A melhor característica de This Is It, é não ter a menor cara de póstumo. Vemos que muito embora com todas as reservas foram alimentadas que por parte da imprensa, e um tanto pelo comportamento de Michael, é bem verdade, foram apenas negras nuvens para deixar de enxergar que o Mito ainda estava lá. Um artista exigente que fazia questão de pensar no público, para que a parte orgânica de seu show lembrasse aos fãs aquilo que eles gostaram tanto, em seus discos. Sempre com sua voz plácida, ele demonstra todo o comando, mas ao mesmo tempo a cumplicidade com a qual exigia que os que estivessem junto a ele também sentissem. Não importa o quão grandiosa tenha ficado a estruturas de seus shows. A preocupação em realizar um Espetáculo que estava sendo levada em conta. Por vezes a capela, por vezes para acertar o timing, de suas músicas, mas nunca como um ditador, sempre dizendo: “É por isso que nós ensaiamos”. A palavra nós tem conotação e uma importância tal que uma das cenas mais bonitas do filme é quando sua guitarrista para de tocar junto com o resto do arranjo, e Michael chega para ela e diz: “Não pare, essa é sua deixa para brilhar”, e a conduz com sua voz com a maneira que ela deve tocar sua guitarra. O mesmo se pode dizer de suas vocais que ensaia com ele “I Just can´t stop loving you”. Fora o clima de molecagem com os seus dançarinos que a cada ensaio ficava no gargarejo fazendo o papel de platéia. Falando do diretor do espetáculo, que cara competente, e que pai por assim dizer, um zelo que talvez tivesse tido em sua família, quem sabe sua vida não tivesse sido bem melhor. Falando em referencia cinematográficas, o que é Michael Jackson inserido em uma cena de Gilda? Que maravilhoso aquilo, quase que premonitório, como soubesse que aquela cena inserida em seu show iria para o cinema. A presença do Michael Jackson militante de suas causas ecológicas também não poderia faltar, com uma atuação de uma garotinha no clipe do show espetacular. “Alguma lágrima?”, por incrível que pareça, em Billie Jean, por mais que ele tivesse outras músicas em seu repertório que denotassem mais emoção, não tem como não cantar junto toda a malandragem dessa música e nessa hora eu realmente após meses de sua partida, eu derramei lágrimas por sua ausência. Duas semanas é muito pouco para um filme tão importante assim. Então é isso. This is it. Escrevi esse texto escutando BAD, meu disco preferido do Rei do Pop.
Publicado por: QUEIROZ -- http://escritosmalditos.blogspot.com/
Com mais de 80 anos, e alguns anos sem dirigir para o cinema, após uma fase morna, onde foi de certa forma obrigado pelos estúdios a dirigir filmes medíocres e sem sucesso (nem de crítica nem de público) como “A Manhã Seguinte” (1986), “Negócios de Família” (1989), o diretor Sidney Lumet, com “Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto”, tem o vigor de um jovem diretor independente. O filme tem um roteiro enxuto, embora não-convencional (com suas idas e vindas no tempo), poucos personagens, mas bem desenvolvidos e entregues aos atores certos, e uma trama que prende. À medida que a história vai se desenrolando, é fácil perceber que o filme antevê o fracasso do plano inicial, e vai nos revelando aos poucos as terríveis consequências. Como Mike Nichols (e sua volta também triunfante, com “Closer -- Perto Demais”), parece que Lumet tem seu recado de ancião para dar ao mundo (através dos espectadores de seu filme): vivemos uma crise sem precedentes de valores morais e éticos, as pessoas estão perdidas, mas seu olhar parece vê-las como vítimas e não vilões. “Antes..” é um filme forte. Não há nada de incrivelmente original (seria muito pedir isso a um cineasta com mais de 80 anos..), mas é um filme feito com honestidade, talento e cuidados aos detalhes, que parecem perdidos no tempo da velha Hollywodd pós-decada de 70. Vale a pena!
