Ser Adolescente

Ser adolescente é viver plenamente durante quase 10 anos aquela linha tênue entre as brincadeiras infantis e as responsabilidades de adulto. Tudo se vive, chora, grita, ama e sofre quando se é jovem… E parace que esse tempo passa devagar e nunca chegamos a fase adulta. Mas quando se vê, você já está velho e viu que tudo passou rápido de mais. Ao assistir As Melhores Coisas do Mundo, novo longa da excelente cineasta Laís Bodanzky (Bicho de Sete Cabeças e Chega de Saudade), fui transportada em 10 anos no tempo passado, quando era uma adolescente de 15 anos que ia mal na prova de matemática, apesar de paquerar o professor, ouvia Backstreet Boys e Titãs, curtia Arquivo X, lia Capricho e pediu de aniversário uma viagem pra Disney. Que bom que eu mudei! Mas não foi fácil a mudança. Nunca se é. Através de Mano (Francisco Miguez), protagonista do longa,  todos os conflitos juvenis são abordados: relacionamentos, família, amigos, drogas, sexo, e até rock n´roll. Sim, pois As Melhores Coisas do Mundo é o primeiro filme brasileiro a ter em sua trilha uma música dos Beatles, no caso a balada Something. O filme me tocou muito, especialmente em uma cena protagonizada por Fiuk, o galã da Malhação, filho de Fábio Jr que interpreta Pedro, o irmão de Mano.

(Cuidado que depois deste trecho há Spoiler -- revelação de um trecho referente ao final do filme)

Deprimido, perdido e sem chão, Pedro tenta o suicídio. Assistindo o filme em uma pré-estréia, e percebendo o que o personagem ia fazer, não aguentei. Meu coração apertou e meus pulmões pareciam querer me sufocar. Sai da sala na hora, dando de cara com a diretora, a Laís. Abracei-a e a parabenizei pelo longa, mas disse que precisava ir no banheiro que não estava aguentando a forte cena do suicídio. Molhei meu rosto com a gelada água da pia, me inclinei sobre ela e comecei a chorar. Uma mulher que estava no banheiro perguntou se eu estava bem, e eu disse que uma cena do filme tinha me tocado. Como  um anjo da guarda anônimo ela me abraçou e confortou. Vocês nem imaginam como é para uma ex-suicida (me considero assim depois de 3 tentativas, Graças a Deus, mal-sucedidas) ver e se identificar com uma situação tão extrema. Acho que é exatamente pra isso que os filmes, o Cinema, serve… pra te dar aquela catarse, mexer, questionar e confortar. Não saí ilesa do longa da Laís…. e ninguém que foi adolescente (e humano) sairá. Ainda bem, nota 10 para As Melhores Coisas do Mundo!

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Uma Bullock Possível

Certamente o ser humano é aquele que mais se auto-subestima. Nunca acreditamos em nós mesmos ou quando muito vamos ao extremo oposto e achamos que somos o centro do universo. E nada como ouvir aquela música que nos coloca pra cima ou assistir um feel-good-movie (algo como, filme para se sentir bem). E este é o caso de Um Sonho Possível (2009) que deu o Oscar 2010 de melhor atriz para Sandra Bullock. Ela mesma, depois de tantos blockbusters e comédias românticas, nunca se levou a sério. Mas com o papel da decoradora cristã e republicana Leigh Anne Tuohy, ela se superou. De todos os filmes em que ela esteve particularmente gosto de Velocidade Máxima (1994) sua melhor “mocinha indefesa”, Miss Simpatia (2000) em seu melhor tino cômico e A Casa do Lago (2006) sua melhor comédia romântica estrelada, assim como em Velocidade, ao lado do galã Keanu Reeves, o eterno Neo de Matrix (1999). Porém seu mais surpreendente papel tinha sido em Cálculo Mortal (2002) como a investigadora Cassie Mayweather, em que ela explorou seu lado mais dramático… Até ver Um Sonho Possível. Por mais que o melodrama de final felizmente óbvio a cerca, é surpreendente a atitude e presença dela na tela grande. Que a “maldição do Oscar” não caia sobre ela e continuemos a ver Sandra Bullock como uma possível boa atriz.

