Vítimas Sociais, Culpados Capitais

Última Parada 174Pude conferir antecipadamente em uma sessão exclusiva o longa Última Parada 174 (2008) dirigido pelo cineasta Bruno Barreto. Depois da exibição tivemos um bate-papo com o diretor, onde os melhores momentos foram compilados como entrevista e você pode conferi-la no site Armadilha Poética onde atuo como colaboradora. Minha percepção sobre Barreto alterou completamente antes e depois de ver o filme e conversar com ele. Apesar de admirar o ativismo de O Que É Isso, Companheiro? (1997), considerava-o um diretor superficial, especialmente ao conferir Bossa Nova (2000) e O Casamento de Romeu e Julieta (2005). Mas durante o longa fiquei hipnotizada com a música e a profunda catarse conduzida pela trama. Apesar da crítica afirmar que não há nenhuma novidade, classificando-o como mais um ‘filme-favela’ que isenta as classes AB de culpa, não consegui enxergar a obra por esse viés. Para mim o longa funciona muito bem como amostra da possível realidade vivida por Sandro. E não adianta afirmar que o filme expia a culpa dele nessa história. Para mim ficou claro que a perda não foi apenas para a vítima que morreu nessa tragédia, foi para todos os envolvidos e seus familiares, a polícia e a sociedade como um todo também perderam com isso. Sinal de que os tempos não mudaram é o que ocorreu agora com Eloá. Mais uma vez a polícia se equivocou escancarando para todas as camadas da sociedade como sua incompetência nos torna vítimas vulneráveis a pessoas descontroladas emocionalmente, sejam eles Sandros, Lindembergs, Nardones, Cravinhos, Richthofens …

Última Parada 174 4 Comentários

4 comentários para “Vítimas Sociais, Culpados Capitais”

  1. Wallace Souza disse:

    Achei o filme um horror. A boa e velha apologia à elegia da pobreza do bandido, quase nos culpando por termos o que comer, onde morar e com o que trabalhar. O filme explora a culpa burguesa mostrando o coitadinho do bandido. Só faltou dizer que a culpa foi da professora, que afinal tinha dinheiro pra pagar passagem…

  2. Lucas disse:

    Não assisti este filme, mas li e ouvi bastante a mesma crítica negativa para o filme do Walter Salles “Linha de Passe” (que eu assisti). No caso do filme do Walter Salles não concordo com a crítica, mostrar que a sociedade como um todo também é culpada por casos de violência como este do ônibus 174 é legitimo. Não é isentar a culpa do criminoso, mas é ver que a criminalidade decorre de algo mais que um simples desvio individual.
    Aliás, não gosto de analisar a violência urbana por estes exemplos famosos, são apenas caricaturas de um problema social, filmes como “Cidade de Deus” mostram o problema de maneira muito mais real e interessante.
    De qualquer maneira espero que este filme tenha logo sua estréia em algum cinema perto de minha casa (digo em minha cidade ou pelo menos em Campinas).

  3. Lucas disse:

    Sei que este é um blog sobre cinema, mas já que o assunto foi citado vou dar minha opinião.
    Não acho que o caso de Eloá tenha sido emblemático em qualquer sentido – não acho que seja significativo para uma análise da violência como um fato social, não acho que a polícia errou, não vejo o ocorrido como algo mais que um caso isolado sem significado relevante algum.
    Incompetência da polícia é algo claro no caso do ônibus 174 – a polícia errou um tiro a queima-roupa e se não me engano era a tropa de elite da PM… mas de qualquer maneira se formos falar de polícia temos que lembrar que a “melhor polícia do mundo” mata brasileiros inocentes em seu território (estou falando da polícia inglesa que executou um brasileiro inocente porque o “confundiu” com um terrorista ou coisa do tipo). Isso sim é absurdo, é incompetência e injustiça.
    Casos de seqüestro como o de Eloá e o do ônibus 174 sempre são complicados, e sempre, seja qual for a resolução a polícia é incompetente. Os direitos humanos existem para nos proteger de ação de poderes arbitrários, de um lado nos garante um pouco mais de liberdade de outro nos priva um pouco de segurança. Mas a escolha a ser feita é exatamente esta: queremos mais liberdade ou mais segurança?

  4. [...] Ônibus 174 (2002) que serviu de inspiração para Bruno Barreto elaborar seu longa de ficção Última Parada 174 (2008). Depois veio a consagração de público e crítica com o “tapa na cara, pede pra sair” [...]

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