Não, meus caros leitores… não fiquem achando que meu cérebro derreteu com a superexposição à produções audiovisuais e estou agora enxergando pêlo em ovo. Sim, eu consegui interpretar uma grande crítica ambiental por trás do novo filme da franquia ‘blockbuster’ Quantum of Solace (2008). Mas vamos por partes, como diria Jack. Não o Nicholson, o Estripador. Boa parte da minha adolescência foi recheada de maratonas James Bond que passavam na TV aberta, onde pude conferir Roger Moore, Sean Connery e Pierce Brosnan como o agente secreto a serviço de sua majestade. E o que eu mais gostava era dos vilões, um mais excêntrico que o outro. O que dizer daquele fulano que tinha dentes de aço, capazes de romper o cabo do bondinho do Pão de Açúcar com uma mordida, em 007 Contra o Foguete da Morte (1979)? No mínimo, bizarro! Quando soube que Quentin Tarantino estava interessado em dar um novo rumo à franquia, realizando filmes baratos sem tanta tecnologia e efeitos especiais, fiquei extremamente empolgada. Porém o projeto Cassino Royale (2006) acabou nas mãos do diretor Martin Campbell e eu perdi o interesse na série. Acabei assistindo ao filme antes-de-ontem, por recomendações de que eu não entenderia ‘lhufas’ de Quantum of Solace sem vê-lo. Gostei bastante, destacando o jogo de pôker (sim, eu sou uma viciada em cartas… já ganhei até 100 reais numa mesa), da beleza estonteante de Eva Green como Bond Girl e de Daniel Craig dando uma vivacidade totalmente verossímil a Bond. Agora quanto ao Quantum, vamos à crítica. Levamos boa parte do longa para entender que o vilão (Mathieu Amalric de O Escafandro e a Borboleta – 2007) comprou um deserto inteiro não porque lá tinha petróleo, ou porque o local seria o melhor esconderijo para sua arma nuclear que destruiria o planeta (risada macabra do Dr. Evil… uhaaa uhaaa uhaaa). Mas porque o deserto boliviano apresenta uma das maiores reservas do planeta de … ÁGUA! Isso mesmo, o novo roteiro de 007 já antecipa o que será obvio em anos: as grandes nações do planeta serão capazes de verdadeiras guerras, não só diplomáticas, em troca de água. E uma cena em especial exprime isso de maneira cinematograficamente belíssima: após encontrar o gigantesco depósito de água, James e sua Bond Girl (Olga Kurylenko ) vão ao vilarejo mais próximo, onde uma fila de nativos estão brigando pelo último balde da única caixa d’água do local. E daí vemos a grande metáfora e crítica ambiental que enxerguei no filme. Enquanto os grandes deportam governos e fazem transações de milhões de euros pelo ouro líquido, os pequenos se estapeiam pelo restante das gotas de dignidade e humanidade…
Uma Crítica Ambiental Por Trás da Pancadaria
Mariana Bonfim20 de novembro de 2008





















Olá,
Não tive ainda a paciência ainda de assistir a um 007, mas acredito que este seja o grande pêlo em ovo da vez!
Beijos.
Também gostei da crítica nas entrelinhas do filme.
Interessante pq a pancadaria agradou o público da testosterona; os alfaromeus e os fords, o sonho de consumo; o cavalheirismo e coisitas mais, as…; os mulherões, os… Bom, a reflexão sobre o futuro catastrófico da água potável agradou quem não tinha um pingo de esperança de ver sequer uma crítica maior. Foi realmente um espanto ter algum da vanguarda atual da Ação que desse uma alfinetadinha no público. Além do mais, acho que deve ser raro “marcas” famosas, assim como o “007″, optarem discutir sobre algo universal e construtivo.
Ponto positivo pro filme nesses aspectos – msm com esse Bond que decompõe em migalhas 9 em cada 10 “quaisquer coisas” que veja a sua frente. (Positivo, mas relutanto um pouco em acreditar que o filme teve sim boas intenções e que não foi apenas acomodado ao momento mediático de sabor “al-goriano” a troco de um pouco mais de bilheteria)
Só sinto falta de um traço dos Bonds da Guerra Fria, da corrida espacial, armamentista, tecnológica. Cadê as bungingangas automáticas “bat-legais” que salvavam as charmosas nádegas do agente 007 das situações mais inóspitas?
Como diz o crítico que tanto prezo, Mr. Tony: “Cada geração tem o James Bond que merece”.
Pra mim esta nova geração de filmes do 007 iniciada com Cassino Royale deu um grande salto de qualidade na série. O filme ficou sério, as bugigangas eletrônicas dos outros 007 eram legais, mas esta abordagem mais realista destes novos filmes me agradou.
Não gostei tanto do Quantum of Solace quanto do Cassino Royale, mas é um bom filme de ação.
Gostei bastante da cena da Agua, até pausei, e é mesmo enquanto os poderoso movimentão milhões, pessoas com pouco poder e dinheiro, leva a pior, são roubadas e sacadas por aqueles mais espertos que se aproveitam… Gostei do filme, ação do começo ao fim, e melhor as cenas que não precisam falar mais mostram a realidade, e a negatividade do planeta..
Mariana, Adorei o site =D