Um Dia Serás Compreendido!

Moulin Rouge!Confesso que o contexto em que fui apreciar Moulin Rouge! (2001) foi um tanto quanto ‘alienado’. Eu tinha à época 16 anos e fui assistir ao filme com uma amiga fã de Christina Aguilera, hipnotizada pelo clip de Lady Marmalade. Nenhuma de nós, muito menos os outros presentes na sala de cinema, tinham qualquer idéia de que o filme era musical. Se para a maioria do pessoal da sala a sensação foi de total estranhamento ao ver os personagens cantando e dançando enquanto expõe suas paixões, eu e minha amiga ficamos encantadas! Na época eu já era fã de U2 e fiquei muito feliz com a inclusão da banda, e de outras como Nirvana, na trilha sonora totalmente moderna. Acabei re-assistindo o filme diversas vezes e decorando todas as músicas. Moulin Rouge! foi o primeiro musical que assisti, e até hoje é um dos filmes mais marcantes por justamente ter me surpreendido tanto na sala de projeção. Mas na época percebi que partilhava de uma admiração quase solitária, como na sessão de cinema com minha amiga. Revendo o filme na compania de outros amigos eu continuava sendo a única a gostar daquele esquema ‘cante-e-dance’. Até que ao entrar na faculdade de cinema, vi que não estava só em saber de cor o Elephant Love Medley. E também percebi que ao se distanciar em mais de 5 anos do filme, o público e a crítica já o via com outros olhos. Se na época de seu lançamento, o diretor do longa Baz Luhrmann foi negativamente visto e taxado de ‘brega’, hoje o filme Moulin Rouge! (2001) figura na categoria clássico graças à insistência de uma fatia de público e determinados críticos mais conscientes e de mente aberta. Não se espante com essa contradição. Cidadão Kane (1941) de Orson Welles e Blade Runner (1982) de Ridley Scott passaram por esse mesmo martírio: Antes Mal-Compreendido, Hoje CULT! E explicar porque isso ocorre é difícil até para qualquer Ciência Humana, como a Psicologia. A impressão é que a mente humana, quando está imersa, mergulhada em determinado contexto, não consegue analisar o que ocorre no próprio umbigo. Mas ao se distanciar geograficamente ou temporalmente a habilidade de análise se otimiza espantosamente. É como o meu professor de História nos questionava nesses meus ainda 16 anos: O peixe sabe que está no mar? Agora com 23 anos posso re-adaptar um pouco a pergunta: O ser humano sabe porque está no universo? Enquanto isso, vamos cantar e dançar…

Moulin Rouge! 3 Comentários

3 comentários para “Um Dia Serás Compreendido!”

  1. Simone disse:

    Adorei o seu Blog, também me encantei com MR, Depois de ver o filme, estive em Paris e fui conhecer a tão famosa casa imaginando encontrar algum paralelo com o filme. Nenhum, com a linda fotografia do cinema fiquei até desapontada com a casa. Vi que gosta da Setima… precisa visitar minha loja, vai se deliciar, aparece no site e depois lhe passo o endereço! http://www.cinemadepot.com.br

  2. [...] How?! Os Bons Companheiros (1990)Martin Scorsese Voltando a máxima de que “um dia serás compreendido”, parece que para o cineasta Martin Scorsese isso é uma regra, como nos conta o CineRepórter [...]

  3. [...] sempre conhecido pelos inovadores e polêmicos Vem Dançar Comigo (1992), Romeu + Julieta (1996) e Moulin Rouge (2001). Faltou agora o pedido de desculpas por ter sido, pela primeira vez conservador e [...]

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