A Floresta como Mente Depressiva

Anticristo A BlogueiraPolêmico e contraditório, o cineasta dinamarquês Lars Von Trier sempre utilizou métodos pouco ortodoxos durante a concepção de suas obras cinematográficas. Seja respeitando as características minimalistas estabelecidas pelo Dogma 95 (movimento criado por ele e hoje desaparecido) ou pela direção de atores “terrorista” que traumatizou grandes estrelas hollywoodianas do porte de Nicole Kidman ao ponto de nunca mais aceitarem trabalhar sobre a tutela de Trier. Dançando no Escuro (2000) e Dogville (2003) são seus trabalhos de maior destaque junto ao grande público.  No primeiro, Trier soube extrair da exótica cantora islandesa Björk uma interpretação forte e marcante. No segundo, chocou público e crítica ao se utilizar de uma linguagem limpa e teatral para relatar sua visão irônica de como o país mais imperialista da atualidade, os Estados Unidos da América, é uma terra de cruéis oportunidades. Nos últimos 2 anos, o diretor passou por uma forte crise depressiva e como válvula de escape de suas tristezas jogou na tela do Festival de Cannes o resultado final de sua paranóia: Anticristo (2009). Dividido entre vaias e aplausos, o longa chega agora no Brasil causando o mesmo estrago de choque e incompreensão entre cinéfilos e críticos de cinema. A sinopse do filme é a de um casal que, durante um fervoroso ato sexual, não percebe que seu pequeno bebê está caminhando em direção a janela, em direção a morte. Após o enterro, a mãe cai em profunda depressão e o marido, psicanalista profissional, resolve utilizar seus próprios métodos para curar a esposa, algo que qualquer profissional da área condenaria, pois a ética básica de muitos terapeutas é manter o distanciamento familiar e emocional. A técnica que o marido resolve utilizar é a de conduzir sua esposa para a cabana da família no meio da floresta chamada Éden, onde ele nutre a esperança de que irá curá-la de seus traumas.Os personagens não têm nome, são designados apenas como Ele e Ela. Ele é encarnado por Williem Dafoe, um ator que sempre se mostrou acima da média em suas interpretações, mesmo como “vilãozinho de quinta categoria” em blockbusters do naipe de Velocidade Máxima 2 (1997). Ela é Charlotte Gainsbourg atriz inglesa que atuou no excelente Não Estou Lá (2007) e que depois de Anticristo entrou na minha lista particular de “atrizes corajosas” graças a entrega explícita de sua personagem, a exposição máxima a que é submetida e a competência arrepiante de sua interpretação. Não é a toa que foi agraciada como melhor atriz pelo papel em Cannes, apesar de toda vaia à obra de Trier como um todo, especialmente na cena em que uma raposa de computação gráfica profetisa a frase “O Caos Reina”. Apesar da comicidade em se ver este pequeno canídeo tagarelando, ele possui sua importância simbólica dentro do filme. A raposa representa as contradições inerentes do ser humano em sentimentos de Independência/Comodidade, Passividade/Destruição, Medo/Audácia, todas características de comportamento oscilante que os personagens de Ele e Ela esboçam durante todo o filme. Há também outras simbologias distribuídas pela trama que ajudam a justificar o desenrolar do enredo. A ponte que Ela é obrigada a transpassar para se livrar de seus traumas representa a passagem do mundo sensível ao mundo ultra-sensível ou, no caso, a passagem de seu estado de letargia depressiva para a agitação psicótica. Para provar esse desvio de um estado a outro, em determinado momento do longa Ela usa uma roupa amarela contrastando com azul. O amarelo representa seu estado de intensidade e violência, enquanto o azul simboliza o vazio e o frio. Em outra cena um gavião passa voando sobre diversas samambaias. A samambaia, típica de ambientes úmidos, também está associada à transformação. Já o gavião é um animal cuja fêmea é mais forte que o macho, representando casais em que a mulher domina a relação. E é a partir daí que vemos a reviravolta na trama. Se antes Ele a tentava dominar com seus métodos de psicanálise, Ela que passa a comandar a situação ao torturá-lo de uma forma que faria inveja ao Jigsaw de Jogos Mortais (2004). Ao final, Ela se torna uma bruxa que Ele precisa queimar para que seus traumas e medos acabem. Feito isso, Ele deslumbra as figuras da Raposa, do Corvo, do Cervo: Contradição, Morte, Renascimento. Fim da história. Se concordarmos que tudo o que passou na tela durante a exibição de Anticristo é uma metáfora explícita do processo depressivo de Lars Von Trier, podemos concluir que o longa nada mais é do que a condução do espectador a estados depressivos, se utilizando de simbologias e da linguagem cinematográfica dominada pelo diretor. E se a vontade de Trier era ser provocativo ao ponto de incomodar a todos que vissem o filme, seja pelo baque, espanto ou nojo e explicitar todo o processo depressivo vivido, então sim, o diretor conseguiu o que queria. Nota máxima para o longa, mesmo com a raposa tagarela.

