Imagine-se aos 86 anos de idade em seu último dia de vida, seu corpo já fraco e velho e sua alma e espírito prontos para partir. Há anos você não fala com o único filho, famoso pianista que vive na Europa. Para compensar o tempo perdido tirará de sua empoeirada adega aquele champagne que há 40 está guardado, assim como tentará por uma última vez varrer as teias de aranha de um entruncado relacionamento. Esta é a trama da película argentina A Janela (2008) do diretor Carlos Sorin, tão sentimental e profunda que não é nada difícil se transpor para o papel do personagem central Dom Antonio (Antonio Larreta). Seu título remeta a imensa janela no quarto do protagonista que faça com que ele aviste os campos de uma Patagônia rural, isolada e bucólica. Mas o longa também poderia ter outros 2 nomes. O Relógio, graças ao som de tic-tac que pontua em contagem regressiva o momento em que a alma de Dom Antonio será levada pela antiga babá que lhe aparece em sonho, um sonho em que ele se imagina com apenas 6 anos de idade, 80 anos antes. Ou O Piano, instrumento de profissão de seu filho. O velho possui em sua casa um antigo modelo alemão que há anos não é tocado e durante boa parte da exibição um simpático afinador de instrumentos do tipo terá a tarefa de torná-lo tocável novamente. Trama singela e simpática nos fará repensar o nosso orgulho fazendo-nos retornar o fio da meada de parentescos perdidos e sentimentos abandonados.




















