A Geração Perdida

australia-a-blogueiraEm 1900 após dois séculos de colonização e devastação ambiental e racial, a Austrália se tornava independente do império britânico. E ao invés de apregoar uma política de integração, preferiu trocar o último termo e adotar a chamada “política de assimilação” para com o povo aborígene, que ocupava as terras do continente-ilha há mais de 40 mil anos. O método consistia em recolher (ou capturar?) crianças mestiças, geralmente filhos de mãe aborígene e pai europeu, conduzi-las para instituições católicas onde receberiam a lavagem cerebral religiosa visando “amansá-las”, para serem posteriormente encaminhadas para a adoção, por famílias brancas, é claro. Este triste fato, ocorrido entre 1915 e 1969, ficou conhecido para a História como “A Geração Perdida”. E hoje, 40 anos depois, um dos grandes diretores australianos da atualidade, Baz Lurhmann, joga para o cinema o papel de se desculpar publicamente pelo ocorrido com o épico Austrália (2008). Não que fosse extremamente necessário, já que há 1 ano atrás o atual primeiro-ministro australiano Kevin Rudd o fez oficialmente, mas de uma forma que não deixasse brechas para pedidos de indenização por parte dos Aborígenes. E o filme de Lurhmann também deixa a desejar como redenção ao ocorrido. Há o foco no romance entre a madame inglesa Lady Sarah Ashley (Nicole Kidman) e o ‘chucro’ condutor de gado, que não possui nome, apenas o apelido de Drover (Hugh Jackman). Também há a guerra para assombrar a vida feliz, idílica e bucólica do interior. Infelizmente o diretor deixou escapar pelos dedos a, sem dúvida, melhor parte e interpretação do filme. O ator-mirin Brandon Walters interpreta Nullah, menino mestiço que sofre um forte complexo de identidade por não ser nem negro (aborígene), nem branco (colono). Seus cuidados e ensinamentos serão disputados pela Lady e por seu avó, um importante aborígene que representa uma espécie de ‘feiticeiro’ (me desculpem por não saber o termo correto). Que o pequeno ator tenha uma vida cinematográfica longa e próspera graças a esta marcante interpretação, já que neste filme, infelizmente, Lurhmann fez a opção de deixá-lo apenas como um fio condutor mágico e místico da trama, ao invés de jogá-lo para o primeiro plano. Um erro crasso para um diretor sempre conhecido pelos inovadores e polêmicos Vem Dançar Comigo (1992), Romeu + Julieta (1996) e Moulin Rouge (2001). Faltou agora o pedido de desculpas por ter sido, pela primeira vez conservador e retrógrado. E ainda continua se devendo a Austrália um épico Aborígene de verdade, sem co-adjuvantes e estereótipos.

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A Ortodoxia do Respeito

alguem-que-me-ame-de-verdade-a-blogueiraNo longa norte-americano Alguém que me Ame de Verdade (2007) duas professoras de uma escola multi-racial/cultural localizada no bairro do Brooklyn em Nova Iorque aceitam o grande desafio que vai além de ensinar aos seus alunos a tolerância e o respeito pelo diferente, pois elas mesmas são o símbolo máximo das guerras que a falta desses sentimentos pode ocasionar. Uma é judia ortodoxa e a outra muçulmana tradicional. E ao contrário do impossível elas desenvolvem uma sincera amizade. Não é a primeira vez que trato aqui no MovieYou de um filme a respeito do conflito entre judeus e muçulmanos, pois um tema similar foi adotado no longa Lemon Tree (2008). O ponto em comum em ambas as obras é a centralização de duas figuras femininas, cada qual pertencente ao universo étnico e religioso que lhe cabe. Mas ao contrário de Lemon Tree, no qual um muro ‘físico’ impõe e impede que o sentimento de cumplicidade se transforme em amizade, em Alguém que … as personagens fazem questão de derrubar este muro de preconceito. Não deixa de ser polêmico e ao mesmo tempo tocante. E não duvide da verossimilhança da história porque de acordo com o making of abaixo o roteiro foi inspirado em fatos reais. O filme foi rodado com baixíssimo orçamento, portanto não espere uma fotografia impecável. Também há falhas incômodas no roteiro, como a estereotipização do que seria uma vida fora da tradição rígida em que ambas vivem. Mas ao final fica sim no ar a mensagem de que um pouco de respeito e tolerância podem contribuir para uma humanidade mais harmônica, digna e respeitosa.

