Em Junho de 2007 o jornal Folha de São Paulo noticiou que o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados havia permitido que um grupo de refugiados palestinos de origem iraquiana que viviam no campo de Al-Ruweished na Jordânia pudessem vivem no Brasil. Assim, em outubro de 2007 os diretores Stela Grisotti e Paschoal Samora viajaram para o Oriente Médio para registrar as 48 horas anteriores da viagem ao Brasil deste grupo e após nove meses, já no Brasil, o contato foi retomado para se constatar como estaria a vida destes palestinos sem pátria nas cidades brasileiras de Mogi das Cruzes – SP, Pelotas – RS, Venâncio Aires – RS e Florianópolis – SC. Este importante registro documental foi dividido em dois atos de meia-hora cada e pode ser visto no documentário de média-metragem A Chave de Casa (2009). Em diversos depoimentos temos contato com as diversas dificuldades vividas pelos palestinos em nosso país, que ultrapassam as questões de cunho cultural. Há o desabafo quanto ao fato do governo brasileiro apenas contribuir com os dois primeiros anos de aluguel e que, após este período, é necessário sobreviver com salários de no máximo R$500,00 dada a total ausência de inserção destas pessoas no mercado de trabalho de nosso país. Um dos entrevistados chega a brincar que com um salário assim, ele toma café no primeiro dia do mês e jejua nos outros 30. Mas o mais tocante é o depoimento de um refugiado que compara a sua vida ao mito de Sísifo. Na mitologia grega, Sísifo era considerado o mais astuto de todos os mortais por ter enganado a morte em duas ocasiões. Já na velhice, sua alma foi conduzida até Hades, deus do submundo, que o considerou um rebelde, lhe aplicando assim um penoso castigo: carregar uma grande pedra montanha acima, sendo que toda vez que se aproximasse do topo a pedra rolaria montanha abaixo. E assim seria por toda eternidade. Desta forma, uma tarefa que envolve um esforço repetitivo e inútil é denominada “Trabalho de Sísifo”. Com esta triste comparação tem-se ao final o predomínio de um o sentimento de vazio por vermos tantas pessoas separadas de suas famílias e ausentes de uma pátria que diversas gerações nunca a avistaram e podem nunca o fazer por questões políticas, econômicas, territoriais, culturais, religiosas e, porque não, desumanas.
O indigenista Vincent Carelli, atua a mais de 30 anos pelas aldeias de nosso país, chegando inclusive a trabalhar para a dita FUNAI (Fundação Nacional do Índio). A meu ver esta fundação, assim como o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), contribui de forma muito ineficiente para a proteção da natureza e das populações que vivem dela, afinal os interesses econômicos de fazendeiros, garimpeiros, madeireiros, usineiros, forasteiros e qualquer mais “eiros” que possam inventar parecem sempre estar acima de qualquer suspeita ou justiça para com esta questão sócio-ambiental. Durante 20 anos Carelli trabalhou em um verdadeiro vídeo-investigativo sobre o massacre de índios isolados que ocorreu na gleba Corumbiara ao sul de Rondônia. A área foi dividida e “concedida” para latifundiários durante o governo militar na década de 70. Estas terras totalmente inóspitas e inexploradas trazem fortes indícios de terem sido abrigadas por diversas tribos indígenas. De acordo com a legislação brasileira, se alguma tribo fosse encontrada a gleba não poderia se tornar outra coisa além de uma reserva indígena e ponto. Mas na falta da efetiva comprovação de presença indígena, o gado, e hoje a soja, podem infestar a região. Durante as 2 horas do longa documental vemos Carelli tentando provar a todo custo que os fazendeiros da gleba Corumbiara ignoraram qualquer lei e, literalmente, passaram por cima dos índios com tratores e balas. O cineasta demorou estas 2 décadas para finalizar e exibir o documentário Corumbiara (2009) pois havia a esperança de que se chegasse a um chamado “final feliz” em que se comprovassem os culpados e ocorresse a punição pelo massacre. Isto, é claro, nunca ocorreu. Com a exibição pública deste verídico retrato audiovisual no festival É Tudo Verdade deste ano volta-se a nutrir a esperança de que justiça seja feita, afinal genocídio é um crime que não prescreve mesmo após 20 longos anos.
