Depois de desabafar toda minha admiração por Watchmen aqui no MovieYou há mais de um ano, agora é a vez falar de outro filme de super heróis que me surpreendeu de forma deliciosa, com exceção de que ainda não consegui ter acesso ao gibi original de Carl Hiaasen. Kick Ass (2010) É FODA PRA CARALHO, sem qualquer censura ou frescura, como as palavras que acabei de digitar. Graças aos deuses do cinema que ainda olham por aqueles que não querem ver seus filmes dilacerados por produtores e suas merdas de podas criativas para se adequar ao mercado, o diretor Mattew Vaughn conseguiu angariar fundos por conta própria e assim expor em tela grande um longa polêmico, violento e sincero como ele gostaria que fosse realizado e como deve ser! Com censura 18 anos, temos cenas de violência, sexo e muitos palavrões emoldurados por hits da atualidade. Se Quentin Tarantino e seu Pulp Fiction é a referência da cultura pop nos anos 90, Kick Ass consegue emoldurar as tendências e linguagens pós-2000. O estilo “nerd/cool” é gritante, com referências ao YouTube, MySpace e outros pontos totalmente condizentes com a nossa juventude mergulhada na web 2.0. O ator Aaron Johnson dá vida a Dave Lizewski, o típico looser que decide virar super herói por ambição e mesmo sem super poderes e se fudendo gostoso no começo, acaba revertendo o jogo e comendo a mocinha de um jeito que duvido que Peter Parker tenho algum dia feito com a Mary Jane. A comparação e lembrança com Watchmen é inevitável por conta da proposta de mostrar o contexto de como é ser um super herói na vida real. E se no filme baseado na graphic novel de Alan Moore temos o Dr. Manhattan, em Kick Ass a personagem mais “inverossímil” é a de Hit Girl. No maior estilo A Noiva de Kill Bill (olha o Tarantino ai de novo), a pequena e doce Mindy Macready após 11 anos de treinamento e lavagem cerebral feitos por seu pai, acaba se tornando uma letal assassina em série emoldurada pela fantasia da heroína que sabe botar pra fuder com os caras malvados. O pai é vivido por Nicolas Cage, um fã tão devoto de histórias em quadrinhos na vida real, ao ponto de ser um dos únicos no mundo a possuir a Action Comics número 1, que o papel lhe cai como uma luva. Já Hit Girl é encarnada por Chloe Moretz, e se o que vemos neste filme é apenas o começo de sua promissora carreira, ela certamente vai estar no ponto como atriz daqui algum tempo, tanto bem gostosa como talentosa! Com o sucesso de crítica e público, Kick Ass 2: Balls to the Wall já está programado para estrear nos cinemas em 2012. Espero mesmo que Vaughn continue com sua liberdade criativa e consiga superar as grandes expectativas geradas com um primeiro filme tão bom, assim como Nolan fez com Batman – Cavaleiro das Trevas … O que não deixa de ser um puta desafio!
Miley Cyrus finalmente tirou a peruca e decidiu virar atriz, além de rever todos os esteriótipos que a consagraram como Hannah Montana. A jovem começou a investir em uma linha mais sensual em seu novo álbum intitulado Can’t Be Tamed (Não Posso Ser Domesticada, em tradução livre), o que provocou receio e críticas negativas da mídia norte-americana, já que soa incongruente ela assumir uma postura sensual sendo que boa parte de seus fãs são crianças. Polêmicas a parte, Miley começou a tomar aulas de interpretação para sua primeira investida séria na grande tela. E pelo visto ela ainda tem muito o que aprender, fato que ela mesmo admitiu após a enchurrada de vaias para A Última Música. O longa toma como base o romance homônimo de Nicholas Sparks o mesmo autor dos sucessos literários que viraram filmes Diário de uma Paixão e Querido John. Sendo assim, não espere nada muito diferente de uma trama de romance mediana. Ronnie, a personagem de Miley, vai passar as férias com o pai, que mora no litoral, enquanto vive o típico romance de verão com um bonito morador local. Ponto positivo para Greg Kinnear (Pequena Miss Sunshine) em um papel bem tocante como o pai doente da protagonista. Fora isso, é totalmente irritante ver durante 1 hora e 40 minutos Miley em seu papel de adolescente revoltadinha. O único alívio é, surpreendentemente, quando ela canta. Indicada ao Oscar pela canção título de Bolt -- SuperCão, talvez Miley se sairia melhor investindo em filmes musicais. O que não seria um bem aos nossos ouvidos, mas ao menos seria algo menos pior para nossos olhos voltasdos às artes dramáticas.