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Lágrimas de Prozac

Veronika Decide Morrer A BLOGUEIRAEm algum momento o escritor Paulo Coelho transitou em nossas vidas, fosse para admirarmos suas obras de auto-ajuda que conseguem ser bem vendidas nos quatro cantos do mundo, ou achincalhar o fato de, apesar da escrita mediana, o autor compõe a Academia Brasileira de Letras, mas especificamente a cadeira de número 21. Minha fase Paulo Coelho ocorreu nos meados da adolescência quando li Veronika Decide Morrer e O Dêmonio e a Senhorita Prym. Deste último, pouco lembro a trama. Veronika, ao contrário, foi mais marcante, especialmente pelo fato de que o livro, que pertencia a um amigo, rodou pelas mãos de quase todos da turma. O boca-a-boca foi tão grande que todos queriam ler sobre a suicida. Não sei qual seria a minha reação ao ler o livro hoje, mais de 10 anos depois da primeira leitura. Porém, confesso que me enchi de curiosidade logo nos primeiros trailers do filme Veronika Decide Morrer (2009) da diretora britânica Emily Young, primeira adaptação de uma obra de Paulo Coelho para a tela grande . O filme possui alguns rostos familiares no elenco, como David Thewlis que interpreta o psiquiatra do sanatório em que a personagem central é internada. David ficou conhecido por interpretar o personagem de Remo Lupin nos longas de Harry Potter e, por conta disto, foi difícil enxergá-lo em outro papel. Outra interpretação de destaque foi a de Melissa Leo, uma atriz de grande competência que só ficou conhecida do grande público este ano ao ser indicada ao Oscar por Rio Congelado (2008). E quanto a protagonista Veronika? Inicialmente quem ficaria com o papel seria Kate Bosworth, a Louis Lane de Superman – O Retorno (2006). Por motivos obscuros ela desistiu da empreitada e Sarah Michelle Gellar, a eterna caça-vampiros Buffy, assumiu o papel, uma escolha aparentemente mais acertada. Sarah com 32 anos está longe de ainda querer interpretar “menininhas”e por isso mesmo é claro o esforço dela em querer encarar um papel mais forte e polêmico. E, apesar de não se deixar aprofundar pela trama em alguns momentos, Sarah me surpreendeu ao passar de forma competente pela cena mais difícil do filme. Não, não é a do suicídio inicial e sim quando ela toca piano e se masturba para um esquizofrênico. Tudo bem que os ângulos de câmera conseguiram esconder boa parte da eroticidade exigida, mesmo assim a atriz saiu aparentemente ilesa do constrangimento. Em resumo,o longa Veronika Decide Morrer acaba sendo “lugar-comum”, não pela mensagem obviamente otimista no final, mas por conseguir nos tocar e levar as lágrimas mesmo em nossa superficialidade.

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Loucuras e Preguiças

Os Normais 2 A BlogueiraDe Junho de 2001 a Outubro de 2003 a mini-série Os Normais foi um marco na TV Brasileira  pós-anos 2000 com tiradas sacadas e desbocadas do casal ficcional Rui (Luis Fernando Guimarães) e Vani (Fernanda Torres). Não há casal na vida real que não se identifique com todos os percalços no relacionamento deles com a maneira tão peculiar e desbocada que eles tratam de sexo, dividir o apartamento ou contas a pagar. Essa química pode-se explicar por um interessante ponto, pois os roteiros do programa foram justamente elaborados por um casal, o roteirista e escritor Alexandre Machado e Fernanda Young, hoje apresentadora do Irritando Fernanda Young no canal pago GNT. O primeiro longa oriundo da franquia foi lançado em Outubro de 2003, logo após do final da série.  Intitulada Os Normais -- O Filme (2003), apresentava ao público um “filme-de-origem” ao expor em sua trama os percalços que fizeram com que Vani e Rui se conhecessem. E hoje, depois de 6 anos de lacuna, estréia em grande circuito Os Normais 2 – A Noite Mais Maluca de Todas (2009). Desta vez vemos como o casal passa pela crise dos 13 anos juntos, procurando das mais diversas formas como reacender a chama da rotina do relacionamento, bem a maneira do casal. A questão é que o filme parece de certa forma muito over em vários aspectos, seja a personagem de Vani excessivamente histérica ou Rui por de mais apagado. Há momentos bons, com gags semelhantes a da série. Mas, particularmente falando, não consigo mais rir com piadas que envolvam um animal quase em extinção e um comentário preconceituoso. Em dado momento do filme o casal se vê com uma preguiça em mãos. Detalhe que a preguiça insiste em fazer um determinado “barulinho” sendo que na vida real este doce mamífero da ordem Xenarthra não emite qualquer som. Pois bem, a preguiça aparece e o frame da cena é cortada para exibir os dizeres em tela preta e letras brancas: “Sabe o que resulta o cruzamento de um bicho-preguiça com um humano? Um baiano de colete.” Você riu aí do outro lado? Pois eu não… saudades de humor inteligente!

