Capote & Monroe… Ou Hepburn?

Ao revirar as críticas sobre o Clássico em DVD Bonequinha de Luxo (1961) me deparei com uma história interessantíssima que rondou o filme, como nos conta o blog Luzia – Crítica de Cinema. “Truman Capote escreve em 1958, Breakfast at Tiffany’s idealizando um filme protagonizado por sua amiga, a sedutora Marilyn Monroe. Mas após o acerto com os estúdios da Paramount para as filmagens, a idéia do escritor precisou ser abandonada, pois, Marilyn tinha contrato com a Fox e, alugar a atriz seria demasiado caro. A eleita então, a contragosto de Capote, foi Audrey Hepburn. Audrey, que até que momento só havia interpretado moças inocentes, não correspondia exatamente ao perfil da garota de programa Holly Golightly. O roteiro foi, inclusive, adaptado e atenuado, fato excluso foi a bissexualidade da protagonista, por exemplo. A escolha do diretor também gerou discórdia: inicialmente seria Frankenheimer, mas Hepburn alegou que não e conhecia e pediu a troca. A direção fica por conta de Blake Edwards, dando início à frutífera parceria com a atriz.(…) O roteiro de Capote perdeu em densidade com a adaptação para o cinema, mas as  alterações no enredo junto à promissora parceria de Audrey Hepburn e do diretor fizeram da trama um clássico, com direito à canção Moon River, escrita exclusivamente para a voz da atriz — que nunca havia estudado canto. O resultado é um filme com ares de conto de fadas moderno; suave, conflitante, mas, sobretudo envolvente.” Juliana Fauto da Contracampo destrinchou um pouco mais do ocorrido.
“Quando Truman Capote escreveu a novela Breakfast at Tiffany’s, em 1958, pensou que sua amiga Marilyn Monroe seria a tradução perfeita da personagem Holly Golightly, espécie de call-girl e cabeça de vento, socialite golpista e ao mesmo tempo ingênua, que flana pela vida seguindo o que considera mais divertido e cujo maior sonho é abocanhar um ricaço. Achava que Marilyn possuía um quê de inocência ainda que voluptuosa -- capaz de tornar a amoralidade de Holly antes de reprovável, charmosa. Acontece que, três anos depois, quando a obra foi ser filmada, quem detinha seus direitos era a Paramount – e a atriz, que estava sob contrato com a Fox, seria um ‘empréstimo’ muito caro. Escalada para o papel, então, foi Audrey Hepburn, contratada do estúdio e de certa forma a antítese de Marilyn. Enquanto a loura esbanjava sensualidade, Hepburn personificava a heroína romântica e quase que desprovida de sexo -- mesmo Amor na Tarde (Love in the Afternoon, 1957), em que são insinuadas relações entre ela e Gary Cooper, deixa patente que a mocinha era virgem e, na narração em off do final, que o affair com o conquistador resultou em casamento, o que, aliás, parece ter sido inserido no filme somente para apaziguar os ânimos mais tradicionais e familiares. Enfim, então, depois de filmes como A Princesa e o Plebeu (Roman Holiday, 1953), Sabrina (idem, 1954) e Cinderela em Paris (Funny Face,1957), Hepburn, que havia dado à luz três meses antes, resolveu aceitar viver a personagem de Capote. A escolha, que desagradou o escritor profundamente, viria, porém, a se mostrar a mais acertada. Pois Blake Edwards -- tendo dirigido muita tevê e cujo grande hit, A Pantera Cor-de-rosa (The Pink Panther, 1963) (que daria origem a mais sete filmes, se contarmos o fiasco O Filho da Pantera Cor-de-rosa), ainda estava por vir -- realizou uma fita com um clima bem pouco capotiano e muito mais ao gosto de seu próprio humor. Para começar, o mundo em que é ambientado Bonequinha de Luxo é praticamente inofensivo, embora tresloucado, e a presença de Audrey Hepburn como personagem principal é o primeiro ingrediente para que o filme, ainda que conte com certos ares farsescos e conte com material pesado, possa fazê-lo com algum charme e elegância.” Rodrigo Cunha do CinePlayers então conclui a profunda ligação de Hepburn e Capote viriam a ter. “Audrey Hepburn e Truman Capote são dois nomes que poderiam ser considerados simétricos. O charme e delicadeza de uma, confrontada com o modernismo e a realidade crua e cheia de adjetivos do outro indicava que uma combinação desses dois nomes era algo simplesmente impossível de se acontecer no cinema. Eis que, em 1961, o diretor Blake Edwards conseguiu a proeza de adaptar uma história do ousado escritor de personagens complexos e de morais duvidosas com a delicada Hepburn como protagonista de uma obra cinematográfica. O resultado é pesado, bonito e delicado.”
Resta a nós usar a nossa doce imaginação para imaginar como esse clássico teria se encaixado sobre a poderosa Marilyn Monroe. Ou nos deliciarmos com Audrey Hepburn e seu clássico rosto de bonequinha de porcelana…

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Um comentário para “Capote & Monroe… Ou Hepburn?”

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