Varinhas ao Alto!

harry-potter-6-a-blogueiraConfesso que pela primeira vez, em quase um ano de blog MovieYou, não sei que nota dar para um filme. Falo isto não pela confusão que o filme me causou a mente, e sim aos espectadores que compartilharam a sala de cinema comigo por mais de 2 horas e meia. Explico. Hoje assisti a sessão de estréia de Harry Potter e o Enigma do Príncipe (2009) promovida pela Aliança Potteriana,  um fã-clube de Harry Potter aqui de São Paulo. O local estava repleto de juvenis descontrolados, fantasiados de personagens da saga bruxa e pecaminosamente alguns deles seguravam um exemplar de um dos livros da saga Crepúsculo nos braços. Quanta heresia! Mas o melhor, ou melhor, o pior ainda estava por vir. Durante a sessão não houve um minuto de silêncio sequer. Compreendo que momentos excitantes do filme, como o beijo de Harry e Gina mereçam gritinhos. Porém estava absolutamente insuportável a gritaria. Para cada fala, surgiam comentários maliciosos e de segundas intenções. Era muito hormônio e sexo reprimido junto, portanto, cada cena podia sim ter sua dose de interpretação sexual! Esperava particularmente entrar num clima de suspense, algo dark, pesado… Só que os tais fãs imaturos não me permitiram saborear a magia deste longa. A única parte digna de menção é quando Dumbledore morre. Foi a única cena em que todos ficaram em silêncio, empunharam suas varinhas fantasiosas em respeito ao mago. Pena que faltou este respeito no resto da projeção, para assim haver uma apreciação do começo do fim da saga. Isto agora infelizmente ficará para As Relíquias da Morte Parte 1 e 2. E sem sessões promovidas por fã-clubes!

Harry Potter e o Enigma do Príncipe 30 Comentários
Deus e o Diabo na Terra de Glauber

deus-e-o-diabo-na-terra-do-sol-a-blogueiraO longa Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) foi filmado quando Glauber Rocha tinha aproximadamente 25 anos. Com sérias restrições orçamentárias, é famosa a cena final, tanto pela habilidade no plano sequência quanto pela queda acidental da atriz Yoná Magalhães. Como era o último trecho no rolo de película que a produção possuía, a cena não pode ser refeita e a queda foi incorporada na edição. Baixo orçamento a parte, Glauber conseguiu conceber sua primeira obra-prima. A trama se desenrola sobre dois vértices que dividem o personagem central de Manoel (interpretado por Geraldo Del Rey) entre o bem e o mal. No lado divino temos a figura de Antônio das Mortes (Maurício do Valle), um pregador aos moldes de Antonio Conselheiro, que é capaz de com suas palavras colocar sertanejos contra os poderes políticos. No outro extremo temos o demoníaco Corisco (Othon Bastos) um cangaceiro que jura vingança pela morte de seu líder Lampião. Como se pode notar, o roteiro do filme que foi marco no movimento do Cinema Novo, incorpora personagens históricos que são apenas citados, mas que influenciam diretamente no destino de todos os envolvidos no desenrolar dos acontecimentos. Baiano de nascimento, Glauber procurou incorporar as questões sócio-políticas que afrontam os nordestinos de uma maneira alegórica e contundente. E quase 30 anos depois de sua morte, tudo continua tragicamente igual.

Deus e o Diabo na Terra do Sol 2 Comentários
Scrat In Love

a-era-do-gelo-3-a-blogueiraO carioca Carlos Saldanha é o típico exemplo de brasileiro que deu certo na complexa hierarquia da indústria hollywoodiana. Seu invejável currículo possui uma indicação ao Oscar pelo curta de animação Gone Nutty (2002), no qual a grande estrela é Scrat, o atrapalhado esquilo que nos encanta pela sua eterna saga em busca da noz. O personagem criado por Saldanha é tão carismático que roubou a cena em todos os longas da trilogia A Era do Gelo. Neste último, A Era do Gelo 3 (2009), Scrat pode finalmente ter a chance de perpetuar a espécie de viciados por nozes ao dividir a cena com a sua equivalente feminina Scratte. Se mostrando muito mais esperta, como toda a boa fêmea, ela consegue levar a melhor logo no trailer (que pode ser visto abaixo) deixando nosso pequeno herói de queixo caído e completamente apaixonado, ou melhor, bobo de amor! As gags dos dois esquilos pontuam a trama, intercalando as cenas dos outros personagens: a preguiça Sid, os mamutes Ellie e Manny, os gambás Crash e Eddie e o tigre dente de sabre Diego. Outro coadjuvante que rouba a cena é a doninha Buck, que reproduz geologicamente o complexo de Moby Dick e Ismael ao fazer da sua razão de viver a busca por uma fera jurássica. Apesar das trabalhadas dos personagens centrais e da fofura de seus filhotes, nada substitui os amáveis e amados esquilos.

