Não deu outra. A crítica como um todo monopolizou suas opiniões quanto ao longa O Lutador (2008) enfatizando o quanto este fez com que o decadente ator Mickey Rourke ressurgisse das cinzas como a boa e velha Fênix. O Blog Cinema & Afins Destaca o favoritismo a melhor ator para o prêmio da Academia. “É difícil não comparar o filme com a própria biografia do ator, afinal no auge nos anos 80, ele resolveu se dedicar ao boxe profissional , e desde lá , foi fazendo papeis pequenos em filmes pequenos. Em 2005 ressurgiu das cinzas para participar filme Sin City, a adaptação de uma história em quadrinhos de Frank Miller, aonde encarnou o papel de Marv e com seu rosto completamente desfigurado (decorrente as cirurgias plásticas) o personagem caiu como uma luva (com perdão o trocadilho) para Rourke. Mas só agora em uma atuação poderosa ,e premiada ( o ator já abocanhou o globo de ouro e o Bafta e tem grandes chances de ganhar o homenzinho) , aonde suas emoções são guiadas pelos os olhos, Mickey Rourke pode colocar pra sempre o seu nome na história do cinema.” Neusa Barbosa do CineWeb afirma que não foi apenas a carreia de Rourke que ressurgiu, mas também a do diretor Darren Aronofsky. “O Festival de Veneza é palco de grandes lembranças para o diretor Darren Aronofsky. Em 2006, pelas vaias – merecidas- que teve de ouvir contra o desastroso A Fonte da Vida. Um filme que fez pensar que seu talento, revelado em Pi (98) e Réquiem para um Sonho (2000), havia se esgotado. Na edição de 2008 do mesmo festival, Aronofsky renasceu íntegro desse desastre com a consagração de O Lutador, que não só arrancou aplausos desde sua primeira sessão como venceu o Leão de Ouro. O outro fênix que renasceu brilhantemente das cinzas com este filme poderoso foi seu protagonista, Mickey Rourke. Na pele de Randy ‘the Ram’ Robinson, brilha um Mickey Rourke irreconhecível, fisicamente destruído, aparentando mais do que os seus 56 anos, com longos e desgrenhados cabelos louros, que em nada lembra o galã do hit sensual Nove e Meia Semanas de Amor (86) e o jovem ator promissor de O Selvagem da Motocicleta (83) . Um detalhe que serve à perfeição ao seu personagem, um lutador de luta livre envelhecido, doente e com carreira e vida pessoal em queda livre. É a volta por cima de Rourke, também, cuja carreira mergulhou no ocaso há anos, apesar de alguns ocasionais bons momentos, como a participação em Sin City (05).” E finalmente, Rubens Ewald Filho no Blog da Redação no UOL disserta todo o seu desprezo pela figura de Rourke, e da injustiça que pode estar sendo feita ao lhe entregar a estatueta dourada. “Embora em momento nenhum admita que tudo aquilo é mentiroso, nem tenha qualquer pretensão em denunciar qualquer coisa, sua opção foi mostrar aquele mundo pelo ponto de vista de um lutador decadente, quase patético, no fim de carreira -- recurso muito usado em dezenas de filmes de boxe. Também mantém a dignidade deles, nunca os deixa cair na caricatura, sempre respeita as figuras como seres humanos. E, a bem da verdade, o filme não daria certo com outro ator a não ser Mickey Rourke. Imagine, por exemplo, Dwayne “The Rock” Johnson, no lugar dele. A questão a discutir é se Mickey é o personagem ou o ator. Como Hollywood adora um retorno, fica difícil separar as coisas. (…) Mas ele é um exemplo de como destruir uma carreira. Porque foi justamente o que fez Rourke, um cara que pirou, que se autodestruiu. Logo depois, largou o cinema para virar boxeador, apesar de ter mais de trinta anos. Enfim, o resultado você vê agora em seu rosto, que é deformado, reconstruído, trazendo a marca de seus erros e descaminhos. Virou um monstrengo, uma figura que no entanto não perdeu seu tom pretensioso. Que continua acreditando no mito que ele mesmo inventou e que o diretor Darren Aronofski soube tão bem utilizar.Não sei, porém, se isso é interpretação e merece prêmio, porque ele não construiu um personagem. Simplesmente, foi ele mesmo.” Se Rourke foi ele mesmo ou interpretou algo, não deixa de ser uma imenda redenção, uma segunda chance para alguém que quase desistiu de si mesmo no círculo de auto-destruição e auto-flagelação.
A Fênix Rourke
Opinião da Crítica19 de fevereiro de 2009




















