Da Desmemoria ao Mergulho na Escuridão.

Batman - O Cavaleiro das TrevasSe você leu minha descrição pessoal ao lado deve estar estranhando que meu primeiro post seja sobre um blockbuster “estado-unidense”, certo? Pois bem. Apenas quero aproveitar a onda “The Dark Knight” para destrinchar o trabalho de um dos mais promissores diretores britânicos pós-2000: Christopher Nolan.  Nolan é graduado em literatura inglesa na University College London, reforçando que não é só em terras brazucas que encontramos grandes cineastas que não possuem formação na área. Vide Fernando Meirelles que é arquiteto e Walter Salles formado em economia. Nolan teve projeção mundial ao dirigir e roteirizar Amnésia (2000). Aliás, essa tradução é uma afronta à concepção do título original, Memento (da expressão latina Memento Mori -- “lembra-te de que vais morrer”). Durante uma cena do filme, o personagem Leonard Shelby interpretado por Guy Pearce (Los Angeles – Cidade Proibida, O Conde de Monte Cristo) afirma prontamente que não sofre de amnésia, mais de um transtorno de perda de memória recente. Isso não impediu as nossas distribuidoras brasileiras, que provavelmente não assistiram ao filme antes de colocar esse título, executarem esta afronta. Enfim, depois disso ele dirigiu Insônia e O Grande Truque. Os três filmes citados seguem a linha prenda-a-respiração-e-não-pisque-porque-senão-quando-chegar-ao-final-você-vai-falar-hãn. A fórmula para isso? Um roteiro muito bem escrito (lembre-se de que ele é formado em literatura), com pontos de virada na hora certa e nenhuma obviedade. No meio desse currículo ele se torna responsável em 2005 por “ressuscitar” a franquia Batman. Digo ressuscitar porque o clima sombrio e gótico com o qual Tim Burton pontuou Batman (1989) e Batman – O Retorno (1992), foi assassinado em mais uma insanidade cinematográfica cometida pelo megalomaníaco Joel Schumacher em Batman Eternamente (1995) e Batman e Robin (1997). Nunca o subtítulo Begins foi tão propício. O Diretor-Roteirista optou por seguir uma linha realista e verossímil. Apresentou-nos um homem comum que, amedrontando por seus demônios interiores (no caso a claustrofobia de permanecer num poço cheio de morcegos), passa por um treinamento ninja e graças à fortuna de sua família consegue projetar uma verdadeira armadura de combate ao crime, ao mesmo tempo que se disfarça de playboy bêbado cercado de modelos gostosonas (não, esse post não é sobre o Homem de Ferro :o P). Agora, com o novo filme Nolan assumiu mais ainda esse mergulho psicológico nos personagens, sem maniqueísmos ou disparidades. Nos provando que, apesar de todos os efeitos especiais e explosões, o cinema nos atrai por mostrar personagens com a fragilidade humana  que carregamos e enfrentamos todos os dias de nossa vida.

Batman - O Cavaleiro das Trevas 2 Comentários

2 comentários para “Da Desmemoria ao Mergulho na Escuridão.”

  1. Michel disse:

    Provavelmente um dos filmes mais supervalorizados de todos os tempos.

    De 1 a 5, eu daria nota 4 pro filme, mas toda essa babação de ovo (não aqui, mas em outros tantos lugares) pra cima de um filme apenas bom me dá muita vontade de reduzir para um 3.

    Opinião assim, sem muitas explicações (e prefiro não dá-las pois envolveriam spoilers para exemplificá-las), não se discute, certo? No máximo se lamenta ou ignora. Mas essa é minha opinião sobre opiniões :)

  2. Élvio disse:

    Eu compartilho da sua simpatia pelo trabalho do Nolan. Embora eu ame pra sempre os Batmen de Tim Burton, é inegável a repaginada que ele deu, e até conseguiu dar ao Coringa um ar bem semelhante ao que encontramos nos HQs. Eu poderia discorrer sobre a anarquia inteligentíssima do personagem, mas o espaço é seu. Sempre é muito bom vir aqui ler seus tópicos, sempre com ares de modéstia, mas muito bem pontuados. Um pontual-de-vez-em-quando-leitor deixa um abraço forte.
    Élvio.

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