Youtube{http://www.youtube.com/watch?v=uGLh8uktrmA}

A Era do Gelo 3 1 Comentário
Umas Balas pelo Museu

trama-internacional-a-blogueiraO longa alemão Corra, Lola, Corra (1998) figura ao lado de Trainspotting -- Sem Limites (1996) e Réquiem Para um Sonho (2000) como os filmes moderninhos favoritos dos cinéfilos. Porém, eles foram os 3 primeiros filmes de grandes cineastas da atualidade que precisaram carregar o peso de comparação nos seus próximos trabalhos. Danny Boyle de Trainspotting ao menos conquistou diversos estatuetas do Oscar por Quem Quer Ser Um Milionário? (2008) e Darren Aronofsky conseguiu dar um Globo de Ouro para Mickey Rourke e Bruce Springsteen por O Lutador (2008). Mas o que dizer de Tom Tykwer que não conseguiu nenhum trabalho de expressão após o longa de Lola? Seu Perfume -- A História de um Assassino (2006) foi achincalhado pela crítica, e Trama Internacional (2009) tem seguido o mesmo destino cruel. Mesmo contando com o talentoso galã Clive Owen, que penso daria um excelente James Bond, o longa opta por aquelas histórias de suspense que sempre me deixam confusa. São tantas sub-tramas, jogos de poder, disputas de corporações e órgãos de governos que é impossível não se perder em quem tem que enfrentar quem e aonde todos aqueles tiros e perseguições vão dar. Finalizo que o filme vale pela cena do tiroteio no museu, e ponto! De resto, ainda prefiro ver Clive Owen em Closer -- Perto De Mais (2004) ou nos curtas YouTubinianos da BMW, e também esperar um novo ímpeto criativo de Tykwer.

Trama Internacional 2 Comentários
Go Johnny Go!

