Quando um roteirista escreve a base da obra cinematográfica ele tem duas opções de escolha: O Roteiro Original, tirado exclusivamente de sua mente para transpor à grande tela; e o Roteiro Adaptado, escrevendo uma versão de algo já antes publicado. E não me questione se é comodidade ou pressão mercadológica, mas uma boa parte opta por adaptar livros! Alguns nascem prontos para virar filme, como O Código DaVinci de Dan Brown. Outros, por apresentar uma escrita complexa, demoram a ter sua transposição para o Cinema, caso de Perfume de Patrick Süskind. Mas a unanimidade é absoluta ao se afirmar que é muito difícil agradar aos leitores. Nossa infinita imaginação possibilita inúmeras opções imagéticas para a obra, e a visão do diretor NUNCA será igual a nossa. É só lembrar o quanto os filmes de Harry Potter e a saga de Senhor dos Anéis de Peter Jackson dividiram os fãs do livro. No caso de J.K. Rowling ela, criadora da obra escrita, aprovou todas as etapas da produção, principalmente a escolha do elenco e os cenários. Mas e no caso de J.R.R. Tolkien? Ele revirou no túmulo de felicidade ou tristeza? Por nossa sorte José Saramago apesar dos 85 anos continua lúcido e ativo para dar seu parecer. Não foram poucos os que quiseram transpor Ensaio Sobre a Cegueira para a tela, mas foi o nosso Fernando Meirelles que conseguiu o aval para o desafio. O diretor brasileiro é alguém em quem confio muito e em nenhum momento eu tive essa confiança abalada, já que Ensaio e Saramago são o livro e escritor presentes há tempos em minha cabeceira de favoritos. Nem mesmo quando soube da recepção fria em Cannes fiquei em dúvida. Pensei comigo mesmo “se o livro em si já é de difícil compreensão, imagine o filme”! Mas o que foi decisivo para a minha aprovação em topar assistir o filme foi o vídeo que o filho de Meirelles captou e jogou no YouTube, intitulado José Saramago assiste Ensaio Sobre a Cegueira. Para mim se o criador se emocionou, porque eu discordaria de quem inicialmente concebeu aquele universo da cegueira existencial “branca como um mar de leite”? Desculpe, seria pedante de mais da minha parte discordar de um ganhador do prêmio Nobel e, principalmente, de alguém que consegue destrinchar a alma humana em longos parágrafos sobrepostos de fluxo de consciência de almas perdidas em seu próprio ego.
Se o Criador Aprovou a Criatura…
Mariana Bonfim15 de setembro de 2008





















Nossa, adorei o site.. li todas as matérias e anotei alguns filmes para assistir posteriormente… XD
até.
É o que eu penso também. Se Saramago gostou e se emocionou o filme não pode ser tão ruim. De qualquer modo o livro é sensacional é de se esperar que o filme seja no minimo interessante, ainda mais se levarmos e conta que o diretor é Fernando Meirelles.
Pois é. Não sou tão fa do Saramago assim, mas estou muito afim de ver esse filme!
Enfim assisti o filme! Tenho que admitir que me decepcionou um pouco, por um lado porque eu esperava mais do Fernando Meirelles e por outro porque a obra de Saramago é incomparavelmente melhor.
Na verdade, na minha opinião, este foi o pior filme que Meirelles já fez desde Cidade de Deus.
Não é um filme ruim, vale a pena assistir, mas deixa de lado o encanto que a leitura me proporcionou.
Estão dizendo que a Juliane Moore deve concorrer ao Oscar de melhor atriz pelo filme e, na verdade, não vejo razão, foi uma atuação bem normal. Também não gostei do modo como como Mark Rufallo interpretou o médico.
Pra terminar, achei que o esforço que o Meirelles teve em passar a impressão de uma grande cidade globalizada decidindo, por exemplo, utilizar atores asiáticos para interpretar o primeiro cego e a mulher dele, resultou numa descaracterização das personagens do livro do Saramago. Para ser justo com o Meirelles, na minha opinião este livro nunca deveria ter sido adaptado para o cinema, é o tipo de livro que inevitavelmente perde profundidade quando na forma de um filme.