Há filmes, que nos fazem ter vergonha de ser brasileiros, como é o caso de “1972″ e “Entre Lençóis”. Por onde começar? É até difícil de descrever tamanho fracasso que é este filme. Pois bem, vou respirar fundo e começar… Vamos começar pelos atores. Bem, o elenco conta com somente dois atores, somente eles, durante uma hora meia, sem atores coadjuvantes, nem figurantes, só eles. Este dois são: a bela Paola Oliveira, e Reynaldo Gianecchini. Certo, para sustentar um filme, ainda mais um filme que só possui dois atores, estes precisam ser bons, e infelizmente, não é o que acontece com Paola e Reynaldo. Não estou menosprezando os dois, mas neste filme, eles não estão bem. Os dois não combinam, e estão extremamente desconfortáveis, o que faz o filme soar artificial. Na verdade, não são só os atores que fazem o filme soar artificial. Não. Tudo, em conjunto, faz o filme soar artificial. Com uma péssima edição, o filme se segue… é medonho o jeito com que “Entre Lençóis” é editado. Em momentos, parece que foi editado no Movie Maker. Possuindo efeitos de transição absolutamente ridículos e inconvenientes, que são adotados somente da metade da projeção ao final! Ridículo! Mais ridículo ainda é a movimentação e o enquadramento da câmera, que insiste em implicitar cenas de sexo, e explicitar simples cenas de conversa. Enfim, eu acho que qualquer um que tenha o mínimo de noção, ou mesmo sanidade faria melhor. E agora, chegamos ao roteiro. Meu Deus! Não sei se riu ou se choro, porque é neste quesito que o filme chega ao fundo do poço! Com diálogos extremamente superficiais e mal escritos, que esperam ser levados a sério, que são as cenas de conversa do filme. Os diálogos são tão mal escritos, que as vezes nem acreditamos no que escutamos, e ainda, o roteiro nos apresenta erros ortográficos absolutamente inacreditáveis. Provavelmente quando a pessoa estava escrevendo este roteiro (que não sei o nome, e nem quero saber), ela estava se drogando, ou estava bêbada, pois isto que vemos em tela é inadmissível! Enfim, fica ai a dica, se você é masoquista ou gosta de se torturar, assista “Entre Lençóis”, agora se você presa pela sua inteligência passe longe deste filme. O filme se passa todo num motel e conta a história de um casal que, aos poucos vai se conhecendo e se apaixonando no quarto de um motel. Ridículo, um insulto a nossa inteligência!
Publicado por: Selton Dutra Zen -- cdecinema.blogspot.com
Os melhores filmes e diretores de todos os tempos -- lista pessoal
Para que serve uma lista dos melhores? Para servir de base para quem está começando a se interessar…ou para fazer renascer uma velha paixão… ou para se ver as coisas com outros olhos…ou mesmo para provocar…
Todo blog, site, revista ou coluna sobre cinema tem sua lista dos melhores diretores e filmes. A questão é: há alguma importância nesse tipo de coisa? Parece que a mania de listas é aplicável ao cinema muito mais do que às outras artes. Alguém levaria a sério uma comparação entre, digamos, Beethoven, Brahms e Bach? A Nona de Beethoven e a Nona de Mahler? Alguém teria coragem de perguntar quem é o maior escultor ou o maior pintor de todos os tempos? Claro que não, mas isso parece aceitável com os filmes. Algo me diz que estas listas são mais uma diversão, uma brincadeira de adulto.
Finalmente, apesar de essas enquetes configurarem um mero passatempo, elas formam uma brincadeira que soube impor uma certa respeitabilidade, de maneira abrangente, embora previsível, e, de certa forma, considerado útil para qualquer fã da sétima arte.
