Michael Bay acatou as críticas recebidas pelo seu primeiro Transformers, pelomenos é o que me faz pensar após a sessão de A Vingança dos Derrotados. Abriu mão das marcas registradas do estilo Michael Bay, como suas músicas de clímax, que não dão clímax nenhum, aquelas aéreas do Pentágono e diálogos extremamente idiotas realizado por militares e tirando o Gran Finale do grande centro urbano. E até os personagens idiotas, por assim dizer, tem uma certa utilidade, a exemplo do pau mandado do Governo que sem querer acaba ajudando os Decepticons, inimigos mortais dos Autobots. Aliais um belo momento no filme é quando Megatron se encontra com seu Mestre no espaço sideral. Eu senti falta do robô que era o médico de guerra do primeiro filme e o sentimento de equipe por parte dos Autobots que nesse filme é ausente. Uma coisa que acho chata nos efeitos especiais são as cenas de luta, tendo em vista o fato de que por optarem por mostrar bem as engrenagens dos robôs, para torná-los realistas, o público acaba não sendo capaz de realmente assistir as cenas de luta, e você acaba com a mesma sensação de olhar para um formigueiro, e acaba não assimilando nada, o que para um filme de ação é péssimo. O transformar no filme ficou mais bem resolvido, com direito a tomadas em 360.º. Mas, os robôs grandiosos do filme são o famoso: Você é grande, mas não é dois, porque a sensação de perigo que eles passavam nos trailers, se dissipa de pronto, por os robôs menores resolverem o problema mole, mole. Por falar em robôs menores, o que é aquela duplinha de dente de ouro e marra pimp my ride. Fugiram de Carrinhos, por acaso? Agora, o pior personagem é o colega de quarto do Sam (Shia), o tal do Leo. Eu torcia para o personagem morrer nas cenas de perigo, muito chato. O trabalho de dublagem é impecável, Guilherme Briggs, manda muito bem, fazendo o vozerão de Optimus Prime, assim como toda a equipe de dubladores. Parabéns. Megan Fox é a Mulher mais Sexy do Mundo, Shia o Homem mais Sortudo do Mundo e Michael Bay tem Steven Spilberg como produtor de seu filme pela Paramount. E com isso tudo é possível, não ter uma boa bilheteria? Realmente não, e no fim das contas em produções assim é o que interessa.
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A cinematografia hollywoodiana é feita de muitos erros, enganos que chegam a ser clássicos. Falo isso, pois perdi a contas que quantas vezes tive que esclarecer certos pontos que o faremos hoje neste post. O primeiro deles é aquele em que todo mundo pensa que O Estranho Mundo de Jack (2003) é do Tim Burton, mas ele apenas produziu e roteirizou a história. Como esclarecemos no post de Coraline e o Mundo Secreto (2008) o diretor responsável por toda aquela massinha cantante é Henry Selick. Outro engano muito comum é de que Quentin Tarantino dirigiu O Albergue (2005). Ele também apenas o produziu e todo o roteiro e direção ficou a cargo de Eli Roth, que em breve poderá ser visto atuando como um dos generais de Bastardos Inglórios (2009), este sim totalmente Tarantino. Até George Lucas não dirigiu todos os filmes da sua saga Star Wars. O Império Contra Ataca (1980), o melhor longa da trilogia clássica, foi dirigido por Irvin Kershner que acabou 10 anos depois dirigindo Robocop 2 (1990). E finalmente um engano clássico será desmistificado no post de hoje: Steven Spilberg NÃO dirigiu ou roteirizou a trilogia De Volta Para o Futuro. Ele também apenas produziu. Quem dirigiu foi Robert Zemeckis. E você pode estar se perguntando o que mais esse tal aí fez? Que tal a direção de Forrest Gump (1994), Contato (1997), O Náufrago (2000), Revelação (2000), O Expresso Polar (2004) e Beowulf (2007)? O roteiro Zelick dividiu seus escritos com Bob Gale, que dirigiu um filme muito bom que é um verdadeiro achado, apenas disponível em VHS no país: Viagem Sem Destino (2002). Com um elenco que conta com Gary Oldman, Michael J. Fox, James Marsden, Christopher Loyd, Chris Cooper, entre outros, retrata um grande road-movie misturado com boas doses de fantasia. Recomendo. De volta para onde estávamos, De Volta Para o Futuro é a grande trilogia que marca os anos 80. Com 3 histórias que se interligam totalmente no espaço e tempo somos conduzidos aos anos de 1885, 1955, 2015 e depois nos idos de 1800 no Velho Oeste. Quando revi a trilogia a pouco tempo atrás lembrava tudo do primeiro e do terceiro filme. O primeiro, quem nunca o viu na Sessão da Tarde que atire a primeira pedra. Agora o segundo, parecia que o estava vendo pela primeira vez, com toda aquela noção de um futuro super hi-tech que certamente não estamos vivenciando. Sim porque nós somos o futuro da década de 80, louco não?! O terceiro filme pode ter sido o menos visto por muitos, mas para mim é o mais engraçado. Tenho uma certa queda por faroestes e ver Martin McFly se apresentando como Clint Eastwood é de gargalhar! Outra pessoa desta produção que devo parabenizar é Alan Silvestri que compôs a trilha sonora do filme. Este também é um cara de um currículo e tanto, com duas indicações ao Oscar de melhor trilha sonora por Forrest Gum (1994) e O Expresso Polar (2004). Para você ver, como a indústria do cinema é composta por grandes nomes, mas , por favor, vamos dar os devidos créditos!
