A Crítica de Cacá

bye-bye-brasil-a-criticaO cineasta alagoano Carlos Diegues, ou Cacá Diegues, possui uma importante filmografia dentro da história do Cinema Brasileiro. Estão sob sua direção títulos como Xica da Silva (1976), Tieta do Agreste (1996), Orfeu (1999) e Deus é Brasileiro (2003). Em 1979 ele seria responsável por uma obra que mostraria que a transição ditadura/democracia em nosso país não traria grandes progressos a muitos brasileiros. Everton Amaro no blog Novo Tom
disserta mais sobre o contexto cultural que envolve o longa Bye Bye Brazil (1979). “O longa-metragem dirigido por Cacá Diegues mostra o Brasil da década de 70, período marcado pela ditadura militar. Nesta época o país passa por um processo de modernização. Com a vinda das multinacionais as condições culturais, sociais e econômicas são modificadas; modificações essas, que são fielmente retratadas numa aventura vivida pela Caravana Rolidei, percorrendo o norte e o nordeste do país, através da Trans-Amazónia. A globalização mudou a forma de agir, pensar e ser de todo o planeta terra, com os brazucas não poderia ser diferente. Em Bye Bye Brazil, é nítido os choques culturais recheados com um humor fino e esculhambado; índios usando bermuda e óculos Rainbow, bailes bregas tocando músicas americanas, a caravana rolidai com atrações de primeiro mundo; e ela, a própria, Betty Faria, nossa rainha do chanchada no papel de Salomé. (…) O Brasil retratado por Cacá Dieges -- não querendo ser um falastrão -- está virando uma bisca endomingada. Com a cultura multinacional criando um universo de desejo por bens de consumo, a perda de identidade é muito clara, principalmente quando o filme retrata uma super valorização de o que é vindo de outros países.” Jairo Ferreira no blog Cinema de Invenção faz apontamentos a respeito das regionalidades apontadas no longa. “O filme se passa no Nordeste, Norte e Centro do Brasil. Mas o Brasil todo não cabe em três regiões: o Brasil está em São Paulo, onde há nordestinos, nortistas, centristas, sulistas. O Brasil todo só coube num único filme, O Bandido da Luz Vermelha (1968), de Rogério Sganzerla, porque a ação é passada em São Paulo, com todas as regiões sintetizadas na maior concentração industrial ou não do País. Mas Bye Bye também não é um filme sobre o que começa a acabar naquelas regiões. Se entendi bem, o que começa a acabar é o pessimismo e o que acaba de começar é o otimismo. (…) Não estou sendo irônico nem maldoso: estou sendo crítico. O filme de Diegues exibe uma má consciência do Brasil. Não sei se pior ou melhor do que aquela de Arnaldo Jabor em Tudo Bem (1978) tentando colocar o Brasil todo dentro de um apartamento! Turismo pretensioso é tão nocivo quanto sínteses parciais e equivocas que se tomam por abrangentes. De resto, não engulo a frase final de Bye Bye: ‘Ao povo brasileiro do século 21’.” Então que nos brasileiros deste novo século vejamos esta obra a que nos foi dedicada.

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