Eis a minha lista pessoal:
1. Cidadão Kane (Orson Welles) EUA
2. Um Corpo Que Cai (Alfred Hitchcock) INGLES
3. 8 ½ (Federico Fellini) ITALIANO
4. La Nave Va (Federico Fellini) ITALIANO
5. Camille Claudel (Bruno Nuytten) FRANCES
6. A Longa Noite de Loucura (Mauro Bolognini) ITALIANO
7. Kagemusha, a Sombra do Samurai (Akira Kurosawa) JAPONES
8. Sociedade dos Poetas Mortos (Peter Weir) EUA
9. O Encouraçado Potenkim (Sergei Eisenstein) RUSSO
10. Cantando na Chuva (Stanley Donen) EUA
11. O Poderoso Chefão (Francis Ford Coppola) EUA
12. Lolita (Stanley Kubrick) INGLES
13. Mephisto (István Szabó) HUNGARO
14. Os Infiltrados (Martin Scorsese) EUA
15. O Cozinheiro, o Ladrão, Sua Mulher e o Amante (Peter Greenaway) INGLES
16. Violência e Paixão (Luchino Visconti) ITALIANO
17. Fantasma da Liberdade (Luis Buñuel) ESPANHOL
18. Lawrence da Arábia (David Lean) INGLES
19. A Doce Vida (Federico Fellini) ITALIANO
20. Os Bons Companheiros (Martin Scorsese) EUA
21. Psicose (Alfred Hitchcock) INGLES
22. Casablanca (Michael Curtiz) EUA
23. Crepúsculo dos Deuses (Billy Wilder) EUA
24. Lua de Fel (Roman Polanski) POLONES
25. Morangos Silvestres (Ingmar Bergman) SUECO
26. Sonata de Outono (Ingmar Bergman) SUECO
27. O Boulevard do Crime (Marcel Carné) FRANCES
28. Apocalypse Now (Francis Ford Coppola) EUA
29. O Sétimo Selo (Ingmar Bergman) SUECO
30. Janela Indiscreta (Alfred Hitchcock) INGLES
31. Amarcord (Federico Fellini) ITALIANO
32. A Malvada (Joseph L. Mankiewicz) EUA
33. A Ponte do Rio Kwai (David Lean) INGLES
34. Persona (Ingmar Bergman) SUECO
35. Amadeus (Milos Forman) TCHECO
36. Laranja Mecânica (Stanley Kubrick) INGLES
37. E o Vento Levou (Victor Fleming) EUA
38. Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Woody Allen) EUA
39. Fargo (Joel Coen) EUA
40. Onde Os Fracos Não Tem Vez (Joel Coen) EUA
41. Manhattan (Woody Allen) EUA
42. A Noviça Rebelde (Robert Wise) EUA
43. A Liberdade é Azul (Krzysztof Kieslowski) POLONES
44. Interlúdio (Alfred Hitchcock) INGLES
45. Deus e o Diabo na Terra do Sol (Glauber Rocha) BRASIL
46. Lacombe Lucien (Louis Malle) FRANCES
47. Meu Jantar com André (Louis Malle) FRANCES
48. Tio Vânia em Nova York (Louis Malle) FRANCES
49. Hiroshima, Meu Amor (Alain Resnais) FRANCES
50. Hannah e Suas Irmãs (Woody Allen) EUA
51. A Fraternidade É Vermelha (Krzysztof Kieslowski) POLONES
52. Terra em Transe (Glauber Rocha) BRASIL
53. Disque M para Matar (Alfred Hitchcock) INGLES
54. Festim Diabólico (Alfred Hitchcock) INGLES
55. Era uma Vez no Oeste (Sergio Leone) ITALIANO
56. Discreto Charme da Burguesia (Luis Buñuel) ESPANHOL
57. Hamlet (Laurence Olivier) INGLES
58. Os Pássaros (Alfred Hitchcock) INGLES
59. Memórias (Woody Allen) EUA
60. Tiros na Broadway (Woody Allen) EUA
61. A Excêntrica Família de Antônia (Marleen Gorris) HOLANDA
62. O Anjo Exterminador (Luis Buñuel) ESPANHOL
63. O Anjo Azul (Josef von Sternberg) AUSTRIACO
64. Cinema Paradiso (Giuseppe Tornatore) ITALIANO
65. Satyricon (Federico Fellini) ITALIANO
66. Cenas de um Casamento (Ingmar Bergman) SUECO
67. Da Vida das Marionetes (Ingmar Bergman) SUECO
68. Morte em Veneza (Luchino Visconti) ITALIANO
69. Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (Pedro Almodóvar) ESPANHOL
70. Pepi, Luci Bom y otras Chicas del Montón (Pedro Almodovar) ESPANHOL