O nova-iorquino Tony Gilroy é o responsável pelo roteiro de diversos bons filmes de ação ou suspense como Advogado do Diabo (1997), Armageddon (1998), Prova de Vida (2000) e os três longas da Trilogia Bourne. Com tanto crédito positivo, seu primeiro longa no qual além do roteiro conduziu a direção foi rodeado de expectativas. O resultado totalmente positivo pode ser visto em Conduta de Risco (2007) que garantiu uma das melhores interpretações de George Clooney e um Oscar para a andrógina, mas sempre excelente Tilda Swinton. Ainda falando de Oscar, o próprio Gilroy foi indicado a melhor roteiro original e direção naquele ano. Um filme que concorreu um total de 7 Oscars incluindo melhor filme não deixaria seu diretor passar em branco. Em Duplicidade (2009), seu segunda longa na dobradinha “Escrito e Dirigido por” Gilroy conseguiu a façanha de nos deliciarmos um belo e surpreendente roteiro, totalmente imprevisível. Além disso, proporciona que vejamos Clive Owen e Julia Roberts a vontade no papel de dois espiões trambiqueiros. Agora se você pensa que haverá FBI ou CIA no meio, está muito enganado. A trama toda gira em torno da dita espionagem industrial, algo que pelo visto deve ser lugar comum nas grandes corporações, conglomerados e multinacionais. A guerra de patentes é secreta e vence quem consegue roubar primeiro do outro. Pena que duas falhas grotescas atrapalhem o longa. A primeira são as janelinhas estilo 24 horas que não casam com a edição de vai e volta no tempo. É a segunda é a trilha sonora de sons remetendo a algo cubano e caribenho que nada tem a ver com o clima de capitalismo e malandragem. Cortou o clima e só aquele olhar por baixo dos óculos escuros de Clive Owen para retomar.
O filme começa com a narração do Cap.Nascimento pisando no próprio pé da corporação, e acaba a Tropa, se tornado a exceção à regra de corrupção e fraqueza de artilharia. Eles são os Justiceiros da vida real, Caveiras, mas não dura muito pro filme mostrar os podres deles também. O filme perdeu uns pontos prá mim antes de ver por não retratar de onde surgiu a semente, com a prisão do bicheiro Castor de Andrade, o mesmo que divagou que polícia é essa que não pode ser corrompida. Esse é mais ou menos, um trecho que li de Elite da Tropa. Depois de ver o filme, os pontos foram perdidos com o núcleo do Matias (o dos estudantes maconheiros), pois lá poderia ter sido incluido nós: Nem policiais corruptos, nem da Tropa, nem viciados, nem traficantes. Faltou isso para mim no filme, o ponto de vista neutro de alguém que não tem a menor responsabilidade com os fatos ruins. Aquela cara de propaganda do governo que chateia, quebra o ritmo. Mathias(Andre Ramiro) é um cara inteligente que quer se formar em direito, se especializar em direito criminal, mas completamente passional quando há o questionamento sobre a corrupção policial na sua sala de aula. A sequencia do filme é perfeita, com a narração do próprio Cap.Nascimento não limpando a barra da corporação. Eu julgo como herói do filme o Neto (Caio Juqueira), com sua jogada brilhante para sair da oficina na qual os aspiras tem que ralar e o fato de se f#der, por ajudar o amigo Mathias. Neto realmente veste a caveira, e até fica lisongeado quando o Cap.Nascimento diz: Atira bem, mas tb com o meu fuzil é fácil. Chega a tatuar a caveira no braço, mesmo frente ao exitante tatuador. Há brilho nos olhos dele, muito embora a falta da consciência da onde está se metendo. E quanto a outra caveira? A pirata? Bem, realmente um dos fatos que me estimularam a ir no cinema ver o filme foi a propaganda boca-a-boca, disseminada exatamente pelas cópias no camelô. Eu mesmo assim fiz questão de ver esse filme no cinema, pois é raro ver bons filmes nacionais na telona. Aliais boa parte da graça, está lá. Tanto o som do baile funk