Política Fria

watchmen-a-criticaAnalisando as críticas referentes ao longa Watchmen (2009), boa parte delas analisa o longa como frio, afirmando que o diretor Zack Snyder transpôs com esmero o aspecto visual do filme, mas que o roteiro careceu de uma humanidade que retirasse esta frieza.  O Cine Repórter Rodrigo Carreiro faz esse contraponto, juntamente com a expectativa criada pelos fãs. “A expectativa era grande. Nove entre dez leitores de quadrinhos de super-heróis colocam a novela gráfica Watchmen, publicada entre 1986 e 1987, no topo da lista das publicações mais interessantes do gênero. Filmando em um momento favorável às adaptações de HQs, com orçamento invejável de US$ 130 milhões e profundo respeito pelo material de origem, o cineasta Zack Snyder tinha tudo para criar um grande filme. As boas intenções são evidentes. Snyder recriou o mundo ficcional imaginado pelo escritor inglês Alan Moore nos mínimos detalhes. Reproduziu cenários com fidelidade canina, utilizou a mesma escala cromática dos gibis, copiou enquadramentos e composições visuais. Ainda assim, fez um filme sem alma, irregular e exagerado, em que boa parte das nuances que davam complexidade e humanidade à história ficaram pelo caminho.” Alysson Oliveira do CineWeb também reforça esta visão de que os quadrinhos estão lá em seu aspecto visual, mas que falta algo, além de acrescentar o questionamento político que o filme traz. “Certamente, os fãs da série em quadrinhos vão se deleitar vendo praticamente tudo o que foi concebido no papel transferido para a tela, inclusive diálogos literais. Mas a alegria de alguns pode ser o pesadelo de outros. Tanta reverência não deixa espaço para que os personagens e a trama respirem sozinhos. O ar retrô de Watchmen (a ação se passa em meados dos anos 1980 mas com forte influência da década de 1960) é reforçado pela trilha sonora, que inclui Bob Dylan, Simon & Garfunkel, Leonard Cohen e Billie Holiday. Aqui, Nixon concorre ao quarto mandato e uma guerra nuclear entre Estados Unidos e União Soviética é iminente. Watchmen possui um acabamento visual atraente e, ao contrário de outras adaptações reverentes, como Sin City, não cansa. Por sua vez, o questionamento central do filme pode fazer uma ponte com os tempos atuais de incertezas e guerras pelo mundo. O preço pela paz pode ser mais caro do que se imagina.” E, finalmente, Mateus Potumati especial para o G1 deixa claro ao leigo em Watchmen, aquele que nunca leu os quadrinhos, o que o aguarda, além de contextualizar politicamente a trama. “Quem vai ao cinema sem conhecer a história e espera um filme de ação cheio de pancadaria, efeitos e trama policial, precisa entender umas coisas antes. Watchmen não é uma história de super-herói qualquer. E isso, por mais que pareça o papo daquele amigo nerd que tentava convencê-lo a ler gibi, é bem sério. Watchmen se situa junto às melhores obras de ficção científica e política do século XX. É pesado, perturbador e complexo. (…) O contexto político também exige algum embasamento: o mundo onde se passa a trama é uma realidade paralela situada nos anos 1980, que faz os reacionários anos Reagan parecerem o governo Obama. Nele, os EUA ganharam a Guerra do Vietnã – com a ajuda dos heróis –, e a tensão entre EUA e URSS está prestes a esquentar a Guerra Fria. O presidente do país, pela terceira vez consecutiva, é o ultra-conservador Richard Nixon, que na vida real renunciou em 1974 após o escândalo Watergate. (…)Apesar do contexto político distante, também é inevitável pensar nos anos Bush. A história de Alan Moore joga com a ambiguidade entre mentira e verdade, bem e mal, meios e fins, expondo a complexidade das relações éticas e morais humanas. Nada mais adequado,portanto. Na adaptação, como o andamento é mais superficial, essa discussão fica esvaziada. No final, é quase como se o desfecho conservador fosse justificado, como a invasão de certo país do Oriente Médio mediante a bravata da destruição em massa. Não se trata de acusar Snyder de propaganda republicana, mas o mal-estar esperado, que seria bem vindo, fica amenizado. Seja como for, Watchmen – O filme tem o notável mérito de gerar esse tipo de discussão em torno de uma história em quadrinhos, e amplificá-la em escala geométrica. Resta saber o que você, que não conhece o quadrinho, vai achar.” E você, o que achou tendo conhecido ou não a obra impressoa? Deixe a sua opinião na área Você do site. Clique AQUI e seja um crítico você também, pois talvez isto seja melhor do que vestir uma capa super-herói e ao perseguiu os bandidos acabe prendendo a capa onde não deve e … Trágicas conseqüências!

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