Em Novembro de 2001 os escombros do World Trade Center ainda estavam sendo revirados quando estreou a série 24 Horas. Depois de tempos em que a futilidade de Sex and the City imperava nas tramas nova-iorquinas, se iniciava a era da pancadaria antiterrorista nas telas. Analistas culturais imaginavam que surgira um novo momento na produção audiovisual estadunidense, em que a consciência política imperaria e onde Jack Bauer era apenas a ponta do iceberg. Ledo engano de que os norte-americanos finalmente se dariam conta de que não são o centro do universo. Mesmo com produções que tentaram analisar criticamente o 11 de Setembro, como Medo e Obsessão (2004) de Win Wenders, ainda tivemos muita superficialidade e alienação para o que hora estava caindo sobre a cabeça de todos. É só conferir o quão fútil é o próprio Sex and The City – O Filme (2008). Shortbus (2006) caminha nesta linha tênue entre o vazio e o politizado. Podemos interpretar o filme como jovens fazendo sexo para esquecer os problemas ou como o sexo libertino como grande crítica do que os Estados Unidos diz tanto ser, mas não é: Livre e Democrático! Todos os personagens do filme são arquétipos em que se pode destrinchar da seguinte forma. O gay quer se suicidar apesar de viver um relacionamento feliz. Então porque ele quer morrer? Talvez seja justamente essa sensação de vazio que ficou para maior parte dos americanos depois do atentado. Todos se sentem totalmente diferentes e mesmo vivendo uma vida aparentemente feliz o estranhamento e os porquês continuam martelando no interior do ego. Temos também o voyerista, que assiste tudo a distância como se aquele mundo não o pertencesse. Simboliza os americanos provincianos que acham que Iraque é um outro lugar distante que não os diz respeito diretamente. A dominatrix seria aqueles que ainda tentam obviamente dominar a situação de terror e medo, mas não conseguem controlar e administrar a si mesmo. A terapeuta sexual que nunca teve orgasmo é ironicamente uma canadense de família chinesa. Maior tentativa de distanciamento de personagem, impossível, pois ela representa a alienação de todo povo americano, que vive seu dia a dia normalmente, porém sem enxergar o que está na frente. Não sente o tal “orgasmo existencial” que a personagem tanto procura. Por fim temos duas figuras que estão no topo da hierarquia dos personagens: a drag-queen e o prefeito. O político é alguém que representa um sistema arcaico e ultrapassado, por isso o personagem é visivelmente velho que admite ter se podado e não saído do armário para viver sua vida honestamente. No outro pólo a alternativa drag comanda o clube onde tudo pode ser feito. O que vale é preencher o vazio e se alienar. De que vale McCain ou Obana se a esperança está morta desde que os cherokees foram exterminados. Estranho, mas estou com a mesma sensação de que a libertinagem sexual carnavalesca para nos alienar politicamente não me é incomum… Quem era mesmo aquela loira que nos aconselhou “Relaxa e Goza”?!
N. Y. Sex-Sitiada
Mariana Bonfim6 de outubro de 2008




