no começo do filme quanto as cenas de tiro, tudo é mais impactante. Agora fica uma questão: Vi na época uma entrevista no Roda Viva da Tv Brasil com José Padilha, e pelo visto parece que a intenção dele ao fazer o filme é o extremo oposto do que a galera anda pensa quandoa assiste. É esse lance, com o Cidade de Deus, o popular ficou o Zé Pequeno, agora o Cap.Nascimento. Brasileiros gostam dos vilões(também elegemos um monte), muito embora não veja o Capita como um vilão. É um cara frustrado que acha que pode salvar o mundo através da violência, mas acaba hipertenso, com problemas familiares e tendo que se afastar do Bope. Em termos de filme não é dificil traçar paralelos com filmes internacionais como Os Infiltrados, Até o limite da honra, Nascido para matar, mas em termos de filmes nacionais, não vejo um que seja comparável. Talvés não haja no mundo, um que faça refletir tanto sobre a angústia diaria de um país, mesmo que as pessoas enquadrem Tropa como um filme carioca, e não uma realidade nacional. Eu discordo disso. O filme acaba com nós espectadores levando um tiro, e na sequencia uma música do Rappa. Acho que seria, mais apropriada a música Cidadão Refém do Mv Bill que diz: Quando o ódio dominar, não vai sobrar ninguém, o mal que você faz reflete em mim também, respeito é pra quem tem, pra quem tem. Uma bela contradição para quem acha que viu a solução para todos os problemas na última cena do filme. Parabéns José.
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Extraindo apontamentos da crítica brasileira vê-se que criou uma imensa expectativa em torno de Matheus Sousa e seu Apenas o Fim (2008). Que seja apenas o começo… Celso Sabadin do CineClick faz as devidas comparações. “Sangue novo no cinema brasileiro. Com os jovens Matheus Souza na direção e Gregório Duvivier e Erika Mader nos papeis principais, Apenas o Fim vem conquistando prêmios e elogios por onde passa. E não sem motivos. Resultado de um projeto dos alunos da PUC carioca, o filme tem humor, frescor, interpretações irretocáveis, sentimento e simplicidade, muita simplicidade. (…) Um grande painel dos sentimentos humanos construído por dois jovens repletos de cultura pop. De Super Mario Bros a Dakota Fanning; de Star Wars a Michael Jackson. Tudo cozido dentro de um fervente caldeirão de emoções à flor da pele. Gregório Duvivier e Érika Mader (sobrinha de Malu Mader) passam uma espantosa veracidade. Atropelam-se ao falar, sorriem com ternura, enfurecem-se com ardor. Fica até difícil (impossível?) dizer o quanto há de roteiro escrito e o quanto há de improvisação entre ambos. De certa forma, lembra Antes do Amanhecer e Antes do Por-do-Sol, com Ethan Hawke e Julie Delpy. Mas com um delicioso tempero brasileiro.” E Zanin em seu blog no Estadão faz suas ressalvas. “É típico de uma época de exagero, falta de distanciamento crítico e entusiasmos passageiros como a nossa, mas Apenas o Fim, filme de Matheus Souza, já vem sendo saudado como novo caminho para o cinema brasileiro. Nada menos. Talvez o julgamento hiperbólico faça mais mal que bem tanto ao filme como aos atores e ao próprio realizador. Por outro lado, entende-se a receptividade efusiva, num momento em que não parece haver alternativas entre o drama de conteúdo social e a comédia romântica made in Globo para o cinema nacional. Apenas o Fim entra por outro caminho. É uma produção barata, com uma única locação, dois personagens principais e alguns secundários, que fala de amor, ou do final de um caso de amor. (…)há um inventário de todo um vocabulário de geração. Toda uma rede de referências tecida em contato com a cultura pop, do MSN ao Orkut, na qual Pokémon e Cavaleiros do Zodíaco podem servir como ferramentas auxiliares para decodificação do mundo. Goste-se ou não, é assim mesmo. Se bem que para espectadores menos antenados nessa espuma efêmera da cultura contemporânea talvez fosse necessário um glossário para entender o que se passa na tela. Por outro, há a aproximação muito explícita do cinema estreante de Matheus ao cinema veterano de Domingos Oliveira. Existem mesmo pontos comuns. Domingos focou-se se nas relações humanas numa época em que o cinema de qualidade no Brasil se obrigava, como por mandato popular, a esmiuçar a questão social e política.” Reitero… que seja apenas o começo…
