Mea Culpa Burguesa

Salve Geral A BlogueiraDepois de dirigir o épico Guerra de Canudos (1997) e as biografias de ícones da história do país como Lamarca (1994), Mauá – O Imperador e o Rei (1999) e Zuzu Angel (2006) o cineasta carioca Sergio Resende opta por apresentar em seu novo filme, Salve Geral (2009), os bastidores de uma organização criminosa que em Maio de 2006 conseguiu paralisar a maior cidade do país levando-a ao caos e o medo. A organização em questão é o Primeiro Comando da Capital, ou PCC, que preconiza a Paz, Justiça e Liberdade pelos direitos dos presos que não são cumpridos pelo Estado, ao os expor em condições sub-humanas amontoados em instalações precárias enquanto as famílias dos condenados estão desamparadas. Para explicar a estrutura do PCC e as motivações envolvidas durante os ataques no Dia das Mães de 2006 a trama parte da personagem de Lúcia (Andrea Beltrão), uma professora de piano recém viúva que tem o filho Rafael (Lee Thalor) preso após a morte de jovem em um incidente durante um racha. Durante uma das visitas, a mãe conhece Ruiva (Denise Weinberg), advogada de um dos líderes da facção. Toda trama do filme se desenvolve pela visão desta mãe e do envolvimento dela com o PCC para garantir a sobrevivência do filho dentro dos muros da prisão. E com a entrada dela neste universo compreende-se como o Comando se estrutura, sua fonte de renda, regras, líderes e ideais, bem como o envolvimento com tráfico, negociação com policias, carcereiros, políticos entre outras figuras que permeiam a organização. Na gíria dos presos a expressão Salve Geral é a voz de comando para que se inicie uma rebelião no local, mas que naquele Maio de 2006 significou um envolvimento de todos do Comando para que se valesse ouvir seus direitos perante o poder público de uma forma violenta e caótica. O longa de Sérgio Resende merece elogios pela boa produção nas cenas de ação e por manter a todo instante a tensão do que acontecerá no momento seguinte, mesmo que já se saiba a resolução final do fato. Além disso, o filme possui o mérito de conduzir o espectador ao mergulho no quebra-cabeça dos jogos de poder e crime que é parte intrínseca de uma das camadas da sociedade brasileira, mesmo que boa parte dela não a queira enxergar ou tem uma visão errônea de toda a rotina de um preso e sua família.

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Salve-se Quem Puder

Salve Geral A Crítica“Ao final do filme, a sensação é de falta de objetivo. Mas mesmo com esse grave problema, a inversão de valores e uma incômoda conivência com o que não sabe explicar, o filme impressiona ao tentar mostrar como estamos inertes dentro da situação.”
Cecília Barroso – Cenas de Cinema

“Salve Geral é vítima daquela velha mania do cinema brasileiro de querer explicar um país inexplicável.”
Ricardo Calil – Olha Só

“A violência – e tudo que decorre dela – é apenas o pano de fundo para desenrolar o drama familiar e reflexões sobre limite, ética e moral.”
Cássia Ferreira – Pipoca Combo

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