Publicado por: Sidnei Cassal
No florescer da sétima arte um cineasta ousou. Seu nome era D.W. Griffith e sua obra O Nascimento de Uma Nação (1915). Mais do que um marco em técnicas cinematográficas, o longa trouxe uma carga racista tão forte que foi capaz de reavivar depois de anos o movimento da Ku Klux Klan. Anos depois, numa tentativa de mea culpa, Griffith produziu o grandioso Intolerância (1916) sobre o preconceito por diversos períodos da humanidade. Não seria o primeiro nem o último filme sobre o tema. Pela história do cinema passaram diversas obras que debatem esta intolerância total pelo diferente que infelizmente parece tão intrínseco em alguns homens, como O Sol É Para Todos (1962), A Cor Púrpura (1985), Mississipi em Chamas (1988), Amistad (1997), Philadelphia (1993), A Outra História Americana (1998), Crash (2004). E este ano, por um mero acaso do destino, ou sorte/azar na tentativa de produzir um vídeo-game, Peter Jackson proporcionou às platéias cinéfilas umas das melhores discussões sobre o assunto, com o diferencial de apresentar ares de ficção científica e documentário. Distrito 9 (2009) mostra de forma realista que a chegada dos aliens a terra não foi feita de forma pacífica para eles. E não estou falando de qualquer retaliação nos moldes americanóides mostrados em filmes do gênero de Independence Day (1997). A nave-mãe aterriza no coração periférico de Johanesburgo, África do Sul, local historicamente conhecido pelo regime segregatório do apartheid. As autoridades, sem saber o que fazer com a população alien, a isola no tal Distrito 9. A sociedade, temerosa do comportamento das criaturas, não suporta sua presença, a não ser aqueles que conseguem algum ganho financeiro e exploratório com estes. E no meio de interesses armamentistas e tecnológicos aparece a MNU, que passa a ser responsável pelo local. A área se transforma então numa verdadeira favela alien onde vemos cenas semelhantes ao que se mostra em Tropa de Elite (2007) e Cidade de Deus (2002), isto para ficar apenas em longas que retratam a nossa periferia. Mas o grande destaque do longa é o humano Wikus Van De Merwe (o excelente Sharlto Copley) que sofrerá na pele, em momentos que remetem ao filme A Mosca (1986), o que é ser discriminado, usado e descartado. Mais do que uma metáfora do preconceito racial, Distrito 9 nos trás sensações viscerais da desumanidade que estamos vivendo de forma explícita na sociedade moderna. E não precisa de nenhuma nave alienígena para se dar conta disso. Basta olhar para tudo que há de humano ao seu redor. E sem alienações.
“Prefiro a mentira sincera de Distrito 9 do que qualquer cinema que se venda como verdade.”
Renato Silveira – Cinematório
“Enfim uma inovação em ficção-científica.”
André Azenha – Revista O Grito!
“Distrito 9 pode ser considerado um reflexo do próprio comportamento humano”
Oliver Perez – Nerdrops
O tema alienígenas já foi muito explorado. Sempre quando vamos assistir a um filme abrangendo este tema, já sabemos tudo o que vai acontecer no filme. Sabemos que uma nave se alojará sobre a cidade, ou na cidade. Os humanos tentarão fazer contato, e após isto, os aliens saírão de suas naves, e começarão, com raios e armas ultra-avançadas, a destruir o nosso planeta, exterminar a raça humana. E por fim, quando a projeção estiver se encerrando, os intrusos vindos de outro planeta serão mandados embora ou serão destruídos, e a Terra irá se salvar. Clichê, não?! Ok, alguns filmes, com esta mesma história conseguem se sair bem, mas claro, com alguns auxílios, como a direção, a edição, e inovações na parte técnica. Mas, para um filme de alienígenas surpreender, é necessário que ele seja original, e “Distrito 9″ é muito, muito original! Os primeiros, não sei ao certo, 40 min. de projeção são gravados com a mesma técnica de filmes como “A Bruxa de Blair”, “Cloverfield -- Monstro”, “REC”, “Filme Caseiro”, “Quarentena” e “Mar Aberto”, mas com uma pequena diferença: não é gravada com uma câmera caseira, e sim, com uma câmera de reportagens. Adoro este estilo de filmagens, pois nos permite ver somente o que os personagens vêem. Da mais veracidade ao filme. Enfim, depois de mais ou menos 40 min., quando o personagem sai do Distrito 9, começamos a ver o filme aos ângulos da câmera do próprio cineasta. Mas as inovações não param por ai. “Distrito 9″ assume o estilo de narrativa documental, ou seja, durante a projeção, somos apresentados a depoimentos de pessoas que se envolveram com o caso, que participaram do caso, ou até mesmo, moradores que estavam perto da região do Distrito 9. O filme ainda, em alguns momentos nos apresenta a cenas gravadas do ângulo de uma câmera de segurança. Incrível! O novato Neill Blomkamp, dirige este filme, o seu primeiro longa-metragem, antes ele somente fazia filmes de curta metragem, como “Yellow”, “Halo” e “Alive in Joburg”, no qual este filme foi baseado. Neill Blomkamp. Gravem bem este nome, pois este é um diretor muito promissor na carreira de longa metragens. Tudo neste filme é novidade, até a história, regida por um ótimo roteiro, escrito também por Blomkamp, que narra a história de uma nave alienígena que se instala em cima de Joanesburgo. Após anos, e anos, o governo entra na nave e resgata os alienígenas, que nela estavam, e os abrigaram num local chamado Distrito 9. Mas a coexistência pacífica entre humanos e alienígenas começa a ser rompida. Então, o governo decide transferi-los para uma área mais longe da cidade, e uma equipe é encarregada de dar a notícia aos aliens, mas o capitão desta missão entra em contato com um objeto alienígena, e começa a mudar… De resto, nem preciso comentar muito, que é impecável, desde a parte técnica inteira, se destacando a fotografia, até as atuações, enfim, magnífico! Não esperava que este filme seria tão bom assim, uma das grandes surpresas do ano!Obrigado Peter Jackson por produzir este filme, e dar incentivo a, aparentemente, grande carreia que Neill Blomkamp terá.
