Amargo Adeus

gran-torino-a-blogueiraDepois de mais de 50 anos a frente das câmeras Clint Eastwood se despede do foco da câmera em Gran Torino (2008), pois agora sua intenção é apenas prosseguir com a direção de longas, algo tão bem sucedido em obras como Sobre Meninos e Lobos (2003) e Cartas de Iwo Jima (2006). Mas penso que Clint escolheu um péssimo roteiro para encerrar suas atuações cinematográficas. Gran Torino é uma história altamente americanoide recheada de clichês. É daqueles filmes em que ao visualizar as primeiras cenas você já consegue determinar o final. Sim o final de Gran Torino é óbvio, pois é possível adivinhar logo de cara quem vai herdar o velho carrão de Eastwood ao final das contas, basta ser um pouco esperto. Que diferença no roteiro de outro longa de Clint, o Menina de Ouro (2004) cujo final é altamente surpreendente! Outro ponto fraco é a atuação dos atores secundários, a exceção do excelente Christopher Carley que interpreta o Padre que insiste em arrancar uma confissão do personagem de Clint. Tanto os atores que interpretam a gangue, quanto os vizinhos, são todos muito fracos. Sei que a intenção do diretor era captar pessoas das etnias retratadas, mas um pouco mais de treinamento nestes traria uma performance melhorada. E finalmente vamos a interpretação máxima que é a que nos interesse, a de Clint Eastwood por ser justamente uma despedida. Clint arrasa, pois o personagem é feito sob medida para tudo que ele viveu em sua longa carreira. Sarcástico, violento, um grande anti-herói que está na aposentadoria e vive seu momento derradeiro. E é isto, apenas isso que vale Gran Torino, para dizer adeus a esta verdadeira lenda cinematográfica.

Gran Torino 9 Comentários

9 comentários para “Amargo Adeus”

  1. Toni disse:

    Engraçado. Não sei se é coincidência, mas as mulheres que viram o filme não gostaram, e os homens gostaram. E olha que estou falando de gente que também manja de cinema.

    Eu gostei =]

    Bjo

  2. mariana disse:

    Olá Tony

    A única explicação plausível é o fato de Clint ter sido para os homens um modelo/ídolo de machão que consegue o que quiser com algumas porradas e tiros de 38.
    Agora nós mulheres preferimos o lado sensível dele como em As Pontes de Madison… Respondido?

    beijocas

    Mari

  3. Lucas Costa disse:

    Vou assistir o filme hoje, depois deixo um comentário.

  4. QUEIROZ disse:

    Ia ser o próximo da minha lista, mas depois de saber da estréia do Che, aí vou ter que mudar os meus planos. Você Mari, foi citada pelo Maurício Saldanha no Rapaduracast no Especial Clint Eastwood.

  5. mariana disse:

    Olá Queiroz
    Obrigada por ter dado um toque. Fui correndo ouvir o Rapadura Cast especial do senhor Clint (http://www.cinemacomrapadura.com.br/rapaduracast/?p=3413). Valeu ao Maurício Saldanha (www.cabinecelular.com.br) pela citação.

  6. Dan Alvares disse:

    Adorei Gran Torino, concordo plenamente com suas palavras, atuação sensacional da parte de Clint Eastwood.
    Fora os clichês cometidos ao longo do filme, curti demais o papel do americano racista, marcado pela guerra e pelas cicatrizes da vida.

  7. Lucas disse:

    Assisti o filme. Não gostei e, na verdade, fiquei tentando entender porque tanta gente está gostando tanto deste filme, especialmente nos EUA.
    Cheguei a conclusão que talvez seja pelo que o personagem de Clint Eastwood representa. Primeiro que é a única coisa no filme que vale a pena, a história do filme é muito boba, sofrível. Mas o personagem do Clint Eastwood é tudo no filme, ele resgata os valores tradicionais da cultura norte-americana, é exageradamente preconceituoso, de um modo que chega a divertir, é uma caricatura.
    De qualquer forma é um filme no máximo divertido.

  8. QUEIROZ disse:

    E eu assisti os seus videos no Cabine Celular, muito legal.

  9. Peter disse:

    Você não entendeu o filme garota. Final previsível seria ele estourar os miolos daquela gangue….

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