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No Meio do Caminho Tinha um Titanic, Tinha um Titanic no Meio do Caminho

los-angeles-cidade-proibida-a-blogueira1Sabe aquelas conjecturas que todo ser humano gosta de fazer, o famoso E SE…? Pois bem, para o Clássico em DVD da semana temos uma teoria e tanto para tratar. A da edição do Oscar que rendeu 11 estatuetas para James Cameron e companhia no longa (e bota longa nisso) Titanic (1997). Era um calmo domingo, 3 de Março de 1997. Concorriam a melhor filme o dito cujo e mais Ou Tudo ou Nada, Melhor é Impossível, Gênio Indomável (alias trocaria fácil a indicação desse por Boogie Nights, o melhor de Paul Thomas Anderson) e Los Angeles – Cidade Proibida. Todo mundo sabe que a aventura molhada e afundada de Jack e Rose levou a melhor. Mas já que estamos tratando do famoso E SE…? quem teria levado então tantas estatuetas para casa se por algum infortúnio do destino James Cameron não tivesse concebido a sua ambição megalomaníaca em forma de navio de luxo? A resposta pode estar nas famosas listas de 100 melhores filmes de todos os tempos que muitas publicações nacionais e internacionais fazem. Se você pesquisar pela internet algumas delas, dificilmente achará a presença de Titanic nela. Mas a de Los Angeles – Cidade Proibida será uma constante. A vitória esmagadora de Titanic foi uma caduquice dos velinhos da Academia? Pode até ser, pois eu nunca vi Rocky – Um Lutador (1977) ou Crash (2005) em alguma lista de melhor filme apesar de ter ganhado a premiação. Isso nos faz chegar à triste conclusão que a premiação não passa de um grande lobby ao invés da neutralidade crítica. Talvez seja por isso que o Brasil nunca tenha conseguido levar um Oscar, mas em outras premiações como a Berlim ter sido consagrado. Bem, mas quanto ao Los Angeles – Cidade Proibida não fica a dúvida de sua qualidade, recriando com precisão o espírito dos grandes filmes noir e com as mais marcantes interpretações das carreiras de Russel Crowe, Guy Pearce, Kevin Spacey e Kim Basinger. Destaque também para o roteiro de Brian Helgeland que conseguiu transformar o livro de James Ellroy em algo tão cinematograficamente coerente. Assista sem temor, pois nesse longa você não precisar de lencinhos de papel para a hora que o ‘gãlanzinho’ morrer deixando a amada viva e com saudades… deixe essas coisas para o Cameron…

