Mariana Bonfim é amante da sétima arte. Já flertou muito com o cinema norte-americano, mas agora prefere affairs mais consistentes, como o cinema brasileiro, latino-americano ou europeu. Atualmente mantêm encontros periódicos com a argentina Lucrecia Martel, o espanhol Pedro Almodóvar e o brasileiro José Padilha.







Poder, Luxúria e Cobiça.

terça-feira, 18 de novembro de 2008
Scarface

Scarface (1983)
Brian De Palma

Certa vez ao adentrar o Centro Acadêmico de um curso de administração, me deparei com as 3 palavras que dão título ao post: Poder, Luxúria e Cobiça. Elas estavam devidamente acompanhada de fotos e pôsters do longa Scarface (1983). É claro que meu cérebro ficou processando a informação por diversos minutos, buscando compreender o porquê de aquelas 3 palavras serem a meta para a um futuro administrador e, principalmente, o que Al Pacino e seu Tony Montana tinham a ver com aquilo. Dessa forma conclui que se um sádico traficante de cocaína cubano for um modelo de vida para nossos futuros formandos, vamos continuar tendo um Brasil de alienados que buscam apenas recompensa financeira, enquanto são governados por políticos corruptos que lideram a nação como um imenso jogo de xadrez em que as peças então usando vermelhos narizes de palhaço. Cabe também acrescentar a razão de ter colocado Scarface como Clássico em DVD da semana. Ao publicar o post sobre o filme Na Mira do Chefe (2008), apresentei o dado de que a palavra fuck é pronunciada 126 vezes durante o filme. Recebi alguns comentários questionando se o longa então batera Scarface em fucks. E graças a nossa querida Wikipédia descobri os reais detentores desse recorde. Em primeiro lugar com 246 fucks temos Os Bons Companheiros (1990) de Martin  Scorsese e a medalha de prata vai para Scarface com 182 pronúncias da referida palavra. Pelo visto o próximo Clássico em DVD deverá ir para Scorsese... aguardem!

Recorde de “Fucks” por Minuto

domingo, 16 de novembro de 2008
Na Mira do Chefe

Na Mira do Chefe

E temos um novo recorde, talvez equivalente ou superior a filmes do Tarantino ou de gângsters em geral. Em Na Mira do Chefe (2008), do diretor inglês Martin McDonagh, a palavra fuck é  pronunciada 126 vezes durante os 107 minutos de filme. É praticamente um fuck por minuto... Mas tudo bem, mesmo com um roteiro pontuado de muitos clichês do gênero além dos infindáveis palavrões, McDonagh consegue arrancar marcantes interpretações dos astros Colin Farrell (Miami Vice – 2006) e Ralph Fiennes (O Jardineiro Fiel - 2005). Talento também não falta para Brendan Gleeson (Beowulf – 2007) que rouba algumas cenas com Colin ou estabelece uma química incrível de atuação com o ator irlandês. Cabe ressaltar que os clichês existentes que apontei fazem parte do jogo de humor britânico que o cineasta propõe. Portanto, se você não curte, por exemplo, os filmes do Guy Ritchie que são lotados de piadinhas no meio da pancadaria, melhor não encarar Na Mira do Chefe. Agora se você gostar de algo do gênero, irá se deliciar, principalmente com os pseudo-conflitos éticos e morais que rondam os personagens. Para tirar a dúvida, basta conferir o trailer abaixo. E não se esqueça de contar quantos fucks tem nele...

Não é o Cinema que Imita a Vida…

sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Pan-Cinema Permanente

Pan-Cinema Permanente

... Mas é a vida que imita o Cinema. Está aí mais uma lição ensinada a nós mortais, pelo poeta Waly Salomão. Após 15 anos recolhendo imagens pessoais e, portanto, extremamente performáticas, seu amigo e documentarista Carlos Nader pôde nos proporcionar a obra Pan-Cinema Permanente (2008) que procura transmitir um pouco dessa personalidade que oscila entre o bizarro e o encantador. O que dizer de cenas em que ele dialoga com uma desconhecida sobre como o Barão do Rio Branco teria dominado o mundo? Ou quando ele discute com um dos membros da banda AfroReggue de que a Justiça é algo que tarda E falha! E assim era seu cotidiano, sendo amado ou odiado por assumir a grande filosofia de que a vida é um imenso palco de teatro onde todos interpretamos usando máscaras e fantasias. Ou onde todos são atores de um filme, as vezes épico , dramático ou engraçado. Mas tudo sempre imaginado, fingido, disfarçado ou confundido. Não se preocupe em assistir ao documentário sem ter a menor idéia de quem é esse tal de Waly Salomão. Eu também não o conhecia e somente após a sessão tive uma pequena amostra de sua galeria de personagens fantásticos. E pode acreditar que nem seu mais próximo amigo pode um dia compreender totalmente essa persona tão complexa. Finalizo com um poema de sua vasta galeria de alucinações elucidativas. "Câmara de Ecos: Cresci sob um teto sossegado,/meu sonho era pequenino sonho meu./Na ciência dos cuidados fui treinado./Agora, entre meu ser e o ser alheio/ a linha de fronteira se rompeu."
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