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Simplesmente Chico

Polemizar a cine-biografia de uma personalidade já é de praxe, vide os vários comentários gerados por longas como Lula, O Filho do Brasil (2010), Carlota Joaquina – Princesa do Brasil (1995) e Lamarca (1994), só para ficar em produções nacionais de mitos de nosso país. E uma figura religiosamente polêmica ganha sua versão cinematográfica. Chico Xavier (2010) estréia em uma data estratégica, uma sexta-feira santa em que se comemora o centenário do médium. Convidada pelo Omelete, fui na pré-estréia no longa em Paulínia onde parte dele foi filmado e participei de uma coletiva com o elenco e produção. O envolvimento de todos com o projeto é visível, principalmente do diretor Daniel Filho e dos 3 intérpretes de Chico, o menino Matheus Souza, Ângelo Antônio e Nelson Xavier. Cativar o espectador e aumentar a positiva aura em torno do protagonista parece ser o principal atrativo que fará com que multidões vão ao cinema para ver o filme, independente da crença religiosa. O longa tem suas falhas? Claro… Mas a própria figura de Chico parece purificar estes erros, fazendo com que mesmo uma cinéfila de carteirinha que sempre presta atenção em detalhes como produção, maquiagem, edição, direção de arte, fotografia e etc se esqueça de atentar para isso e se encante totalmente com a história, esquecendo do resto… Ao final meu interesse pelo retratado se intensificou ao ponto de incluir na lista das minhas próximas leituras a biografia As Vidas de Chico Xavier escrita pelo jornalista Marcel Souto Maior. Recomendo que o cinéfilo que lê este texto também o faça e tire suas próprias conclusões das mudanças que o contado com a história de Chico pode gerar…

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Ilha da Fantasia

Medo. Isolamento. Paranoia. Loucura. Ilusão. Insanidade … Estes são apenas alguns dos pontos tratados pela mais nova obra do mestre “gangsta” Martin Scorsese.  O livro no qual o filme Ilha do Medo (2010) se baseou recebeu no Brasil o título de Paciente 67. O autor é o best-seller Dennis Lehane que já teve outra obra que se transformou num belíssimo filme nas mãos de Clint Eastwood: Sobre Meninos e Lobos (2003).  Em Paciente 67 somos conduzidos nos 4 dias em que um agente federal se vê, literalmente, claustrofobizado na ilha Shutter que detêm assassinos psicóticos. No filme houve a omissão ao pai do protagonista e de suas tendênsias suicidas. Nada disso, porém, tira o brilho ofusco do filme. Leonardo DiCaprio, assim como em Foi Apenas um Sonho (2008), me surpreendeu com uma imponente e visseral interpretação. Pontos também para Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Michelle Willians e o excelente Jacke Earle Haley (O Rorschach de Watchmen - 2009) roubando sua única cena como um dos pacientes do manicômio judiciário. A trama transporta para a grande tela o imprevissível desfecho que vale por todos os sustos tomados e o suspense delirante, além dos sonhos fantasiosos que nos confundem mais ainda. Pegue a balsa, tome uma aspirina, fume um cigarro e mergulhe nas geladas águas de uma ilha que faz com que nos confrontemos e , quem sabe, aceitemos os nossos mais profundos fantasmas. Tudo sob a tutela de um gênio do cinema ainda vivo e gratificantemente produtivo.

Ilha do Medo 2 Comentários
Promoção Ninja Assassino – Resultado

O MovieYou premiou dois leitores com um par de ingressos cada para conferir Ninja Assassino .

A pergunta da vez era “Qual seria a sua missão mais desafiadora como ninja?“.

E os vencedores que faturam um par de ingressos cada para sessões de Ninja Assassino foram :

@RobsonPorps -- “A missão mais desafiadora seria entrar no senado num sabado para matar alguém. Bem iria ficar na mão……”

@rafagnomo - “Minha missão mais desafiadora seria Matar Kratos do GOD OF WAR.”

Obrigado a todos os participantes e aguardem as próximas promoções no MovieYou!

