Adaptações biográficas são uma via de duas mãos na cinematografia. Ou temos uma visão nua e crua e arrebatadora do biografado, caso de Val Kilmer incorporando Jim Morrison em The Doors (1991) ou Marion Cotillard reencarnando Edith Piaf em Piaf -- Um Hino ao Amor (2007), ou um endeusamento com as faces obscuras ocultadas, como me transpareceu em Coração Valente (1994) ou Olga (2004). Para a Internacional Business Time o segundo caso ocorreu no recente Mandela -- Luta Pela Liberdade (2007): “Pode-se dizer que há endeusamento excessivo do advogado Nelson Mandela, ex-chefe de uma organização rebelde ao governo que, na década de 1990, se transformou no primeiro presidente eleito pela África do Sul unida. Mas, se há exagero, isso ocorre principalmente porque o filme é narrado sob a perspectiva de um fã de Mandela.” Celso Sabadin do CineClick ainda culpa o cineasta Bille August pelo resultado indesejado: “O diretor dinamarquês Bille August já foi um dos mais cultuados pela mídia especializada e pelos festivais internacionais, graças aos seus filmes Pelle, o Conqusitador (1987) e Jerusalém (1996). Perdeu depois um pouco de crédito com as adaptações literárias A Casa dos Espíritos (1993) e Os Miseráveis (1998). Agora, chega ao circuito brasileiro Mandela -- Luta Pela Liberdade , que August realizou no ano passado. Esperava-se mais. Afinal, Nelson Mandela, uma das personalidades políticas mais marcantes do século 20, deveria (ou poderia) render um filme igualmente fascinante. Não rendeu.” Um dos poucos críticos a defender o longa foi Luiz Zanin em seu blog no Estadão: “O filme, sóbrio, e um tanto quadrado segundo a concepção habitual de August, tem esse preocupação -- a de registrar a grandeza de Mandela, sua dignidade fundamental, a força tranqüila que dele emana. O ator Dennis Haybert (da série 24 Horas), bastante contido, consegue transmitir essa sensação de segurança. Os atores são bem dirigidos, diga-se. O filme também acerta ao mostrar como as conquistas não caem do céu e, no caso, foram obtidas pelo enfrentamento. A negociação só aconteceu quando havia uma posição de força consolidada. É uma história de luta, emocionante e adulta, que bem dispensaria algumas concessões melodramáticas. Mas elas não estragam o filme.” Pelo visto compensa esperar pelo Che de Steven Soderbergh para sabermos como se faz política de forma ‘pacífica’…
Carceragem Biográfica
Opinião da Crítica30 de outubro de 2008




















