Mariana Bonfim é amante da sétima arte. Já flertou muito com o cinema norte-americano, mas agora prefere affairs mais consistentes, como o cinema brasileiro, latino-americano ou europeu. Atualmente mantêm encontros periódicos com a argentina Lucrecia Martel, o espanhol Pedro Almodóvar e o brasileiro José Padilha.







Muito Além do “Pretinho Básico”…

domingo, 30 de novembro de 2008
Bonequinha de Luxo

Bonequinha de Luxo (1961)
Blake Edwards

Sabe quando você escuta um milhão de vezes que Bonequinha de Luxo (1961) com a belíssima Audrey Hepburn  é um daqueles filmes clássicos que toda mulher precisa ver, assim como A Malvada (1950) com o furacão de talento Bette Davis e E Deus Criou a Mulher (1956) com a deslumbrante Brigitte Bardot? Pois bem, dos 3 filmes que citei, até agora só pude conferir o primeiro. E é dele que vou falar no post Clássico em DVD desta semana. Confesso que o filme só me despertou interesse quando eu assisti a cine-biografia Capote (2005). Nela o ator Philip Seymour Hoffman, merecidamente ganhador do Oscar de melhor ator naquele ano, incorporou o escritor norte-americano cujo um dos livros principais livros, Breakfast at Tiffany’s, inspirou o longa. E posso garantir que a história de Bonequinha de Luxo vai muito além do maravilhoso e luxuoso guarda-roupa da personagem principal, cujo figurino foi concebido pela mãe do ‘pretinho básico’ Coco Chanel. O começo do filme já justifica o título original, quando vemos a personagem comendo bolinhos e tomando café enquanto aprecia uma vitrine da loja Tiffany’s. A partir daí construímos sua personalidade, pois compreendemos que ela finaliza sua balada boêmia ainda de forma elegante e sonhadora. Afinal sua grande expectativa de vida é casar com um homem rico que a permita comprar um dos famosos diamantes que ela tanto aprecia. Agora se existe uma abissal diferença no desejo de ascensão social na atual mulher moderna comparada com à época do filme, gostaria que as meninas postassem aqui suas respostas, que tal?! Bem, continuando, no decorrer do filme ainda vamos nos deparar com os infindáveis casos de amor da personagem, passando pelo mocinho que tem um comportamento ‘promíscuo’ similar a mocinha, até um ricaço brasileiro que fica muito próximo de casar com ela. A cena de Hepburn tentando aprender português por causa do noivo brasileiro é hilária. O mais interessante de tudo é que apesar da aparente futilidade em conseguir uma vida fácil, torcemos por ela e nos encantamos com o final conto de fadas. Afinal todas nós, queremos e merecemos um final feliz, não é mesmo, garotas?!

Siameses Belgas

sexta-feira, 28 de novembro de 2008
O Silêncio de Lorna

O Silêncio de Lorna

Continuando minha incursão pelo cinema belga, iniciada com Moscou, Bélgica (2008), ontem pude conferir um pouco do trabalho dos irmãos belgas Luc e Jean-Pierre Dardenne no longa O Silêncio de Lorna (2008). Confesso que fiquei curiosa para conhecer mais longas da dupla. E pelo visto essa mania de irmãos siameses co-dirigindo e roteirizando excelentes filmes não cabe somente aos Coen (Queime Depois de Ler – 2008) ou Wachowiski (Matrix -1999). A personagem principal Lorna, é muito bem construída, com várias camadas psicológicas que vão sendo destrinchadas ao longo da exibição da película. No começo parece um típico filme de bastidores, daqueles que você vai juntando as peças pra entender melhor do que se trata. Mas depois você começa a entrar no ritmo do filme, pode  chegar a não torcer por Lorna, mas você fica cada vez mais interessado no que vai acontecer com ela. Só tenho um apontamento negativo e ele diz respeito a gravidez (ou não) da personagem. Fiquei em dúvidas quanto a intenção de colocar um filho para fechar o arco psicológico da personagem, pois não compreendi se a intenção era mostrá-la como irracional e emotiva, ou como a mais sã do grupo de golpistas. Encerro então com o trailer do longa, que espero desperte mais ainda o interesse de vocês em conferir esse belíssimo longa europeu.

A Miopia de Allen

quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Vicky Cristina Barcelona

Vicky Cristina Barcelona

Por trás daqueles negros aros de seus óculos se esconde misteriosos graus de miopias, da mesma forma que continua um mistério qual o próximo complexo humano que o nova-iorquino trará em seu longa. Numa incrível marca de um filme exibido por ano, Woody Allen está ai, se mantendo como pode. E para tirar o vício do olhar sob Manhattan resolveu apreciar as paisagens européias. Mas pelo visto sua visão de mundo continua viciada. E Vicky Cristina Barcelona (2008) me decepcionou justamente por causa disso. Explico. Com a pretensão de ser um Almodóvar, chegando até escalar dois atores comuns ao diretor espanhol, Javier Barden e Penélope Cruz, Allen não conseguiu ir além dos estereótipos do que é a cultura catalã. Ele mostra uma Barcelona meramente turística, higiênica e limpa, como qualquer catálogo de viagens faz, e conseguiu a proeza de transformar os personagens de Barden e Cruz em títeres, meramente para mostrar suas neuroses perturbadoras. Uma pena para dois atores tão sublimes. E Scarlett Johansson? É a musa do diretor. Está lá representado bem tal papel. Mas surpreendentemente a atriz menos badalada foi a que melhor se saiu, no caso Rebecca Hall e sua Vicky. Com o complexo de ser certinha de mais, conseguiu ser a mais verossímil e verdadeira da trama. Cabe ainda mais um adendo a cerca de um ‘bafafá’ em torno do longa: a cena lésbica entre Cruz e Johansson. Infelizmente nada além de uma cena fria, arrogante e pretenciosa. Duas atrizes tão belíssimas, sensuais e talentosas mereciam algo mais humano e carnal. Ou seja, quem viu o trailer viu tudo dessa cena, ou melhor, nada! É senhor Allen. Meu conselho seria o senhor voltar pra sua boa e velha ‘New York, New York’. Talvez o senhor tenha deixado pra trás algum complexo mal resolvido. Provavelmente com a miopia você deixou de colocar ela na mala rumo à Europa... Bem, que venha Whatever Works.
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