71. Os Guarda-chuvas do Amor (Jacques Demy) FRANCES
72. O Leopardo (Luchino Visconti) ITALIANO
73. Os Primos (Claude Chabrol) FRANCES
74. O Sol por Testemunha (René Clément) FRANCES
75. Este Obscuro Objeto do Desejo (Luis Buñuel)
76. Beau Pere (Bertrand Blier)
77. Platoon (Oliver Stone) EUA
78. Wall Street (Oliver Stone) EUA
79. Noites de Cabíria (Federico Fellini) ITALIANO
80. Julieta dos Espíritos (Federico Fellini) ITALIANO
81. Maridos e Esposas (Woody Allen) EUA
82. O Olho do Diabo (Ingmar Bergman) SUECO
Publicado por: denison souza rosario
A Terra, o planeta que nos acolhe, grita por socorro. Ás vezes ela clama de forma violenta, derramando lágrimas de tempestades e soluços trovejados. Em outros tempos ela sorri ao desabrochar de orquídeas raras em faunas intocadas. Gaia, por fim, ainda tenta respirar, mesmo com suas montanhas gélidas derretendo a cada árvore que padece. E não adianta em nada os homens de poder se sentarem em suas mesas de madeira reflorestada e fazerem suas políticas, seja no Rio, Kyoto ou Copenhagen. Gaia ainda chora. Ainda bem que homens de coragem usam a sua inteligência criativa para chamar a atenção de quem ainda insiste em se alienar na falsa esperança de que a Natureza responderá por si só, ou através de avatares. Avatar (2009) custou caro: 400 milhões de dólares. Pense em todo carbono produzido por essa montanha de dinheiro. Agora pare, sinta e, principalmente, reflita. Os seres azuis designados como Na´vi e a lua de Pandora são apenas ralas metáforas da raça humana, construída com engenhosa e assombrosa tecnologia? Não. Os avatares são tão profundos quanto qualquer alma ou espírito. Há uma jornada do herói, isto é fato para qualquer roteiro épico (e viva Joseph Campbell!). Mas há majoritariamente VIDA e uma bela e visualmente poética (in)direta sobre a merda (!) que a raça humana anda fazendo com Gaia, a machucando profunda e cancerosamente. Vamos nos deixar sucumbir pela iminente crise ambiental ou esperar que um Jake, Lula ou Obama nos devolva a paz verde? Eu, particularmente, não prefiro esperar… Veja Avatar em Imax, 3D, 2D, E-mule ou Pirata. Se a bela e pura semente da vida não te tocar o mínimo que seja, então você não é filho de Gaia…
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“Com Avatar, James Cameron deixa de ser Rei de um Mundo para se tornar Deus de seu próprio planeta.”
Érico Borgo -- Omelete
“Avatar é sim, um espetáculo grandioso, bonito de se ver em Imax, e que, no mínimo, tem que ser visto em 3D.”
Janaina Pereira -- CinePop
“Cameron leva o cinema mais longe do que Peter Jackson na trilogia O Senhor dos Anéis”
Luiz Carlos Merten – Estadão
Particularmente, creio que tenha assistido a ?Avatar? das duas formas como se deve assistir ao mesmo: legendado e em 2D e dublado em IMAX 3D.
Questão de opinião, mas não creio que seja algo lá muito interessante ler legendas que ficam tão perto de seus olhos em face da tecnologia dos óculos 3D (que, também particularmente, julgo um tanto o quanto anti-higiênicos). O campo de visão que a legenda cobre acaba não permitindo que você repare em outros detalhes visuais do filme simultaneamente enquanto tenta ler os dizeres que aparecem no canto inferior da tela.
