noturno invadindo a Casa Branca já me arrepio tamanha beleza e qualidade cinematográfica. Penso que é de uma estranhesa imensa se considerar que uma mitologia em quadrinhos tão bem concebida por Stan Lee (de outros tão ótimos personagens como Hulk, Homem-Aranha, Demolidor e Quarteto Fantástico) não pudesse funcionar em tela grande. Mas o diretor sul-africano Gavin Hood que, não me perguntem porque, ganhou um Oscar em 2008 com o longa Infância Roubada (2007), teve o dom de transformar em um bombástico fiasco o tão aguardado filme solo do mutante mais amado de todos. X-Men Origens: Wolverine (2009) tinha tudo para dar muito certo: o homem mais sexy do mundo Hugh Jackman interpretando pela quarta vez o personagem, mutantes que ainda não haviam aparecido como o charmoso e afrancesado Gambit e uma equipe pronta para elaborar os melhores efeitos especiais possíveis, desde garras de adamantium a pulos colossais. Mas deu tudo errado, tudo muito errado. O roteiro ficou um lixo e nada, nem a beleza e carisma de Jackman puderam salvar qualquer trecho da película. É só pegar uma cena, uma ceninha de exemplo: ele saltando da moto para o helicóptero, fazendo-o cair com as garras metálicas, tudo no mais frenético e acelerado movimento. É de chorar de rir ou de trista de tão ruim, tão bomba que a “coisa” toda virou…
Não há nenhum site cinematográfico tão interessante e democrático quanto o Cabine Celular do gaúcho Maurício Saldanha. Seu site é referência para muitos cinéfilos, e o que ele diz de muito bom ou muito ruim sobre um filme pode ser o fator decisivo para uma pessoa ir ou não ao cinema. Sendo assim você poderá assistir com seus próprios olhos o que uma pessoa tão conceituada disse sobre X-Men Origens: Wolverine (2009): BOMBA! BOMBA! BOMBA!
Imagine-se aos 86 anos de idade em seu último dia de vida, seu corpo já fraco e velho e sua alma e espírito prontos para partir. Há anos você não fala com o único filho, famoso pianista que vive na Europa. Para compensar o tempo perdido tirará de sua empoeirada adega aquele champagne que há 40 está guardado, assim como tentará por uma última vez varrer as teias de aranha de um entruncado relacionamento. Esta é a trama da película argentina A Janela (2008) do diretor Carlos Sorin, tão sentimental e profunda que não é nada difícil se transpor para o papel do personagem central Dom Antonio (Antonio Larreta). Seu título remeta a imensa janela no quarto do protagonista que faça com que ele aviste os campos de uma Patagônia rural, isolada e bucólica. Mas o longa também poderia ter outros 2 nomes. O Relógio, graças ao som de tic-tac que pontua em contagem regressiva o momento em que a alma de Dom Antonio será levada pela antiga babá que lhe aparece em sonho, um sonho em que ele se imagina com apenas 6 anos de idade, 80 anos antes. Ou O Piano, instrumento de profissão de seu filho. O velho possui em sua casa um antigo modelo alemão que há anos não é tocado e durante boa parte da exibição um simpático afinador de instrumentos do tipo terá a tarefa de torná-lo tocável novamente. Trama singela e simpática nos fará repensar o nosso orgulho fazendo-nos retornar o fio da meada de parentescos perdidos e sentimentos abandonados.
O longa do diretor argentino Carlos Sorin foi unanimidade de qualidade e encantamento. Luiz Carlos Merten em seu blog no Estadão diz: “Não sei se a história de um velho que decifra o enigma da própria vida interessa a muita gente, mas a mim encantou. (…) A janela do título abre-se para os pampas, mas ela também é metáfora do cinema e do movimento interior que o velho protagonista realiza, em busca de um momento mágico que viveu 80 anos antes.” Já Robledo Milani no CineRonda parabeniza: “A Janela, de Carlos Sorin, é digno de todo e qualquer aplauso! O longa foge do sentimentalismo exagerado tão comum na cinematografia latino-americana, apostando num viés mais melancólico e reflexivo, tão característico da atual produção argentina. E mesmo dentro deste contexto consegue se destacar pela simplicidade de sua mensagem e o efeito que esta provoca em uma perfeita comunicação com o público.”
