A cineasta espanhola Isabel Coixet já havia ganhado notoriedade com Minha Vida Sem Mim (2003) e A Vida Secreta das Palavras (2005) quando este ano encarou a responsabilidade de adaptar ao cinema o livro O Animal Agonizante de Philip Roth, que na tela grande se tornou Fatal (2008). Um fato interessante quanto estava fazendo o post da Crítica referente a esse filme foi a discordância entre críticos do sexo masculino e feminino. Elas apreciaram toda a poesia e delicadeza que Coixet transmitiu ao filme, enquanto eles reclamaram que a diretora não respeitou a visão crua e pornográfica do livro. Sendo assim, já fui assistir ao filme com essa contradição em mente. Mas devo enfatizar que isso é a última coisa que recomendo a quem vai apreciar um filme, sendo crítico, cinéfilo ou leigo: Não fique com as críticas na cabeça e se puder evitá-las antes de assistir ao longa melhor. Mas, infelizmente, com tantas opções em cartaz, não há como escapar de se ater a opiniões especializadas para ver se vale a pena ou não gastar tempo e dinheiro com determinada obra… Tudo bem, voltando à Fatal, não posso negar que gostei bastante do filme me deixando com vontade de ler o livro só para entender melhor o universo explicitado. Destaco como ponto forte do filme a direção de atores de forma excepcional. Realmente a cineasta conseguiu como ninguém extrair pérolas tanto dos protagonistas quanto de seus coadjuvantes. Ben Kingsley (A Lista de Schindler -- 1993) transmite uma crise de velhice sufocante, conseguindo transparecer com um olhar todo o ardente desejo que sente pela personagem de Penélope Cruz (Abre los Ojos -- 1997) que mais uma vez está deslumbrante e avassaladora. Dennis Hopper (Veludo Azul – 1986), que já estava devendo há tempos uma interpretação satisfatória, traz um (des)equilíbrio ao personagem de Kingsley como o típico amigo que dá conselhes contraditórios a sua própria personalidade. E a sempre eficiente Patricia Clarkson (Dogville – 2003) também contribui com uma interpretação forte, nos ajudando a demarcar os altos de baixos dos sentimentos de Independência X Solidão do protagonista. Encerro com uma amostra da obra humana e delicada de Isabel Coixet, com o curta Bastille que faz parte da obra Paris, Eu Te Amo (2006). Uma amostra de que nunca devemos achar que alguém está em poder de nossas mãos, pois todas as almas são como areia, que escapam pelo dedos da hipocrisia e são levados pelos ventos da vida.
Sensibilidade Feminina
Mariana Bonfim3 de novembro de 2008





















Tô pra ver esse filme há séculos.
Aliás, descobri recentemente que se trata de uma trilogia: Paris, New York e Shanghai.
A música é Lonely Carousel, do Rodrigo Leão. E adorei a referência a Murakami.