de-volta-para-o-futuro-a-blogueiraA cinematografia hollywoodiana é feita de muitos erros, enganos que chegam a ser clássicos. Falo isso, pois perdi a contas que quantas vezes tive que esclarecer certos pontos que o faremos hoje neste post. O primeiro deles é aquele em que todo mundo pensa que O Estranho Mundo de Jack (2003) é do Tim Burton, mas ele apenas produziu e roteirizou a história. Como esclarecemos no post de Coraline e o Mundo Secreto (2008) o diretor responsável por toda aquela massinha cantante é Henry Selick. Outro engano muito comum é de que Quentin Tarantino dirigiu O Albergue (2005). Ele também apenas o produziu e todo o roteiro e direção ficou a cargo de Eli Roth, que em breve poderá ser visto atuando como um dos generais de Bastardos Inglórios (2009), este sim totalmente Tarantino. Até George Lucas não dirigiu todos os filmes da sua saga Star Wars. O Império Contra Ataca (1980), o melhor longa da trilogia clássica, foi dirigido por Irvin Kershner que acabou 10 anos depois dirigindo Robocop 2 (1990). E finalmente um engano clássico será desmistificado no post de hoje: Steven Spilberg NÃO dirigiu ou roteirizou a trilogia De Volta Para o Futuro. Ele também apenas produziu. Quem dirigiu foi Robert Zemeckis. E você pode estar se perguntando o que mais esse tal aí fez? Que tal a direção de Forrest Gump (1994), Contato (1997), O Náufrago (2000), Revelação (2000), O Expresso Polar (2004) e Beowulf (2007)? O roteiro Zelick dividiu seus escritos com Bob Gale, que dirigiu um filme muito bom que é um verdadeiro achado, apenas disponível em VHS no país: Viagem Sem Destino (2002). Com um elenco que conta com Gary Oldman, Michael J. Fox, James Marsden, Christopher Loyd, Chris Cooper, entre outros, retrata um grande road-movie misturado com boas doses de fantasia. Recomendo. De volta para onde estávamos, De Volta Para o Futuro é a grande trilogia que marca os anos 80. Com 3 histórias que se interligam totalmente no espaço e tempo somos conduzidos aos anos de 1885, 1955, 2015 e depois nos idos de 1800 no Velho Oeste. Quando revi a trilogia a pouco tempo atrás lembrava tudo do primeiro e do terceiro filme. O primeiro, quem nunca o viu na Sessão da Tarde que atire a primeira pedra. Agora o segundo, parecia que o estava vendo pela primeira vez, com toda aquela noção de um futuro super hi-tech que certamente não estamos vivenciando. Sim porque nós somos o futuro da década de 80, louco não?! O terceiro filme pode ter sido o menos visto por muitos, mas para mim é o mais engraçado. Tenho uma certa queda por faroestes e ver Martin McFly se apresentando como Clint Eastwood é de gargalhar! Outra pessoa desta produção que devo parabenizar é Alan Silvestri que compôs a trilha sonora do filme. Este também é um cara de um currículo e tanto, com duas indicações ao Oscar de melhor trilha sonora por Forrest Gum (1994) e O Expresso Polar (2004). Para você ver, como a indústria do cinema é composta por grandes nomes, mas , por favor, vamos dar os devidos créditos!

Trilogia De Volta Para o Futuro 5 Comentários
Conduzindo os Riscos

duplicidade-a-criticaO nova-iorquino Tony Gilroy é o responsável pelo roteiro de diversos bons filmes de ação ou suspense como Advogado do Diabo (1997), Armageddon (1998), Prova de Vida (2000) e os três longas da Trilogia Bourne. Com tanto crédito positivo, seu primeiro longa no qual além do roteiro conduziu a direção foi rodeado de expectativas. O resultado totalmente positivo pode ser visto em Conduta de Risco (2007) que garantiu uma das melhores interpretações de George Clooney e um Oscar para a andrógina, mas sempre excelente Tilda Swinton. Ainda falando de Oscar, o próprio Gilroy foi indicado a melhor roteiro original e direção naquele ano. Um filme que concorreu um total de 7 Oscars incluindo melhor filme não deixaria seu diretor passar em branco. Em Duplicidade (2009), seu segunda longa na dobradinha “Escrito e Dirigido por” Gilroy conseguiu a façanha de nos deliciarmos um belo e surpreendente roteiro, totalmente imprevisível. Além disso, proporciona que vejamos Clive Owen e Julia Roberts a vontade no papel de dois espiões trambiqueiros. Agora se você pensa que haverá FBI ou CIA no meio, está muito enganado. A trama toda gira em torno da dita espionagem industrial, algo que pelo visto deve ser lugar comum nas grandes corporações, conglomerados e multinacionais. A guerra de patentes é secreta e vence quem consegue roubar primeiro do outro. Pena que duas falhas grotescas atrapalhem o longa. A primeira são as janelinhas estilo 24 horas que não casam com a edição de vai e volta no tempo. É a segunda é a trilha sonora de sons remetendo a algo cubano e caribenho que nada tem a ver com o clima de capitalismo e malandragem. Cortou o clima e só aquele olhar por baixo dos óculos escuros de Clive Owen para retomar.

