Escudos, Cascos e Outros Protecionismos

simplesmente-feliz-a-blogueiraSeres humanos normais choram, brigam, sentem raiva, tristeza, inveja, agonia e tudo mais de negativo que o nosso lado obscuro possa nos revelar. Poppy, não… Ela pertence a um tipo de ser que paira no extremo oposto a isto, talvez pertencente a uma variação desconhecida do homo sapiens. Esta inglesa de 30 anos segue uma filosofia de vida totalmente positiva: Só vê o lado bom das coisas e das pessoas, está sempre otimista, solidária, altruísta. Em resumo vive Simplesmente Feliz (2008). O novo filme do diretor Mike Leigh se revela um marco diferencial nos temas abordados em suas tramas anteriores. Segredos e Mentiras (1996) e O Segredo de Vera Drake (2004) eram fortemente dramáticos, com carga de culpa e revelações de suas personagens. Agora o segredo é revelar qual é a teoria da atração que faz Poppy se alegrar com tudo. Parece resenha de obra de auto-ajuda, não é mesmo? Porém em uma análise psicológica mais profunda é difícil classificar se a personagem sofre de uma espécie de patologia que a faz anestesiar seus sentimentos. E ao afinal das contas esta felicidade absoluta ou excessiva funcionaria como escudo as mazelas da vida. Se for irritante a forma como Poppy escolhe se proteger da feiúra do mundo, não podemos apontar o dedo e acusá-la. Se quiser então aponte o dedo quem nunca virou a cabeça se esquivando de olhar para um mendigo, fechou o vidro do carro na cara de uma criança pedinte, pulou a parte de política do jornal ou ao ver alguém sendo assaltado pensou “não é comigo”. É fácil acusar alguém que leva ao extremo se defender das desumanidades. Mas pior ainda somos nós que hipocritamente levamos um sorriso cínico ignorando o que há de errado no mundo, afinal não é conosco… Nunca! Voltemo-nos então ao nossos cascos de protecionismo e tchau Poppy, vá ser feliz de verdade em outro planeta que aqui na Terra pessoas como você são falsamente irritantes. Se fica difícil classificar quem se protege de quem , no fim é melhor concluir que no fundo nos protegemos de nós mesmos, ninguém quer sofrer e ponto. E o outro? O outro que seja feliz no seu quadrado. E cada um no seu…

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