Simplesmente Irritante?

simplesmente-feliz-a-criticaQual é o humor necessário para se ver um filme como Simplesmente Feliz (2008) do diretor britânico Mike Leigh?
Daniel Esteves de Barros assume no início de sua crítica no Cine-Phylum que provavelmente estaria de mau-humor aquele dia e que o filme não o ajudara em nada para melhorar isso e ainda concluiu: “O filme estranhamente ganha muito ritmo em seu final. Além de explorar o instrutor de auto-escola Scott de um modo mais cativante (e confesso que ri bastante quanto à teoria dele acerca de ocultismo envolvendo um monumento em Washington e o modo como utiliza Lúcifer e os outros dois anjos caídos, Enharah e Raziel, para atribuir uma alcunha aos três espelhos retrovisores de um veículo) o roteiro ainda consegue se mostrar bastante interessante. A comédia ridícula dá ar a um pequeno drama bastante satisfatório. As atuações de Sally Hawkins e Eddie Marsan se revelam monstruosas (e não é culpa deles se os seus personagens são extremamente caricatos) e dignas de uma indicação ao Oscar (ao contrário do roteiro que, nem nos meus sonhos mais bizarros, teria tal honra concedida). Mas é justamente quando o filme se torna interessantíssimo que ele, infelizmente, se encerra abruptamente. Enfim, mais um engodo dentre os muitos engodos cometidos pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas deste ano.” Charles M. Helmich do CinePlayers
“Para interpretar a contagiante professora Poppy, a atriz Sally Hawkins precisou buscar muita pureza de espírito. Vestida em roupas espalhafatosas com cores berrantes e botas de couro de cobra, sua personagem parece ter saído de algum filme do Almodóvar, indo parar acidentalmente no espectro cinzento de Londres. Solteira e despreocupada, a protagonista do filme Simplesmente Feliz leva a vida numa boa sem se importar com a rabugice do seu diretor na escola primária e as crises de insegurança da irmã mais nova. Seu jeito maquinal e saltitante, sempre com um sorriso preso no rosto nem sempre contagia as pessoas. Por vezes, surte efeito contrário. (…) Olhando de maneira superficial, a professora Poppy tem tudo para nos aporrinhar. Seja numa conversa à toa com um mendigo ou quando se veste de galinha e começa a cacarejar dentro de uma sala de aula, tudo nela parece sem sentido. Acontece que a questão é simples. Amar a profissão com intensidade, ver o lado bom das coisas, sentir-se bem como solteira e não se deixar afetar pela infelicidade das outras pessoas é meramente um instinto de sobrevivência para a protagonista.” Se a irritante felicidade é proteção então vamos nos devorar de ilusão e esquecer de tudo e todos, vivendo simplesmente felizes? Difícil, impossível, desumano…

Simplesmente Feliz 7 Comentários

7 comentários para “Simplesmente Irritante?”

  1. Mariana, só para constar, meu humor NUNCA é positivo hehehehehe, critiquei o personagem de Eastwood em “Gran Torino” alegando que o mesmo era caricato, mas eu não difiro muito dele, aparentemente, é claro, pois não faço carrancas ou rosno durante o dia inteiro, mas estou sempre muito sério.
    Por exemplo, estava de extremo mal humor (ainda mais do que antes de assistir a “Simplesmente Feliz”) quando assisti a “A Vida de Brian”… está bem, está bem, não apelarei, não usarei um clássico da comédia para tal exemplo. Rebobinando… estava de extremo mal-humor (para variar) quando assisti a “Superbad – É Hoje!” e quase urinei nas calças de tanto rir.
    O problema é que “Simplesmente Feliz” é um filme idiota mesmo, a personagem dá risinhos por tudo e por nada, e francamente, não acredito que rir de tudo seja o caminho da felicidade.

  2. mariana disse:

    Olá Daniel…

    Ah agora sim, fica para registros qual é o estado de espírito permanente do senhor! (rs)
    Confesso que tenho meus periódos oscilantes, algo totalmente bipolar. Ora que amo a tudo e a todos e hora que a TPM baixa e eu quero esganar o pescoço de todo mundo que surge em meu caminho… rs! Coisas da natureza humana.

    beijocas

  3. Ciro disse:

    Achei Poppy, a personagem de Sally Hawkins, caricata demais e irritante. Não gostei do filme. Me irritou do começo ao fim, apesar de ter algumas partes boas (especialmente as cenas com o instrutor de carro). Talvez seja esse humor britânico meio nonsense… Sei lá.

    Abraços!!

  4. Faço minhas as palavras de Ciro, com uma ressalva quanto ao humor britânico nonsesne. “Simplesmente Feliz” conta com um humor idiota, e não nonsense. O humor nonsense é idiota? Completamente, mas é inovador e hilário, Poppy não tem nada de inovadora e hilária, é só um alienada idiota, apenas isso. Vindo dela, só se salva mesmo a atuação de Sally Hawkins, que é muito boa.

  5. Rafaele disse:

    Bem, o filme não é um dos melhores que eu já assisti, porém tenho que admitir que o filme deixa uma mensagem a ser discutida… Ser feliz demais arranca da maioria das outras pessoas repulsa..Não é fácil ser feliz num mundo em que vivemos.Hoje infelizmente pessoas mau-humoradas são bem mais aceitas na sociedade, por parecer mais de acordo com o nosso mundo real, o que eu discordo completamente..A personagem Poopy, ela não tem nada de tão ingênua, como alguns poderiam pensar. Ela sabe que o mundo não é nada cor-de-rosa, que o mal existe em toda parte, mas decidiu enfrentar essas constatações normais de qualquer vida a partir de uma outra postura. E com isso contribui incrivelmente para tornar o mundo melhor…

  6. “Hoje infelizmente pessoas mau-humoradas são bem mais aceitas na sociedade”

    Parafraseando Silvio Santos:
    “Má oe, você está certa disso, Rafaele?”

    Responda rápido: quem é mais aceita na sociedade, Ivete Sangalo ou Fernanda Young (sei que as vertentes artísticas adotadas por ambas são bem diferentes, mas o que quero que leve em conta aqui é apenas o humor de ambas e o grau de aceitabilidade social delas)?

  7. LUCIANA VASCONCELOS disse:

    Achei esse filme idiota mesmo!! Uma pessoa não é feliz só porque ri o tempo todo. A personagem Poly é feia, desengonçada,chata e irresponsável, proncipalmente nas aulas de direção. Ela e as amigas não se preocupam com o futuro, bebem e fumam, ou seja têm nemhum respeito pela saude. As atitudes dela não lembram uma adulta e sim uma pré-adolescente desequilibrada.De positivo nessa filme só a cena dela com as crianças na escola.

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