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Senhor e Senhora Button

o-curioso-caso-de-benjamin-button-a-blogueiraEm Agosto do ano passado quando fui assistir o longa italiano Meu Irmão é Filho Único (2008) me chamou a atenção um trailer em especial. Nele o personagem principal nascia um bebê velho e ia rejuvenescendo, seguindo o sentido contrário à lógica humana de Nascer, Crescer, Reproduzir, Envelhecer, Morrer… A frente do elenco Brad Pitt e Cate Blanchett. Na hora me veio à cabeça o fato de Blanchett ser daquelas atrizes que podem interpretar até uma ameba que vão acabar concorrendo ao Oscar, vide suas interpretações assombrosas em Notas Sobre um Escândalo (2006) e especialmente Não Estou Lá (2007) onde ela faz o melhor Bob Dylan do conjunto, mesmo sendo a única mulher. Quanto a Brad Pitt sei que, assim como Leonardo DiCaprio, está dando um rumo a carreira em que vem deixando de lado a pose de galã para embarcar em papéis mais fortes e sérios. Mesmo assim, apenas pelo trailer não esperava grande coisa dele e seu Benjamin Button em O Curioso Caso de Benjamin Button (2008) de David Fincher. Pois vejam só, 6 meses depois aqui estou e adivinha quem é o indicado preterido pela academia? Ele, o Sr. Jolie. E Blanchett não recebeu ao menos a indicação por atriz co-adjuvante, vaga que ficou para Taraji P. Henson que interpreta Queenie, a amorosa mãe postiça de Button. Não é a primeira vez que Pitt e Blanchett interpretam um casal, isto já ocorrera em Babel (2006). Mas no longa do diretor Alejandro González Iñárritu a química entre os dois me pareceu mais visceral e verdadeira. Talvez a interpretação marcante de ambos seja reflexo do forte roteiro de Guillermo Arriaga, onde tramas globais se fundem em um clímax uníssono. Já em Benjamin Button não há como negar que o roteirista Eric Roth resolveu repetir a fórmula de sucesso que o fez faturar em 1995 a estatueta dourada por seu trabalho em Forrest Gump -- O Contador de Histórias (1994).   Bem, agora você deve estar se perguntando por que raios eu dei 5 películas pro filme se até agora eu só falei mal do dito cujo… Pois bem, Benjamin Button pode ter esses pequenos defeitos que apontei, mas ao olhar para a obra como um todo é impossível não se deslumbrar. A mão de David Fincher nunca esteve tão boa é impossível passar incólume pelas quase 3 horas de filme sem derramar lágrimas e se perguntar: “Quanto tempo já perdi em minha vida com bobagens superficiais que não valem nada a não ser me levar para a amargura em vez de perceber o encanto das pequenas coisas a minha volta?” É de se pensar…

O Curioso Caso de Benjamin Button 9 Comentários
Aconteceu Naquela Noite

a-troca-a-blogeiraA base da trama de A Troca (2008) de Clint Eastwood é de uma mulher, Christine Collins (Angelina Jolie), que lutou contra todas as forças de poder para provar que estas estavam erradas, principalmente na esfera policial. Ela o tempo todo questiona, em vão, o fato de terem resgatado a criança desaparecida errada de volta aos seus braços de mãe. É interessante como é construído no espectador a raiva contra os vilões policiais, pois o roteiro de J. Michael Straczynski de certa forma nos manipula inteligentemente para alimentarmos deste sentimento. Até a falsa criança, que insiste que Collins é sua mamãe, nos provoca ódio de que todos querem a enlouquecer. E é a partir do momento em que a protagonista é jogado em um hospício que a história acaba se perdendo um pouco. Mas se Angelina Jolie interpretando uma louca de verdade ganhou o Oscar de melhor atriz co-adjuvante por Garota Interrompida (1999), ela pode agora faturar outra estatueta dourada por essa postura em  A Troca. Não que por ser a atriz principal ela seja a melhor no filme, pelo contrário. Enquanto Collins aproveita, na medida do possível, sua estadia no manicômio, eis que surge a sub-trama de um psicopata assassino de criancinhas interpretado brilhantemente por Jason Butler Harner, um rosto não muito conhecido que espero que desponte logo. Seus trejeitos psicóticos são totalmente verossímeis e a cena de sua condenação a morte enforcado é tão chocante quanto a interpretada por Michael Jeter na cadeira elétrica em À Espera de Um Milagre (1999).  Na conclusão da trama o sentimento de impunidade é substituído por felicidade com a falsa sensação de que os culpados foram punidos naqueles típicos créditos finais dizendo o que aconteceu com cada um, e principalmente, de que a super-mãe Collins nunca deixou de procurar seu filho… Ops, acho que contei o final! Mas isso não tem a menor importância. O que transparece ao final das contas é que Clint Eastwood fez tudo tão certo, a fotografia Noir, o figurino e cenários Belle Époque, com a descarada intenção de levar mais um Oscar para casa. Há até uma brincadeira quanto a isso no filme, onde Collins aposta que Aconteceu Naquela Noite (1934) de Frank Capra vai levar a estatueta dourada no lugar da super-produção Cleópatra (1934) de Cecil B. DeMille em que todos apostavam. Collins acertou em sua aposta, mas Eastwood errou feio. Basta como prova as suas 3 míseras indicações por justamente Direção de Arte, Fotografia e Atriz para Jolie. Pelo visto a história do garoto que nasce velho e rejuvenesce tem muito mais a acrescentar a nós e a Academia.