Publicado por: Selton Dutra Zen -- cdecinema.blogspot.com
Eu esperava o Ensaio sobre a cegueira dos Ets, mas não é. Em nenhum momento você se sente absorvido pelo ambiente do Distrito 9, senti falta disso, o ponto de vista não do invasor, mas do local, assim como o Camarão Christopher e seu filho. O Wikus (Sharlto Copley) é um bom personagem, por não ser nem bom, nem mau, ele tem deslizes por uma questão de pura ignorância, mas quando infectado reage da maneira egoísta como agiria qualquer pessoa, até por causa da maneira como a MNU, trata os Camarões. Aliais é fácil traçar paralelos entre Wikus e Seth (Jeff Goldblum) de A Mosca de Cronenberg. Nem parece que o filme tem mais de uma hora, tendo em vista o ritmo frenético, ainda mais no terceiro ato ganhando as características de um ótimo filme de ação. Há, por ventura, contradições como, por exemplo, em um momento Christopher diz a Wikus (Sharlto Copley) que não pode deixar seu povo virar cobaia, mas quando tem a oportunidade de fugir o faz sem a tal preocupação. Gostei da maneira como concluiu, mas ao invés do Wikus se tornar o Camarão na sua alma, a exemplo de Christopher, fica limitado a sua aparência.
Publicado por: QUEIROZ -- http://escritosmalditos.blogspot.com/
Esqueça os livros de história e toda e qualquer obra, seja ela fílmica, literária ou cinematográfica que retrate os impactos da 2ª Guerra Mundial na história da humanidade. Ao entrar na sessão de Bastardos Inglórios (2009) você estará adentrando a mente de Quentin Tarantino e todas as suas referências pop, trash e undergrounds que já vimos nos seus tão famosos longas, como Cães de Aluguel (1992), Pulp Ficton (1994), Jackie Brown (1997) e Kill Bill (2003-2004). Estão lá em Bastardos a violência exarcebada, porém esteticamente bela para o contexto; o diálogo de amenidades, com leite no lugar de hambúrgueres; interpretações caricatas e na medida certa, com destaque para o bastardo Aldo Raine (Brad Pitt – será que finalmente sai um Oscar ?) e o nazista Hans Landa (Christoph Waltz – premiado em Cannes como melhor ator pelo papel). Mas todos os personagens e todo o pseudo-contexto-histórico tem uma única motivação: mostrar a grotesca faceta que nos leva a nos vingarmos e mostrarmos uma raiva extrema nessa vingança. O tema já havia sido mostrado por Tarantino nos 2 volumes de Kill Bill. Nele o foco é uma noiva que mata tudo e todos a sua frente para vingar o massacre a que foi imposta e o fato de terem tirado do seu ventre sua amada filha. Em Bastardo, a vingança está numa emanharada trama onde interesses individuais e coletivos se sobrepõe. Por mais que alianças e tratos sejam feitos, há uma clara sensação que todos estão impondo sua razão e querendo acabar com tudo que lhe traumatizou e incomodou. Seja o Führer com suas razões já conhecidas e estudadas por biógrafos de Hitler, ou a bela projetista judia que quer incendiar em uma sessão de cinema a todos os nazistas que fizeram sua família e semelhantes sofrerem. O que resta ao final de bastardos inglórios são estes sentimentos primitivos movidos pelo nosso ódio contra o que nos fez mal um dia. A parte desta bela teia psicológica montada, o fato de vermos vários lugares-comuns de filmes do Tarantino hora me incomodou e hora me fez sentir feliz de estar vendo mais uma obra de um diretor que, confesso, muito admiro. Ver os letreiros amarelos introduzindo personagens e as músicas peculiares que só Tarantino desenterra foi maravilhoso. Mas a repetição de algumas músicas que também foram usadas na trilha sonora em outra obra, no caso Kill Bill, me fez questionar o vício criativo do cineasta. Quentin tem tudo que um diretor precisa fazer para um bom filme como o aval de ter produzido obras totalmente autorais e peculiares ao seu gosto e referências. Só fica o cuidado e desejo que ele não caia no lugar-comum de se auto-repetir, como por pouco não ocorreu em Bastardos Inglórios, e aproveite o que sabe para se superar e nos surpreender como público, admiradores, críticos e cinéfilos.