Relacionamentos amorosos. Todos vivem algum sabendo claramente que um dia eles começam, mas que um dia eles também acabam. Eles podem durar 4 dias como em As Pontes de Madison (1995), um verão como em O Segredo de Brokeback Mountain (2005) ou boa parte da vida como em O Curioso Caso de Benjamin Button (2008). Começar é fácil. Flerte, beijo, sexo, amor. E acabar? Pode ser a fuga de um, a briga de ambos, um matar o outro ou os dois se matarem. Mil casos infinitos de amor se espalham pelas tramas da cinematografia mundial. Mas finalmente o cinema brasileiro ganhou um longa a altura de toda uma geração que assistia Chaves e Cavaleiro dos Zodíacos, enquanto sonhava com o garoto mais bonito da sala ouvindo Back Street Boys ou tentava conquistar a menina dos sonhos usando camiseta de time de basquete norte-americano e blusa de flanela amarrada na cintura. Sim, pois a geração anos 90 também ama… e também termina seus amores. Falo de Apenas o Fim (2008) do ainda estudante de cinema na PUC/RJ Matheus Souza. Rifando uma garrafa de whisky e com boa vontade da galera do seu curso ele fez valer seu mais belo roteiro “woody-alleano”. A trama é simplória. Casal de 20 e poucos tem a sua última e derradeira conversa, meio lavação de roupa suja, antes de cada um ir pro seu lado. O que engrandece tudo isso são os geniais diálogos que citam Omelete, Jovem Nerd, Pokemón, He-Man, Super Trunfo, Menthos, Coca-cola, Mc Donald’s, Transformers, Star Wars, Bozo, Vovó Mafalda e tudo mais que marcou a vida de muitos. É de gargalhar com as sacadas. E também de chorar, pois quem nunca teve que terminar e ir pro seu lado, seguir sua vida, seu rumo mesmo que sem rumo? É clichê falar de amor ou falar que falar de amor é clichê que é clichê? Confusão nerdiana que nada. Apenas o fim, do que ficou pra trás e apesar de toda a mágoa será carregado no peito, pra sempre, melancolicamente, com muito amor.
Em 2007 Tropa de Elite foi o grande fenômeno de crítica e público. José Padilha conseguiu o feito de ganhar o prêmio máximo no Festival de Berlin, conceituado entre os filmes alternativos, assim como ir parar na boca do povo e nos auto falantes de carros. Todo mundo repetia as frases do BOPE mostrada nos filmes e não tinha uma beira de praia no verão que não passasse um carro, de playboy ou não, entoando em alto e bom som o Rap das Armas tocado no longa. Muito se especula se o filme terá uma continuação e se essa continuação terá uma boa base como teve o primeiro. Esta semana tive a prova de que sim, um Tropa Elite 2 de alto nível é possível. Explico. Depois desses anos de atraso finalmente li nesta semana o livro Elite da Tropa em Luiz Eduardo Soares, André Batista e Rodrigo Pimentel escancaram a realidade da polícia carioca. Quando digo que o roteirista Bráulio Mantovani se baseou levemente na obra escrita para fazer a audiovisual não é mentira. A primeira parte do livro tem diversas pequenas histórias que ocorreram com diversas pessoas conhecida dos autores. No filme essas histórias se transformaram numa linha de raciocínio próprio que usa um pouco delas. Mas quase 80% do filme não esta no livro. A outra metade de Elite da Tropa é totalmente inédita, nada dela foi mostrada ainda. E aí que pode entrar a trama da continuação. E espero que ela saia logo se não “Pede pra sair, zero-dois!”