Imagine uma mistura de Quem Quer ser um Milionário?, Doce Novembro e Trainspotting em um clima de interpretações tão caricatas quanto qualquer novela global! Parece impossível? Não para a mente imaginativa de um cineasta que, infelizmente, às vezes consegue esse tipo de proeza indigesta. Índia, Amor e Outras Delícias é uma comédia romântica ambientada em Glasgow na Escócia, cuja protagonista, de origem indiana, tem um melhor amigo que é drag queen, tipo de personagem idealmente hollywoodiano para momentos de alívio cômico. Sacou as referências agora? A trama do longa segue exatamente todos os clichês deste tipo de filme ao longo de seu desenvolvimento. Nina (Shelley Conn), a protagonista indiana, volta da Inglaterra para a Escócia depois da morte de seu pai que detinha um típico restaurante indiano. Para impedir que o negócio de seu falecido pai seja vendido, ela decide participar de um concurso de gastronomia indiana cujo prêmio irá justamente cobrir as despesas da dívida que o negócio tem. Alguma dúvida do que vai acontecer? As interpretações à la Caminho das Índias ficam por conta do caricato elenco de apoio do núcleo familiar de Nina. O único diferencial, e mérito do filme, é apresentar um romance lésbico entre Nina e a escosesa Lisa (Laura Fraser). As cenas de preparo dos alimentos também são deliciosas, quase podemos sentir o cheiro de curry dos pratos! Ao final da sessão, fica aquela vontade louca de comer um bom prato de comida indiana, porque a fome de um bom filme fica totalmente gritante no estômago e na mente.
Não é de hoje que o cineasta Oliver Stone se aventura em filmes sobre a política de seu país natal, os Estados Unidos. Oscarizado pela direção de Nascido em Quatro de Julho e Platoon, o cineasta ainda tem no currículo as siglas de JFK e W., sendo este seu último trabalho ficcional que expõe facetas polêmicas da biografia do presidente George W. Bush. Ainda embalado pelos erros grotescos na política externa dos EUA, Stone aproveita as burradas propagandeadas pela imprensa norte-americana durante o governo Bush para construir o argumento do documentário Ao Sul da Fronteira. Assim como Michael Moore em Fahrenheit 11 de Setembro mostra a guerra do Iraque como pretexto para aquisição de petrólelo, Stone apresenta em Ao Sul da Fronteira a teoria da conspiração armada pelo seu país para destronar o ditador venezuelano Hugo Chávez em troca do barateamento do petróleo na região. O ponto alto do documentário são os interessantes depoimentos de Chávez e dos outros presidentes, no caso Raul Castro (Cuba), Lula (Brasil), Rafael Correa (Equador), Evo Morales (Bolívia), Néstor e Cristina Kirchner (Argentina) e Fernando Lugo (Paraguai) a respeito de suas opiniões questionadoras sobre o tratamento da nação mais poderosa do planeta para com os sul-americanos. Fora estas entrevistas, a “verdade” exposta pelo cineasta, por mais que tenha alguma boa vontade, se assemelha a de qualquer americano médio que não sabe diferenciar um país sul-americano do outro. Stone trata a todos como “cucarachas” vermelhas comandadas por esquerdas bolivarianas. É fato que hoje na América do Sul temos pela primeira vez presidentes que se assemelham a classe mais humilde de seus países, sejam metalúrgicos, indígenas ou bispos, mas Ao Sul da Fronteira peca profundamente em tratar todas as nações como eternas farinhas hispânicas do mesmo saco ao invés de explicitar o histórico peculiar de cada país que fez com que seus cidadãos escolhessem um governante de esquerda. Além disso, é vergonhoso ver em um dos mapas expostos no filme a Floresta Amazônica ser confundida com a Cordilheira dos Andes. Faltou aulas de História e Geografia no currículo de Oliver Stone para conceber este filme, assim como para seus conterrâneos um dia entenderam que todos abaixo de suas fronteiras são latinos sim, mas muito diferentes entre si e que merecem ser tratados com igualdade de direitos e respeito a estas gritantes diferenças.