Também não acredito que os óculos e a tecnologia IMAX 3D acrescentem tanto à experiência de se ver ?Avatar?, o que revela-se, irrefutavelmente, um ponto positivo para o filme, uma vez que, caso dependesse de tal advento para funcionar bem, a produção estaria fadada apenas à sua carreira cinematográfica, revelando-se altamente frustrante quando fosse futuramente exibida nas telas das televisões convencionais que temos em nossas casas.
Assistir a ?Avatar? em IMAX 3D ou no 3D convencional acrescenta algo à produção? Sim, acrescenta, mas não é algo que eu diria ser inerente para conferi-la e aproveitar a sessão ao máximo (e novamente friso, isso é apenas questão de opinião, pois há muita gente que não se imagina assistindo ao filme em sua versão 2D). É interessante nos sentirmos voando ao lado de cientistas em um laboratório de criogenia, ou notarmos um ramo de samambaia (ou sei lá qual planta vem a ser aquela) passando diante de nossos olhos enquanto as lentes especiais de Cameron mergulham na floresta, ou ainda nos sentirmos bem ao lado de alguns Na?Vi enquanto estes se encontram participando de um culto religioso, mas a verdade é que o longa é tão plasticamente perfeito por si só que, mesmo que você opte por assisti-lo da forma mais convencional o possível, ele irá lhe deixar boquiaberto. Ponto positivo para James Cameron, que conseguiu cumprir o seu principal objetivo: o de impressionar o seu público independentemente da tecnologia à qual o mesmo adote para desfrutar a sua obra.
Enfim, deixei de mencionar a parte gráfica do filme em minha análise anterior justamente porque almejava faze-la separadamente, quando tivesse assistido ao longa da forma como todos recomendam. Agora feito, posso dizer convictamente que, excluindo os exemplos que mencionei no parágrafo acima, a impressão foi praticamente a mesma: ?Avatar? é o filme mais plasticamente perfeito que já pude conferir em toda a minha vida.
Sempre que defendo a parte gráfica de ?O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel?, menciono a cena em que os protagonistas do longa sobem as escadarias de Lothlórien, cuja beleza é capaz de deixar no chinelo o sonho mais luminoso que todo mortal que já tenha passado por este planeta azul já tenha tido. No entanto, ?caminharmos? pelas exóticas florestas de Pandora iluminadas pela bioluminescência de suas plantas é algo que transforma Lothlórien em um reles cenário da festa de aniversário de uma garota que acabara de completar quinze anos.
Aliás, já que teci analogias entre ?Avatar? e a trilogia que elevou Peter Jackson ao mais alto patamar de Hollywood, vale dizer que, se a adaptação cinematográfica da obra-prima escrita por J.R.R. Tolkien ganhava destaque pelos seus suntuosos castelos, o longa de James Cameron ganha ainda mais destaque por conseguir extrair algo ainda mais belo de cenários aparentemente naturais, o que parecia algo impossível de ser feito até então.
E o que dizer da perfeição com que as criaturas Na?Vi foram desenvolvidas? Os convincentes movimentos deles, suas naturais mudanças no semblante, os olhos repletos de vida? tudo isso faz com que criaturas como o Capitão Davy Jones (da série ?Piratas do Caribe?) ou o Gollum, que já eram praticamente perfeitas, se tornem meros bonequinhos obsoletos, uma vez que os principais habitantes de Pandora se mostram tão visualmente verossímeis quanto os próprios humanos do filme o são.