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Purpurina Ácida

Bruno BlogueiraQuem vê o britânico Sacha Baron Cohen soltando piadas preconceituosas, inclusive com judeus, ao encarnar seus alter-egos Ali G, Borat e Brüno não imagina que este é judeu de família tradicional com uma formação acadêmica de História em Cambridge, que incluí uma tese sobre o envolvimento de judeus na Guerra Civil Norte-Americana. Tanta cultura resultou em um ator e comediante especializado em conseguir arrancar as situações mais espontâneas e bizarras de famosos, sub-celebridades ou pop-stars, seja usando a escatologia ou o humor negro. Em 2006 Sacha se tornou conhecido mundialmente e no Brasil através do longa Borat: O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América (2006), cujo roteiro chegou a concorrer ao Oscar e ao Globo de Ouro. Mas, como diria seu novo personagem, “Borat foi tão 2006”’ e agora é Brüno (2009) que desopilará o nosso fígado com as infâmias do mundo vazio e superficial de quem busca fama a qualquer custo. Qualquer MESMO! Seja ironizando os famosos que adotam bebês africanos ou cantam canções ao estilo We Are the World pela paz mundial, a crítica pesada e bem humorada está ali. Mas o grande mérito de Brüno é mostrar de forma escancarada como a sociedade machista e homofóbica ainda trata a homossexualidade como anomalia e doença, vide os pastores especialistas em “converter” gays para o heterossexualismo ou os machões que agem de forma enormemente ríspida quando recebem uma cantada de outro homem. Só mesmo o humor para nos fazer voltar os olhos para os maus da intolerância que ainda atacam o seio da humanidade. E que venham mais Borats e Brünos para me fazer pensar em coisas sérias, mas também para me fazer rir com consolos de punhos de borracha ou pênis falante.

O Padrinho de um Gênero

O Poderoso ChefãoUm dos filmes mais badalados do ano passado foi Gomorra (2008) baseado no livro do jornalista siciliano Roberto Saviano. Longe de desmerecer o trabalho do diretor Matteo Garrone, o livro é de longe bem mais interessante principalmente por revelar uma verdade nua e crua da máfia italiana: se você pensa que o que vê nos filmes é inspirado no que acontece nos gangsters de verdade, está muito enganado. Pelo contrário, tudo aquilo que este gênero de filme mostra, como que acometidos por um grande senso de modismo, os criminosos passam a imitar. Alguns exemplos são bem interessantes, como os casos em que o grande culpado de inspiração foi o cineasta Quentin Tarantino. A maioria das guarda-costas de chefonas passaram a se vestir de amarelo queimado e pintar o cabelo de loiro depois que A Noiva interpretada por Uma Thurman em Kill Bill – vol 1 (2003) o fez. Um médico legista reclama das autópsias que precisa fazer, pois após o lançamento de Pulp Fiction (1994) os executores, ao atirar com a arma “de lado”, imitando Vincent (John Travolta) e Jules (Samuel L. Jackson) estavam mais dilacerando os corpos do que sendo letais. Mas o grande exemplo certamente foi o dado por O Poderoso Chefão (1972), o pai – ou seria padrinho?!- de todos os filmes de máfia. Mario Puzo ao criar o livro, e depois o roteiro, inventou o termo Padrinho para designar o chefe dos chefes no alto escalão dos sindicatos de mafiosos. O título original é inclusive Godfather, padrinho em inglês. Mas este termo é totalmente ficcional, nunca nenhuma máfia italiana o utilizou. Porém, depois do estrondoso sucesso da obra-prima de Francis Ford Coppola os criminosos sicilianos aderiram ao termo em um grande exemplo de vida imitando arte. E dentro da História do Cinema O Poderoso Chefão soube transpassar como nenhum outro a imposição de classificação em apenas um gênero, pois se for assim, ele é um filme que mistura praticamente tudo: drama, comédia, romance, suspense, policial… de uma forma unicamente bem cuidada. E finalizo deixando registrado o grande assombro do filme, claro, o próprio padrinho Don Corleone encarnado espiritualmente por Marlon Brando. Para quem possui qualquer pretensão nas artes dramáticas, este verdadeiro mito soube como ninguém aplicar o mais que conhecido Método de Stanislavski. E muito além disso, possui um dom de encarnar o outro mais do que simplesmente divino!

