No início deste mês de Setembro ocorreu no STF (Supremo Tribunal Federal) uma audiência pública sobre o aborto de fetos anencéfalos. Estavam presentes para debater tanto a ala científica quanto a religiosa. No campo dos argumentos pró-aborto o fato de que não haverá qualquer possibilidade de vida nessas condições, e nos contra temos que o Vaticano definiu que a vida não termina com a morte cerebral. No meio dessas discussões, estréia em circuito o documentário de Carla Gallo O Aborto dos Outros (2008). Muito elogiado pela crítica em festivais, chegando a ganhar menção honrosa na última edição do É Tudo Verdade, o filme, segundo o site Le Champo “é profundo e toca de maneira peculiar aqueles favoráveis à descriminalização do aborto. E veio num momento importantíssimo da nossa sociedade, que é quando o tema volta a ser discutido dentro da esfera do poder público.” O site Reuters ainda reforça que “o filme não é apenas sobre aborto. No fundo, esse é um documentário sobre a liberdade de se fazer opções e a conseqüência das escolhas.” E é essa liberdade de escolha que muitas mulheres desejam que nossa legislação sobre aborto (de 1940!) permita. Criminalizar empregadas domésticas negras que abortam por não ter qualquer condição sócio-financeira digna a essa criança, ou permitir que “mães–de–anjo” esfolem o útero de crianças de 13 anos que não apresentam maturidade psicológica para criar um filho é algo totalmente pecaminoso, mas que acaba isento dentro de uma sociedade ainda muito patriarcal e machista para lidar com questões exclusivamente femininas.
Aborto da Feminilidade em Sociedade Hipocritamente Machista.
Opinião da Crítica12 de setembro de 2008





















Porque o STF pediu a opinião dos religiosos? O Estado não é laico? Às vezes penso que anencéfalos são os dirigentes deste país.
Agradeço a citação ao blog… o filme realmente emociona.
Pena que quando falamos do debate entre cientistas e religiosos estamos na realidade falando do debate existente entre a ala cientista do país e a ala representada por grupos católicos, não consultando a opinião de outros grupos religiosos, como os do judaísmo, candomblé, budismo, paganismo, etc, etc… Um debate democrático não pode excluir opiniões de nenhuma espécie e, neste caso, a opnião de mulheres. Só assim teríamos leis mais justas e igualitárias.
Parabéns pelo post!
Adriana