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Allen à Dostoiévski

crimes-e-pecados-a-blogueiraO que um diretor nova-iorquino eternamente em crise e um escritor russo de cunho existencialista possuem em comum? A resposta estaria em uma obra literária de 1866 chamada Crime e Castigo. Nela Fiódor Dostoiévski narra a trajetória de um jovem professor de línguas que após assassinar um agiota e a irmã deste, testemunha do crime, passa a se sentir extremamente arrependido e em busca de uma redenção pessoal que o exima da culpa. E está justamente nesta sensação de culpa que persegue o jovem, a brecha que o cineasta Woody Allen se utilizou no argumento de dois de seus grandes filmes: Match Point (2005) e Crimes e Pecados (1989). Fiquemos então para o Clássico em DVD da semana o filme de 20 anos atrás, não como obra atemporal em sua temática, mas também por ser considerada o último grande clássico de Allen dentro de sua carreira ainda inacabada. Este é mais um filme que o diretor aparece também como ator, fazendo, literalmente “papel dele mesmo”. Seu personagem Cliff Stern é um cineasta desempregado e mal-compreendido. Ele ignora grandes prêmios como Emmys, assim como Allen ignora Globos de Ouro e Oscar, e prefere viver a vida em prol de filmes alternativos a algum emprego decente que lhe pague bem. Na outra ponta do filme temos a trama paralela de Judah Rosenthal, magistralmente interpretado por Martin Landau, um oftalmologista bem sucedido que teme ver a sua vida perfeita de família de classe A feliz cair por terra ante as ameaças de sua amante Dolores Paley (Anjelica Huston) denunciar a traição a sua esposa. Tentado pelo irmão com envolvimentos criminosos suspeitos, Judah vê como única alternativa assassinar Dolores, a eliminando tal como um inseto, como um ser dispensável, para enfim ter paz. Assim as duas tramas vão se intercalando para se encontrar apenas ao final do longa. Não menosprezando a trama de Cliff, mas é na parte desenvolvida em torno de Judah o verdadeiro sentimento exposto por Dostoievski em Crime e Castigo. Porém, se no livro do escritor russo a religião cristã reforça a culpa, para Judah são os dogmas judaicos que o atormentam. Excluindo particularidades religiosas, o que fica é a sensação de que a humanidade sempre se reencontra com seu lado perverso, cabendo escolher entre a omissão ou assumir seu lado obscuro, suas culpas, seus crimes e passando por seus castigos. Sejam eles mutilações exteriores ou a própria prisão interior.

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Se Eu Fosse O Outro

se-eu-fosse-voce-2-a-blogueiraO que posso dizer sobre Se Eu Fosse Você 2 (2009) ? A única coisa elogiável do longa é a importância ambiental no contexto ecológico atual que o filme teve. Afinal a proteção ao meio ambiente está em voga nos dias de hoje e reciclar é demasiado importante, especialmente o papel do roteiro. E foi exatamente isso que Daniel Filho fez, uma reciclagem roteirística do primeiro longa. Nada como repetir a velha receita de bolo de sucesso cinematográfico de filme nacional: humor pastelão e atores globais de renome, o famoso “…E Grande Elenco!” da narração in-off dos trailers. Infelizmente em nosso país tropical explode cada vez mais a tendência de filmes sem cérebro espalhados pelas salas de exibição de shoppings enquanto os cults, os que tem algo a acrescentar, são relegados a salas alternativas presentes apenas nas grandes capitais e que mesmo assim terão exibição por pouco tempo em horários nada acessíveis. São as escolhas que nossas distribuidoras fazem em toda cadeia cinematográfica nacional, que privilegia os hollywoodianos em detrimento dos que podem ter algo a mais a nos transmitir. Mas vamos ao longa em si, que se não essa história aqui vai longe… Se lançarmos um olhar analítico podemos até arrancar do longa uma re-interpretação interessante da psicologia junguiana, principalmente quanto à inversão nos papéis de Animus e Anima que Helena (Glória Pires) e Cláudio (Tony Ramos) passam. Até mesmo os nomes do casal central remetem a arquétipos. A semi-deusa Helena de Tróia, causadora de guerras na Grécia mitológica, representaria o poder da beleza feminina que desperta o instinto de guerrear masculino, tudo para decidir ao final das contas quem a possuíra. E Cláudio é o tio de Hamlet na famosa de Shakespeare, representa o masculino traiçoeiro que exala o tal cheiro podre no reino da Dinamarca, aquele que Hamlet precisa assassinar para em fim ser. Ou não ser… Desta maneira podemos então estabelecer que o Anima é o chamado “lado feminino” presente no subconsciente do homem e, da mesma forma, o Animus é o “lado masculino” dentro da mente feminina. Muitos casais não possuem esse aspecto bem trabalho em sua psicologia e acabam projetando no outro um anima ou animus doente e mal-resolvido. No caso do filme, tanto o primeiro quanto o segundo, estar literalmente na pele do outro pode ser a solução dos problemas buscando a mútua compreensão. Pelo menos por enquanto, até que o próximo raio caia no mesmo lugar e tenhamos o encerramento dessa trilogia “Em um Cinema Perto de Você…”

