Para Espantar o Tédio, Dinheiro!
quarta-feira, 5 de novembro de 2008

La Dolce Vita (1960)
Federico Fellini
O que você faria com dinheiro sobrando a mais no bolso (de preferência na casa dos 6 zeros) se o tédio dominasse a sua rotina já tomada pela mais extrema futilidade? Passearia de lancha em Búzios, compras em Miami, jantar em Paris?! Bem temos ainda opções mais ‘quentes’, pois se um famoso jogador sem saber mais o que fazer com tanta grana decide contratar algumas ‘garotas aditivadas’, os personagens de La Dolce Vita (1960) decidem encarar uma opção mais careta, como um pequeno bacanal regado a destilados. Mas não é só este aspecto da vida banal e fácil do qual o filme do brilhante diretor italiano Federico Fellini trata. Temos até a questão das Celebridades, Caras, Quens, Contigos e Bundas... E para você perceber como o tratamento dado a esse mundinho marcou a história do cinema, temos o personagem Paparazzo, fotógrafo interpretado por Walter Santesso, que trabalha com Marcello Rubini (Marcello Mastroianni) um repórter que entrevista famosos, vivendo de ‘chupinhar’ a riqueza e luxos alheios. Temos aí a origem crua do termo que descreve os fotógrafos perseguidores de celebridades, denominados ‘paparazzi’. Num meio tão superficial e vazio, como encarar os sentimentos que desprendem dessa vida de marionetes? É o que o personagem de Mastroianni acaba se deparando quando pensa que se apaixona pela estrela hollywoodina Sylvia Rank (Anita Ekberg). Esse platonismo acaba não passando de um passeio de carro, um gatinho querendo leite, uma fonte e um quase beijo ... Aliás o mais famoso quase beijo da história do cinema, como você pode conferir no post da Crítica (colocar o link pro post) referente a este longa. La Dolce Vita (1960) acaba sendo um pouco assim, fragmentado e disperso, é o filme perfeito para se apreciar despretensiosamente, mesmo se tratando de um clássico.