Recentemente fui convidada pelos idealizadores do blog Mitografias para participar do podcast sobre mitologia chamado Papo Lendário. O foco do bate-papo foi obviamente Fúria de Titãs, um ramake do clássico homônimo da década de 80. Se antes os monstrengos eram feitos utilizando um parco stop-motion, hoje a tecnologia poderia fazer valer as belas imagens dos ícones mitológicos… Mas o roteiro escorrega não só pela incoerência com os mitos, mas pela história ser muito fraca e anti-climáxica. Passamos o filme inteiro aguardano a hora que Zeus (Liam Neeson) brada “Release the Kraken!” … porém a cena de luta que se segue é tão rápida e fraca que, literalmente nos brocha! E Sam Worthington como mocinho ainda não convence, mesmo em Avatar! A única atriz que brilha e traz um tesão todo especial para o filme é a bela e gostosa Gemma Artenton que faz Io, originalmente uma vaca mas que ganhou uma bela e semi-endeusada interpretação da atriz. Infelizmente o pior pode estar por vir, já que uma continuação foi anunciada. Que os pobres deuses nos perdoem, mas as vezes Hollywood não sabe o que faz…
E John Favreau acertou em cheio de novo! Risadas, cenas de ação e adrenalina tão boas quanto aquela pipoca quentinha com manteiga. Homem de Ferro 2 é assumidamente blockbuster, mas assumidamente bom. Das novidades na franquia, a inclusão do hilário Sam Rockwell e da bela Scarlet Johansson foram muito acertadas. O vilão encarnado por Mickey Rourke também funciona muito bem. Robert Downey Jr. continua impecável e Don Cheadle e Gwyneth Paltrow competentes. Com um roteiro que funciona, a trama além de entreter, serve para deixar os fãs da Marvel ainda mais ansiosos para com o filme dos Vingadores. O escudo do Capitão América aparece dentro do laboratório de Tony Stark e um dos agentes da S.H.I.E.L.D. encontra o martelo do Thor caído no deserto mexicano bem no meio de uma imensa cratera. Scarlet Johansson, gostosíssima em seu uniforme de couro apertado da Viúva Negra, joga do lado dos bonzinhos como uma agente da S.H.I.E.L.D. Com isso, estou torcendo para que ela seja confirmada em Os Vingadores… De resto, divirta-se e deixe-se levar pela armadura e bom-humor de Stark e pela deliciosa franquia criada por Favreau.
Já fazem dois anos da morte de Heath Ledger, mas a saudade ainda é grande. Lembro que no dia que ele morreu, corri para a locadora e aluguei vários filmes deles que ainda não tinha visto, como Casanova e Coração de Cavaleiro. Ainda me emociono cada vez que vejo sua atuação em O Segredo de Brokeback Mountain. Mas sua grande performance certamente foi em Batman -- Cavaleiro das Trevas com seu perturbado e visseral Coringa. Aqui no MovieYou o filme também tem seu marco, afinal o primeiro post foi sobre essa obra. Fã de Terry Gillian em seu Brazil -- O Filme, além de tudo do Monty Python, fiquei muito feliz em saber que a última vez que veria Heath no cinema seria pelas mãos dele. Além disso, fiquei muito empolgada e ansiosa para ver Johnny Depp, Colin Farrell e Jude Law susbtituindo honradamente Heath nas cenas que ele não pode gravar. O filme, porém, fica na promessa. Visualmente é muito bem desenvolvido e bonito, mas a edição e as atuações parecem travadas e estereotipadas, além do roteiro ser confuso em vários momentos. A solução de colocar três atores para substituir Heath soou falsa, por mais que não tivesse outra opção. Valeu ver o filme pelo saudosismo, mas ainda sim prefiro aquele chapéu de cowboy ou a maquiagem toda borrada… Why So Serious?!
