Liberato/Maluf

frost-nixon-a-blogueiraO diretor norte-americano Ron Howard é praticamente uma cria de Steven Spielberg, não apenas por usar um boné que esconde a calvície, ao mesmo tempo em que proporciona um charme nerd. A trajetória cinematográfica de ambos é bastante similar. No caso de Howard, em seu currículo tem-se desde filmes “sessão da tarde” como Splash – Uma Sereia em Minha Vida (1984) e Cocoon (1985), até aqueles blockbusters muito americanoides como Apollo 13 (1995). Uma Mente Brilhante (2001) foi seu marco e consagração do Oscar em um filme de grande expressão artística. Mas então veio mais um filme para se alavancar o orçamento, O Código DaVinci (2006) que ficou muito aquém para os fervorosos fãs do livro, como eu. Que venha Anjos e Demônios sem os “mullets” de Tom Hanks. Nesse meio tempo Howard produziu e dirigiu em singelo filme denominado Frost/Nixon (2008), cujo tema é tão especificamente estado-unidense quanto Apollo 13. O republicano Richard Nixon foi presidente dos EUA durante a Guerra do Vietnã e em seu segundo mandato penou durante o escândalo de Watergate, no qual foi acusado de se envolver em um plano de espionagem das ações de campanha do partido democrata. Com a possibilidade de sofrer impeachment, renunciou e nunca mais conseguiu retomar como figura pública de respeito. Na outra ponta temos o britânico David Frost, apresentador de programas de televisão popularesco que, desejando tomar um rumo sério na carreira, resolve entrevistar o ex-presidente sobre o escândalo de Watergate. Para melhor dimensionar o contexto da entrevista imagine se Gugu Liberato após anos a frente do Domingo Legal resolvesse entrevistar Paulo Maluf o pressionando sobre seus infinitos escândalos de corrupção. Teríamos de um lado um apresentador popular, mas politicamente ingênuo, enfrentando um senhor político que responde o que quiser nas perguntas feitas. Montado o palco, temos o embate. Engolido no Oscar pelo fenômeno Jamal, resta aqui destacar a maior injustiça feita pela Academia, a de não premiar Frank Langella, intérprete de Nixon. Basta assistir os vídeos abaixo, a de trechos da entrevista original e do trailer do filme, para se arrepiar com a sua aula de atuação shakesperiana. Em certos momentos fica difícil delimitar se a sua atuação que foi brilhante ou o personagem do fracassado que tenta voltar à tona é que lhe dava a chance para se destacar. Fica a pergunta no ar…

Um comentário para “Liberato/Maluf”

  1. Olá Mariana,

    primeiramente gostaria de falar que gostei muito do seu blog no geral, desde o layout até o conteúdo. Essa idéia de crítica democratizada tá muito massa com essa separação de “A blogueira” e a “A crítica” eu realmente gostei.

    Eu tenho também um blog de cinema chamado LoveCine, estou começando com ele agora. Na verdade eu o criei a um tempo mas por falta de tempo não escrevia constantemente. A 2 semanas resolvi levar ele a sério e comecei a postar com frequência. Busquei na internet informações de como melhorar um blog e dentre essas informações era buscar parceirias de blogs do mesmo segmento.

    Nessa busca não encontrei blogs que eu gostei, afinal se vou indicar um blog em meu site ele tem que pelos ser bom aos meus olhos, e o seu é.

    Se estiver afim e também gostar do meu podemos nos tornar blogs amigos. Até parceiros quem sabe?!

    Aguardo sua resposta! Obs.: Entrei em contato por aqui não encontrar uma área de fale conosco.

    Abraços

Deixe um comentário