Qual o papel de um escritor? Publicar romances, recitar poesia, fazer amar ou fazer amor? E qualquer indício de fama e glória, vem com o tempo? Para o personagem de Leonardo Medeiros em Budapeste (2009), José Costa, nada disso é necessário talvez até proibitivo. O protagonista deste longa, baseado em um livro de Chico Buarque, é um ghost-writer, escritor anonimadamente pago para ceder sua obra para a autoria alheia. Ele vive um frio e tedioso casamento com Vanda (Giovanna Antonelli) que busca os holofotes a qualquer preço. Ironicamente, o filho desta relação é uma gorducha criança que mesmo aos 5 anos não é capaz de pronunciar qualquer palavra, expressão à total falta de comunicabilidade e amor entre estes dois seres. Para espantar o tédio e o falso amor, Costa sai do cinzento Rio de Janeiro e parte para a amarelada Budapeste. Algo na trama até nos diz que ele trocará “seis por meia dúzia” já que uma húngara afirma, na frase que dá título ao post: “Nós, húngaros, somos os cariocas do Leste Europeu.” Mesmo assim Costa parte e se encanta com Kriszta (Gabriella Hámori), que lhe ensina porque o húngaro é a única língua que o Diabo respeita. Com esta trama romântica extraída do livro homônimo de Chico Buarque, o diretor Walter Carvalho nos dá um roteiro bem amarrado, bela fotografia e interpretações competentes. O longa se mostra até um pouco fora dos padrões dos filmes brasileiros que estão fazendo sucesso junto ao público, no caso as comédias Se eu Fosse Você 2 (2008) e Divã (2009). Porém, penso que chegou então a hora de um bem executado romance testar sua receptividade junto ao nosso público, afinal que brasileiro não gosta de cair de amores por quem se faz apaixonar?
A crítica brasileira mais uma vez conseguiu ser óbvia em comparar as coisas boas do livro Budapeste com o que ficou ruim na transposição cinematográfica. É o que faz Heitor Augusto do Yahoo! Cinema Brasil . “Na literatura, Chico vai fundo na forma. No cinema, Budapeste encontra seu primor quando mostra o meio do caminho, o contato do protagonista com sua musa, Kriska (Gabriela Hármori, do impronunciável Állísátok meg Terézanyut). No filme de Walter Carvalho, a comunicação entre duas pessoas que falam diferentes línguas não as impede de se aproximarem. Essas cenas são bonitas, muito bonitas. (…) O filme não é tão interessante quanto o livro. Na literatura, o jogo de espelhos entre José Costa/ Zosze Kósta, Kriska/ Vanda, Rio de Janeiro/ Budapeste, português/ húngaro é mais complexo que a câmera refletida no espelho utilizada por Carvalho para transportar um dos preceitos do livro: de que a história acontece ao mesmo tempo em que é contada.” Eduardo Viveiros no Omelete repete a comparação.
“Até então apenas uma história de amor, se não fosse recheada pelos subtextos do livro original, sua verdadeira graça. No Budapeste original, Chico criou um conto sobre ligações afetivas mais profundas, do brasileiro Costa com seu idioma materno, sua nacionalidade original e um novo ufanismo postiço que desenvolve. Mais que a busca por um final feliz, o tema da história é um exílio perdido no tempo. E é aí que o Budapeste dos cinemas se embanana. A adaptacão do texto não é cem por cento fiel, e nem poderia ser. O texto de Chico costuma ser mais abstrato que palpável e acaba se diluindo facilmente na vida real. Mas no esforço de mastigar o livro para a audiência, cortam-se tantas arestas que dão graça e densidade à história que o que restou fica órfão.” Está na hora de nossa crítica ser um pouco mais criativa e enxergar uma obra cinematográfica independente.