O média-metragem Sobreviventes (2009) de Miriam Chnaidermann e Reynaldo Pinheiro já implica em seu título a temática central da qual trata a obra: homens e mulheres que se julgavam mortas pelos outros ou por eles mesmos por passarem pelas mais tristes penações, mas que estão vivos para semear sua história. Temos um detento que sobreviveu ao massacre do Carandiru, um mendigo que saiu das ruas, uma viciada em drogas que está limpa, presos políticos que sofreram tortura durante a ditadura militar, um soropositivo que ainda vive graças ao coquetel de remédios, uma mulher que teve depressão pós-parto e foi internada em um manicômio, uma mãe que perdeu duas filhas em um desabamento de terra sobre sua casa, uma grávida que sobreviveu a um grave acidente de carro, um professor negro que muito lutou para vencer o preconceito racial e um bandido que virou escritor. As imagens são simples: as pessoas sentam em uma confortável poltrona de veludo verde que está dentro do que parece um túnel de tijolos e seus depoimentos são intercalados com cenas de um ensaio da companhia de teatro Oficina e imagens de trens paulistanos correndo pelos trilhos. Tudo para metaforizar e enfatizar as belíssimos e comoventes falas destes sobreviventes do que valorizar a imagem em si. Assista a este documentário de coração e mente aberta, pois cada um tem a sua história, mas alguns têm uma trajetória especial e exemplar.
Em 1917 o artista francês Marcel Duchamp exibia ao mundo um urinol de porcelana com a assinatura R. Mutt como obra de arte. Antes mal-compreendido, hoje a pequena obra é avaliada em 3 milhões de euros. A partir deste fato, temos ao redor do mundo diversos artistas filhos desse movimento que hoje classificamos como Arte Conceitual, na qual a idéia em si é o aspecto mais importante da obra, sendo a sua execução um mero detalhe secundário. E em nosso ‘Brasil, brasileiro,’ um artista plástico carioca é o grande responsável por representar nosso país conceitualmente. Trata-se de Cildo Meireles que em 2008 ganhou o “Premio Velázquez de las Artes Plásticas”, concedido pelo Ministério da Cultura espanhol, além de expor suas obras em uma mostra na Tate Gallery em Londres. E na edição deste ano do festival internacional de documentário É Tudo Verdade o artista está presente no longa Cildo (2009) de Gustavo Rosa de Moura. Diferentemente dos tradicionais documentários de biografias, Moura foca mais nas obras do que nas histórias de vida do artista. Desta forma, a sala de cinema se transforma em uma extensão das instalações concebidas por Cildo, em cenas que na maioria das vezes imperam o típico silêncio de quem aprecia uma exposição. Se o público nunca pode ir conferir pessoalmente o trabalho do carioca, poderá apreciar através do documentário obras como: Malhas da Liberdade, Eureca, Missões, Babel, Fontes, Inserções em Circuitos Ideológicos – 2.Projeto Coca-Cola, Desvio para o Vermelho, entre outras. O filme nos faz, então, refletir qual é o papel das artes plásticas hoje e como a arte conceitual é algo completamente democratizado em uma tese concebida pelo próprio Cildo. E se nos primeiros minutos a projeção pode passar a sensação de que teremos uma “ego-trip” do artista plástico, basta ouvir do próprio Cildo sua identificação com Michael Collins, astronauta americano que pilotou a nave na missão Apollo 11 e permaneceu dentro do módulo lunar enquanto Neil Armstrong e ‘Buzz’ Aldrin exploravam a lua: a chance de estar acima de todos na Terra ao mesmo tempo em que aprecia de perto o momento mais importante da história humana sem efetivamente participar dela, apenas como um mediador. Este é Cildo Meireles.