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Mel Roxo

a-vida-secreta-das-abelhasQuando nos propomos a assistir uma obra cinematográfica nós fazemos a nossa parte: sentamos na cadeira do cinema ou no sofá da sala e prestamos atenção no que esta sendo apresentado. Em contrapartida, o filme precisa fazer a parte dele: nos convencer, cativar ou comprar (não no sentido capitalista) para que a relação seja no mínimo justa e interessante. E falando de forma passional, não sei se foi a semana estressante, mas hoje fui ao cinema para puramente relaxar a mente. Até tinha comprado ingresso para ver À Deriva (2009) do brasileiro Heitor Dhalia. Porém minha mente insistia em afirmar que hoje não era o dia certo para vê-lo. Foi quando me deparei com o cartaz de A Vida Secreta das Abelhas (2008) e certa de que o elenco norte-america me faria ver um filme de roteiro “fácil de entender”, tipicamente hollywoodiano, foi o que me fez trocar o ingresso. Que bom que eu estava enganada, pois logo na primeira cena vemos a pequena protagonista aos 4 anos atirando e matando a própria mãe. Nada leve, não? Sendo assim, vemos o desenrolar do drama da adolescente Lily (Dakota Fanning enfim madura) fugindo com sua tutora Rosaleen (Jennifer Hudson justificando o Oscar de atriz co-adjuvante) em busca das origens de sua mãe, já que seu pai (Paul Bettany sempre competente) apenas sabe repreende-la e castigá-la. O destino a faz encontrar 3 irmãs com nomes de meses que possuem um apiário: August (Queen Latifah cativante), May (Sophie Okonedo uma revelação) e June (Alicia Keys tentando bancar a durona). O resto da trama não cabe revelar, só cabe acrescentar o contexto histórico do filme: A recém aprovação dos direitos igualitários entre negros e brancos, algo que soa tão paradoxal na Era-Obama. Portanto me senti muito plena ao ver esta obra tão bem cuidada pela diretora Gina Prince-Bythewood, um verdadeiro mel roxo.

Era uma Vez… Uma Segunda Chance!

o-contador-de-historiasDepois de duas incursões totalmente ficcionais no cinema com Por Trás do Pano (1999) e Cristina Quer Casar (2003), o diretor Luiz Villaça parte para um novo projeto: transpor para a grande tela a vida de Roberto Carlos Ramos no longa O Contador de Histórias (2009). O resultado é um filme tocante e honesto que soube equilibrar humor e drama na história difícil e sofrida de Roberto. Ao contar sua própria vida, o protagonista deixa claro que o que se passa na tela é o que ele viveu ou uma interpretação do que ele viveu, portanto, o público pode se preparar para cenas de fantasia infantil que o personagem vivia, ponto alto de cominicidade na trama. Já as partes ultra-realista são mesmo chocantes, e não é para menos pois menino foi logo aos 6 anos enviado a FEBEM por uma escolha ingênua e inocente de sua pobre mãe, que possuía mais de meia dúzia de filhos para alimentar com o seu trabalho como lavadeira na periferia de Belo Horizonte. Fugindo várias vezes da instituição, Roberto tinha tudo para ser o típico marginal que já vimos em filmes como Cidade de Deus (2002) de Fernando Meirelles ou Última Parada: 174 (2008) de Bruno Barreto. Mas por um golpe de sorte ou destino, o pequeno delinqüente conhece a pedagoga francesa Margherit, que acredita em sua recuperação e se empenha em educar o menino encantada pelo dom que o pequeno tem em contar de histórias. Longe de ser clichê ou melodramático O Contador de Histórias nos faz ri e ao mesmo tempo toca no ponto esperança, de que não podemos taxar preconceituosamente ninguém de irrecuperável, que todos possuímos chances, basta encontrá-las ou serem encontrados por ela.