Mas é claro que todo esse espetáculo visual não se mostra capaz de tapar alguns pequenos defeitos que o filme possui e que já mencionei na primeira análise. A trama é batida: um misto de ?Matrix? (o escolhido) com ?Dança com Lobos? (um sujeito de nossa espécie tentando aprender e conviver com os costumes de uma civilização gritantemente diferente). Os clichês também estão por toda a parte, conforme havia mencionado no outro texto. A mensagem ambiental é debatida de forma muito mais concreta e convincente em muitos outros filmes (?Wall-E? me vem à memória instantaneamente) e as batalhas, apesar de dirigidas com maestria por Cameron, não atribuem nada de novo ao gênero, pelo contrário, chega a copiar ?O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei? em algumas ocasiões (e quem ainda não assistiu ao filme não leia o resto deste parágrafo, mas não tem como não comparar o momento em que as aves gigantescas de Pandora, sob pedido de Eywa, atacam os helicópteros dos terráqueos com a cena em que as águias gigantes que habitavam a Terra-Média atacam os Nazgul durante a batalha final de ?O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei?).
Contudo, mesmo com os defeitos supracitados, ?Avatar? ainda nos brinda com uma eficiente direção por parte de James Cameron e, repetindo o que disse no texto original, trata-se de um dos mais (senão o mais) perfeitos espetáculos visuais regados às mais diversificadas cores fluorescentes que já pude conferir na história da Sétima Arte!
Publicado por: Daniel Esteves de Barros -- www.cinephylum.com.br
Obs.: assisti ao filme em uma sala de cinema convencional, ou seja, sem IMAX ou 3D. Neste final de semana devo estar o assistindo em IMAX e publico as minhas impressões por aqui.
“Cameron reinventa o Cinema”, “Cameron cria uma nova técnica de filmagem”, ‘Cameron brinca de Louis e Auguste Lumière” (está bem, essa última assumo que fui eu quem mencionou no Twitter), “Cameron irá dividir o Cinema em antes e depois de Avatar”, “Cameron é Deus”, “Cameron defeca ouro” ops, paremos por aí, a coisa já está ficando exacerbadamente malacafenta e hiperbólica (e para quem está com preguiça de consultar o dicionário, leia-se: ‘a coisa já está ficando nojenta e exagerada demais’).
As frases supracitadas refletem bem o exagero com o qual o jornalismo cinematográfico trabalhou nos últimos meses criando uma expectativa acima do normal no médio espectador. Cameron criou novas técnicas de filmagem? Sim. Criou uma câmera exclusiva capaz de capturar as maravilhas de um mundo inteiramente digital? Sim. Criou um espetáculo visual jamais visto no Cinema? Sim. Cameron criou tudo isso e, francamente, criou muito mais, muito mais mesmo.
Mas aí fica a tal pergunta no ar: essa obra é capaz de dividir ou, pior ainda, reinventar o Cinema? Negativo.
Cinema é uma arte audiovisual. Ponto final? De forma alguma. Cinema é uma arte audiovisual, vírgula, mas que depende crucialmente da estrutura narrativa de suas obras. Não, Avatar não é tão falho assim do ponto de vista narrativo. O filme conta com vários acertos no roteiro, mas o bem da verdade é que (e o que escreverei a seguir talvez resuma todo este texto) Cameron chega sim a “reinventar? o Cinema (com várias ressalvas aqui, afinal de contas, ele inventa um inaudito modo de se “filmar” Cinema, mas não de se ‘contar’ Cinema), mas esquece-se de ‘reinventar’ os clichês.
Sabe o coronel durão, que apetece trincar uma rocha inteira na base do cuspe? Pois é, ele aparece aqui e, por mais que o roteiro tente disfarçá-lo numa falha tentativa de torná-lo humanista, não dá certo. Sabe a cientista obcecada, que ama a natureza e tem pinta de lésbica e grosseirona (personagem que se torna ainda mais caricata na pele da eterna Ripley) mas que, com o tempo, vai se tornando uma ambientalista camarada? Pois é, ela está aqui também. Sabe o mocinho que tem propósitos levemente malévolos no começo da projeção mas que, ao desenrolar da trama, apaixona-se pela mocinha, muda completamente os seus propósitos e ruma a um desfecho feliz? Pois é, ele também está aqui.