A rua em que você vive recebe o nome de uma pessoa? E se alguém lhe perguntasse quem foi o fulano que dá nome a via pública que você reside, saberia responder? Eu particularmente não. E pelo visto os moradores da Rua Henning Boilesen, bairro do Jaguaré na zona oeste da cidade de São Paulo, também não o sabem. É justamente assim que o documentário Cidadão Boilesen (2009) do jornalista Chaim Litewsk se inicia, ao questionar aos moradores da dita rua quem foi o administrador que tem seu nome ostentado pelas placas da via. À medida que a projeção avança, mergulhamos na biografia deste cidadão dinamarquês inicialmente apresentado como alguém que se considerava brasileiríssimo, que gostava de samba, mulatas e caipirinhas. Chegou ao Rio de Janeiro de navio com apenas alguns trocados no bolso, que logo foram roubados. Com raiva da cidade mudou-se então para São Paulo onde seus conhecimentos como administrador e contador o levariam a crescer ao patamar de presidente do grupo Ultra Gás. Um homem esportista, simpático e eloquente. Quem não consideraria este cidadão Boilesen uma pessoa de boa fé? E é aí que somos apresentados a depoimentos que colocam em xeque esta imagem. Para quem dormia nas aulas de história esta parte do documentário pode ficar mais difícil, pois é falado do golpe militar de 64 e da repressão contra grupos de filosofia “comunista”. Sob forte influência dos ideais revolucionários de Che Guevara, grupos que iam contra o regime militar começaram a se estruturar em guerrilhas urbanas, pois acreditavam que apenas através da luta armada o povo conseguiria tomar o poder. Se Cuba conseguiu, o Brasil também poderia. E foi ai que o lado obscuro de Boilesen se revelou. Através de diversos depoimentos são reveladas de forma grotesca o ódio que o dinamarquês sentia pelos comunistas. Nunca foi comprovado, mas há suspeitas que ele junto com outros membros do empresariado brasileiro teriam financiado a chamada Operação Bandeirantes (OBAN), um órgão responsável pela repressão aos grupos terroristas de esquerda. Em resumo: TORTURA. Ex presos políticos relatam a presença do então presidente da Ultra-Gás assistindo as sessões de torturas revelando um lado extremamente sádico. E este sadismo teria aflorado na tenra infância. O documentário atravessa o atlântico rumo a Dinamarca onde tem-se acesso a documentos como o boletim de escola de Boilesen. Em um deles o professor relata que ao castigar alunos por uma briga durante o recreio o pequeno Boilesen teria assistido com um espantoso prazer seus colegas serem castigados. É de se arrepiar… Mas o que causa mais indignação é a conclusão de que nada pode ser provado e ninguém nunca será punido. Historicamente a ditadura e suas torturas ocorreram “ontem”, muitos envolvidos e vitimados estão vivos e não há novo governo democrático nenhum que esteja disposto a mexer neste vespeiro. Que se apodreçam as lembranças então, como as placas lá da ruazinha de Jaguaré estão a enferrujar pelo tempo, o descaso e o esquecimento.
Seres humanos normais choram, brigam, sentem raiva, tristeza, inveja, agonia e tudo mais de negativo que o nosso lado obscuro possa nos revelar. Poppy, não… Ela pertence a um tipo de ser que paira no extremo oposto a isto, talvez pertencente a uma variação desconhecida do homo sapiens. Esta inglesa de 30 anos segue uma filosofia de vida totalmente positiva: Só vê o lado bom das coisas e das pessoas, está sempre otimista, solidária, altruísta. Em resumo vive Simplesmente Feliz (2008). O novo filme do diretor Mike Leigh se revela um marco diferencial nos temas abordados em suas tramas anteriores. Segredos e Mentiras (1996) e O Segredo de Vera Drake (2004) eram fortemente dramáticos, com carga de culpa e revelações de suas personagens. Agora o segredo é revelar qual é a teoria da atração que faz Poppy se alegrar com tudo. Parece resenha de obra de auto-ajuda, não é mesmo? Porém em uma análise psicológica mais profunda é difícil classificar se a personagem sofre de uma espécie de patologia que a faz anestesiar seus sentimentos. E ao afinal das contas esta felicidade absoluta ou excessiva funcionaria como escudo as mazelas da vida. Se for irritante a forma como Poppy escolhe se proteger da feiúra do mundo, não podemos apontar o dedo e acusá-la. Se quiser então aponte o dedo quem nunca virou a cabeça se esquivando de olhar para