Atendendo à pedidos dos meus colegas do curso Técnico em Publicidade, vou comentar aqui do MovieYou um filme clássico que vimos durante a disciplina de Ética. Sim, ainda há esperanças de construirmos futuros comunicadores sem malícia sensacionalista. Trata-se, portanto, de A Montanha dos Sete Abutres (1951) do icônico Billy Wilder, que assim como em Crepúsculo dos Deuses (1950), conseguiu desconstruir a decadência moral da sociedade norte-americana. Pois bem, a princípio vemos uma história focada em um repórter extremamente oportunista a procura de uma manchete que alavanque a sua carreira. Ele está em um momento profissional difícil, trabalhando em um pequeno jornal no interior do país, onde a maior reportagem a ser noticiada foi “O Segredo da Torta de Chocolate da Dona Benta”. Ele então se depara com um homem preso numa caverna desmoronada, criando a partir disso um verdadeiro circo em torno do resgate deste. Verdadeiro porque há cobrança de ingressos para entrar na área da tal montanha, venda de hot-dogs e um parque de diversões instalados no local. Tudo bem alienante enquanto se esperam pelo desfecho, ou seja, o salvamento. Mera semelhança com a especulação midiática que ocorre com grandes tragédias não é mera coincidência, a mais recente deles somente para tomarmos um exemplo seriam as inundações e desmoronamentos de correntes das chuvas em Santa Catarina. Todos os dias vemos o número de mortos subirem proporcionalmente à quantidade de citações sobre o assunto. E os dizeres dessas reportagens infelizmente nem sempre refletem boas intenções em ajudar as vítimas, e sim aumentar audiência e tiragem. Voltando a discutir o filme, podemos pegar uma metáfora interessante no título em português do filme. Afinal abutres são aves que rodeiam suas presas moribundas e dão a primeira bicada após a sua morte. E se contarmos o número de personagens que se aproveitam da tragédia do filme, teremos exatamente sete ao final da conta. Uma conta triste, antiética e desesperançada.
Um Murro no Estômago, Com Jornal Dobrado…
Mariana Bonfim9 de dezembro de 2008





