Duplicidade 1 Comentário
Finalmente um Filme da MINHA Geração!

apenas-o-fim-a-blogueira1Relacionamentos amorosos. Todos vivem algum sabendo claramente que um dia eles começam, mas que um dia eles também acabam. Eles podem durar 4 dias como em As Pontes de Madison (1995), um verão como em O Segredo de Brokeback Mountain (2005) ou boa parte da vida como em O Curioso Caso de Benjamin Button (2008). Começar é fácil. Flerte, beijo, sexo, amor. E acabar? Pode ser a fuga de um, a briga de ambos, um matar o outro ou os dois se matarem. Mil casos infinitos de amor se espalham pelas tramas da cinematografia mundial. Mas finalmente o cinema brasileiro ganhou um longa a altura de toda uma geração que assistia Chaves e Cavaleiro dos Zodíacos, enquanto sonhava com o garoto mais bonito da sala ouvindo Back Street Boys ou tentava conquistar a menina dos sonhos usando camiseta de time de basquete norte-americano e blusa de flanela amarrada na cintura. Sim, pois a geração anos 90 também ama… e também termina seus amores. Falo de Apenas o Fim (2008) do ainda estudante de cinema na PUC/RJ Matheus Souza. Rifando uma garrafa de whisky e com boa vontade da galera do seu curso ele fez valer seu mais belo roteiro “woody-alleano”. A trama é simplória. Casal de 20 e poucos tem a sua última e derradeira conversa, meio lavação de roupa suja, antes de cada um ir pro seu lado. O que engrandece tudo isso são os geniais diálogos que citam Omelete, Jovem Nerd, Pokemón, He-Man, Super Trunfo, Menthos, Coca-cola, Mc Donald’s, Transformers, Star Wars, Bozo, Vovó Mafalda e tudo mais que marcou a vida de muitos. É de gargalhar com as sacadas. E também de chorar, pois quem nunca teve que terminar e ir pro seu lado, seguir sua vida, seu rumo mesmo que sem rumo? É clichê falar de amor ou falar que falar de amor é clichê que é clichê? Confusão nerdiana que nada. Apenas o fim, do que ficou pra trás e apesar de toda a mágoa será carregado no peito, pra sempre, melancolicamente, com muito amor.

Apenas o Fim 2 Comentários
Páginas Duras de Ler

tropa-de-elite-a-blogueiraEm 2007 Tropa de Elite foi o grande fenômeno de crítica e público. José Padilha conseguiu o feito de ganhar o prêmio máximo no Festival de Berlin, conceituado entre os filmes alternativos, assim como ir parar na boca do povo e nos auto falantes de carros. Todo mundo repetia as frases do BOPE mostrada nos filmes e não tinha uma beira de praia no verão que não passasse um carro, de playboy ou não, entoando em alto e bom som o Rap das Armas tocado no longa. Muito se especula se o filme terá uma continuação e se essa continuação terá uma boa base como teve o primeiro. Esta semana tive a prova de que sim, um Tropa Elite 2 de alto nível é possível. Explico. Depois desses anos de atraso finalmente li nesta semana o livro Elite da Tropa em  Luiz Eduardo Soares, André Batista e Rodrigo Pimentel escancaram a realidade da polícia carioca. Quando digo que o roteirista Bráulio Mantovani se baseou levemente na obra escrita para fazer a audiovisual não é mentira. A primeira parte do livro tem diversas pequenas histórias que ocorreram com diversas pessoas conhecida dos autores. No filme essas histórias se transformaram numa linha de raciocínio próprio que usa um pouco delas. Mas quase 80% do filme não esta no livro. A outra metade de Elite da Tropa é totalmente inédita, nada dela foi mostrada ainda. E aí que pode entrar a trama da continuação. E espero que ela saia logo se não “Pede pra sair, zero-dois!”

