Ícone, Mito, Mulher…

Coco Antes de Chanel A BLOGUEIRAA atriz francesa Audrey Tautou já está inserida no imaginário coletivo da cultura pop pós-2000 como a doce e romântica Amélie Poulain do longa que relata seu fabuloso destino. Difícil é imaginá-la deixando o estigma desta personagem tão marcante, mesmo após estrelar filmes blockbusters como O Código Da Vinci (2006). Mas uma nova obra cinematográfica vêm desafiar o status e talento da atriz ao carregar nela a figura tão marcante e mitológica quanto qualquer outro ícone feminino que venha surgir. A figura em questão é a estilista Coco Chanel, que tem sua vida antes da fama nas passarelas e vitrines biografada no longa Coco Antes de Chanel (2009). Mais do que a semelhança de nacionalidade e da anatomia do nariz empinado, Audrey conseguiu encarnar com segurança e precisão Coco, sem precisar apelar para trejeitos imitativos, técnica comum em interpretações desse tipo. Além disso, o roteiro procura não cair no melodrama evitando explorar massivamente aspectos dramáticos da biografada, como o abandono no orfanato e a morte do amante. A direção de Anne Fountaine é como um tailler bem cortado por Chanel: tudo é preciso, pontual e discreto, sem qualquer excesso. Como grande mérito, o filme instiga o nosso senso de admiração ao mostrar uma mulher forte e geniosa, questionando e quebrando tabus que ultrapassam o vestuário e invadem o comportamental. Apesar da trama focar em dois romances marcantes na vida de Coco, a obra dá subsídios para compreendermos a construção da figura de Chanel como alguém totalmente independente e satisfeita com essa condição. Sendo assim, Coco Antes de Chanel é recomendado para amantes da moda, que ficarão satisfeitos e, contemplar pormenores da construção de tão famoso figurino. Além disso, o longa é para quem gosta de ver os bastidores de uma persona tão marcante quanto uma bela mulher vestindo um “pretinho básico” com colar de pérolas brancas. “Vista-se mal e notarão o vestido. Vista-se bem e notarão a mulher. C.C.”

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