Sabe aqueles filmes que são uma total surpresa, aqueles que você vai ao cinema assistir sem nem ao menos saber direito a trama e acaba tendo a deliciosa sensação de ter visto um dos melhores filmes da sua vida? Pois é, isso aconteceu comigo em O Labirinto do Fauno (2006). A única coisa que eu visualizara do filme antes de vê-lo foram os outdoors com as assustadoras fotos do fauno, e hoje isso nem teria sido possível graças à esmagadora lei cidade-limpa que impera em minha cidade. Portanto, com o pouco que eu sabia, achava que o longa era um terror e ponto. E cabe agora vaiar a distribuidora brasileira do filme que o vendeu como tal, fazendo com que muitas pessoas deixassem de ir ao cinema por conta disso. Mas ainda bem que tive um iluminado amigo cinéfilo que me aconselhou: “Vá e assista o Labirinto do Fauno. Não vou te contar nada sobre o filme e não procure saber sobre ele. Vá com o elemento surpresa e prometo que você não irá se arrepender.” Agradeço a ele até hoje. Ao vislumbrar o longa de Guillermo Del Toro seria muito fácil enveredar para o caminho comparativo com a trama de Alice no País das Maravilhas de Lewis Carroll. Mas a personagem Ofélia consegue enfrentar uma realidade muito pior do que um coelho branco gritando em sua orelha “É Tarde! É Tarde! É Tarde! É Tarde! É Tarde! Ai, ai. Meu Deus. Ai, ai. Meu Deus. É Tarde! É Tarde! É Tarde!”. Seria mais fácil estabelecer como referência Guernica, famosa pintura de Pablo Picasso sobre o bombardeio sofrido pela cidade espanhola em meio a uma Guerra Civil e a ditadura franquista. Ofélia parece querer fugir da triste realidade de bombas, assassinatos e crueldade para se refugiar como princesa no mundo subterrâneo. Mas esta é apenas uma das infinitas interpretações que podemos extrair do filme, e é justamente este aspecto do roteiro que dá força a ele, a ambiguidade entre o que é imaginado ou vivido. Vale ressaltar também o marcante aspecto visual do filme que possui uma impecável direção de arte (que engloba a cenografia), direção de fotografia, além dos figurinos e da maquiagem. E como é belo assistir tamanho espetáculo visual com um argumento tão bem amarrado e conduzido, estrelado por grandes e talentosos atores do cinema hispânico. Parabéns ao mexicano del Toro por sua obra-prima, e que venha O Hobbit com muito mais fantasia e deleite.






















Ótimo site, visitarei mais em breve.
Beijo.
É uma fábula dark sem dúvida. Se você pensar na Alice ou na Doroty, não chega a ser exatamente, pois essas duas fogem da tal realidade, e no caso, a tal realidade é paralela ao mundo da fantasia. Acho que comparar com o Pinoquio, seria mais acertado, pois ele é o boneco que sonha em ser uma criança de verdade, e corre perigos reais até conseguir chegar lá. Ela é a órfã de pai que… Ah, sim que não viu o filme não pode saber. Mas, acho que é por aí.
Beijos Mariana.
[...] a mesma metáfora de auto-descoberta de uma curiosa garota: Coraline e o Mundo Secreto (2009) e O Labirinto do Fauno (2006). Esta jornada de pequenas heroínas que usam a imaginação para metaforizar a realidade, [...]
[...] a mesma metáfora de auto-descoberta de uma curiosa garota: Coraline e o Mundo Secreto (2009) e O Labirinto do Fauno (2006). Estas jornadas de pequenas heroínas que usam a imaginação para metaforizar a realidade, [...]