O Meu Aborto, O Seu Aborto !
sexta-feira, 12 de setembro de 2008

O Aborto dos Outros
A primeira vez que tive contato com o filme de Carla Gallo, O Aborto dos Outros (2008), foi lendo a coluna da redatora-chefe da revista Época, Ruth de Aquino. Para mim aborto sempre foi uma questão exclusivamente feminina e que não há amparo legal atualmente no Brasil para quem opta por aborto (exceto estupro e má-formação) por dois motivos muito claros. Primeiro: a nossa lei sobre aborto de 1940 é claramente arcaica e machista, impedindo o direito feminino de decisão. Segundo: o Brasil não tem nível de educação suficiente para que o aborto seja considerado como última opção dentro de um planejamento familiar consciente, e não como método contraceptivo. O filme da diretora paulistana vem justamente cutucar nas feridas abertas pela questão. As situações mais chocantes mostradas no filme para mim foram a da menina de 13 anos estuprada a caminho da escola. Mesmo grávida, pediu uma Barbie de Dia das Crianças para a mãe. Teve o direito legal de abortar, mas sem antes deixar de ser destratada pelo escrivão que registrou seu Boletim de Ocorrência, a “alertando” que iria ser difícil ela conseguiu o direito na justiça. Não só conseguiu como assistimos a todo seu sofrimento e impacto psicológico durante o processo de contração induzida dentro de um hospital público de qualidade. Outro caso a se pensar é o da empregada doméstica que tomou um remédio abortivo e foi parar quase morta no hospital. Foi denunciada por uma vizinha e acabou ficando 1 semana algemada na maca! Temos aí o nosso abismo social do Brasil. As mulheres ricas vão a açougues de luxo, e pobres ficam desumanamente algemadas. Onde está a lei “neutra” nesses casos? Só cabe a Deus olhar por nós, mulheres. Pois se aborto é pecado, creio que Deus sabe o sofrimento que é ser mulher aqui na terra, principalmente neste sub-mundo que é Brasil, e que Ele se disponha a nos perdoar por poupar nossos filhos de sofrer as injustiças dessa terra desumana.