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Encantar ou Cantar?

a-bela-junie-a-blogueiraPenso que devo aprender a não criar expectativas para as coisas, especialmente quanto à próxima obra cinematográfica daquele diretor que você tanto admirou. Como vocês podem ver pelo post de Canções de Amor (2007) do diretor francês Christophe Honoré, o filme foi muito marcante para mim. Viciei em sua trilha sonora e até comecei a fazer aulas de língua francesa! Quando soube que um filme novo do cineasta entraria em cartaz, não tive dúvidas de ir assisti-lo com toda a bagagem do longa anterior na expectativa. A Bela Junie (2008) até chega a repetir parte do elenco de Canções de Amor em sua trama. Grégoire Leprince-Ringuet continua no papel de estudante, mas se antes ele tinha dúvidas de sua sexualidade, neste ele é o aluno popular da sala que quer conquistar a belíssima nova aluna Junie.  Clotilde Hesme antiga ponta do triângulo amoroso de Canções… agora faz apenas as vezes de uma bibliotecária de caráter duvidoso. E Chiara Mastroianni então? Filha de Catherine Deneuve e Marcello Mastroianni chega a cantar em Canções…, mas sua participação em A Bela Junie se limita a sentar na mesa de um café e sorrir para a personagem principal. E só! Mesmo Louis Garrel como o professor que se apaixona por Junie, não vai muito além. Um desperdício para um ator tão bom. E A Bela Junie me pareceu justamente isso, um desperdício de atores bons e um diretor com uma sensibilidade crível. Talvez ele não tenha se superado, não por ter se repetido no elenco, mas pela indefinição de como aplicar seu estilo na nova trama. Canções de Amor era um filme musical e ponto. Pessoas cantando no meio da rua ali faziam sentido. Mas A Bela Junie era pra ser um drama/romance, não? Então para que colocar o personagem de Grégoire cantando antes do clímax? Ficou uma cena estranhamente mal-encaixada no contexto da trama. Ou talvez a má-encaixada ali era eu, sentada na cadeira da sala de cinema esperando algo que eu não iria encontrar…

