Julgamento Infantil

o-sol-e-para-todos-a-blogueiraO Critério de escolha do Clássico em DVD da semana obedece as mais diversas motivações. Pode ser indicação de alguém, votação ou mesmo porque “deu na telha” da blogueira aqui. Mas, no geral, procuro efetuar um link entre os dois lançamentos no Cinema que abordei com o filme disponível em DVD. E esta semana os dois filmes que ganharam posts, Austrália (2008) e Alguém que me Ame de Verdade (2007), apresentavam um ponto em comum muito importante: o debate ao preconceito, seja com relação à raça, religião, cultura ou o diferente. E não me restou dúvidas em falar para vocês a respeito de O Sol é Para Todos (1962) ao pensar em um filme clássico que abordasse de forma tão contundente e humana este tema. O filme é baseado no livro homônimo de Harper Lee, grande amiga de Truman Capote. Apesar de ser a única obra da autora, foi tão marcante que um prêmio Pulitzer era pouco, o necessário era mesmo transformar a obra escrita em obra fílmica. O diretor responsável pela façanha foi Robert Mulligan, mas a grande figura que alavancou o filme certamente foi Gregory Peck. Em 2003 o American Film Institute elencou uma lista dos grandes heróis da história do Cinema, e no primeiro lugar não figurava qualquer personagem da Marvel ou DC. Lá estava Atticus Finch, o ético advogado que fez Peck ganhar seu único Oscar em 1963. Cabe ressaltar também que naquele ano o longa não abocanhou mais nada além de melhor ator, roteiro adaptado e direção de arte, pois Lawrence da Arábia (1962) dominou nas categorias maiores. Pobre Peter O’Toole! Aquele seria a primeira das 8 vezes (!) em que seria indicado a melhor ator e não ganharia nada. Até que em 2003 a Academia finalmente resolveu honrá-lo com um prêmio honorário. Bem, voltando para O Sol é Para Todos, a construção do longa é em cima da visão de duas crianças sobre o sul racista norte-americano. O pai dessas crianças, Atticus Finch é o único advogado que topa defender Tom Robinson (Brock Peters), um negro acusado de estuprar uma jovem branca. Certamente o momento mais emocionante do filme é no julgamento quando Tom se defende contando sua visão do ocorrido. É de se arrepiar e correr lágrimas nos olhos da tamanha crueldade que a humanidade se submete ao deixar que o preconceito domine a sua visão de mundo. Outra vítima de preconceito é o personagem de Arthur ‘Boo’ Radley (o primeiro papel de Robert Duvall no cinema), um rapaz com problemas mentais que desperta grande curiosidade nos filhos do advogado. E a grande força do filme é justamente esse, a de enfatizar a visão infantil do filme, não como uma visão imatura, mas como uma visão ainda inocentemente despida de preconceitos e pré-julgamentos quanto ao novo, ao outro, ao diferente.

O Sol É Para Todos 3 Comentários

3 comentários para “Julgamento Infantil”

  1. monica disse:

    Tenho o livro, com o título “Gente como a gente’, que releio sempre. Com certeza vou assistir ao DVD. Que bom que foi lançado.

  2. Lucas disse:

    Bom filme mesmo. Outro filme que recomendo com a mesma temática é “Mississipi em Chamas”, filmaço. Tem em DVD.

  3. [...] intolerância total pelo diferente que infelizmente parece tão intrínseco em alguns homens, como O Sol É Para Todos (1962), A Cor Púrpura (1985), Mississipi em Chamas (1988), Amistad (1997), Philadelphia (1993), A [...]

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