Marcelo Gomes (Cinema, Aspirimas e Urubus) e Karim Aunouz (Madame Satã e O Céu de Suelly) são dois dos diretores mais competentes do cinema brasileiro atual. Mas juntos em Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, conseguiram provocar a sensaçã em fãs do audiovisual de que aquilo não deveria ser feito… pelo menos da fã aqui. Muito experimental, o filme seria ótimo para ser ver em uma exposição de vídeo arte… Mas ficar sentando vendo aquilo foi um suplício pior que ter que ver a Paris Hilton tentanto interpretar. Cheio de músicas bregas, o longa mostra a “saga” de um geólogo pelo interior nordestino que, apesar das saudades da amada, resolve se deliciar com umas putas xexelantas de beira de estrada. Monôtona, vazio, viaja mas não chega a lugar nenhum… Escolha ver esse filme se estiver chapado, ou for muito idiota!!!
10 entre 10 meninas consideram Diário de Uma Paixão um dos melhores filmes de romance. Eu particularmente nunca vi… Algum leitor neutro e justo me recomenda? Pois bem, vi estes dias Querido John (2010) baseado no livro do mesmo autor de Diário de Uma Paixão, Nicholas Sparks. Dirigido por Lasse Hallström, o mesmo do excelente Chocolate (2000), o longa apresenta todos os clichês típicos de filmes românticos bom direito a beijo na chuva. Tirando o óbvio de um relacionamento perfeito, com suas agruras e ironias do destino, o longa ao menos chama atenção em duas coisas. A primeira por ser o primeiro romance de guerra que vejo ambientado no 11 de Setembro. E segundo por Richard Jenkis, que concorreu ao Oscar por seu papel em O Visitante (2007), que ao interpretar um autista consegue trazer candura e realismo ao filme. Ao final das contas, recomendo Querido John como o típico filme para se ver em casal. Tem romance para ela e guerra para ele. E que sejam felizes até o final da sessão…
Alice cresceu, e não foi vivendo no País das Maravilhas. E garanto que não foi só a personagem que cresceu. O diretor Tim Burton conseguiu dar a grandiosidade cinematográfica que a saga desta jovem e imaginativa garota merece. Até então a minha única referência para Alice era o antigo longa da Disney de 1951, ou filmes que usam a mesma metáfora de auto-descoberta de uma curiosa garota: Coraline e o Mundo Secreto (2009) e O Labirinto do Fauno (2006). Estas jornadas de pequenas heroínas que usam a imaginação para metaforizar a realidade, seja nas relações familiares ou nas pequenas sutilezas da vida, sempre me encantaram. E agora Tim Burton e seu Alice no País das Maravilhas (2010) nos traz uma Alice madura, guerreira, que sabe inovar, se transformar e enfrentar todo e qualquer paradigma. A novata Mia Wasikowska soube trazer candura e força para a personagem. Johnny Depp e Helena Bonham Carter sempre competentes e Anne Hathaway soube incorporar todos os trejeitos de uma típica princesa Disney. Foi uma boa surpresa ouvir a voz de Alan Rickman (O Snape dos filmes de Harry Potter) como a sábia lagarta azul. Vi a versão em 2D e confesso que fiquei incomodada com a gratuidade de algumas tomadas típicas para 3D. Por estes excessos, o filme perdeu 1 película na nota, mas pelo típico sonho delirante e gótico de Tim Burton, me agradou e muito, além de me fazer querer levar um certo gato sorridente para casa…



