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Hakuna Matata Way of Life

o-rei-leao-a-blogueiraSe você foi criança na segunda metade da década de 90 certamente passou pelo seguinte ritual: chegar ao final da tarde em casa, vindo da escola, e ligar a TV para ver Disney Club no SBT. E não vai me dizer que seu desenho favorito da atração não era aquele do nosso suricato e javali favoritos, Timão & Pumba? Só de falar isso a sua cabeça pode começar a cantarolar “Hakuna Matata… É lindo dizer…”. Não se preocupe que basta você clicar no vídeo abaixo para ouvir na íntegra a música mais animada do Clássico em DVD da semana, O Rei Leão (1994). O desenho solo dos dois personagens coadjuvantes de maior destaque cômico na trama foram apenas alguns dos frutos resultantes do sucesso do longa, que ainda teve duas continuações de menor qualidade, lançadas direto em DVD. O Rei Leão 2- O Reino de Simba (1998), que de certa forma ‘repete’ o roteiro base do primeiro filme e O Rei Leão 3 – Hakuna Matata (2004), que conta a visão de Timão e Pumba dos acontecimentos referentes ao primeiro longa. Cabe também citar o musical baseado no primeiro filme, que está em cartaz na Broadway desde 1997. Mas porque um filme que fará 15 anos em 2009 ainda causa tanto impacto em nossa cultura ocidental? Talvez a resposta esteja do fato da Disney empregar de forma tão categórica e eficiente os chamado 12 Passos do Herói. Essas 12 etapas foram relatadas pelo mitólogo Joseph Campbell em diversos livros seus, como O Herói de Mil Faces. O blog Ofício Literário explica cada uma delas,  aplicando-as na história do livro O Hobbit de J.R.R. Tolkien. Fazendo um exercício mental, você pode empregar estes passos em absolutamente qualquer filme da Disney! E quando eu digo qualquer um, é qualquer um mesmo. Mesmo a atual safra Disney/Pixar, como os absolutamente maravilhosos Ratatouille (2007) e Wall-E (2008) se valem da força do poder do mito. Mas apenas O Rei Leão é capaz de nos dar uma verdadeira lição de como viver em um Carpe Diem eterno, pelo menos até a hora que a maturidade chega e as responsabilidades afloram. Mesmo assim, não custa nada relembrarmos das palavras sábias de Timão e Pumba, especialmente se você todos os dias enfrenta o trânsito, agüenta o chefe, briga com Deus e o mundo e vive o perfeito Neandertalis Stressadus … HAKUNA MATATA!!!

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Truman Bom para Cachorro.

bolt-a-blogueiraDesculpe-me se o título do post de hoje parece uma daquelas ‘belas traduções’ que as distribuidoras brasileiras dão para filmes tipicamente Sessão da Tarde. Mas é apenas para introduzir a seguinte questão: Um ser que passa a vida toda dentro de um estúdio de TV, sendo um famoso astro sem, ao menos, se dar conta disso? Argumento novo? Que nada. Bolt –  Super Cão (2008) não tem vergonha de ter a base de sua história ‘levemente’ inspirada em O Show de Truman (1998), para mim o melhor filme de Jim Carrey. De fato, não gosto do tipo de humor que o ator apresenta em longas como Debi & Lóide (1994) e Eu, Eu Mesmo & Irene (2000). Prefiro sua face ‘mais séria’ como o próprio Truman e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (2004). E é por isso mesmo que estou ansiosa para vê-lo interpretando um homossexual em I Love You Phillip Morris, que ainda conta com Ewan McGregor e Rodrigo Santoro no elenco. Bem, voltando ao cãozinho fofo da Disney, aí vai outro aspecto que não apreciei muito no filme. Gatos vilões! Já não bastava Como Cães E Gatos (2001) e filmes do James Bond reforçando a teoria de que ou os gatos são os maus ou são os animais de estimação destes. Pelo menos o enredo coloca a gatinha Mittens como a tutora de Bolt no mundo real. Mesmo assim, prestem atenção na cena em que os dois vão pedir comida em um camping de trailers. O cachorro faz cara de bonzinho e todos dão comida para ele, mas a gatinha apenas ganha uma bela frigideirada no focinho ao fazer o mesmo. E antes que alguém questione nos comentários, eu adoro tanto os cachorros quanto os gatinhos! Eu mesma já adotei no Centro de Adoção da Avenida Paulista a gatinha Morgana, que ficou sob tutela minha e de minha mãe, e a cadelinha Trinity, que está com meu namorado. Concluo esse post enfatizando que só vai gostar de Bolt de verdade quem justamente sabe a benção que é ter um desses bichinhos ao seu lado, como grandes e carinhosos companheiros. Sejam eles um Cachorro, Gato, Hamster , Iguana, Papagaio, Porquinho-da-Índia, Furão…

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