Como de praxe, temos as comparações de obras anteriores do diretor. Comparações duras e cheias de cobrança. A vítima de agora foi Sam Mendes que ganhou um Oscar logo com seu primeiro longa Beleza Americana (1999). Depois tivemos Estrada Para a Perdição (2002) e Soldado Anônimo (2005). Como você pode ver, 2 longas se passaram desde a consagração com o prêmio da Academia. Mas as cobranças agora parecem maiores, pois, o diretor (ironicamente um inglês de Berkshire) volta a destilar a sua crítica contra o American Way of Life. Robledo Milani do CineRonda já logo de cara escancara a superioridade do primeiro longa do diretor. “Foi Apenas Um Sonho tem muitas similaridades com o primeiro longa de Mendes, o muito mais bem sucedido Beleza Americana. Ambos falam do fim de uma realidade perfeita. Só que o que antes era provido de muita ironia e sagacidade, desta vez carrega apenas amargura e decepções. São personagens solitários, perdidos e muito infelizes. E o maior de todos é a esposa, uma mulher que sofre de depressão profunda e de grande insatisfação por não conseguir lidar com suas limitações. E, neste processo, termina por destruir todas as chances de paz e tranqüilidade daqueles que insistem em permanecer ao seu lado, com o marido e filhos. Eles tinham tudo para estarem realizados – uma boa casa, dois filhos saudáveis, uma gravidez à caminho, uma promoção no emprego – porém, quando algo está errado internamente, corroendo qualquer esperança, não há nada que venha de fora que possa mudar este quadro.” Pablo Vilhaça do Cinema em Cena faz a mesmíssima comparação. “Ao escrever sobre O Curioso Caso de Benjamin Button, apontei as preocupantes semelhanças entre aquele filme e Forrest Gump – algo que se tornava ainda mais relevante ao considerarmos que ambos haviam sido escritos pelo mesmo roteirista, Eric Roth. Pois algo parecido me veio à mente ao assistir a este Foi Apenas um Sonho, cuja análise impiedosa das contradições entre a aparência idílica do ‘american way of life’ do subúrbio e a crua realidade subjacente remete diretamente a Beleza Americana, primeiro longa de seu diretor, Sam Mendes. E, do ponto de vista temático, o cineasta faz realmente o mesmíssimo filme, embora, aqui, decepcione por acabar não fazendo jus ao magnífico livro de Richard Yates no qual se inspirou, mesmo mantendo-se bastante fiel a este.” Luiz Zanin no Caderno 2 do jornal O Estado de São Paulo foi o mais equilibrado na comparação entre os dois longas. “Foi Apenas Um Sonho, tradução que arranjaram para Revolutionary Road, é dirigido por Sam Mendes, de Beleza Americana e Estrada para a Perdição. Mendes não é exatamente uma unanimidade crítica -- o que talvez seja uma vantagem. Há quem o recrimine por caprichar mais na cobertura do que no bolo, ou seja, de fazer filmes em aparência profundos, mas sem grande substância. Talvez seja apenas implicância. É provável que seja isso mesmo. De qualquer forma, mesmo quem tenha restrições a Beleza Americana terá a chance de reformular julgamento com este Foi Apenas Um Sonho, em aparência um projeto mais simples.(…) De maneira sutil, Sam Mendes procura penetrar na intimidade da aparentemente sólida instituição familiar -- exatamente para implodi-la, como fizera em Beleza Americana. É extraordinário que não se consiga ver o que há de corrosivo em Foi Apenas Um Sonho. A começar pela atuação da dupla. Inútil dizer que ambos parecem superficiais, pois o que os acomete é, de fato, a doença da superficialidade.” Cabe seguir os conselhos de Zanin, parar de implicância e aproveitar a obra fílmica sem comparações que fogem de um viés saudável e ético.
A Eterna Comparação
Opinião da Crítica16 de fevereiro de 2009





















Querida, adorei a citação. Porém, mais atenção aos créditos, por favor. Meu nome é “Robledo”, e não “Roberto”. Abração!