My GoodFella, Martin!

Conforme prometido no post sobre Scarface (1983), falarei hoje de Martin Scorsese e dos altos de baixos dessa longínqua carreira. Vamos então á uma ‘leve’ amostra dos longas de um dos poucos diretores que conseguiu em sua carreira ser ao mesmo tempo artístico em suas concepções e hollywoodiano no faturamento de seus filmes. Estudante de cinema da Escola de Nova Iorque, Scorsese explodiu para a crítica, o público e o Oscar com Taxi Driver (1976), um dos muitos filmes que faria com o amicíssimo Robert DeNiro.  Depois disso viveu uma fase negra de depressão, consumido por diversas drogas e bebidas alcoólicas. Sua paranóia de que morreria a qualquer momento era tamanha que achou que Touro Indomável (1980) seria seu último filme. Graças ao santo dos cineastas, Scorsese sobreviveu para muito mais. Cabe ressaltar que esse foi o primeiro longa de destaque com a sua grande parceira de edição, Thelma Schoonmaker. Depois veio uma década de oitenta regada a filmes pontuados de polêmicas, mas sem grande críticas positivas, como A Cor do Dinheiro (1986) e A Última Tentação de Cristo (1988). E a década de noventa começou com Os Bons Companheiros (1990), onde choveram aplausos de que o diretor tinha finalmente voltado a sua origem sarcástica e visceral, ocorrendo até comparações com a trilogia do Poderoso Chefão de seu amigo Coppola. Mas veio Cassino (1995) e a crítica ficou novamente em dúvida do talento do diretor. Ainda tivemos nessa década Kundun (1997), seu filme menos hollywoodiano. Na era pós-2000 não me pergunto o que subiu pra cabeça de Scorsese, mas ele começou a sua fase megalomaníaca, a que eu menos gosto. Gangues de Nova Iorque (2002) e O Aviador (2004) serviram apenas para gastar o dinheiro dos estúdios, receber mornas críticas e ainda ficar com aquela sensação de “mais uma indicação ao Oscar sem vencer”. Porém, graças novamente ao santo dos cineastas, Scorsese fez o que sempre soube fazer muito bem em Os Infiltrados (2006) e levou o ‘douradinho’ pra casa, recebido das mãos de George Lucas, Francis Ford Copolla e Steven Spielberg. Juro que aquela hora pensei que o palco do Kodak Theater fosse abaixo com tantos diretores de peso sobre ele. Bem, mais com tanta coisa o que vou destacar dele? Penso que vou continuar com a promessa feita em Scarface e indicar Os Bons Companheiros, não só por conta da piadinha de que no TOP 3 de “fucks” ele levava medalha de prata. Mas principalmente porque o longa é uma lição de cinema, do roteiro à edição. Nos mostra que grandes orçamentos podem até ajudar nos efeitos especiais do filme. Mas que idéias que perdurem o suficiente para estarmos aqui 18 anos depois falando e um filme, é (se existe a palavra) ‘incomprável’.

Os Bons Companheiros 1 Comentário

Um comentário para “My GoodFella, Martin!”

  1. Lucas disse:

    Excelente filme, Martin Scorcese é um dos meus diretores favoritos. O engraçado é que demorei pra assistir Taxi Driver que considero, de longe, o seu melhor filme. Concordo com quase tudo que foi falado aqui, “O Aviador” foi um filme pra ser esquecido da carreira deste grande diretor.
    Só uma obervação: Taxi Driver está, na minha opinião, junto com Apocalypse Now entre os dois filmes mais injustiçados na história do Oscar – o primeiro perdeu a estatueta de melhor filme para “Rocky” o segundo para “Kramer vs. Kramer”…

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