Em meados de 1995 estreava o filme que faria uma verdadeira reviravolta no gênero Suspense, Seven -- Os Sete Pecados Capitais (1995). Com este longa o cineasta David Fincher, norte-americano nascido em Denver, conseguiu despontar como diretor. Mas assim como M. Night Shyamalan ficou estigmatizado em seus trabalhos subsequentes, sempre sendo cobrado por repetir o que fizera em O Sexto Sentido (1999), Fincher ficou com o estigma de Seven. Seus longas posteriores, destacando Clube da Luta (1999), Quarto do Pânico (2002) e Zodíaco (2007) não foram unanimidade tanto para o público quanto para a crítica. Agora em 2008 sua mais nova obra O Curioso Caso de Benjamin Button novamente desperta uma cisão na crítica. Demetrius Caesar do CinePlayers apresenta sua visão totalmente negativa do longa, culpando especialmente as pretensões do diretor David Fincher. “Uma pena. Com uma história tão interessante (a do homem que nasce velho e vai rejuvenescendo com o tempo), atores carismáticos (Brad Pitt soube manejar sua carreira com inteligência e se meteu em vários bons filmes), belos e convincentes efeitos visuais, tudo conspirava a favor do filme, mas as fraquezas do diretor Fincher nunca foram tão evidentes, nunca suas cenas pareceram tão mal dirigidas em todos os filmes que comandou. (…) Em vários momentos, imagina-se que a história foi desperdiçada nas mãos de David Fincher -- um diretor menos pedante poderia ter feito algo melhor, mas com certeza não teria ido tão longe na parte técnica. Talvez pela complexidade, tanta gente tenha desistido de levá-la a cabo (Spielberg, Spike Jonze, Ron Howard). O próprio Scott Fitzgerald escreveu apenas 25 páginas e deixou tudo inconcluso. Há que considerar a coragem de Fincher, mas ainda falta um bom caminho para se tornar realmente um bom diretor, fato que vai acontecer quando ele apurar o estilo e deixar de lado seus exageros visuais maneirísticos.” Érico Borgo do Omelete coloca Fincher no panteão dos grandes diretores e classifica Benjamin Button como obra-prima, frisando que o diretor tem a imensa vontade de arrancar o estigma de Seven. “David Fincher recentemente declarou seu total desinteresse em realizar uma sequência para Se7en -- Os Sete Pecados Capitais. ‘Tenho mais interesse em ter cigarros sendo apagados em meus olhos’, comentou na ocasião. O cineasta é categórico: ‘Eu vivo tentando sair de baixo de minha própria sombra. Eu não quero fazer a mesma porcaria de novo e de novo’. (…) ( Em Benjamin Button) Fincher soube cercar-se como nunca de talentos para realizar sua mais poética obra, uma que -- como se ele já não estivesse -- o arranca debaixo de sua sombra e o coloca sob as mais brilhantes luzes da sétima arte.” Se o próprio Benjamin Button luta toda a vida para mostrar que o exterior não condiz com seu exterior, ou seja, que não basta lançar um olhar superficial e estereotipado das coisas, quem sabe não seja a hora dessa cobrança de filmes anteriores não cair por terra também?
O Estranho Caso de David Fincher
Opinião da Crítica29 de janeiro de 2009





















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