Em 1954 era publicado na Inglaterra a trilogia do escritor J.R.R. Tolkien O Senhor dos Anéis. Mais do que uma obra de fantasia, o inglês soube extrair de sua mente criativa toda a geografia da Terra-Média, sua história, povos e línguas. Nada mau para um filólogo da Universidade de Oxford cujo círculo de amizades incluía C.S. Lewis, também autor de uma vasta obra fantástica denominada As Crônicas de Nárnia. Pois bem, cerca de 50 anos depois de Tolkien ter mostrado ao mundo as aventuras de um hobbit para destruir O anel de imenso poder e dominação , o neozelandês Peter Jackson, que apresenta uma imensa semelhança com esse povo de menor estatura, assume o desafio de filmar o “infilmável” livro. Senhor dos Anéis não será a primeira nem a última obra a ser taxada como impossível de se transpor ao cinema . Por décadas duvidou-se que seria impossível um filme razoável da graphic novel Watchmen e este ano tivemos a prova de que fosse possível, com um resultado final bem satisfatório em qualidade fílmica. Mas no caso de Jackson toda uma estrutura megalomaníaca estava por trás. Os atores e equipe de produção foram transpostos para as terras da Nova Zelândia, país que apresenta paisagens belíssimas que se assemelham as descrições de Tolkien da Terra-Média. Por 5 anos houve um mergulho total para se construir cenários, figurinos, treinar cavalos, ensinar os atores a falar élfico, gravar, elaborar todos os efeitos especiais e fazer a edição final. Tinha tudo para ser um fracasso, mas resultou em uma trilogia primorosa que acumulou 17 Oscars nos 3 anos em que cada parte foi lançada. Apesar de toda liberdade criativa, Jackson ainda assim teve que abdicar de muitas coisas. Logo no roteiro cortou personagens como Tom Bombadil, o que causou comoção nos fãs mais fervorosos da obra literária. Mesmo assim houve muitas cenas gravadas que foram vetadas pela distribuidora a fim de evitar filmes de 4 horas de duração, o que poderia espantar o público e sua bilheteria. Mas quem soube admirar o trabalho do diretor pediu mais e teve em troca um primoroso box em DVD das versões estendidas de cada parte da Trilogia: A Sociedade do Anel (2001), As Duas Torres (2002) e O Retorno do Rei (2003). Infelizmente esta versão não foi lançada em terras tupiniquins, um erro grotesco que até hoje não compreendo. Porém, graças a ajuda de um amigo que viajou à Inglaterra pude enfim ter acesso a versão real deste verdadeiro clássico. Como fã fervorosa da obra literária e cinematográfica aconselho: leia o “paralelepípedo” literário e assista as 10 horas de mais bela obra cinematográfica.
Na última semana tive a imensa oportunidade de participar do Rapadura Cast, um podcast sobre cinema do site Cinema com Rapadura. Participou junto a mim Jurandir Filho , Maurício Saldanha e a Talita Neuhaus. A discussão se deu de forma acalorada girando em torno do tema Dan Browns, suas obras literárias, as polêmicas e as adaptações ao universo cinematográfico. Ao ouvir o podcast você perceberá o quanto ele foi acalorado, especialmente no que concerne a religião. Mas o que dizer do Anjos & Demônios (2009) que foi lançado na última semana? Pelo visto fui a única a defender a obra. Nem no Rapadura, Omelete, Veja, Folha. Todos massacraram o filme. Mesmo assim ele superou o novo Star Trek (2009) em bilheteria na última semana. Sinais de que o público ainda procura obras pseudo-questionadoras, apesar de meia-bocas? Este é um mistério simbólico que nem Robert Langdon consegue decifrar…