Aliás, não só os clichês e estereótipos acima citados. Muitos outros (e vale citar uma oficial mulata deliciosa e durona que pilota helicópteros e, honestamente, torço com todas as forças para que ela venha fazer parte de meus próximos sonhos estando completamente nua e trans? bem? deixe para lá?) também permeiam toda a sessão de Avatar, mas Cameron (e, juro, nunca imaginei que um dia viria a dizer isso, já que estou longe de ser fã do diretor de um dos filmes mais superestimados de todos os tempos: Titanic), como num passe de mágica, mostra-se capaz de nos emocionar com tudo aquilo que está em cena.
Sim, sabemos exatamente como terminará o romance entre o casal de protagonistas com apenas cinco minutos de projeção, mas Cameron filma o affair entre ambos de uma forma tão sensível (tomando o devido cuidado ao mostrar meticulosamente a forma como Neytiri introduz Jake Sully à cultura Navi) que torna-se impossível não nos cativarmos com o mesmo. Também sabemos exatamente como terminará a batalha final entre humanos e Navis, mas Cameron (assim como Peter Jackson o fez em ?O Senhor dos Anéis?) filma tudo de um modo tão tenso e desesperador que somos praticamente transportados para dentro do embate.
Talvez esteja aí a força de Avatar, nas mãos de seu diretor. Ironicamente, os defeitos do longa também estão nas mesmas mãos, mas nas mesmas mãos que foram utilizadas com um outro propósito: o de escrever o roteiro.
Eis aqui um raro caso onde uma direção extremamente satisfatória acaba superando alguns furos do roteiro que, posto em prática por outra pessoa (e novamente friso: não sou fã de Cameron, muito longe, mesmo, disso), talvez não pudessem ser tapados. Coisas do Cinema.
O quê? A parte visual? Bem, não pude assistir ao filme em IMAX, ou em um mero cineminha 3D que seja, mas pretendo fazer isso neste final de semana e registrar as minhas impressões por aqui, contudo, em um outro texto.
Por ora só posso afirmar o seguinte: mesmo assistindo ao longa da forma mais tradicional o possível, não há como negar que trata-se de um dos mais (senão o mais) perfeitos espetáculos visuais regados às mais diversificadas cores fluorescentes que já pude conferir na história da Sétima Arte!
O quê? Não entendeu bulhufas do que afirmei acima? Pois é, é só vendo mesmo para crer!
Fantástico!
Publicado por: Daniel Esteves de Barros -- http://www.cinephylum.com.br

Sideways (2004) marcou o ano de seu lançamento como filme mais cult e aclamado do ano, mesmo tendo ganho apenas um Oscar, o de melhor roteiro adaptado. A alma do longa é Miles, personagem brilhantemente interpretado por Paul Giamatti, um cara tipicamente loser, escritor falido que tenta preencher sua vida com o pseudo-intelectualismo típico de quem aprecia um vinho pelo viés enólogico. Com uma bela fotografia emoldurada pelas paisagens da rota do vinho californiana, a força da trama está nos diálogos que transpassam a malandragem e são altamente pontuados por vinhos e todos os seus sub-gêneros. Em alguns momentos nos questionamos se queremos um final feliz, pois o mais sádico e divertido é justamente ver os protagonistas se ferrando a cada taça. Não há como conter o riso com os tropeços bêbados a cada tentativa de se darem bem. Em resumo, Sideways é uma crônica da modernidade em que os fracassos são entorpecidos por vícios idílicos, sejam ele drogas, bebidas ou a mera intelectualidade.
“Um feito para se aplaudir de pé.”
Rodrigo Cunha -- CinePlayers
“Doce, maduro e encorpado como o ápice de um vinho.”
Angélica Bitto – Yahoo! Cinema
“Momentos memoráveis.”