um mendigo, fechou o vidro do carro na cara de uma criança pedinte, pulou a parte de política do jornal ou ao ver alguém sendo assaltado pensou “não é comigo”. É fácil acusar alguém que leva ao extremo se defender das desumanidades. Mas pior ainda somos nós que hipocritamente levamos um sorriso cínico ignorando o que há de errado no mundo, afinal não é conosco… Nunca! Voltemo-nos então ao nossos cascos de protecionismo e tchau Poppy, vá ser feliz de verdade em outro planeta que aqui na Terra pessoas como você são falsamente irritantes. Se fica difícil classificar quem se protege de quem , no fim é melhor concluir que no fundo nos protegemos de nós mesmos, ninguém quer sofrer e ponto. E o outro? O outro que seja feliz no seu quadrado. E cada um no seu…
A saga do médico/guerrilheiro/revolucionário/ícone/herói Ernesto “Che” Guevara tem sua primeira parte, intitulada Che – Parte 1: O Argentino (2008), estreando nos cinemas brasileiros na próxima sexta-feira dia 27 de Março. Saga maior que a apresentada foi a necessária para conceber um roteiro no mínimo crível e realista para expor todas as minúcias por trás de uma figura histórica tão complexa. Algo parecido já tinha sido feita de forma extremamente bem-sucedida em Diários de Motocicleta (2004) que mostrou um Che da ingenuidade ao aprendizado encoberta pela poética visão concebida por Walter Salles. Quanto ao Che de agora foram necessários cerca de 7 anos de pesquisas. E as grandes cabeças por trás da vontade de contar esta história em película foram o porto-riquenho Benicio Del Toro e o norte-americano Steven Soderbergh. A frente das câmeras um dos grandes atores da nova geração hollywoodiana, com interpretações de destaque como as mostradas em Traffic (2000), Snatch – Porcos e Diamantes (2000) e 21 Gramas (2003). E por trás das câmeras outro ícone da nova geração com a premiada direção de longas como Sexo, Mentiras e Videotape (1989), Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento (2000) e o próprio Traffic, que uniu essas duas figuras ao premiar um como melhor diretor e o outro como melhor ator co-adjuvante no Oscar de 2001. Mas na análise final do conjunto quem merecidamente roubou a cena em Che foi Del Toro. Não é a toa que foi ele o ganhador de melhor ator em Cannes ano passado e Soderbergh não colheu qualquer louro. Afinal o filme é de Del Toro, é ele quem rouba toda a atenção do filme e a direção acaba sendo mera co-adjuvante distante e neutra. Bom para o ator que joga a todos mais uma vez seu grande potencial e ruim para o diretor que precisará de mais alguns Bubbles (2005) para mostrar o seu potencial alternativo e underground. E preparem-se para a parte 2, a Guerilha boliviana.
Depois de mais de 50 anos a frente das câmeras Clint Eastwood se despede do foco da câmera em Gran Torino (2008), pois agora sua intenção é apenas prosseguir com a direção de longas, algo tão bem sucedido em obras como Sobre Meninos e Lobos (2003) e Cartas de Iwo Jima (2006). Mas penso que Clint escolheu um péssimo roteiro para encerrar suas atuações cinematográficas. Gran Torino é uma história altamente americanoide recheada de clichês. É daqueles filmes em que ao visualizar as primeiras cenas você já consegue determinar o final. Sim o final de Gran Torino é óbvio, pois é possível adivinhar logo de cara quem vai herdar o velho carrão de Eastwood ao final das contas, basta ser um pouco esperto. Que diferença no roteiro de outro longa de Clint, o Menina de Ouro (2004) cujo final é altamente surpreendente! Outro ponto fraco é a atuação dos atores secundários, a exceção do excelente Christopher Carley que interpreta o Padre que insiste em arrancar uma confissão do personagem de Clint. Tanto os atores que interpretam a gangue, quanto os vizinhos, são todos muito fracos. Sei que a intenção do diretor era captar pessoas das etnias retratadas, mas um pouco mais de treinamento nestes traria uma performance melhorada. E finalmente vamos a interpretação máxima que é a que nos interesse, a de Clint Eastwood por ser justamente uma despedida. Clint arrasa, pois o personagem é feito sob medida para tudo que ele viveu em sua longa carreira. Sarcástico, violento, um grande anti-herói que está na aposentadoria e vive seu momento derradeiro. E é isto, apenas isso que vale Gran Torino, para dizer adeus a esta verdadeira lenda cinematográfica.