Eu sou fã do Tom Hanks sabe, mas Código Da Vinci foi a pior atuação dele na vida. E acho que o Ian Mckellen, salvou o primeiro filme do total boeiro. Fica difícil para um católico ver com bons olhos esses filmes. No filme anterior o Alfred Molina, faz até aquela entonação de voz que os padres fazem antes da omilia. Em Bússola de Ouro se experimenta algo semelhante sendo as vítimas por assim dizer: bruxas, ciganos e crianças que tem bichinhos de estimação. Eu sempre acho que quem escreve esse tipo de estória é aquele cara que ficou entediado durante uma missa e resolveu formular essas estórias mirabulantes. No anterior o Robert Langdon (Tom Hanks) se ajoelha lá perante o tumulo de Maria Madalena. Imaginei que nesse segundo ele faria a carteirinha de sócio do Iluminati. Mas, vou deixar um pouco a minha paixão católica para falar do filme. Pois, bem, o filme se inicia na ocasião do falecimento de João Paulo II, e creio até que as imagens que aparecem no filme sejam reais, o que me causou tristeza, por me lembrar dessa ocasião. Logo corta, para um laboratório na Suíça, onde os cientistas, um deles a Doutora Vittoria Vetra, interpretada pela linda Ayelet Zurer, conseguem separar a Antimatéria, que seria mais ou menos como o fogo da criação, que nas mãos erradas pode se tornar uma bomba, capaz até de mandar pelos ares o Vaticano. Logo, ocorre o primeiro assassinato, de um cientista, e é roubado um dos tubos de Antimatéria. E dessa forma a Igreja Católica, chama logo quem? Robert Langdon, aquele professor de Harvard que tem o filme queimado com a Igreja, mas já que é o único Sherlock Holmes disponível no momento, então não tem tu, vai tu mesmo. E assim toda a trama se desenrola durante a ocasião do conclave que elegerá um novo Papa. Enquanto o Robert está falando mal na cara, acho que o filme corre bem, afinal se no primeiro as vítimas eram as bruxas, nesse é o ?Agora agüenta o Iluminati!!!?. O problema da trama, diferente da anterior é a indecisão de quem é Anjo e de quem é Demônio na situação, falo isso sem tomar partido por linguagens maniqueístas. Uma hora vemos um personagem sendo o mais virtuoso de todos, para no fim das contas ser revelado como o mais sórdido. Meio que a boa brincadeira de detetive, durante boa parte da projeção do filme se torna tão boba, com sua conclusão, um plot twist, prá lá de esquisito, afinal se você é O culpado, porque diabos (sem trocadilho, por favor), vai ajudar a facilitar uma investigação? Se você está defendendo uma coisa, porque correr o risco tão grande para poder destruí-la? Antigamente, quando você via uma trama se desenrolando no cinema, a descoberta viria de alguém chegar a conclusão de. Mas, hoje em dia ou é na base do celular, do arquivo de computador ou do vídeo revelador. É ridículo sabe. Ao final parece que há uma conciliação entre Dan Brown e a Igreja, mas aí que eu digo que o senhor é um fanfarrão Ron Howard. A tal conciliação entre a Igreja e a ciência vista dessa maneira é prá lá de mentirosa, pois se a igreja é uma fábrica de loucos, como dá a entender a trama, logo sugira um novo _______ crendo que os avanços da ciência são uma ameaça a fé, e dá-lhe mais mortes. Eu preferia que o Prof.Langdon, não fosse posto como o herói da Igreja. Gostaria que ele até dissesse: ?Não senhor, não foi Deus que me mandou aqui, tenho que pagar minhas contas, meu serviço custou tanto. Põe na conta do Papa?. Seria mais coerente. Felizmente hoje em dia a fogueira da inquisição está apagada, e quando a Igreja se opõe contra algo é na base das declarações públicas, de até aconselhar as pessoas a não verem esse filme. Eu sou católico e vi, e isso não abalou em nada minhas crenças. Se um dia fizerem um filme com bom orçamento da Madre Tereza de Calcutá ou de São Francisco, me chama Há de se elogiar a beleza de Ayelet Zurer, a excelente atuação de atuação de Ewan McGregor no papel do Padre Patrick Mckenna e a trilha de Hans Zimmer.
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