Cinema em Cena – Pablo Villaça
Teorias maias, teorias religiosas, teorias científicas… Atualmente, somos confrontados com teorias e previsões de que o mundo irá acabar em 2012. Mesmo sendo elas impossíveis, ou mais plausíveis, são apenas teorias, não se sabe ao certo o que irá acontecer. Então Roland Emmerich, que dedicou praticamente toda a sua carreia, a filmes catástrofe, traz “2012″, a super-produção mais polêmica do ano, creio eu. O mais incrível é que de todas as pessoas que assistiram ao filme, poucas ficaram imparciais, ou mesmo acharam o filme mediano. A maioria das opiniões foram: “2012″ é um filme horrível, ou “2012″ é um filme muito bom. No meu caso, fico com a segunda opção: “2012″ é um filme muito bom! Apesar de conter várias falhas narrativas, como por exemplo: os dois filhos do magnata russo não chorarem, nem ficarem tristes após a morte do pai, enquanto os salvava. Então apesar de conter erros do roteiro, “2012″ cumpre seu papel, como filme catástrofe: o de divertir com a destruição. O ponto em que um filme deste gênero tende focar é na destruição, e por consequencia nos efeitos visuais. E esta produção de Emmerich possui, com certeza, cenas fantásticas e memoráveis de destruição, e efeitos visuais extremamente bem produzidos. Aliás, arrisco “2012″ como um palpite ao Oscar 2010, de efeitos visuais. As cenas de destruição são realizadas da maneira mais primorosa possível! Combinando perfeitamente, efeitos visuais, movimentação de câmera, e trilha sonora. Aliás, foi um grande trunfo do filme ter o roteirista que também rege a trilha sonora, sendo assim, enquanto ele escreve a cena, já vai encaixando a trilha sonora. E o resultado… é incrível. No elenco, temos John Cusack, que aqui, em “2012″, conseguiu um papel principal, em uma grande estréia mundial. Mas, ele, infelizmente, não consegue brilhar, a sua sorte é que ele está em um filme catástrofe, e nestes filmes, se o ator é bom ou ruim, não importa, só importa uma coisa: destruição! Do roteiro, posso dizer que poderia ser mais abrangente. Poderia focar em mais personagens, em mais partes do mundo, embora já foque em uns quatro personagens, mas só americanos, claro. E, com certeza, o filme não consegue esconder, e vangloria, o senso heróico e guerreiro dos estadunidenses, o que já é de praxe vindo de um filme catástrofe norte-americano. Enfim, um filme que, de parte técnica é impecável, mas de roteiro deixa um pouco a desejar,não deixando de agradar, mesmo assim. Tudo que um filme catástrofe precisa, “2012″ tem de sobra. Aliás, a popular cena do Cristo desmoronando dura muito pouco (uns 5 segundos) e é transmitida pela Globo News, numa narração em brasileiro!!! “2012″ conta a história do fim do mundo, de pessoas tentando salvar suas famílias, e claro, suas vidas. Um dos melhores filme catástrofe já feitos! Muito bom!
Publicado por: Selton Dutra Zen -- cdecinema.blogspot.com
(500) Dias com Ela tinha tudo para ser uma comédia romântica insuportavelmente convencional, mas felizmente tomou algumas sábias decisões e driblou, na maior parte de sua projeção (e que isso fique bem claro: na maior parte, e não durante o filme todo), a mesmice imposta por Hollywood, principalmente em produções deste gênero.
Começamos de um modo bastante incomum. No canto esquerdo inferior da tela aparece uma nota dos autores da obra informando que o trabalho a seguir é apenas uma ficção e quaisquer semelhanças com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência. Até aí, normal, não? Pois é, salvo pelo: pessoas mortas, não há nada de incomum aqui. É o que vem a seguir, no entanto, que realmente chama a atenção do público: especialmente com você, Jenny Backman, vadia!.
A reflexão que nos vem à mente então é a de que teremos pela frente uma comédia romântica com um humor ácido e sincero, algo pouco típico entre as produções do gênero. E a narrativa em off que nos apresenta aos personagens só vem a confirmar isso e é digno de palmas que, em tão poucos minutos, possamos captar tantos detalhes oriundos de seus protagonistas como podemos captar aqui.
