Mariana Bonfim é amante da sétima arte. Já flertou muito com o cinema norte-americano, mas agora prefere affairs mais consistentes, como o cinema brasileiro, latino-americano ou europeu. Atualmente mantêm encontros periódicos com a argentina Lucrecia Martel, o espanhol Pedro Almodóvar e o brasileiro José Padilha.







Todo Mundo Tem um Tio Que …

quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Mon Oncle

Mon Oncle (1958)
Jacques Tati

... é a ovelha negra da família! O tio que bebe de mais nas festas e começa a contar piadas de português. O tio eterno solteirão que tem um carrão e está sempre bem acompanhado. O tio atrapalhado que nunca consegue arranjar um emprego decente. O tio que te leva pra passear nos lugares mais legais. O tio que te dá aquele presente no Natal, aquele que você realmente queria ganhar. E não estamos falando de um par de meias! Pois é, a galeria de tios excêntricos não tem fim.  Mas na década de 50 todos os tios conseguiram ser reunidos em um único tio: Monsieur Hulot. O clássico personagem do diretor e ator Jacques Tati nos encantou em cerca de 5 longas, mas foi em Mon Oncle (1958) que o personagem mais despertou risadas. Com um cachimbo na boca, grunhidos e muita expressão corporal acompanhamos a saga desse tio mala ao lado de seu sobrinho que, é claro, o considera um herói e exemplo a ser seguido. Prestando um pouco mais de atenção além das situações pitorescas, nos deparamos com uma grande crítica a classe burguesa emergente da época com o seu culto a futilidade e alta tecnologia. Cabe ressaltar também que alguns podem estabelecer uma ligação de Monsieur Hulot com Mister Bean. Não, não é apenas coincidência porque a criatura inglesa imitou descaradamente o criador francês, seja no jeito atrapalhado quanto no fato de nunca pronunciar uma única palavra além de sons indistinguíveis. Finalizo então esse post com uma amostra da inocente originalidade de Jacques Tati.

Bushs, Husseins, Obamas …

terça-feira, 11 de novembro de 2008
Procedimento Operacional Padrão

Procedimento Operacional Padrão

O mundo está em polvorosa, pois a força e esperança de mudança está nas mãos de um homem: Barack Hussein Obama II. Parece até ironia que o novo presidente dos EUA possua o mesmo sobrenome do antigo inimigo número 1 da América: Saddam Hussein, hoje morto, enforcado, punido. Cabe lembrar que Obama assume com alta aceitação um cargo em que seu antecessor, George Walter Bush chegou a incríveis 60% de rejeição.  E o que levou a esse alto índice de repulsa se elevar a tal patamar? Dizer que foi apenas a crise econômica é pouco. E a invasão ao Iraque foi apenas a ponta do iceberg. Pelo visto hoje Bush também é condenado às vaias por ter obedecido á máxima “Olho Por Olho, Dente Por Dente”. Se a queda das torres gêmeas justificou uma guerra contra os terroristas, houve justifica para que os soldados americanos na prisão de Abu Ghraib, no Iraque, agissem na mesma moeda? E no fim o que tivemos foram terroristas sofrendo nas mãos de terroristas. Um exemplo de respeito a tratados humanitários, dignidade, ética e respeito. Tudo isso e mais um pouco está explicitamente destrinchado em Procedimento Operacional Padrão (2008), o novo documentário de Errol Morris, que também foi responsável por Sob a Névoa da Guerra (2003). Cabe aqui a ressalva de como o longa deve ser encarado por nós, brasileiros. Considerar que o que se mostra é uma realidade distante é inaceitável. Pois aqui, embaixo de nossos narizes, dentro de nossa nação, não se pode negar que ocorrem coisas muito piores que fios elétricos e humilhações na frente de máquinas fotográficas digitais. E se vocês acham que estamos falando de sacos de plástico e cabos de vassouras, melhor acordar da sua alienação...

It Will Be Better if You Really Fly Me to The Moon…

sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Os Mosconautas no Mundo da Lua - 3D

Os Mosconautas no Mundo da Lua - 3D

Comprando um presente para uma amiga no fim de semana passado ganhei 3 ingressos para conferir a versão normal (não a 3D, infelizmente...) de Os Mosconautas no Mundo da Lua (2008). Como estava devendo para minha priminha de 10 anos uma ida ao cinema a convidei e ainda disse que ela poderia levar uma amiguinha. Ela ficou meio relutante, dizendo que preferia ver High School Music 3 – O Ano da Formatura (2008), mas aceitou o convite. De qualquer forma tive que comprar para ela o kit pipoca do High School que vinha com um porta-MP4 do Zac Efron. Essas coisas me lembram de como nessa idade eu também era bobinha e gostava de comédias românticas e Back Street Boys. Ainda bem que o tempo passa e a gente cresce! Pois bem, a sala estava tranqüila e já sei que é normal crianças conversarem durante o filme e garanto que as duas meninas fizeram a maior bagunça na sala. Ao final as duas pimpolhas tinham adorado, achado super fofas as mosquinhas, etc e tal. E eu? Estava completamente entediada com a obviedade e precariedade da história e da tecnologia envolvida. Provavelmente a versão 3D teria sido menos pior porque em vários trechos do filme dava para perceber claramente que certas cenas só funcionariam na terceira dimensão, e eram a maioria delas . Sinceramente graças a Deus temos a Pixar para nos banquetear com animações digitais de altíssima qualidade. Ao ver Os Mosconautas fiquei com vontade de rever Wall-E (2008) isso sim animação de verdade com uma história super profunda e Apolo 13 (1995) que mostra que, sim, os americanos falharam em uma das idas á Lua.

Páginas: Anterior 1 2 3 4 5 6 7 8 ...15 16 17 Próxima