Toda a polêmica que a crítica levantou na época do filme Tropa de Elite (2007) da visão dada por José Padilha foi muito bem resumida por Radames Manosso em seu blog. “Visão fascista? Bandido bom é bandido morto? Tortura faz parte da guerra? Seria ingênuo pensar que a visão do narrador e personagem principal é a visão do diretor. O capitão Nascimento se considera acima da lei e, para ele, a justiça instantânea que pratica é natural como beber água. No entanto, o filme não traz uma aprovação implícita dessa justiça feita pelos intocáveis do BOPE. Sim, Tropa de Elite conta a história de soldados que lembram Rambo, tem tiro e palavrão para todo lado, mas é um filme complexo que deixa um resíduo de reflexão no espectador depois que cessa o tiroteio. Não adianta implicar com o filme porque ele mostra algumas pessoas de um jeito que você não gostaria que mostrasse. Há indícios razoáveis para crer que o retrato tem fundo de verdade e a verdade dói.Tropa de Elite não se aprofunda no perfil dos bandidos. É um filme em que marginais são aquelas coisas que caem quando levam tiros. E se levaram tiro é porque mereciam. A polícia militar, especialmente seus oficiais, é vista como uma corja de corruptos bufões. O capitão e cafetão Fábio faz a gente rir com suas trapalhadas e rolos intermináveis. A juventude de classe média alta é retratada como ingênua e hedonista; inocentes úteis que papagaiam um discurso intelectualizado sobre a pobreza e a violência. É cômico vê-los discutindo filosofia da Justiça enquanto puxam um baseado. Os moradores da favela aparecem como pessoas manipuladas por traficantes e pelo poder público. Certamente, nenhum dos grupos retratado pode ser reduzido ao recorte limitado de um filme de duas horas. Mas vamos ser sinceros: o filme chega perto com seu jeitão sumário de retratar as classes sociais.” E para ficar mais leve , um trecho de Bofe de Elite. Bem contraditório.
Há algum tempo atrás vi uma matéria no CQC do Oscar Filho entrevistando pessoas após a saída de uma sessão especial de A Festa da Menina Morta (2008). A maioria delas , não sei se por uma amostragem concisa ou vício na edição da reportagem, estavam confusas e não conseguiam digerir o filme e comentá-lo de forma coerente diante das câmeras. Algumas falavam coisas tão sem nexo que chegou a ser hilário. (Para ver a matéria CLIQUE AQUI). Pois bem, com isso em mente lá fui eu sentar na poltrona da sala escura e ver a estréia de Matheus Nachtergaele na direção. Seguindo as tendências dos filmes underground dos últimos tempos, o longa não tem uma trilha sonora musicada. As únicas canções são os hinos religiosos entoados em cenas como a da procissão da Menina Morta. O resto é só ruído: torneira pingando, porco estripando, copo quebrando, chuva caindo, passos correndo, vento soprando, gente passando e santo recebendo. A história tem esse título, pois o personagem de Santinho (Daniel de Oliveira) 20 anos antes quando ainda era uma criança recebeu das mãos de um cachorro o vestido rasgado de uma garota de sua vila no meio da Amazônia que havia desaparecido e possivelmente morrido. A partir deste dia Santinho uma vez ao ano, durante a tal Festa da Menina Morta, em seu aniversário, ele fala com o espírito da pequena e opera bênçãos em milagres graças a este contato mediúnico. Esta trama central nos ajuda a questionar o quanto a fé pode sim capitalizar as pessoas já que no longa uma marca de cerveja patrocina a festa religiosa e têm-se até show de músicas nada sacro-santas durante esta. Nada muito diferente de pastores evangélicos que enriquecem com o dízimo alheio ou com as milhares de barracas de camelo ao redor de templos católicos como São Judas, Aparecida do Norte e Terço Bizantino. Afinal cada um tem que levar seu trocado e ainda deixar um pro santo. Mas o que mais me chamou a atenção no filme foi uma trama paralela que pode passar desapercebido mas é de suma importância. O papel da Mãe (Cássia Kiss) na vida de Santinho. Pra ele, ela após um acidente/suposto suicídio está morta. Além disso claramente desde o começo sabemos que ele se veste de mulher, tem trejeitos histéricos e afeminados e mantêm relações sexuais incestuosas com seu pai (Jackson Antunes). O porquê de tudo isso você entenderá com o tempo ao perceber que ele é fisicamente parecido com a mãe, usa um vestido que era dela e sim, claro, ocupa o seu lugar no leito nupcial ao lado do pai! Isso mesmo, numa bagunça louca do complexo de Édipo e Jocasta freudiano Santinho quer matar a mãe para desposar o pai! E é o que ocorre, é como a sua vida é conduzida. Alguns acontecimentos durante a Festa da Menina Morta podem nos dar a impressão que haverá a transformação de todos os personagens que permeiam o santo garoto. Infelizmente o que ocorre é a mais completa mesmice rotineira, nada acontece, tudo continuará igual após os créditos. Até o rio ao lado da vila tem mais força de vontade de mudar seu curso do que os cegos pela fé. Faltou ai muita fé em si próprio.
