Preceder um primeiro filme de sucesso não será tarefa fácil para Breno Silveira. “Dois Filhos de Francisco” (2005) conseguiu arrematar um público superior a 5 milhões de espectadores no cinema, melhor marca após a retomada do cinema brasileiro. Se depender da crítica, Breno não será muito auxiliado. A maioria delas aponta a fraqueza na condução da história, como afirma Ronaldo Pelli do G1: “Apesar da boa vontade com o tema, Breno repete todos os clichês do gênero, o que deixa Era uma vez… totalmente previsível do meio para o fim.” Se para alguns o diretor parece perdido entre fazer uma história de amor ou uma crítica social, para outros ele acertou a mão. Entre os poucos que apóiam a obra do diretor, temos Luiz Carlos Merten do Estadão: “Era Uma Vez …começa espetacularmente, tem um desfecho anticlimático, mas depois o diretor acrescenta uma ”pós-filmagem” e o resultado fica mais forte, ainda.”
Se há contradições em elogiar ou não o diretor, sobram críticas positivas para outras frentes do filme, como é o caso da fotografia de Dudu Miranda e Paulo Souza. “Era Uma vez…tem uma bela fotografia nas cenas externas, o que felizmente já é uma tradição em nosso cinema.”, elogia Sergio Batisteli do Overmundo. No geral, o público brasileiro é uma entidade difícil de lidar. Há preconceito contra a produção nacional e uma valorização do cinema norte-americano, uma contradição típica de país colonizado culturalmente por uma potência economicamente superior. Se haverá sucesso de bilheteria para “Era uma Vez…” ou não, não é o que está em jogo. O que se deve levar em conta é se mais uma vez o brasileiro terá humildade em olhar para si, para a própria e cruel realidade que bate em nossa porta não só na televisão, mas na grande tela também.
A Pressão por um Novo Fenômeno
Opinião da Crítica17 de agosto de 2008




















