Umas Balas pelo Museu

trama-internacional-a-blogueiraO longa alemão Corra, Lola, Corra (1998) figura ao lado de Trainspotting -- Sem Limites (1996) e Réquiem Para um Sonho (2000) como os filmes moderninhos favoritos dos cinéfilos. Porém, eles foram os 3 primeiros filmes de grandes cineastas da atualidade que precisaram carregar o peso de comparação nos seus próximos trabalhos. Danny Boyle de Trainspotting ao menos conquistou diversos estatuetas do Oscar por Quem Quer Ser Um Milionário? (2008) e Darren Aronofsky conseguiu dar um Globo de Ouro para Mickey Rourke e Bruce Springsteen por O Lutador (2008). Mas o que dizer de Tom Tykwer que não conseguiu nenhum trabalho de expressão após o longa de Lola? Seu Perfume -- A História de um Assassino (2006) foi achincalhado pela crítica, e Trama Internacional (2009) tem seguido o mesmo destino cruel. Mesmo contando com o talentoso galã Clive Owen, que penso daria um excelente James Bond, o longa opta por aquelas histórias de suspense que sempre me deixam confusa. São tantas sub-tramas, jogos de poder, disputas de corporações e órgãos de governos que é impossível não se perder em quem tem que enfrentar quem e aonde todos aqueles tiros e perseguições vão dar. Finalizo que o filme vale pela cena do tiroteio no museu, e ponto! De resto, ainda prefiro ver Clive Owen em Closer -- Perto De Mais (2004) ou nos curtas YouTubinianos da BMW, e também esperar um novo ímpeto criativo de Tykwer.

Trama Internacional 2 Comentários
Cena Salvadora

trama-internacional-a-criticaDos dois críticos que reuni abaixo, ambos elogiam em Trama Internacional (2009) a cena do tiroteio no museu. Uma cena seria capaz de salvar um longa? Pelo visto, não! Silvio Pilau do CinePlayers afirma: “Dirigido por Tom Tykwer, o filme resulta em uma experiência bem construída durante boa parte de sua duração, até praticamente jogar tudo fora perto do final. Nesse sentido, o cineasta repete o que aconteceu com Perfume -- A História de um Assassino, seu trabalho anterior, uma obra que também se perdia no terceiro ato. Em Trama Internacional, Tykwer desenvolve o enredo com precisão, jamais deixando a obra perder o ritmo e fazendo com que a narrativa siga sempre adiante, com novas informações relevantes à investigação surgindo a cada novo momento.Dessa forma, a construção da tensão é eficiente: ainda que Tykwer não apresente a originalidade de Corra, Lola, Corra, o filme realmente funciona de forma gradativa, elevando a urgência da história até o clímax passado dentro do Museu Guggenhein. O grande problema é que este auge chega cedo demais e, após ele, a produção ainda tem uns vinte e tantos minutos de pura enrolação que jogam por terra tudo aquilo que havia sido desenvolvido até o momento. A sequência no Guggenhein é tão bem montada e dirigida que nada do que vem depois consegue se igualar a ela, fazendo do último ato de Trama Internacional uma verdadeira jornada ladeira abaixo.”  E no Blog TotalCine: “Trama internacional entrega o que o título promete, uma grande trama internacional que, bem ao estilo James Bond de ser, envolve uma série de países em uma grande conspiração.Embora já tenhamos dezenas de filmes do estilo, esse foi o que para mim se aproximou mais do mundo no qual vivemos hoje em dia com mega corporações e empresas com braços em diversos países, muitas vezes atuando de forma ‘questionável’. (…)A direção de Tom Tykwer (Perfume e Corra, Lola, Corra) peca no começo demorado e em um final que provavelmente confundirá muitas pessoas mas acerta em uma cena de ação, dentro do museu Guggenheim que é muito boa. Se ele tivesse extendido aquela ação para algumas outras áreas do filme teria gostado muito mais.”

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Bem vindo ao primeiro mundo!

bem-vindo-voceSábado chuvoso, meio de feriado, sala vazia lá no Cine UOL, que por sinal \”está sem internet desde ontem, pessoal\”. Vai entender… Aliás, gostava mais quando o local se chamava Lumière, em homenagem aos irmãos que inventaram o cinema.

O filme, francês como os Lumière, estreou esta semana no circuito paulista contando a história de um adolescente curdo chamado Bilal, proveniente do Iraque, que anda 4.000Km até Calais (cidade portuária no norte da França onde tudo se passa), com o objetivo de chegar a Londres para reencontrar sua amada Mina. Com este pano de fundo, o filme faz um recorte da triste realidade dos imigrantes ilegais oriundos dos países árabes, na sua maioria, que tentam entrar no primeiro mundo, arriscando a própria vida. Nem é preciso dizer: não são \”bem vindos\”!!!

Após uma tentativa frustrada de chegar ao Reino Unido de caminhão, Bilal resolve atravessar o Canal da Mancha a nado. Para isso contará com a ajuda de um professor de natação, em crise no relacionamento com uma ativista social que dá apoio aos imigrantes ilegais.

Filme de enredo bem construído, sensível em sua linguagem, com atuações marcantes do menino Bilal e do professor Simon. A história toca fundo na questão das fronteiras geográficas, políticas e na liberdade de ir e vir.

A amizade entre eles despertará razões e sentimentos que eles próprios desconheciam existir.

Consta que o filme levou o governo francês a rever seu radical posicionamento nesta complexa questão.

A única certeza ao final é saber que a verdadeira amizade não reconhece fronteiras.

Publicado por: Paulo e Denize

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Feedback song for a dying friend

jean-charlesO segredo de uma boa mentira é ser bem elaborada. É o que diz Selton Mello na pele de Jean Charles. E talvez seja mesmo. Como a de viver e trabalhar em outro país sejam a solução de todos os seus problemas. Uma mentira bem elaborada, pela ingenuidade de muitos, ou o simples sonho de gente com muito talento que não consegue expandir seus horizontes no Brasil, e se arrisca mesmo, com passaporte falso, essas coisas. Mas, nada que essas pessoas que tentam a sorte no exterior façam que justifique ser morto a sangue frio em um transporte coletivo. Mas, muito embora o filme cubra as notícias referentes aos atos terroristas da época, o tema do filme não é propriamente este. É curioso que a primeira personagem a ser focada pela câmera seja a Vivian (Vanessa Giácomo), pois é exatamente para o espectador entender a importância da pessoa para a trama. Jean Charles de acordo com o filme é um eletricista, malandro, bem relacionado, domina a língua estrangeira, e sempre a procura de trabalho. E não enxerga o mesmo empenho nos brasileiros que vivem em Londres, inclusive sua prima Vivian, que ao longo da trama vai passando por um processo de aprendizado. O Jean Charles deu a Selton Mello finalmente a oportunidade de ser convincente em cenas de drama, não que lhe tenha faltado talento outrora, mas compare a cena de choro dele no tribunal em Meu nome não é Johnny, com a dele em uma cena em que Jean liga para a mãe no Brasil. O cartaz e os fatos são sobre o Jean Charles, mas o filme é da Vivian, e lá pelo final se confirma a teoria de Einstein. \”A mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original\”. Assim seja.

Publicado por: QUEIROZ -- http://escritosmalditos.blogspot.com/

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