Ninja Assassino 2 Comentários
Entre Dois Mundos

O furacão Oscar passou de maneira fulminante na vida de Peter Jackson, laureando merecidamente o esforço deste diretor neozelandês em transportar o fantástico mundo de Tolkien para a grande tela. Após este período, o cineasta se aventurou em dirigir o fracassado King Kong (2009) e na produção de pérolas como Distrito 9 (2009), além de estar envolvidos em projetos super-aguardados como Tintin, em uma parceria com Steven Spielberg, e O Hobbit, com a companhia de Guillermo Del Toro. Neste meio tempo o diretor se envolveu na história sensível e marcante de Um Olhar do Paraíso (2009), baseado no livro homônimo de Alice Sebold. A trama conta sobre uma garota de 14 anos, estuprada e assassinada, que fica com o espírito aprisionado entre dois mundos, a terra e o céu, enquanto a sua tragédia não é vingada. O roteiro se divide em duas visões distintas e desconexas, a da menina neste purgatório, lembrando em muito as cenas coloridas e fantasiosas de Amor Além da Vida (1998), e na investigação do psicopata que a matou, em um estilo de suspense inconstante e inconsistente como o de Zodíaco (2007). O grande destaque da trama fica por conta das belas interpretações do elenco que compõe o filme: Susan Sarandon como avó da garota, Mark Wahlberg e Rachel Weisz como os pais. Ambas as atrizes já foram premiados pelo Oscar em Os Últimos Passos de um Homem (1995) e O Jardineiro Fiel (2005), respectivamente. Mark foi indicado em Os Infiltrados (2007) e Saoirse Roman, a protagonista, também recebeu uma indicação no mesmo ano por Desejo e Reparação (2007). Já Um Olhar no Paraíso marca sua participação no Oscar 2010 graças à atuação psicótica de Stanley Tucci, apesar de achar que ele perderá o prêmio de ator co-adjuvante para outro grande vilão, no caso Christoph Waltz como o coronel Hans Landa de Bastardos Inglórios (2009). Ao final, fica a dica deste sensível filme para quem possui uma mente aberta para a espiritualidade e esperançosa na humanidade que ainda somos capazes de encontrar, mesmo em meio a acontecimentos tão maldosos e brutais.

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War is a Drug

Capitão Nascimento, Jack Bauer, Bradock, Rambo. Todos grandes machões do cinema que não tem medo de enfrentar o perigo e salvar a pátria (e o próprio rabo) a qualquer preço. E mais um desses homens de coragem figura agora na lista: William James interpretado por Jeremy Renner, merecidamente indicado à melhor ator juntamente com outras 8 categorias disputadas por Guerra ao Terror (2009) no Oscar 2010. É difícil entender como uma trama passada no Iraque focada no misto de adrenalina com testosterona que compõe o trabalho do esquadrão anti-bombas possa ter sido dirigido por uma mulher, Kathryn Bigelow. Com Caçadores de Emoção (1991), O Peso da Água (2000) entre outros filmes no currículo, a ex-mulher de James Cameron é a primeira diretora com chances reais de faturar a estatueta dourada. Seu trabalho atrás das câmeras é impecável, com muitos ângulos delicadamente conduzidos em lenta sequência, mas que transmitem sensações pesadas e negativas que só a morte eminente traz. Nas mais de 2 horas de projeção o contador explosivo ruma compulsoriamente de encontro ao público, cercando-o de fobia, medo e total apreensão. Uma ou outra cena de alívio cômico os tiram do transe, mas o roteiro perfeitamente bem conduzido hipnotiza totalmente rumo ao delírio massacrante de homens viciados em guerra. Talvez Avatar (2009) roube alguns prêmios de Guerra ao Terror, porém , ao contrário do conflito que ainda se estende apesar da vontade oposta do pacifista Obama, o filme certamente não sairá impune da história do Oscar.