“Tarantino, supernerd cinéfilo, apanha todas essas coisas que lhe são queridas, com as quais cresceu, e as transforma.”
Érico Borgo -- Omelete
“Bastardos Inglórios prova que Quentin Tarantino é senhor de seu ofício e que todos estamos subjugados a ele.”
Thiago Macêdo Correia – CinePlayers
“Humor negro, sangue, violência, história, trama, reviravoltas e o mais baixo do ser humano. Ninguém é capaz de fazer isso melhor do que ele… Ninguém!”
Mestre Zen – ZeroOitocentos
Esse foi o ano dos filmes da 2.ª Guerra Mundial, tivemos O Leitor de Stephen Daldry, Operação Valkiria de Bryan Singer e no Brasil, Tempos de Paz que fala do drama de um Polonês que sobreviveu aos horrores da Guerra. Levando em conta que O Leitor questiona o que você faria no lugar deles, Valkiria fala dos que lutaram contra o regime estabelecido, e Tempos de Paz dos pontos em comum entre as torturas de guerra e os porões da ditadura, consideramos que todos têm em comum, buscar na realidade uma base para poder discutir bem o assunto. Bastardos Inglórios, não tem essa pretensão, até disserta bem sobre certos fatos históricos, cinematográficos e faz divertidas referencias, mas deve ser encarado com a mesma seriedade de alguém que está assistindo a Kill Bill Vol.1 ou Vol.2. Ou seja, não pense que ira a sala de cinema assistir a uma obra edificante no que tange ao ponto de vista histórico e tudo mais. Não, apesar de ser ambientado na segunda guerra, é cinema para diversão, assim como qualquer outra obra que Tarantino tenha realizado até hoje. Mas, claro, ele realiza isso da maneira mais refinada possível, e na força dos idiomas e diálogos que prendem nossa atenção durante 153min. de duração. Sem dúvida nenhuma o grande destaque do filme fica por conta do oficial Landa (Christoph Waltz), com seus interrogatórios inteligentes e precisos, e todos os seus trejeitos e sua habilidade em falar várias línguas. Bate uma certa frustração em o cartaz destacar tanto os Bastardos, mas aquilo que o trailer vende, não chega a ser a gasolina do filme. Temos sim os escalpos e a violência pontual de Taranta, mas reside no terror psicológico, os pontos de maior violência do filme. A subtrama da francesa Emanuelle (Mélanie Laurent) dá um rumo muito mais interessante ao filme do que as pretensões dos Bastardos. Poderia ganhar todos os rolos, se não tivesse um se queimado, como os vários nas cenas do próprio filme, ao vermos a morte de certa figura histórica. Não precisava. Pulp Fiction ainda é A sua obra prima.
Publicado por: QUEIROZ -- http://escritosmalditos.blogspot.com/
“UP -- Altas Aventuras” é magnífico! Os estúdios Disney Pixar provam, mais uma vez, do que são capazes. Quando vamos assistir a um filme de animação deste estúdio, é certo que a animação será uma magnífica experiência cinematográfica. As animações da Disney Pixar vão mais além do que apenas uma simples animação, para toda a família assistir juntos, elas prezam pelo emocional, e conseguem emocionar como um outro filme interpretado por pessoas humanas. Enfim, na minha lista dos melhores filmes de animação, “UP -- Altas Aventuras” ocupa o segundo lugar da minha lista, sendo rebaixado somente por “Wall -- E”, que para mim, é quase que insuperável. Como sempre, os filmes D/P (Disney/Pixar) se superam e melhoram cada vez mais em termos técnicos, como computadorização, som, mixagem de som e dublagem. Na verdade, não é só com os aspectos técnicos que as animações da D/P, vão se superando. Elas também usam os erros das outras animações para não errarem daquele mesmo jeito. Incrível! Os personagens de “UP -- Altas Aventuras” são muito bem desenvolvidos, e cada um consegue, do seu jeito, manifestar-nos emoções de algum tipo. Sejam elas, pena, tristeza, alegria, risos, agonia, entre outras muitas emoções… Tudo nesta animação se encaixa numa perfeita harmonia, formando assim, um ótimo exemplo do gênero animação. O filme conta a história de um senhor que, decide realizar o sonho de vida de sua mulher, quando a mesma morre. Este sonho era encontrar uma floresta secreta, povoada por animais diferentes, e lá, fixar sua casa. Quando chegam lá, encontram outros seres, e entram em perigo extremo. Vale muito a pena assistir a este filme. Ao final da sessão, quando as luzes se acenderam, este filme foi aplaudido, e com razão!
Publicado por: Selton Dutra Zen -- cdecinema.blogspot.com




