O diretor norte-americano Ron Howard é praticamente uma cria de Steven Spielberg, não apenas por usar um boné que esconde a calvície, ao mesmo tempo em que proporciona um charme nerd. A trajetória cinematográfica de ambos é bastante similar. No caso de Howard, em seu currículo tem-se desde filmes “sessão da tarde” como Splash – Uma Sereia em Minha Vida (1984) e Cocoon (1985), até aqueles blockbusters muito americanoides como Apollo 13 (1995). Uma Mente Brilhante (2001) foi seu marco e consagração do Oscar em um filme de grande expressão artística. Mas então veio mais um filme para se alavancar o orçamento, O Código DaVinci (2006) que ficou muito aquém para os fervorosos fãs do livro, como eu. Que venha Anjos e Demônios sem os “mullets” de Tom Hanks. Nesse meio tempo Howard produziu e dirigiu em singelo filme denominado Frost/Nixon (2008), cujo tema é tão especificamente estado-unidense quanto Apollo 13. O republicano Richard Nixon foi presidente dos EUA durante a Guerra do Vietnã e em seu segundo mandato penou durante o escândalo de Watergate, no qual foi acusado de se envolver em um plano de espionagem das ações de campanha do partido democrata. Com a possibilidade de sofrer impeachment, renunciou e nunca mais conseguiu retomar como figura pública de respeito. Na outra ponta temos o britânico David Frost, apresentador de programas de televisão popularesco que, desejando tomar um rumo sério na carreira, resolve entrevistar o ex-presidente sobre o escândalo de Watergate. Para melhor dimensionar o contexto da entrevista imagine se Gugu Liberato após anos a frente do Domingo Legal resolvesse entrevistar Paulo Maluf o pressionando sobre seus infinitos escândalos de corrupção. Teríamos de um lado um apresentador popular, mas politicamente ingênuo, enfrentando um senhor político que responde o que quiser nas perguntas feitas. Montado o palco, temos o embate. Engolido no Oscar pelo fenômeno Jamal, resta aqui destacar a maior injustiça feita pela Academia, a de não premiar Frank Langella, intérprete de Nixon. Basta assistir os vídeos abaixo, a de trechos da entrevista original e do trailer do filme, para se arrepiar com a sua aula de atuação shakesperiana. Em certos momentos fica difícil delimitar se a sua atuação que foi brilhante ou o personagem do fracassado que tenta voltar à tona é que lhe dava a chance para se destacar. Fica a pergunta no ar…
Milk – A Voz da Igualdade (2008) de Gus Van Sant foi concebido para polemizar. Ainda bem, afinal nossa sociedade atual apesar de dizer que aboliu o preconceito as diferenças ainda torce o nariz ao ver pessoas do mesmo sexo andando de mãos dadas em um shopping de metrópole. Quanta hipocrisia. Mas de todas as polêmicas que vi serem levantadas a mais revoltante de todas foi a publicada no blog ZeroOitocentos. O blogueiro Mestre Zen relata o fato do dublador Marco Ribeiro se recusar a dublar Sean Penn em Milk por ser pastor evangélico. Por incrível que parece o mais impressionante não foi a postura do dublador, e sim a chuva de comentários que o post recebeu. Até o momento em que escrevo, o marcador contabiliza 94 comentários, muito deles pesados, necessitando de um estômago forte, tamanha a quantidade de preconceito que certas palavras emanam. Parabéns ao Mestre Zen por, na medida do possível, rebater os comentários mais ofensivos. Bem, voltando ao longa, penso que Milk cumpre bem seu papel em documentar a vida de uma pessoa que não morreu em vão. Mais que um mártir, Milk é um marco na luta política das minorias. Veja bem, das minorias e não para as minorias, afinal ela acordava suas táticas políticas com caminhoneiros, comerciantes, etc. e não apenas membros da comunidade GLS. Um exemplo de que a democracia está acima de interesses individuais e particulares, devendo-se valer a partir de um consenso geral e consenso não é necessariamente o que a maioria acha, mas o que a maioria concorda. Fica registrado aqui o Oscar de melhor Roteiro Original para Dustin Lance Black e o de Melhor Ator para Sean Penn, a única surpresa nesta última edição do prêmio da Academia. Muitos críticos apostaram todas as suas fichas em Mickey Rourke por O Lutador (2008) só que ao Sean Penn faturar o prêmio muitos desses críticos apoiaram a escolha da academia, pois afinal Rourke interpretou a ele mesmo enquanto Penn conceberá tão bem uma persona oposta a sua personalidade. E o que eu acho desta escolha da Academia? Não posso opinar completamente pois de todos os que concorreram a melhor ator não assisti O Visitante (2007) com Richard Jenkis. Porém você poderá tirar alguma conclusão nesse sentido ao ler a minha crítica a Frost/Nixon (2008). Aguardem… Enquanto isso aproveite o trailer de Milk.



















