Não quero Parar, Me deixe Viver !

O Escafandro e a Borboleta Confesso que filmes que envolvam situações em que o personagem principal fica paraplégico me deixam desconcertada. Fico me imaginando o que se passaria pela minha cabeça se isso acontecesse. Iria lutar pela vida ou desistir dela? Quando assisti Menina de Ouro (2004) fiquei atordoado com o destino da personagem de Maggie Fitzgerald (Oscarizando merecidamente Hilary Swank). Ela estava no auge de sua carreira como lutadora, e a agressividade imprudente de sua adversária a fizeram perder TUDO! E qual destino ela escolhe pra si? A morte. A cena em que Frankie Dunn (Clint Eastwood) desliga os aparelhos, faz arrepiar a espinha dorsal.  No mesmo ano, outro filme que mexeu muito comigo: Mar Adentro (2004) . Se vocês acham que a interpretação de Javier Bardem é atordoante em Onde os Fracos Não Tem Vez (2007), precisam assistir a essa produção espanhola. No auge de sua juventude Ramón Sampedro fica paralítico ao bater a cabeça em um mergulho. A história é baseada em fatos reais, contando sobre o primeiro espanhol que exigiu judicialmente a sua morte pela eutanásia. Mas uma vez a escolha por interromper uma “meia- vida” ( deixando claro que está e a opinião/visão do personagem de Bardem no filme!). O que dizer então de O Escafandro e a Borboleta (2007), onde Jean-Do só é capaz de piscar um olho como forma de se expressar para o mundo exterior? O que mais me impressionou no filme foi a utilização da chamada “câmera subjetiva” em que a mesma funciona como se fosse o olho do personagem. No Escafandro isso se dá de uma forma alucinante. Toda a primeira metade do filme você está mergulhado na visão que o personagem tem do mundo e de sua nova situação. Você não só vê pelos seus olhos, como ouve seus pensamentos e assiste as suas fantasias. Ainda me pergunto como o diretor Julian Schnabel fez a cena em que costuram o olho do personagem! Se alguém souber, me diga, por favor… É atordoante. O que absorvi desse filme foi a mesma conclusão que obtive quando assisti a algumas semanas atrás a peça Noturno – Cadeirantes do Grupo dos Menestréis, no Teatro Dias Gomes aqui em São Paulo. A existência do ser humano engloba um importante e complexo processo de auto-aceitação. Quando se tem alguma deficiência isso se torna, teoricamente, mais difícil. Portanto as vitórias que se obtêm, sejam elas escrever um livro, cantar ou interpretar tem um valor muito superior, algo que nem mesmo a mais louca imaginação pode alcançar em altura, poder e divindade.

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