Tropa de Elite 1 Comentário
Complexo de Édipo e Jocasta Santificado

a-festa-da-menina-morta-a-blogueiraHá algum tempo atrás vi uma matéria no CQC do Oscar Filho entrevistando pessoas após a saída de uma sessão especial de A Festa da Menina Morta (2008). A maioria delas , não sei se por uma amostragem concisa ou vício na edição da reportagem, estavam confusas e não conseguiam digerir o filme e comentá-lo de forma coerente diante das câmeras. Algumas falavam coisas tão sem nexo que chegou a ser hilário. (Para ver a matéria CLIQUE AQUI). Pois bem, com isso em mente lá fui eu sentar na poltrona da sala escura e ver a estréia de Matheus Nachtergaele na direção. Seguindo as tendências dos filmes underground dos últimos tempos, o longa não tem uma trilha sonora musicada. As únicas canções são os hinos religiosos entoados em cenas como a da procissão da Menina Morta. O resto é só ruído: torneira pingando, porco estripando, copo quebrando, chuva caindo, passos correndo, vento soprando, gente passando e santo recebendo. A história tem esse título, pois o personagem de Santinho (Daniel de Oliveira) 20 anos antes quando ainda era uma criança recebeu das mãos de um cachorro o vestido rasgado de uma garota de sua vila no meio da Amazônia que havia desaparecido e possivelmente morrido. A partir deste dia Santinho uma vez ao ano, durante a tal Festa da Menina Morta, em seu aniversário, ele fala com o espírito da pequena e opera bênçãos em milagres graças a este contato mediúnico. Esta trama central nos ajuda a questionar o quanto a fé pode sim capitalizar as pessoas já que no longa uma marca de cerveja patrocina a festa religiosa e têm-se até show de músicas nada sacro-santas durante esta. Nada muito diferente de pastores evangélicos que enriquecem com o dízimo alheio ou com as milhares de barracas de camelo ao redor de templos católicos como São Judas, Aparecida do Norte e Terço Bizantino. Afinal cada um tem que levar seu trocado e ainda deixar um pro santo. Mas o que mais me chamou a atenção no filme foi uma trama paralela que pode passar desapercebido mas é de suma importância. O papel da Mãe (Cássia Kiss) na vida de Santinho. Pra ele, ela após um acidente/suposto suicídio está morta. Além disso claramente desde o começo sabemos que ele se veste de mulher, tem trejeitos histéricos e afeminados e mantêm relações sexuais incestuosas com seu pai (Jackson Antunes). O porquê de tudo isso você entenderá com o tempo ao perceber que ele é fisicamente parecido com a mãe, usa um vestido que era dela e sim, claro, ocupa o seu lugar no leito nupcial ao lado do pai! Isso mesmo, numa bagunça louca do complexo de Édipo e Jocasta freudiano Santinho quer matar a mãe para desposar o pai! E é o que ocorre, é como a sua vida é conduzida. Alguns acontecimentos durante a Festa da Menina Morta podem nos dar a impressão que haverá a transformação de todos os personagens que permeiam o santo garoto. Infelizmente o que ocorre é a mais completa mesmice rotineira, nada acontece, tudo continuará igual após os créditos. Até o rio ao lado da vila tem mais força de vontade de mudar seu curso do que os cegos pela fé. Faltou ai muita fé em si próprio.

A Festa da Menina Morta 1 Comentário
Tira a Peruca, Miley, Tira!

hannah-montana-a-blogueiraAo final da exibição em cabine do longa Hannah Montana – O Filme (2009), virei para minha priminha (agora com 11 anos) e indaguei para ela: “Deixa eu ver se entendi direito. A cidade inteira viu que ela tirou a peruca loira, revelando sua verdadeira identidade. Mesmo assim todos pediram para ela colocar a peruca dizendo que ela fica melhor assim e prometendo guardar o segredo dela. A cidade inteira?!” “Sim, isso mesmo” ela me confirmou. Fiquei indignada e depois me recordei que esta péssima peça cinematográfica nada mais é do que o fruto da máquina de dólares Disney. Sim aquela capaz de fazer obras-primas como A Bela e a Fera (1991) mas também de verdadeiros caça-níqueis como a Hannah Montana. É uma tristeza, pois a protagonista interpretada por Miley Cyrus tem uma bela voz e talento genuíno para compor. Porém, quando coloca a peruca vira mais uma pop-starzinha pronta para sumir ao primeiro escândalo. Uma lástima. Tristeza maior é ver que o público majoritariamente fisgado por essa bobagem são os pré-adolescentes, aqueles pequenos seres que não se acham mais crianças, mas que ainda não adentraram totalmente nos conflitos da adolescência. Valorizar uma heroína que prioriza esconder seu verdadeiro “Eu” atrás de uma peruca em prol de fama e fortuna é uma verdadeira desgraça. Bem, fica aqui meu apelo: “Poxa Miley, você na versão morena é tão autêntica e talentosa, tira essa peruca, vai!” Até minha priminha hipnotizada concordaria.

Hannah Montana - O Filme 6 Comentários