Em março deste ano estreou nos cinemas brasileiros a primeira parte da saga do cineasta norte-americano Steven Soderbergh sobre o ícone comunista Ernesto Che Guevara denominado Che – Parte 1: O Argentino (2008). E hoje, depois de 6 meses de um vácuo que só se explica comercialmente, estréia Che – Parte 2: A Guerrilha (2008) explicitamente como uma ponta solta da primeira história que, enfatizo, deveria ter sido mantida como uma obra única.Neste capítulo, dois rostos novos no elenco me chamaram a atenção. O primeiro foi a da atriz Franka Potente, do clássico undergrond Corra Lola Corra (1998) e do blockbuster A Identidade Bourne (2002) interpretando a guerrilheira Tânia. E o outro foi o de Lou Diamond Phillips que ficou famoso nos anos 80 interpretando o cantor de fama meteórica Ritchie Valens em La Bamba (1987). Mas quem continua lá como absoluta alma do filme é Benicio Del Toro interpretando Che. Esteticamente há diferenças nítidas entre a primeira e a segunda parte. A primeira é muito mais a-linear, intercalando cenas preto e branco e coloridas, buscando construir dentro da trama o mito que Che se tornou. Já a segunda parte se mostra mais lenta, tradicional e linear, sem grandes recortes temporais e uma fotografia mais uniforme, que serve para justificar tanto o amadurecimento do homem Che em termos de idade como pela dissolução de sua fama e ideais já terem sido espalhados por toda América Latina naquele momento. Novamente vemos uma guerrilha sendo montada, agora no interior da Bolívia, e mesmo as táticas de avanço sobre o inimigo mostram uma aparente maturidade. Uma das incongruências entre os personagens centrais no desfecho de Che Parte 1 é evidenciado pela diferença no momento em que Fidel e Che estão vivendo no filme 2: enquanto Che está lá, no campo de batalha continuando a luta por justiça social, Fidel é mostrado em uma breve cena como um estadista confortável em seu cargo , durante uma festa de luxo em que ele está bem vestido e conversando alegre e despretensiosamente com duas belas moças sobre o segredo de se preparar um bom mojito. Outras cenas também fazem com que se compreenda a nova visão de Che agora na luta boliviana. Se antes ele não aceitava homens muito jovens, agora ele aceita de bom grado um menino de 16 anos no moviemento. O seu discurso de convocação perante os combatente bolivianos é o mesmo perante os cubanos, com a realidade de que muitos morrerão, passarão privações e fome. Mas na primeira parte ele era feito de forma acalorada e nesta segunda ele tem um tom de alguém mais velho e cansado. Aumentando o clima de derrocada, em diversos momentos o grupo se mostra desunido perante coisas banais como latas de leite condensado. Se os cubanos eram motivados e a população campesina apoiava os guerrilheiros, neste os bolivianos se mostram dispersos e com camponeses mais desconfiados e propensos a manipulações dos membros do exército de entregarem os guerrilheiros. Aos poucos o cansaço, a desunião, as doenças e denúncias vão abatendo tanto o grupo como Che, que tem sua asma atacando novamente, seu burro de carga que não quer prosseguir caminho, e a malária que o deixa ainda mais abatido. E na outra ponta o exército boliviano como vilão maniqueísta que com a ajuda pontual da inteligência americana, seja em pistas ou em equipamentos, vai se aproximando de Che rumo a sua derradeira captura, execução e exibição, tal qual qualquer livro de história relata. Tem-se então neste capítulo final um grande ícone, que apesar de sua grandeza ideológica, se enfraquecendo e padece rumo a morte física. Soderbergh optou por encerrar seu longa com a decadência do homem, sem deixar muito claro o quanto o mito ainda sobrevive. Ou talvez a avaliação esteja desconexa pelo intervalo de metade de um ano em que ocorreu o lançamento de cada uma das partes. Fica o pensamento: Obras únicas não se dilaceram e mitos, mesmo que humanos, sempre estarão vivos no imaginário coletivo de todos.





















Mari, lindinha… vc confundiu Guillermo com o Benicio… eahuehaea, by the way, boa crítica; tb me chamou atenção a carinha de Franka Potente no filme. Aliás, até Jason Bourne (mattdamon) faz uma pontinha no filme.
continue firme e forte, adoro seu site,
acho que já li todas as críticas.
abrasss…….;
Olá Felipe!
Obrigado pelo toque… Realmente confundir o diretor mexicano de Labirinto do Fauno com o ator porto-riquenho de Che foi um lapso terrível! Já está devidamente corrigido.
Bjs
Mari
Olá Mari… bem, creio que as nossas críticas ficaram muito bem parecidas porque acabamos nos embasando no mesmo fundamento: a desnecessidade de se dedicar um filme inteiro apenas para relatar a campanha boliviana liderada por Che Guevara, já que a mesma não conta com a mesma importância que os acontecimentos relatados no primeiro filme contam a ponto de ganhar uma adaptação com igual duração.
Bjos! Daniel.