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Mike Myers

HalloweenDepois de longas trash B do naipe de Rejeitados pelo Diabo (2005), o metaleiro Rob Zombie resolveu se aventurar de vez pelos filmes de terror “clássicos”. Para isso nada como ressuscitar uma grande franquia como o caso de Halloween (2007) embalado sobre milhares de “filmes de origem” que se encontram atualmente em voga. Na década de 70 o primeiro longa Halloween (1978), dirigido por John Carpenter fez escola, lançou a atriz Jamie Lee Curtis ao estrelato e serviu de base para mais de meia dúzia de filmes que procuram relatar a saga do homem por trás da máscara e assassino indestrutível sob qualquer bala de Magnum 357 Michael Myers. O problema é que além de chegar com 2 anos de atraso, a versão exibida no Brasil está mais amputada do que membro capado pelo facão de Myers. Basta conferir no trailer abaixo e depois o longa em circuito e perceber quantas cenas, as de violência pura e genuína, foram deliberadamente cortados pela distribuidora para que o filme coubesse na censura de 14 anos e não chocasse o público tupiniquim. No mínimo absurdo! Fica ainda outro absurdo: como o cultuado ator Malcolm McDowell que um dia sob a câmera de Kubric encarnou Alex de Laranja Mecânica (1971) pode se prestar a um papel tão chinfrim. É mesmo fim de carreira…

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Galgando os Degraus da História do Cinema

os-intocaveisEm meados da década de 20 o cineasta soviético Sergei Eisenstein foi marcante e inovador em diversos momentos do filme O Encouraçado Potemkin (1925), especialmente na cena do massacre de civis na escadaria de Odessa. Mais de 60 anos depois, o diretor norte-americano Brian De Palma iria se inspirar no russo para elaborar outra cena que marcou o cinema hollywoodiano, no caso aquela protagonizada por diversos gângsters, um carrinho com um bebê e sua mãe na Railway Station no longa Os Intocáveis (1987). (O resultado pode ser visto no link abaixo) Este filme se propõe a retratar uma caçada ao maior e mais conhecido gângster de todos os tempos, Al Capone, interpretado com prazer por Robert De Niro. Mas o destaque da trama fica por conta de Sean Connery, o eterno James Bond, em um interessante e maduro papel que lhe garantiu o Oscar de melhor ator coadjuvante. Na cerimônia da academia em 1988 o longa ainda seria indicado por Figurino, Direção de Arte e Trilha Sonora composta pelo italiano Ennio Morricone, que já foi responsável pela música de mais de 500 obras cinematográficas e por isso mesmo recebeu em 2007 um Oscar honorário pela sua contribuição a arte do cinema. Recriando com perfeição a criminosa Chicago em sua era dourada e gloriosa, Os Intocáveis transpassa os rótulos comuns a um filme de gângster para marcar por uma trama que sabe equilibrar momentos de alívio cômico e pancadaria generalizada (algo que Michael Bay não o fez em Transformers 2). É um daqueles filmes que não envelhecem, bons para ser visto por qualquer pessoa cinéfila, ou não, interessada em gastar algumas horas de sua existência em algo que lhe acrescente além do puro entreterimento. E fica como dica final para quem gostar do longa, resgatar a séria homônima que fez muito sucesso na década de 60 estrelada pelo galã Robert Stack.

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Instinto de Morte

instinto-de-morte-a-blogueiraSe a cara do Cinema Brasileiro atual é o Selton Mello, filme francês que se preze não pode deixar de ter em seu elenco Gérard Depardieu, mesmo que em participação especial. E no longa Inimigo Público N. 1 (2008) o veterano ator, que por sinal está BEM acima do peso, interpreta Guido, um mafioso no estilo padrinho de O Poderoso Chefão (1972). Mas a trama se centraliza em Jacques Mesrine, famoso gangster francês. A obra que está em cartaz em circuito brasileiro é o primeiro de dois filmes do diretor Jean-François Richet sobre Mesrine. Esta primeira parte se ambienta na década de 60 e mostra como um homem comum de família de classe média se tornou o mais procurado pela polícia parisiense. O segundo filme se propõe a relatar na década de 70  o declínio na carreira criminosa. Não há previsão da estréia do segundo filme em circuito nacional. O papel central é interpretado por Vincent Cassel, que nesta sexta-feira também poderá ser visto em circuito no filme brasileiro À Deriva (2009). Inimigo Público N.1 não possui uma trama inovadora, pois não será este nem o primeiro muito menos o último filme a glamurizar a vida de criminosos. Mas vale pela cena inicial que usa diversas câmeras em diversos ângulos para abrir a história, com uma situação que mais parece final de filme.

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