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Pétalas de Margarida

Tratando-se de Oscar, Morgan Freeman é um pé de coelho pra quem deseja que sua obra seja agraciada com o prêmio de melhor filme. Ao todo foram 3 longas em que Freeman atuou que receberam a honraria máxima da Academia: Menina de Ouro (2004), Os Imperdoáveis (1992) e Conduzindo Miss Daisy (1989). Este último, um drama doce e sensível, que também recebeu os Oscars de Roteiro Adaptado e Melhor Atriz para Jessica Tandy, estrela do clássico Tomates Verdes Fritos (1991) falecida em 1994. Ambientado nas décadas de 50, 60 e 70 o filme mostra a evolução do relacionamento da viúva Daisy com seu chofer Hoke, ao mesmo tempo que apresenta as mudanças de paradigmas (ou não) nos preconceitos da nação norte-americana. Ela judia. Ele negro. E ambos grandes amigos, apesar dos gracejos dele e da teimosia dela. À primeira vista a trama e a premissa do argumento principal podem parecer leves, mas cenas de uma sutileza impecável revelam a profundidade da obra, como a cena em que os policias “caipiras” do Alabama, bem desconfiados, os param na estrada especulando a viagem de ambos, ou quando o motorista precisa urinar na beira da estrada, pois os banheiros de postos de gasolina são apenas para brancos. Destaque também para a maquiagem, que faturou mais um Oscar para a produção. A equipe responsável soube envelhecer em 3 décadas até o co-adjuvante Dan Aykroyd, do filme “Sessão da Tarde” Os Caça-Fantasmas (1984), que interpreta o filho de Miss Daisy. Ao final, a sensação é que cada minuto nos leva a despir uma singela margarida tirando-lhe pétala por pétala num bem-me-quer / mal-me-quer gracioso.

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Feminilidade e Sensibilidade em Quechua

Filmes latino-americanos estão em minha lista de favoritos, principalmente os da cineasta argentina Lucrecia Martel, autora do clássico O Pântano (2001). E no último final de semana mais uma diretora sul-americana entrou para minha lista de favoritas: Claudia Llosa de A Teta Assustada (2009), ganhador do último Urso de Ouro em Berlin, prêmio que já agraciou os brasileiros Tropa de Elite (2007) e Central do Brasil (1998). Pela primeira vez apreciei um filme peruano, o que foi uma surpresa muito agradável! Claudia conseguiu transmitir as idiossincrasias da cultura andina, especialmente em sua essência feminina. A personagem de Fausta (Magaly Solier) possui os traços quéchuas e o peso de uma tradição supersticiosa. Para evitar engravidar por estupro, ela insere uma batata em sua vagina e passa boa parte do filme cortando os galhos que insistem em sair do tubérculo para fora de seu corpo. É chocante, porém real e verossímil. O cenário desta trama é a periferia da capital peruana, Lima, que têm a grande aparência de uma pedreira abandonada socialmente. O casamento é uma constante no longa, já que a família da protagonista trabalha oferecendo festas aos casais da favela. Já Fausta, parece a antítese desta tendência, foge dos homens apesar de carregar a batata protetora entre as pernas. Ao final, nos vemos conquistados por essa trama sensível e realista. A Teta Assustada está concorrendo ao Oscar 2010 de Melhor Filme Estrangeiro, apesar de provavelmente perder o prêmio para o alemão A Fita Branca (2009). Mesmo assim, não deixem de conferir este que figura entre os melhores filmes do último ano!

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Sangue Ralo

Como já dizia um velho ditado de república: “Se está no inferno, abraço o capeta… e nunca o faça sozinho!” Ontem em uma sessão de Ninja Assassino (2009) promovida pelo Omelete levei em minha companhia o @PikachuTwiteiro que trabalha comigo na agência de comunicação digital SeePix. Ele estava empolgado e eu curiosa, afinal a combinação dos irmãos Wachowskis e James McTeigue em V de Vingança (2005) foi muito bem sucedida, porque em um filme enfocando a cultura oriental a parceria daria errado? Pois é… Mas deu, e muito errado! O visual e fotografia do longa é impecável. As cenas de lutas são bem coreografadas e filmadas por belos ângulos. Destaque para a cena em que os jovens aprendizes lutam em meio a bolas de fogos penduradas no teto.  Mas o roteiro ralo e as interpretações minguadas põem o filme em um patamar muito inferior. Na saga Kill Bill (2003-2004) de Quentin Tarantino, o sangue é exposto de forma propositalmente cômica. Em Ninja Assassino o excesso de tinta vermelha provocou uma sensação adversa a de espanto com tamanha violência do Clã Ninja que está sendo investigado por uma agência da Europol. Ketchup, HotDog e Muita Fome. Estas foram as 3 alusões finais após o final dos créditos. E me desculpe Rain, protagonista da película, mas é melhor você continuar sua carreira de cantor galã do que tentar algo que você não é: ator!

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