Tom (Joseph Gordon-Levith, impecável no papel) é um romântico incurável e, segundo a impagável narração hilária, isso se deve ao errôneo entendimento que ele teve quanto ao final do clássico de Mike Nichols, A Primeira Noite de um Homem (assim como boa parte das pessoas que assistem ao longa estrelado por Dustin Hoffman, ele vê amor, liberdade e felicidade nos olhos dos protagonistas, enquanto estes, na verdade, denotam uma visível insegurança pelo futuro incerto que está por vir). Summer (Zooey Deschanel, como sempre linda e? bem? aceitável no papel) já é uma garota que, depois da separação dos pais, passou a desacreditar no amor ainda muito jovem e só viria a nutrir tal sentimento por duas coisas: pelo cabelo negro e longo e pela facilidade que tinha em cortá-los sem deixar quaisquer resquícios de sentimentos quanto ao ato. Como assim? Simples, Summer é dessas personagens que ama, mas ao mesmo tempo se desapega fácil e voluntariamente de tudo aquilo que realmente ama.
O roteiro avança um pouco. Deixa claro que, apesar de tratar de uma estória onde o mocinho conhece a garota de seus sonhos e ambos passam a ter um relacionamento, não é realmente uma trama de amor. Oras, se uma comédia romântica não irá tratar sobre o amor, qual será o seu foco então? As piadas em cima do casal? Bem, é justamente aí que está o problema. Apesar de contar com um humor que funciona muitas vezes, a maior parte de suas piadas não só não acrescentam nada de novo ao gênero como também inserem situações artificiais à produção (e as que envolvem uma conselheira mirim são as piores).
Por incrível que pareça, a força desta comédia romântica reside mesmo é no amor atípico (e sim, contrariando a narrativa acima citada, o filme conta sim uma estória de amor, ainda que seja um amor bem diferente do usual) entre Tom e Summer (a propósito, daí vem a conveniente, embora bobinha, brincadeira com o título original (500) Days of Summer, que tem a tradução literal para (500) Dias de Verão). É através do relacionamento entre ambos que o roteiro tece uma cativante trama que se espelha nos relacionamentos amorosos contemporâneos, baseados no abstracionismo do ficar e rompendo os paradigmas do namorar.
Os protagonistas combinam muito entre si (apesar das diferenças teóricas sobre o amor). Summer, assim como Tom, segue o tipo que aprecia a arte alternativa. Para se ter uma idéia, ela despertou extremo interesse nele quando revelou adorar a banda de alternative rock inglesa The Smiths.
O rapaz, como era de se esperar, logo se apaixona. Várias outras referências cult vão ligando o casal. Belle & Sebastian, The Pixies e muitas outras bandas indie formam o excelente gosto musical da dupla, ao passo em que Ingmar Bergman e, é claro, Mike Nichols se encarregam de anunciar o refinamento cinematográfico de ambos.
À medida que o filme vai se desenvolvendo, vamos nos identificando cada vez mais com o relacionamento deles. O ápice do roteiro, todavia, parece residir mesmo quando o previsível (já que o filme faz questão de nos informar logo nos minutos iniciais que o casal irá romper) término do romance acontece. Sem passar por sentimentalismos piegas ou exagerados, acompanhamos a tristeza e a dor que Tom passa a ter em face da rejeição. É aí que (500) Dias com Ela mostra, de fato, o motivo de tanto alvoroço por parte de uma média, embora fiel, legião de fãs que atraiu para si, afinal de contas, quem nunca passou pela situação a qual o protagonista está passando? Quem nunca chegou a se identificar com ele e, até mesmo, com ela?
Longe de ser uma comédia-romântica original (apesar que eu não a encararia como clichê, mesmo contando com um argumento batido) e não desenvolvendo tão bem o humor que havia prometido desenvolver em seu prólogo, (500) Dias com Ela deposita suas forças no casal de protagonistas que contam com características bastante incomuns, sobretudo para os filmes deste tão revisado gênero cinematográfico.
Publicado por: Daniel Esteves de Barros -- http://www.cinephylum.com.br






















