O Poder de Ontem, A Decadência do Hoje …

FatalPhilip Roth, escritor norte-americanos, está em cartaz em uma adaptação para o cinema de sua novela O Animal Agonizante, agora com o título de Fatal (2008) estrelada por Penélope Cruz (Volver – 2006) e Bem Kingsley (Casa de Areia e Névoa – 2003). Para Paloma Ornelas do LasKakumbuka o ponto forte do filme é seu tratamento sobre como nós lidamos com relógios e calendários: “A questão do tempo é muito marcante no filme, fala-se na diferença de idade entre professor e aluna, depois entre professor e amante que outrora também fora sua aluna, entre amigos que comentam a beleza das mulheres mais jovens, entre pai e filho. (…)Fatal é narcisista, usa o pano de fundo das obras de arte a fim de evocar a beleza misteriosa da jovialidade eternizada nos quadros, é um filme que usa o tempo como um antagonista cruel e imbatível. Soa triste, como seu título Elegy (no original, em inglês) ou elegia em português, poema de tom triste, um lamento.” Alguns críticos, como Angélica Bito do Yahoo! Brasil Cinema, elogiam a condução da diretora espanhola Isabel Coixet neste longa. “A cineasta sabe o que faz quando se trata de filmar histórias melancólicas, como Minha Vida Sem Mim (2003) e A Vida Secreta das Palavras (2005). Mas, diferentemente desses dois filmes, em Fatal ela deixa de analisar perfis femininos para se concentrar num homem, personagem vivido por Ben Kingsley em interpretação memorável. (…) Por mais que Isabel Coixet aborde outros tipos de melancolias em seu novo trabalho, a cineasta ainda é capaz de emocionar pela tristeza das histórias que conta. Desta forma, é necessária certa preparação de espírito para assistir a Fatal; afinal, trata-se de um longa melancólico e triste, que aborda a questão da perda: da juventude, do amor ou mesmo da autoconfiança.” Já outros críticos, como Érico Borgo do Omelete, não acham que a diretora deu o devido tratamento à obra. “Coixet entrega um filme calculado para amenizar o choque, romantizá-lo. Apesar de apreciar o olhar estético da cineasta, com sua luz acolhedora e composição cuidadosa, ela me parece a escolha errada para o tom da obra original. O Animal Agonizante exigia visceralidade e alguém que se relacionasse com Kepesh -- ou que fosse mais contestador e corajoso.” De qualquer forma é interessante notar essa contestação nas duas críticas com elogios à sensibilidade contratando com o sentimento de que faltou algo mais pesado. Normal na leitura de um livro em que cada um faz em sua mente um pequeno longa imaginativo…

Um comentário para “O Poder de Ontem, A Decadência do Hoje …”

  1. [...] que na tela grande se tornou Fatal (2008). Um fato interessante quanto estava fazendo o post da Crítica referente a esse filme foi a discordância entre críticos do sexo masculino e feminino. Elas [...]

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