Selton Mello e o Seu Feliz Natal (2008) fizeram escolha. Seu colega de profissão e de cena na obra O Auto da Compadecida (2000) Matheus Nachtergaele estréia também na direção com o ambíguo A Festa da Menina Morta (2008). Geo Euzebio do CinePlayers comenta este início. “Selecionado para a mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes 2008, Matheus Nachtergaele estréia na direção mostrando a mesma coragem de seus trabalhos como ator, tencionando tabus e pousando os olhos sobre um pedaço de nossa sociedade que é pouco visitado. Chamando a atenção para a região amazônica, o diretor -- e também roteirista – opta por adentrar num de seus aspectos mais fundamentais: a fé. (…)A direção de Nachtergaele demonstra um parentesco direto com o cinema do amigo Cláudio Assis, valorizando a crueza, o sangue e a carne, a humanidade não-maquiada e natural. As cenas da morte da galinha e do porco são bons exemplos disso e estabelecem o paradoxo entre uma humanidade plena e deificação de um rapaz. Delicado foi perceber o quanto o diretor esteve encantado com seu primeiro filme nas muitas inserções de seqüências aparentemente sem utilidade para o enredo, demonstrando mais a fruição estética de alguém que pela primeira vez teve a oportunidade de mostrar aos outros os caminhos que percorrem seu olhar e sua atenção. A música tema da menina assim como a fotografia de Lula Carvalho compõe muito bem a ambiência da trama. E Daniel de Oliveira, numa atuação quase sempre acertada, derrapa em alguns momentos difíceis de um personagem difícil, sem por isso deixar de merecer nosso crédito.” E Luis Carlos Merten em seu blog no Estadão dá o seu pitaco incisivo. “Não sou o maior fã de A Festa da Menina Morta -- aquele universo primitivo de crenças, em que a religiosidade histérica do Santinho (personagem de Daniel de Oliveira) sufoca as pessoas -- mas ele próprio é vítimas de seu mito -, me parece muito fechado. Não consigo entrar. Em compensação, curti mais o que já havia me atraído antes. Matheus trabalha as cenas quase isoladamente. Uma das melhores nem tem função narrativa -- é aquela em que o índio chama para a dança seus amigos (e que foi aplauidida durante a projeção). Adoro aquela cena, mas tem outra que me parece ainda melhor, um plano-seqüência com Daniel de Oliveira e Cássia Kiss, em que ela, como a mãe que partiu, volta para um diálogo decisivo, que atormenta o filho e o fragiliza. Daniel fica ao fundo, Cássia em primeiro plano. E ela fala sobre homens fortes e fracos, sobre a sua necessidade de se sentir dominada e, na realidade, percebemos que tudo o que ela diz de si revela o filho, sua ambivalência. Matheus trabalha tanto as cenas -- em textura e intensidade -- que às vezes me parece que o tecido dramático do filme, a sua narrativa, fica meio esgarçado, mas de qualquer maneira foi uma experiência e tanto assistir ao filme de novo. “A Festa’ é forte. Tem aquela cena em que o Santinho é sodomizado pelo pai, com quem mantém uma relação incestuosa. Ela pode ser considerada chocante, mas a mim incomoda muito mais o som da chuva incessante, como mais tarde o som da matança do porco será levado ao limite do (in)suportável, provocando uma das tantas explosões de histeria do personagem de Daniel de Oliveira.” No mínimo polêmico.





















