No florescer da sétima arte um cineasta ousou. Seu nome era D.W. Griffith e sua obra O Nascimento de Uma Nação (1915). Mais do que um marco em técnicas cinematográficas, o longa trouxe uma carga racista tão forte que foi capaz de reavivar depois de anos o movimento da Ku Klux Klan. Anos depois, numa tentativa de mea culpa, Griffith produziu o grandioso Intolerância (1916) sobre o preconceito por diversos períodos da humanidade. Não seria o primeiro nem o último filme sobre o tema. Pela história do cinema passaram diversas obras que debatem esta intolerância total pelo diferente que infelizmente parece tão intrínseco em alguns homens, como O Sol É Para Todos (1962), A Cor Púrpura (1985), Mississipi em Chamas (1988), Amistad (1997), Philadelphia (1993), A Outra História Americana (1998), Crash (2004). E este ano, por um mero acaso do destino, ou sorte/azar na tentativa de produzir um vídeo-game, Peter Jackson proporcionou às platéias cinéfilas umas das melhores discussões sobre o assunto, com o diferencial de apresentar ares de ficção científica e documentário. Distrito 9 (2009) mostra de forma realista que a chegada dos aliens a terra não foi feita de forma pacífica para eles. E não estou falando de qualquer retaliação nos moldes americanóides mostrados em filmes do gênero de Independence Day (1997). A nave-mãe aterriza no coração periférico de Johanesburgo, África do Sul, local historicamente conhecido pelo regime segregatório do apartheid. As autoridades, sem saber o que fazer com a população alien, a isola no tal Distrito 9. A sociedade, temerosa do comportamento das criaturas, não suporta sua presença, a não ser aqueles que conseguem algum ganho financeiro e exploratório com estes. E no meio de interesses armamentistas e tecnológicos aparece a MNU, que passa a ser responsável pelo local. A área se transforma então numa verdadeira favela alien onde vemos cenas semelhantes ao que se mostra em Tropa de Elite (2007) e Cidade de Deus (2002), isto para ficar apenas em longas que retratam a nossa periferia. Mas o grande destaque do longa é o humano Wikus Van De Merwe (o excelente Sharlto Copley) que sofrerá na pele, em momentos que remetem ao filme A Mosca (1986), o que é ser discriminado, usado e descartado. Mais do que uma metáfora do preconceito racial, Distrito 9 nos trás sensações viscerais da desumanidade que estamos vivendo de forma explícita na sociedade moderna. E não precisa de nenhuma nave alienígena para se dar conta disso. Basta olhar para tudo que há de humano ao seu redor. E sem alienações.





















Acho que esse filme precisa ser louvado pela originalidade e pelo brilhantismo das metáforas, mas poderia ter sido melhor se o diretor não tivesse a mão um tanto pesadinha. Mas bela crítica.