Mariana Bonfim é amante da sétima arte. Já flertou muito com o cinema norte-americano, mas agora prefere affairs mais consistentes, como o cinema brasileiro, latino-americano ou europeu. Atualmente mantêm encontros periódicos com a argentina Lucrecia Martel, o espanhol Pedro Almodóvar e o brasileiro José Padilha.







Um Murro no Estômago, Com Jornal Dobrado…

terça-feira, 9 de dezembro de 2008
A Montanha dos Sete Abutres

A Montanha dos Sete Abutres (1951)
Billy Wilder

Atendendo à pedidos dos meus colegas do curso Técnico em Publicidade, vou comentar aqui do MovieYou um filme clássico que vimos durante a disciplina de Ética. Sim, ainda há esperanças de construirmos futuros comunicadores sem malícia sensacionalista. Trata-se, portanto, de A Montanha dos Sete Abutres (1951) do icônico Billy Wilder, que assim como em Crepúsculo dos Deuses (1950), conseguiu desconstruir a decadência moral da sociedade norte-americana. Pois bem, a princípio vemos uma história focada em um repórter extremamente oportunista a procura de uma manchete que alavanque a sua carreira. Ele está em um momento profissional difícil, trabalhando em um pequeno jornal no interior do país, onde a maior reportagem a ser noticiada foi “O Segredo da Torta de Chocolate da Dona Benta”. Ele então se depara com um homem preso numa caverna desmoronada, criando a partir disso um verdadeiro circo em torno do resgate deste. Verdadeiro porque há cobrança de ingressos para entrar na área da tal montanha, venda de hot-dogs e um parque de diversões instalados no local. Tudo bem alienante enquanto se esperam pelo desfecho, ou seja, o salvamento. Mera semelhança com a especulação midiática que ocorre com grandes tragédias não é mera coincidência, a mais recente deles somente para tomarmos um exemplo seriam as inundações e desmoronamentos de correntes das chuvas em Santa Catarina. Todos os dias vemos o número de mortos subirem proporcionalmente à quantidade de citações sobre o assunto. E os dizeres dessas reportagens infelizmente nem sempre refletem boas intenções em ajudar as vítimas, e sim aumentar audiência e tiragem. Voltando a discutir o filme, podemos pegar uma metáfora interessante no título em português do filme. Afinal abutres são aves que rodeiam suas presas moribundas e dão a primeira bicada após a sua morte. E se contarmos o número de personagens que se aproveitam da tragédia do filme, teremos exatamente sete ao final da conta. Uma conta triste, antiética e desesperançada.

DPN: Depressão Pré-Natal.

domingo, 7 de dezembro de 2008
Feliz Natal

Feliz Natal

Natal certamente não é uma das minhas épocas favoritas do ano. Sempre relacionei os Dezembros às pessoas estressadas com o final de um ano de trabalho, de escola, de faculdade... E, acima de tudo, um humor de DESESPERO consumista atrás de presentes para amigos secretos, familiares e similares. Agora o mais interessante é a reunião de família, onde geralmente vemos pessoas que nunca encontramos no resto do ano. Chega até ser meio hipócrita, não? Ou será que a vida corrida do homem moderno impede encontros familiares além dos Natais? É de se pensar. Pois bem, foi nesse clima que fui conferir o longa do diretor estreante Selton Mello, Feliz Natal (2008). E posso garantir que sai muito pior do que entrei. E não é porque o filme é ruim não, pelo contrário. A obra só serviu como prova empírica da minha teoria de relacionamentos familiares hipócritas, maximizados no Natal. Selton conduz sua obra com uma mão pesada, melancólica e depressiva. Os personagens apresentados, muito bem elaborados, têm ao mesmo tempo a superficialidade de títeres de uma família desconstruída e a profundidade psicológica de grandes mentes mal-compreendidas e sufocadas pelas relações de parentesco. A trilha sonora é hipnotizante e a fotografia nos joga na cara, aproximando muito a câmera, o desespero de todos os envolvidos. Para mim, ao contrário das críticas, não poderia ter melhor começo para o diretor, apesar de também achar que ele “chupinhou” O Pântano (2001) de Lucrecia Martel em várias cenas. Enfim, sai do cinema com um peso nas costas, que mesmo com alguns cigarros, demorou em ser aliviado. Mas acho que isso não foi nada. Dia 25 está chegando e uma nova ceia de hipocrisia se anuncia... Feliz Natal!

Bom Para Um Ridley Scott

terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Rede de Mentiras

Rede de Mentiras

Se pesquisarmos no site Imdb.com o verbete Ridley Scott, vamos nos deparar com uma lista considerável de filmes, que podem oscilar entre o ótimo e o duvidoso, mas que atraíram público e, principalmente, proporcionaram que o diretor britânico continuasse na ativa.  Só para citar e comentar alguns. Alien – O Oitavo Passageiro (1979): Esqueça as malditas e malfeitas seqüências, com direito a termos o Predador no meio da história.Só o primeiro vale como um terror de verdade. Blade Runner (1982): dispensa apresentações, além da garantia de que ele será um Clássico em DVD aqui no MovieYou. Thelma e Louise (1991): Um resumo de como a sociedade atual encara a mulher, as excluindo e perseguindo e dando como única solução machista a morte. 1492 - A Conquista do Paraíso (1992): Ah, eu adorava as aulas de história no colégio só para ver esses épicos. E Gerard Depardieu como Cristóvão Colombo é o grande destaque. Até o Limite da Honra (1997): Será que esse longa só serviu para vermos Demi Moore careca? Gladiador (2000): torci muito para que o filme faturasse algumas estatuetas no Oscar, especialmente Russel Crowe, que estava apenas no início de sua frutífera parceria com Scott. O filme também lançou Joaquin Phoenix, que agora infelizmente largará o cinema em prol da música. Falcão Negro em Perigo(2001): grande elenco masculino em um típico filme de ação. Primeiro filme do diretor da Turquia, um país que se revelaria barato em locações em filmes potencialmente lucrativos em bilheteria. Cruzada (2005): linda fotografia e Orlando Bloom mais ainda.O Gângster (2007): um excelente filme como há tempos não havia. Absolutamente o longa mais menosprezado do diretor. Com essa carreira tão cheia, não poderia deixar de conferir Rede de Mentiras (2008). Leonardo DiCaprio continua mantendo segurança e maturidade em suas interpretações e Russel Crowe mais uma vez dá um banho, mesmo sendo co-adjuvante. A príncipio o filme pode parecer confuso, principalmente se você não compreende muito os conflitos “muçulmano-judaico-palestico-sírio-jordaniano”. A edição também me pareceu muito precisa. Mas o que realmente me deliciou foi ver o elenco inteiro de Paradise Now (2005) fazendo ponta. Quem viu esse longa palestino vai me entender... Enfim, Ridley Scott mais uma vez nós apresenta um bom blockbuster, daqueles que você vê comendo pipoca e é capaz de descartá-lo antes do fim do saco.
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